0 SENHOR JAMAIS ESQUECE
Moisés, Homem de Deus
Quando pensamos que não há para onde ir, Deus está prestes a fazer e seu grande lance. O que muitas vezes julgamos ser o pior, nada mais é que a última etapa da preparação para o melhor. Nosso desespero é o prelúdio para o nascimento da esperança genuína. O que nos parece o fim não passa de uma pausa para um novo começo.
No momento dramático em que os hebreus estavam prestes a sucumbir, Deus preparava a Moisés. "Ouvindo Deus o seu gemido, lembrou-se da sua aliança com Abraão, com Isaque e com Jacó. E viu Deus os filhos de Israel, e atentou para a sua condição" (Êxodo 2:24-25).
O Senhor jamais se esquece de nós. As circunstâncias podem levar à conclusão humana e limitada de que Deus se esqueceu de nós, ou de que ele sofreu um lapso de memória acerca de nossa condição pessoal ou das perplexidades de seu povo como um todo.
Mas o Êxodo nos revela que, no exato momento em que nos desesperamos, Deus prepara uma saída. Sempre acima do que nos parece possível, acima do alcance de nossas maiores expectativas, Deus opera. O mesmo Deus que fez uma aliança com seu amigo Abraão, que lutou com o obstinado Jacó, que tornou a amargura de José em amabilidade, é também o Senhor que encontra uma saída para Moisés e libera o Êxodo. Deus não se esqueceu de seu povo no Egito. Quando pensavam que tudo havia acabado para eles, o Senhor preparava tanto a libertação como um libertador, que se tornaria o homem mais poderoso do Antigo Testamento.
O povo de Israel estava no Egito havia cerca de trezentos e cinqüenta anos quando Moisés nasceu. A situação do povo foi aos poucos mudando para pior: de honrados convidados chegaram à condição de escravos. As parteiras receberam ordens para matar os recém-nascidos do sexo masculino, mas quando isso não deu resultado, Faraó ordenou que os meninos hebreus fossem jogados ao Nilo. A vida se tornou intolerável. Todavia, quanto mais os israelitas eram afligidos, tanto mais se multiplicavam.E no auge do seu sofrimento, nasceu um menino a um casal da linhagem de Levi, o qual deveria tomar-se poderoso profeta do Senhor do impossível!
A história de como sua mãe sobrepujou em astúcia a Faraó, salvando o menino, contém um toque de humor. Ela conseguiu ocultá-lo por três meses cheios de horror. Imagine a apreensão dela a cada passo que se aproximava. A qualquer momento o belo menino poderia ser arrancado de seus braços e morto perante seus olhos!
Acredito que o Senhor lhe deu o brilhante plano de deitá-lo num cesto de vime recoberto de piche e breu, e colocá-lo no Nilo, no exato lugar onde ela sabia que a filha de Faraó viria banhar-se. Vocês sabem o que aconteceu. A princesa achou a criança, sentiu-se movida a salvar-lhe a vida e decidiu levá-la para o palácio. Mas quem iria amamentá-la? Aqui está o humor. Miriã, a irmã do bebê, encontrava-se nas proximidades com uma solução prática. Por que não chamar uma das mulheres hebréias para amamentar a criança? A filha de Faraó concordou. E quem foi chamada? A própria mãe da criança. Creio que Deus sorriu naquele dia! Ele estava operando o seu plano. Deram à criança o nome de Moisés, que significa "retirado das águas". Um nome apropriado para alguém que Deus, em tempo oportuno, usaria para tirar o seu povo das altas ondas de perseguição e sofrimento. Enquanto o povo gemia, Deus estava agindo!
Na casa de Faraó, Moisés teve o melhor de dois mundos. Certo dia, saiu Moisés em direção a uma área de escravos em Gósen e viu um feitor egípcio surrando um dos escravos. Tomado de ira e indignação, ele matou o egípcio. Pensou que ninguém tivesse observado o seu ato, mas a espantosa notícia correu rápido entre os hebreus e por fim chegou ao conhecimento de Faraó. A sorte estava lançada: nada mais restava a fazer senão fugir para o deserto de Midiã a fim de salvar a vida.
Essa fuga também fazia parte do plano de Deus. Ele fez que Moisés deixasse a corte de Faraó a fim de prepará-lo para ser o libertador de Israel. Sabemos que ele permaneceu no deserto quarenta anos. Todo esse tempo ele esteve sob a influência de Jetro, um sacerdote midianita que adorava ao Senhor. Moisés se casou com Zípora, filha de Jetro, e teve dois filhos, Gérson e Eliezer. Como pastor do rebanho de Jetro, Moisés aprendeu acerca da vida no deserto, tomou conhecimento das rotas de viagem e das fontes de água. Deus o preparava para a tarefa que estava pela frente.
Mais importante que tudo isso era que o Senhor estava preparando um homem para confiar nele completamente. Moisés esvaziou-se do orgulho, de modo que pudesse começar a fazer as perguntas certas.
Quem era esse Deus de seu povo? Ele havia herdado de sua mãe hebréia certo senso intuitivo do poder de Deus. Talvez o contato com os hebreus tivesse ajudado a aumentar essa conscientização. E bem possível que Jetro o tivesse levado a conhecer, pelo nome de El Shaddai, o Deus Todo-poderoso. Mas isso, por certo, levantou outras perguntas. Se esse Deus é Todo-poderoso e se ele firmou uma aliança com o seu povo através de Abraão, por que não faz alguma coisa para ajudar o seu povo que definha no Egito? Sem dúvida, Moisés pôs-se a refletir sobre isso através dos anos, enquanto cuidava dos rebanhos do seu sogro. Ele sabia acerca de Deus, mas não conhecia a Deus. E a resposta a essa necessidade foi a parte final da preparação do solitário pastor para ser o libertador de seu povo.
Foi isso o que aconteceu naquele dia decisivo, pouco antes do final da permanência de Moisés no deserto. Enquanto cuidava dos rebanhos junto ao monte Horebe, assustou-se com uma sarça em chamas, a qual não se consumia. Moisés observava com atenção. Certamente ele já tinha visto a combustão espontânea, efeito dos raios solares nos arbustos secos. Mas a sarça parecia queimar-se e não se consumir. Estando ele em pé, petrificado diante da visão assustadora, soou uma voz de dentro da sarça: "Moisés! Moisés!" Moisés era gago nessa época de sua vida. Estou certo de que sua reação foi gaguejar. "Eis-me aqui". O Senhor havia captado sua atenção!
O que nos pode surpreender ao ponto de deixar nossos pés pregados no chão — ou melhor ainda — nos colocar de joelhos, em total atenção? Às vezes é preciso uma catástrofe ou uma bênção alarmante. As sarças ardentes de Deus estão ao nosso redor — maravilhas naturais nas quais sua assinatura apresenta tons fortes e brilhantes. Pessoas através das quais ele resplandece em chamas de amor. Problemas cruciantes nos quais ele é a nossa única esperança. O tempo no deserto, de espera e indagações, é sempre recompensado com uma sarça ardente especialmente adaptada às nossas necessidades. O que poderia surpreendê-lo? Neste instante, enquanto lê, o Senhor está a chamá-lo pelo nome através dessa sarça. Você consegue ouvi-lo? Então responda com prontidão: "Eis-me aqui!" Não deixe para ouvir mais tarde o que o Senhor tem para dizer agora. Mostre que você confia nele, precisa dele e da sua presença.
Ele alcançara o íntimo de Moisés nos anos de silêncio e agora poderia expor sua natureza real a ele. Ele era o Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó. Ele tinha escutado o gemido de seu povo e estava pronto para libertá-lo. Moisés devia ser o agente dessa libertação. O confronto com o Senhor agora se transforma em consternação. "Como, Senhor, como?" Moisés conhecia o poderio militar de Faraó e de sua dependência dos escravos hebreus para a expansão contínua da grandeza do Egito. Para Moisés, o mais impossível de supor-se, era que fosse ele capaz de tirar o povo de Israel do Egito.
Qual a possibilidade mais inimaginável que o Senhor poderia sugerir-lhe? Descreva-a. Mas note que o desafio para Moisés era realizar exatamente o que estívera em sua mente todos aqueles anos no deserto. Por que Deus não fazia alguma coisa acerca da situação do seu povo? Agora vinha a resposta. O próprio Moisés seria aquele através de quem sua própria oração seria respondida. Um encontro real com Deus sempre nos inclui na resposta. O que desejamos que Deus faça para nós, ele deseja realizar através de nós.
E respondemos com medo e trepidação: "Quem sou eu? Como poderia realizar tal coisa?" Não podemos. Mas com o Senhor ao nosso lado, de que mais precisamos? Que mais desejamos por garantia? Precisamos exatamente do que Moisés precisava: conhe¬cer a natureza verdadeira do Deus que estaria com ele.
Quando informado de que ele deveria ir até ao povo e declarar que o Deus de seus pais o havia enviado, ele protestou: "Eles me perguntarão qual o nome do Deus que deu essa ordem impossível. O que lhes direi a eles?" Então o Deus da sarça ardente deu a Moisés uma dádiva que o animaria através dos futuros anos de perigo. "EU SOU O QUE SOU". O Senhor emprega o verbo hebraico causativo ser no futuro. O Criador de tudo, que causou o aparecimento de todas as coisas, fará as coisas acontecerem.
Ele é todo-poderoso, onisciente e todo-amor, e, portanto, será o Deus que torna todas as coisas possíveis, acima do que consideramos impossível. Moisés encontrou o Senhor do impossível!
Mas para Moisés, EU SOU era um toque de clarim à esperança e à ação. Deus não era apenas o El Shaddai distante, o Deus poderoso das montanhas, mas o Deus que faria acontecer o que parecia impossível.
O Senhor não havia esquecido! Ele esperava para levar Moisés ao ponto em que este aceitasse a espantosa verdade de que Deus era capaz de fazer qualquer coisa que desejasse. Enquanto o povo definhava no Egito, pensando que Deus o havia esquecido, a libertação tinha início no deserto!
As perguntas de Moisés são as mesmas que a maioria de nós faz todas as vezes que EU SOU se oferece para realizar milagres. Desejamos examinar cada aspecto de como ele os fará.
E quanto aos sinais do poder de Deus que rejeitamos como insuficientes?
Muitas vezes perdemos o melhor de Deus porque argumentamos demais. Sua vontade permissível substitui sua vontade perfeita por causa da nossa dúvida. Já lhe aconteceu isso?
Mas o inovador EU SOU, que faz as coisas acontecerem apesar de nós, sempre tem uma estratégia secundária para o cumprimento da sua obra. Ele nos aceita como somos.
O Senhor jamais se esquece de nós. Ele ouve, esteja certo disso. E quando menos esperarmos, ou merecermos, ou termos coragem de acreditar, ele vem a nós e assegura-nos da libertação. O que pensávamos ser o fim, não passava do começo. Não estamos no fim porque Deus ainda não terminou sua obra em nós! Na verdade, ele nos prepara para um Êxodo. E por isso que devemos prosseguir com a sarça ardente em nossos calcanhares e sua radiante e viva segurança em nossos corações. A prova infalível de que tivemos uma experiência da sarça ardente é que o fogo saltou para dentro de nós e incendiou os gravetos secos da nossa desesperança. Podemos entrar em nosso Egito como homens e mulheres movidos por uma coragem centrada no EU SOU.
Deus jamais nos abandona, ele nunca se vai
Assim, conte com a sua presença na escuridão e na alvorada.
Creia somente, creia somente;
Todas as coisas são possíveis, creia somente;
Todas as coisas são possíveis, creia somente!
Paul Rader
segunda-feira, 1 de junho de 2009
O Senhor do impossível - Lloyd John Ogilvie
Postado por
DAVI E AMY
às
06:32
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