A SOLIDÃO DE DEUS
Oséias
Você já pensou na solidão de Deus? Falamos tanto de sua glória e poder. Não deixemos de atentar para a solidão de seu coração. Podemos nos identificar com essa solidão de nossa própria experiência.
Há um tipo de solidão que é mais do que a ausência de outras pessoas. É o anseio de que as coisas estejam bem entre nós e aqueles a quem amamos. Relacionamentos rompidos causam a nossa mais cruciante solidão. Podemos estar em companhia de alguém e não termos comunhão com essa pessoa. Há uma dor na separação que advém de sonhos não partilhados, intimidade não experimentada e sentimentos mais profundos não correspondidos.
Nossa tentação como cônjuges, pais, irmãos, irmãs e amigos é assumir a responsabilidade. Queremos resolver tudo, aliviar as dificuldades e dirigir a vida das pessoas com mais eficácia que pensamos que elas podem.
Há uma solidão de querer ajudar uma pessoa amada e saber que é melhor não interferir.
Quando nos simpatizamos com essas pessoas e sentimos semelhante frustração, estamos nos aproximando das profundezas do coração de Deus. O problema dele com você e eu, da mesma forma que com milhões de seu povo, não é diferente. E o relacionamento complexo de justiça e graça. Ele nos criou para si mesmo e para o companheirismo espiritual de conhecê-lo, amá-lo, e permitir que ele nos ame.
Fazemos coisas que magoam o coração de Deus. Com freqüência estamos decididos a voltar-lhe as costas e fazer as coisas a nosso modo. Não é sempre que o pomos em primeiro lugar. Buscamos coisas que ele não nos destinou. Adoramos falsos deuses erigidos pelo nosso orgulho. Resistimos à sua orientação e fechamos o fluxo de seu amor remediador.
Como conseqüência, nossos relacionamentos com os outros estão-se fragmentando pela falta de amor perdoador e de bondoso encorajamento. Quebramos os mandamentos divinos e o mandamento essencial do amor. O que pode ele fazer conosco?
A oração se torna menos íntima, depois formal e finalmente sem efeito. Tentamos usar Deus para satisfazer a nossa agenda e desejos egoístas. O que desejamos, muitas vezes, não é o melhor para nós. Esquivamo-nos de ser honestos com ele ao elaborar teorias bem sutis acerca de orações não respondidas. Deixamo-nos levar ao sabor das ondas. Uma saudade de Deus se desenvolve em nossas almas. Mas não podemos ir para casa em razão do que temos sido ou por causa de nossos argumentos presunçosos, levantados contra o Todo-poderoso pelo modo como falhou em satisfazer às nossas expectativas. Nossa falta de amor-próprio criativo não permite que Deus preencha o nosso vazio. Suportamos o afastamento por causa das condições que impomos. Os outros, o destino, as circunstâncias, inclusive o próprio Deus, a culpa é de todos — pensamos. E Deus, que não nos rejeita obliterando nossa liberdade, busca uma maneira de tornar-nos dispostos a estarmos dispostos. Como resultado de nossa independência motivada pela culpa, Deus fica solitário. Solitário pelo enlevo da reconciliação, da intimidade para a qual fomos criados.
Muitos de nós não conseguimos nos identificar com a solidão do coração de Deus, até que a experimentamos com alguém que amamos. Sintonizamos a sua angústia quando sentimos o doloroso desinteresse e a resistência doentia de alguém que amamos, e que tem provocado tanto a nossa indignação como a nossa preocupação quando tudo fizemos para ajudar. Quando uma pessoa que amamos profundamente nos mantém à distância e resiste ao nosso desejo de ajudar, temos a oportunidade sagrada de saber como Deus lida com a solidão em relação a nós.
Pensamos no céu como felicidade duradoura, e ditosa alegria. Mas eu acho que o coração de Deus está sempre voltado para o arrogante planeta Terra, para seus filhos, por quem ele anseia com amor paternal — por você e por mim. A atenção principal de Deus é para com o povo que se diz dele, mas o nega com orgulho rebelde; que não pretende conhecê-lo, mas finge que sim. Pense nessa dolorosa solidão, quando as pessoas que você ama sofrem pela própria obstinação e você nada pode fazer, senão observar. Sinta o que Deus sente quando você chega à conclusão de que julgá-las só vai afastá-las de você. Identifique-se com o problema de Deus quando você sabe que a cortesia barata ou a aprovação solícita, de valor baixo, só farão de você um co-conspirador na ruína de alguém. Tudo o que você pode fazer é esperar. E no que diz respeito à pessoa, resta a dor. Solidão!
O profeta Oséias, através de seu próprio casamento, descobriu a solidão de Deus. Sua esposa o deixou para ser uma prostituta nas orgias sexuais do culto a Baal. O que podia ele fazer? Ele não podia perdoar-lhe o sacrilégio, e de sua condenação veio a expulsão dela para bem longe. Então, por inspiração divina, ele percebeu o espantoso paralelo entre a sua angústia por causa de sua esposa e o desapontamento de Deus por causa de seu povo.
Dizem alguns que uma má esposa fez um bom profeta. Talvez. Mas, de uma maneira mais profunda, Oséias se afasta da proclamação profética geral porque usa sua vida e experiência como mensagem. Em certo sentido, Deus escreveu o roteiro da dor de Oséias e a seguir pregou sua mensagem através do profeta!
Oséias levou o povo à descoberta espiritual da verdadeira natureza do perdão de Deus e de seu amor inexorável. O que ele proclamou era muito mais que uma transferência de sua luta a Deus. Oséias não passou pela dor de sua solidão por causa do pecado e separação de Gômer, e então de súbito disse: "Isso é como Deus deve se sentir acerca de Efraim." Pelo contrário, na profundeza da comunhão com Deus, o profeta recebia uma nova verdade acerca da natureza divina e a orientação de como reconciliar-se com a esposa. Logo depois ele anuncia, com urgência pessoal, a sua profecia ao povo de Deus.
Primeiro, Deus revela o seu amor ilimitado em graça insondável. Para um hebreu, nenhum pecado poderia ter sido mais desprezível do que a adoração de Baal. A coisa mais acertada a fazer era julgá-la e esquecê-la. Mas a separação resultava na angústia inexplicável da solidão. Seu coração ansiava pela esposa desafeiçoada. Então Deus mandou que ele fizesse algo que parecia contradizer toda a decência e integridade. "Disse-me o Senhor: Vai outra vez, ama uma mulher, amada de seu amigo, e adúltera, como o Senhor ama os filhos de Israel, embora eles olhem para outros deuses" (Oséias 3:1). É como se o Senhor estivesse dizendo: "Você ama sua esposa, agora vá e a ame com um amor mais profundo, como o que eu tenho por Israel."
O quarto capítulo declara o juízo divino sobre o seu povo: "Efraim está entregue aos ídolos; é deixá-lo" (Oséias 4:17). Isso soa como o fim da paciência de Deus. Uma parte da solidão de Deus é que em certas ocasiões, em virtude de sublime sabedoria, ele deve nos deixar. Ele nos ama tanto que se recusa a fazer um curativo na ferida do pecado com uma graça barata.
Oramos, e nossas orações parecem retornar sem resposta. Nenhum sinal de seu cuidado amoroso; nenhum sussurro de sua orientação; nenhum som em nossas almas. Ele nos deixa a sós com nossa rebelião, como um pai a lidar com o acesso de raiva do filho. Nada, exceto o silêncio! Na dor de nossos erros auto-infligidos, ansiamos pelos braços de um pai que nos assegure que tudo está bem, que realmente não fez diferença nenhuma. Silêncio de novo. Ou, oramos pedindo respostas rápidas para problemas que levamos anos a criar, e petulantemente batemos os pés no chão: "Deus, onde está você?" Aonde Deus vai quando precisamos dele? Dizemos com o profeta: "Até quando, Senhor, clamarei eu, e tu não me escutaras?" (Habacuque 1:2). Deus conhece a solidão profunda, enquanto espera que cheguemos ao fim de nossos recursos. Quão fácil seria reduzir o tempo na fornalha ardente, o qual é necessário para criar pessoas realmente temperadas! Ele nos ama demais para fazer isso.
Oséias revela o coração de Deus quando ele parece mais distante, inalcançável. Atente para o que Deus declarou acerca de Efraim. O mesmo se aplica a mim e a você, e às pessoas que tanto amamos: "Todavia, eu ensinei a andar a Efraim; tomei-os nos meus braços mas não atinaram que eu os curava. Atraí-os com cordas humanas, com laços de amor. . . Como te deixaria, ó Efraim? Como te en¬tregaria, ó Israel? Como te faria como a Admá? Como fazer-te um Zeboim? Meu coração está comovido dentro em mim, as minhas compaixões à uma se acendem. Não executarei o furor da minha ira; não tornarei para destruir a Efraim" (Oséias 11:3-4a, 8-9a). O aparente desinteresse de Deus é contrabalançado pelo seu envol¬vimento compassivo. Ele não pode revelar-se de outra maneira; sua graça perdoadora é muito maior do que seu justo juízo.
Deus sente-se solitário por mim e por você. Ele nos deseja de volta ao seu coração, onde é o nosso lugar!Quando pedimos que Deus nos ajude a saber o que fazer e o que dizer, sua orientação não é diferente da que deu a Oséias. Devemos nos dirigir à pessoa a quem amamos, ser o amor de Deus para ela, e, depois, confessar-lhe a nossa solidão e o nosso anseio de ser útil.Se pudermos, ao lado de outros, ser a pessoa que ansiamos que os outros sejam, em breve o nosso exemplo alcançará os seus objetivos.
A cruz é o único lugar onde o amor pode nascer e ser nutrido. O Calvário revela plenamente o mesmo amor solitário que Oséias experimentou e depois liberou. Juízo do pecado, sim, mas também amor inextinguível, que expõe o verdadeiro e eterno coração de Deus. "Não posso deixá-lo ir, porque o amo muito. Sinto solidão por você!" Que nossa resposta seja permitir que seu amor encha os nossos corações solitários, e que estes, depois, revelem esse amor às pessoas que ele colocou em nosso caminho.
sexta-feira, 19 de junho de 2009
O Senhor do impossível - Lloyd John Ogilvie
Postado por
DAVI E AMY
às
10:23
Assinar:
Postar comentários (Atom)

0 comentários:
Postar um comentário