A LUTA PELO PODER
Jonas
Ouve-se muito falar de lutas pelo poder no momento atual. A batalha interminável pelo domínio e autoridade contínua em cada nível da vida. Quem manda aqui? Quem dá as ordens? Quem está no controle? A disputa pelo poder permeia a nossa existência.
As companhias manobram para conseguir vantagens sobre os competidores, na luta pelo primeiro lugar. As pessoas lutam por posições mais elevadas e mais reconhecimento, passando por cima umas das outras, como degraus de uma escada que as levem ao topo.
Todos desejam ser chefe de alguma coisa — do almoxarifado até às salas dos executivos. Na igreja cristã infelizmente, não é muito diferente. As denominações competem por superioridade estatística. Líderes de igrejas disputam a popularidade.
As famílias não estão isentas dessa luta. Maridos e esposas competem pelo controle um do outro de maneiras sutis e abertas. As crianças são apanhadas nas situações sem saída da rivalidade entre irmãos e aprendem, em tenra idade, a como manipular os pais.
A vida é uma luta pelo poder.
Mas a maior luta de todas se trava entre nós e Deus. Deus assumiu o risco mais temível da história ao confiar o livre-arbítrio à humanidade. Sua intenção era deixar-nos livres para decidirmos a receber ou rejeitar o poder de seu amor. Com o poder de nossa vontade, somos capazes de dizer sim ou não a Deus. Jamais escapamos | pergunta: Quem está no controle de minha vida? A pergunta está diante de nós quando somos desafiados a começar a vida crista; devemos responder a ela a cada dia, à medida que enfrentamos cada oportunidade ou perplexidade. Desejar fazer de Deus o Senhor de nossas vidas e seguir a sua orientação não é fácil. Quase sempre resistimos. Muitas vezes achamos que sabemos o que é melhor, e colocamos em dúvida a sua direção. Perdemos a sua bênção numa batalha de vontades. A luta decisiva pelo poder está em nossos corações.
Precisamos desesperadamente de seu poder, mas muitas vezes obstruímos o canal de seu fluxo ao engajar Deus numa luta pelo poder.
Temos considerado o poder do Senhor do impossível. Agora, voltemos a nossa atenção para a luta pelo poder que se trava quando, por causa de nossos preconceitos e críticas, julgamos impossível realizar o que ele nos orientou, embora perfeitamente praticável. Perdoar àqueles que julgamos imperdoáveis, aceitar o inaceitável, amar a nossos inimigos — são desafios que encontram uma resistência obstinada em nossos corações. Dizemos não, e a luta pelo poder continua!
O profeta Jonas é um exemplo típico de uma pessoa em luta com Deus pelo poder. Jeroboão "restabeleceu os termos de Israel, desde a entrada de Hamate até ao mar da planície, segundo a palavra do Senhor, Deus de Israel, a qual falara por intermédio de seu servo Jonas, filho de Amitai o profeta, o qual era de Gate-Hefer". Foi algum tempo depois desse trabalho que Jonas começou a sua luta com Deus, motivado pelo ódio que nutria para com o arquiinimigo de Israel, a Assíria. A instrução do Senhor foi bem clara quanto a ida de Jonas a Nínive, a capital dos assírios, para pregar o juízo.
A história de Jonas confronta-nos com uma batalha de vontades, a qual muitos de nós experimentamos hoje em dia. Jonas personifica a maneira de questionarmos a orientação divina e resistirmos ao que, no mais íntimo de nosso coração, sabemos ser a sua vontade para nós. Somos um Jonas que sempre acha difícil dizer sim ao melhor que Deus tem para nós.
Ao preparar-nos para o que o Senhor quer dizer-nos, gostaria que, com os olhos da mente, nos concentrássemos nas pessoas que achamos mais difíceis de amar. No vídeo de sua consciência, ponha em cena as faces das pessoas, os tipos e grupos de pessoas que você mais critica e reprova.Pense naqueles que você deprecia, esperando jamais encontrar, acerca de quem você pode dizer: "Nunca mais vê-los de novo é ainda cedo demais", ou: "Seja o que for que lhes aconteça, é menos do que merecem!" Essas são as pessoas que se tornaram inimigas em sua mente por causa do que fazem, dizem ou acreditam. Deus pode ter algumas ordens a respeito dessas pessoas para nós, que hão de nos desafiar a uma luta pelo poder acerca de sua vontade.
Foi o que aconteceu a Jonas. "Veio a palavra do Senhor a Jonas, filho de Amitai, dizendo: Dispõe-te, vai à grande cidade de Nínive, e clama contra ela, porque a sua malícia subiu até mim" (Jonas 1:1-2)."Nínive, Senhor? Deve estar brincando! A capital dos assírios? O centro de poder do pior inimigo de Israel?" A luta pelo poder começava. Jonas poderia concordar com a perversidade e pecado de Nínive. Mas que lhe importava? Iavé era o Deus exclusivo dos hebreus. A Palestina era o seu reino. O que aconteceria se os ninivitas respondessem e se arrependessem? Essa era a essência da resistência de Jonas. A última coisa que desejava era tomar-se responsável pela salvação de seus inimigos. Ele não iria!
O resto do livro de Jonas registra as fugas do relutante missionário. Gosto de chamá-lo de o mensageiro mais rebelde do Antigo Testamento. Quando a surpreendente revelação da vontade de Deus atingiu o coração nacionalista e exclusivista de Jonas, ele pediu a demissão. Começou por fugir para bem longe.
Em vez de ir, fugiu para Jope. Pagou a passagem, embarcou num navio e partiu para Társis, uma sossegada vila pesqueira no litoral da Espanha. Tendo recebido ordens para ir para o noroeste, Jonas foi para o oeste. A atitude de Jonas refletia o narcisismo de Israel. Amor próprio e orgulho distorcido excluíam a possibilidade de esse povo escolhido ser um agente de reconciliação para a salvação do mundo inteiro.
Ele estava comprometido com a exclusividade e o separatismo. Não havia espaço em seu coração preconceituoso para seus inimigos. Na realidade, também não havia espaço para Deus. Ao correr, Jonas pensava poder fugir de Iavé. Társis era o lugar mais longínquo a que Jonas podia fugir da presença de Deus.Ele fugia da realidade de Iavé no afã de evitar qualquer responsabilidade. E, o mais importante, Jonas esperava pôr um fim à luta pelo poder.
Muitos têm suas próprias Nínives e Társis. Nínive é a cidade da obediência e da confrontação; Társis é um lugar de fuga e evasiva. Nossa Nínive é a revelação inegável da vontade de Deus para nós, focalizada em pessoas, oportunidades, problemas ou perplexidades. Tudo o que nossas críticas transformaram em nosso inimigo, pode ser a nossa Nínive. Alguns são simples. Nínive pode ser simplesmente a exortação do Senhor à qual ignoramos, uma obediência que exige mais do que estamos prontos a dar. Seja o que for, Nínive é a chamada de Deus a soar em nossos corações para servi-lo, para sermos a sua pessoa escolhida e dar-lhe o primeiro lugar em nossas vidas.
Alguns estão fugindo de Deus sem jamais sair do local. Podemos estar fugindo quando preenchemos nossa vida com boas coisas, de modo que não deixamos tempo para Deus, quer para atender a um trabalho específico, quer para lidar com pessoas que ele colocou em nossa agenda. Alguns estão fugindo em muitas direções, mas não sob a direção de Deus.Társis pode estar dentro de nossas próprias almas!
Quando nos tornamos cristãos, Deus procura colocar-nos no assunto central do reino, fazer com que nos movamos com ele ao amar pessoas e expressar-lhes o que ele tem feito em nós. Não há vôos solitários. Não podemos agarrar a Deus como uma posse particular, para que nos ajude a levar até ao fim os nossos alvos. Ele nos pôs em mira para surpresas inesperadas com pessoas improváveis, e com desafios não antecipados.
Jonas apostou a sua vida na falsa idéia de que poderia fugir da presença de Deus. E perdeu. Em Jope, ele embarcou num navio para Társis e imediatamente anestesiou o coração rebelde com o sono. Ele se esqueceu de que Iavé é Senhor da terra e do mar.Os ventos começaram a soprar e o mar se agitou. O capitão do navio e sua tripulação foram tomados pelo pânico. Os deuses estavam irados, pensavam — zangados com alguém no navio. Lançaram sortes para descobrir o culpado, e estas caíram sobre Jonas. "Quem é você? Qual é a sua ocupação? De onde veio?" perguntaram. Jonas respondeu-lhes que era um hebreu e pertencia ao Deus de Israel. Então confessou que estava fugindo da presença de seu Deus. Os marinheiros suplicaram a Jonas para que orasse ao seu Deus, e todos se uniram numa fervorosa oração por segurança, mas nada adiantou. Finalmente, Jonas pediu que o lançassem ao mar. Os marinheiros tentaram tudo antes de atenderem ao estranho pedido. O masoquismo está muito perto do narcisismo. Quando não podemos construir o nosso mundo em tomo de nós mesmos, com freqüência esperamos e às vezes assumimos a responsabilidade de castigar-nos a nós mesmos.
Jonas foi lançado ao mar e a tempestade amainou. A intervenção do "grande peixe", ou baleia, lembra-nos que os pensamentos de Deus para nós são "de paz, e não de mal, para vos dar o fim que desejais" (Jeremias 29:11). O segundo capítulo de Jonas revela que, no ventre do peixe, Jonas correu em espírito para Deus.
Todos nós conhecemos ocasiões de desespero, nas quais clamamos: — Deus, me ajude, por favor! — quando caímos prostrados sobre os nossos rostos, enquanto fugíamos dele. Criamos muita confusão. A vida caiu sobre nós. O Senhor, de quem estávamos tentando escapar, torna-se a nossa única esperança. Não merecemos a sua intervenção ou uma segunda oportunidade, mas nada resta a fazer, senão clamar por sua ajuda.
Não devemos ser simplistas acerca da dificuldade. Há ocasiões em que o problema indica que estamos sendo fiéis e enfrentando o mal. Outras vezes, o problema aparece em nosso caminho sem a mínima explicação ou propósito. Indagamos por que não estamos isentos de dificuldade. Então, geralmente depois de perplexidade frustrante, olhamos para o passado e percebemos que através dela crescemos na graça de Deus. Há, também, ocasiões em que o problema é um som de alarme que nos leva a correr de volta para Deus, fazendo-nos questionar o propósito e a prioridade de nossas vidas. Às vezes, quando as coisas se desmoronam, percebemos que o propósito jamais foi permanecerem intatas. Estávamos forçando alguma coisa de nossa própria vontade obstinada.
Para Jonas, não havia lugar para onde correr, que Deus não estivesse lá esperando por ele.
Quando Jonas foi cuspido na praia, Deus estava pronto para retornar ao plano zero. O Senhor não alterou a sua ordem. O rebelde profeta se humilhou e começou a jornada para Nínive. Por um breve período ele correu com o seu Senhor. O colérico hebreu caminhou com largas passadas pelas ruas da capital assíria, bradando condenação com clareza indiscutível: "Ainda quarenta dias, e Nínive será subvertida".Podemos imaginar que as pessoas tenham perguntado: "Quem diz tal coisa?" Jonas falou-lhes acerca do julgamento de Iavé sobre o pecado de suas vidas e sobre a iniqüidade de Nínive. Quando o rei de Nínive ouviu a mensagem, ele conduziu um movimento nacional de arrependimento. A cidade inteira cingiu-se de panos de saco e cinzas de contrição e angústia.
O povo se arrependeu, e Deus também! "Viu Deus o que fizeram, como se converteram do seu mau caminho: e Deus se arrependeu do mal que tinha dito lhes faria, e não o fez" (Jonas 3:10).
O Senhor mudou de idéia em resposta à confissão do povo. Isso é muito importante para nós. Deus é contra o pecado, mas é por nós. Não podemos fugir de diante de sua face de retidão e justiça. O julgamento do pecado é a separação de Deus, agora e para sempre. Mas, no momento em que nos voltamos para ele, ele nos recebe com graça e perdão. É um novo começo!
Agora, o corredor que correu com Deus tão eficazmente proclamando a sua palavra a Nínive, corria bem à frente dele, revoltado. Por que estava irado? Porque Deus, graciosamente, se arrependeu do julgamento. O que Jonas menos desejava era que Nínive alcançasse perdão, pois tal arrependimento significava que ele teria de mudar de atitude para com os seus inimigos.Ele estava mais comprometido com os seus juízos negativos e com seu mau humor do que com Deus.
Estamos às vezes tão comprometidos com nossas predições acerca de pessoas e situações que nos desagradam, que nem mesmo a mente de Deus pode mudar as nossas mentes! É fácil empenharmos na destruição de pessoas e situações, de tal modo que a força destrutiva se volta contra nós mesmos. O comentário: "Veja só, eu não disse?" ou "Eu estava certo o tempo todo!" é sinal claro de que estamos correndo adiante de Deus e alimentando nossa ira. Você já sentiu uma satisfação interior quando alguém de quem você não gosta satisfaz às suas piores expectativas? Muitas de nossas lutas pelo poder com as pessoas são uma extensão de nossa luta pelo poder com Deus.
Quando Deus passa por nosso negativismo e abençoa a outros, o que podemos fazer? Jonas tinha duas opções: unir-se ao povo de Nínive, confessando o seu próprio pecado, ou tomar em suas próprias mãos o julgamento de si mesmo.
Jonas desejava morrer porque não podia fazer que Deus marchasse segundo o seu ritmo. O Senhor queria curar o coração turbulento de Jonas. O propósito de Deus era lembrar ao profeta que ele, o Senhor, da mesma forma como dá suas bênçãos as tira, caso elas não tragam os corações para ele.
O Senhor é bondoso em sua luta final pela vontade de Jonas. A expressão: "É razoável essa tua ira?" é uma maneira bondosa de perguntar quem de fato tem o direito de ficar zangado. Mas é difícil parar alguém que corre velozmente adiante do Senhor e tenta dizer-lhe, ao mesmo tempo, como dirigir o Universo. Esteja certo de que, numa luta com Deus pelo poder, a única maneira de ganhar é permitir que ele vença. O de que Nínive precisava, Jonas precisava ainda mais. Seu julgamento, resultando em ira, procedia da falta de percepção de que ele também devia ser julgado por Deus. O perdão de Deus para ele devia ter produzido a preciosa compaixão de que ele tanto carecia.
Deus está fazendo algo grandioso no mundo. Exclusivismo e julgamento são luxo que não devemos ter. O mesmo Deus que lutou com Jonas e com seu povo Israel, a fim de fazê-los amar a todos os povos, veio ao mundo no "maior do que Jonas" —Jesus Cristo — para revelar sua compaixão e graça. Quando renunciamos à nossa luta pelo poder e aceitamos o perdão de Deus e seu poder capacitador em Cristo, podemos correr com ele para a nossa Nínive.
Uma experiência do poder de Cristo, que habita em nós, liberta-nos da luta pelo poder com ele ou com outras pessoas. E quando percebemos que o seu poder que nos foi dado tem o propósito de conhecermos e fazermos a sua vontade, então as nossas lutas se convertem numa paz sublime. Sabemos que somos amados e aceitos. Já não temos necessidade de lutar por vantagem nem competir por autoridade. Todo o poder no céu e na terra é nosso!
O mais emocionante é que podemos pintar o próprio semblante no teto de hoje e na eternidade. A luta pelo poder pode terminar, e um fluxo da bondade e do poder de Deus pode começar dentro e através de nós. O retrato não está terminado. Seu último capítulo ainda não foi escrito. Louve a Deus por isso!
quinta-feira, 18 de junho de 2009
O Senhor do impossível - Lloyd John Ogilvie
Postado por
DAVI E AMY
às
07:09
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