FOGO SAÍDO DAS CINZAS
Elias
Desânimo. Todos nós o experimentamos às vezes. Alguns raras vezes se vêem livres desse mal-estar espiritual.
Percebe?Deus pode fazer com que o fogo surja das cinzas!Deus não só pode fazer com que o fogo surja das cinzas. Ele pode usar os gravetos de nossa rendição e disposição de espírito para nos inflamar outra vez de nova alegria e coragem.
Este capítulo se aplica a três tipos de pessoas. Há aquelas que sofrem da enfermidade espiritual do desânimo agora mesmo, enquanto lêem. Outras, conheceram esse vírus da debilidade da alma no passado e sabem que estão mal preparadas para o próximo ataque. Outras, ainda, estão muito preocupadas pelos entes queridos ou amigos imobilizados pelo desânimo e anseiam ajudá-los.
Elias, o profeta, é um caso clássico de desânimo. O que lhe aconteceu e o que Deus fez para curá-lo deixam bem clara a maneira como somos levados ao esgotamento total. E a história do que o Senhor pode fazer para que o fogo surja das cinzas.
Elias era um tesbita de Gileade, uma região ao norte da Palestina, ao leste do Jordão. Deus o chamou para ser profeta numa época de crise em Israel, durante o reinado de Acabe. Este rei fraco e vacilante casara-se com Jezabel, uma estrangeira, natural de Tiro. Ela trouxe consigo os sacerdotes e a adoração de Baal e Astarote. Sua paixão na vida era a supressão do culto a Iave e o estabelecimento da adoração de Baal como religião nacional.A rainha não promovia uma mistura de religiões, mas o culto exclusivo a Baal como deus em Israel.
No momento mais tenebroso da apostasia, o Senhor enviou Elias para enfrentar o rei. O nome do profeta significa a sua missão: Iave é Deus.
"Tão certo como vive o Senhor, Deus de Israel, perante cuja face estou, nem orvalho nem chuva haverá nestes anos segundo a minha palavra" (1 Reis 17:1). Com isso, ele deixou o rei a ponderar quem, na verdade, era Deus em Israel. E teve início uma longa seca, como predisse Elias.
O Senhor desejava que seu profeta tivesse certeza do seu poder. Uma vez que nada pode acontecer através de nós que não tenha sido demonstrado em nós, o Senhor preparava Elias para confiar plenamente no poder do Senhor do impossível. Ele devia se apresentar de novo a Acabe e combater os profetas de Baal e Astarote até o fim.
Elias retornou à presença de Acabe com um desafio que poria fim à questão de quem era Deus em Israel. "Agora, pois, manda ajuntar a mim todo o Israel no monte Carmelo, como também os quatrocentos e cinqüenta profetas de Baal, e os quatrocentos profetas do poste-ídolo, que comem da mesa de Jezabel" (1 Reis 18:19). Acabe aceitou o desafio e convocou todo o Israel ao monte Carmelo.
Quando o povo e os sacerdotes estrangeiros e o profeta se reu¬niram na montanha, Elias estrondeou a sua mensagem: "Até quando coxeareis entre dois pensamentos? Se o Senhor é Deus, segui-o; se é Baal, segui-o" (1 Reis 18:21). O povo concordou, dizendo: "É boa esta palavra".
A batalha tinha começado. Os profetas de Baal clamaram durante todo o dia: "Ah! Baal, responde-nos!", mas nenhum fogo desceu sobre o altar deles. Depois de zombar da impotência deles e do silêncio de Baal, Elias preparou o seu altar de um modo que somente o Senhor do impossível poderia enviar o fogo. Ele ordenou ao povo que derramasse doze barris de água sobre o altar de Iave. A água correu das bordas do altar e encheu a valeta ao redor dele. Então, ao anoitecer, Elias orou: "O Senhor, Deus de Abraão, de Isaque e de Israel, fique hoje sabido que tu és Deus em Israel, e que eu sou teu servo, e que segundo a tua palavra fiz todas estas coisas. Responde-me, Senhor, responde-me, para que este povo saiba que tu, Senhor, és Deus, e que a ti fizeste retroceder o coração deles" (1 Reis 18:36-37). E fogo caiu sobre o altar, consumindo o boi, a lenha e sorvendo a água da valeta. Deus e Elias venceram. O povo se convenceu. "O Senhor é Deus! O Senhor é Deus!", clamaram, prostrando-se em terra.
Com compulsão frenética Elias liderou o povo na matança dos profetas de Baal e Astarote junto ao ribeiro de Quisom.
Depois, foi o momento de orar por chuva. Despendendo energia sobre-humana, Elias colocou a cabeça entre os joelhos e derramou tudo o que lhe ia no íntimo em oração por chuva, para acabar com a seca. Depois de algum tempo, finalmente, uma nuvem apareceu no horizonte sobre o mar. Logo o céu escureceu com nuvens e uma chuva pesada caiu sobre a terra. O Senhor respondera novamente.
Quando Acabe viu a chuva cair, achou que era hora de voltar e contar a Jezabel as coisas espantosas a que havia testemunhado. Ele aparelhou a sua carruagem e a conduziu velozmente através da chuva. Podemos apenas imaginar o seu assombro quando ele viu Elias correndo ao lado e depois adiante de sua carruagem com vigor inacreditável. O profeta do Senhor corria mais rápido que a carruagem de Acabe!
No final daquele dia espetacular e cheio de acontecimentos, Elias estava exausto. Ele havia despendido todos os seus recursos físicos e espirituais no trabalho do Senhor. Não restava nada. O fogo do Senhor descera sobre o altar, mas o fogo de Elias se apagara. Psicologicamente, ele não estava preparado para a mais cruciante prova de sua resistência, que ainda viria.
Jezabel ficou furiosa quando Acabe contou-lhe acerca da matança dos seus profetas no Carmelo. Ela enviou a Elias uma mensagem amarga e ameaçadora: "Façam-me os deuses como lhes aprouver se amanhã a estas horas não fizer eu à tua vida como fizeste a cada um deles" (1 Reis 19:2).
Em outra ocasião qualquer Elias teria recebido essa mensagem sem o mínimo receio. Mas, depois de tudo por que havia passado, despendendo tudo o que tinha dentro de si em sua batalha pelo Senhor, a mensagem o abateu com desânimo insuportável. Elias conheceu uma emoção que ele jamais experimentara antes. Estava com medo. O poderoso profeta corria para salvar a vida. Quando não pôde correr mais por causa da completa exaustão, ele se sentou debaixo de um zimbro e suplicou a Deus que o deixasse morrer. "Basta" , disse ele, "toma agora, ó Senhor, a minha alma, pois não sou melhor do que meus pais".
Esgotamento total. Os componentes do que eu chamo de "Complexo de Elias" são dignos de análise, porque podem acontecer a todos nós. Há cinco fatores que contribuíram para o desânimo e a depressão de Elias.
O primeiro é que ele estava completamente exausto. Não há exaustão tão perigosa quanto a que vem de nos esforçarmos demais por causas justas. Elias tinha despendido suas energias por Iavé, em vez de ter sido um canal do seu poder.
Segundo, Elias era ingênuo. Simplesmente, ele acreditava que a derrota de quatrocentos e cinqüenta profetas acabaria com a ameaça do mal em Israel. Contudo, ele tinha apenas tocado a ponta do iceberg.
Quase todo dia converso com cristãos que se esgotaram completamente no trabalho de Deus. São pastores, diáconos e professores, membros da igreja e pessoas ativas em boas causas. Nossa atividade ardorosa para Deus pode ser a mais perigosa ameaça ao nosso relacionamento com ele, se preferimos trabalhar mediante nossos próprios esforços em vez de no fluxo de seu Espírito.
Nosso trabalho para Deus pode resultar numa fonte de orgulho e extensão de nossos próprios egos. Há aqueles que surgem com boas idéias, que, embora dignas, não foram enviadas pelo Senhor. Esperamos que ele nos confirme e nos dê vigor a fim de estarmos preparados para o que determinamos ser a sua vontade. A segunda maneira é muito mais frustrante. Buscamos a vontade de Deus, sentimo-nos guiados para tomar uma direção em particular, e, então, disparamos a frente do seu tempo e da sua estratégia. Perdemos contato com Deus quando a tarefa se torna mais importante que ele!
A terceira é a mais difícil de romper. Acontece quando confundimos o nosso valor com o nosso desempenho. Sempre que somos tentados a assumir que somos amados por Deus pelo que fazemos e não pelo que somos, sobrecarregamos nossas vidas além do que podemos suportar. O fogo do Espírito vai-se apagando até se extinguir totalmente.
O próximo aspecto do complexo de Elias se relaciona bem de perto com o anterior: perfeccionismo."Pois não sou melhor do que meus pais". Quem é que disse que ele tinha de ser? O Senhor o chamou para a tarefa que lhe foi dada, não para comparar-se com alguém mais.
Jamais nos contentamos com o que temos, e estamos sempre intranqüilos com as realizações dos outros. Elias desejava sobrepujar a seus predecessores e a todos ao seu redor. Ele perdeu o contato com a sua humanidade e permitiu que o precioso dom da vulnerabilidade se tomasse ineficaz para comunicar-lhe a graça de Deus.
O erro está em nos conduzirmos à luz do desempenho dos outros, em vez de seguirmos a orientação divina. Mas quando é que o suficiente é suficiente? Em poucas ocasiões. E aí esgotamos as nossas forças pressionando-nos a nós mesmos em direção a uma imagem que jamais se realiza.
O perfeccionismo leva ao isolamento. No monte Carmelo Elias declarou com altivez: "Só eu fiquei dos profetas do Senhor". Nem todo o povo se deixou enganar por Jezabel. Muitos joelhos não se haviam dobrado diante de Baal. Mas Elias não podia perceber tal coisa por estar por demais possuído de seus próprios e apaixonados esforços pela causa. Quando suas forças minguaram e Jezabel o ameaçou, tudo o que pôde dizer foi: "e eu fiquei só, e procuram tirar-me a vida". O solitário ficou sozinho para fazer o seu vôo ao poço sem fundo da auto-condenação.
Uma das principais causas do esgotamento é o isolamento, nossa obstinada independência. Todos nós precisamos de pessoas que nos ajudem a perceber que o que sentimos agora elas já sentiram antes. O desânimo aprofunda-se mediante a falsa idéia de que ninguém mais sente como sentimos. Não há nada que não possamos suportar que o Senhor já não tenha enfrentado como o nosso Emanuel. Deus conhece, compreende e se importa!
Por fim, o desânimo de Elias chegou ao fundo quando ele considerou a futilidade do futuro. Ele havia perdido a visão da soberania de Deus. E o mais importante, ele havia desistido do significado de seu nome: Iavé é Deus. Na realidade, Elias era o deus de Elias.
O primeiro remédio foi colocar o exausto guerreiro do Senhor para dormir. Psicologicamente, ele se achava por demais cansado para raciocinar ou receber nova esperança. O primeiro passo para sairmos do desânimo é amar-nos a nós mesmos o bastante para reorganizar nossas vidas de modo a dormirmos o suficiente, passarmos horas em lazer, em exercícios e atividades à parte de qualquer programação. Ao despertar, Elias estava racional o bastante para sentir fome. Ele precisava de comida. O Senhor satisfez à sua necessidade. "Levanta-te e come", foi a simples ordem. O profeta comeu e bebeu dos pães e da água providenciados, e caiu no sono novamente. Deus, que nos conhece melhor que nós mesmos, prove exatamente o necessário para dar prosseguimento à nossa vida.
Quando Elias estava descansado, o Senhor ordenou-lhe que prosseguisse para o monte Horebe. Quando Elias chegou, o Senhor fez-lhe uma pergunta muito estranha: "Que fazes aqui, Elias?" Por que a pergunta, se o próprio Senhor tinha enviado o profeta? Por uma boa razão: para ajudar o profeta a conscientizar-se do que lhe acontecia e despertar seus verdadeiros sentimentos. A reação de Elias refletiu essa conscientização. Ele repetiu toda a situação que motivara o seu desânimo. "Tenho sido zeloso pelo Senhor, Deus dos exércitos, porque os filhos de Israel deixaram a tua aliança, derribaram os teus altares, e mataram os teus profetas à espada; e eu fiquei só, e procuram tirar-me a vida". Tendo Elias focalizado seus sentimentos e idéias, o Senhor podia começar a lidar com a causa mais profunda do desânimo do profeta.
O Senhor faz isso comigo e com você. O que você faz aqui? O que causou essa situação? Como aconteceu? A pergunta a Elias era uma expressão de profundo amor. O Senhor não o estava censurando pelo desânimo; ele simplesmente pedia um relato das circunstâncias e de seus sentimentos. Um meio infalível de cura para o nosso desânimo é nos desabafarmos perante o Senhor acerca de como nos sentimos em termos exatos e das causas da nossa condição. O Senhor deseja fazer-nos essas mesmas perguntas tema e incisivamente. Quando somos desafiados a apresentar a causa de como chegamos ao nosso desânimo, estamos no início do caminho de volta à saúde.
A maior necessidade do profeta era renascer em seu relacionamento com o Senhor. Foi isso exatamente o que aconteceu. Primeiro, houve um vento impetuoso que fendia os montes e despedaçava as penhas em volta do profeta. Depois, um terremoto fez a terra tremer debaixo dos pés de Elias. Finalmente, uma chama saltou para fora da encosta da montanha. O profeta ficou abalado e horrorizado diante das manifestações físicas da presença de Iavé. Porém, mais importante que o vento, o terremoto e o fogo foi a experiência interior da graça no coração de Elias. O Espírito do Senhor falou-lhe em tom baixo e calmo — um sussurro suave — que trouxe calma e segurança.
O terremoto no coração de Elias o ajudou a passar do antigo fundamento do perfeccionismo para o novo fundamento de ser amado e aceito como era. O fogo de Deus extinguiu por completo a palha miúda do desespero e realimentou a chama da boa disposição para o serviço no coração de Elias. O mais dinâmico dom de Deus para o desanimado é acender uma nova chama de esperança para o futuro. O entusiasmo retoma; a empolgação pelo Senhor e sua causa se inflamam de novo. O fogo do Senhor é para pessoas completamente esgotadas!
A cura final do desânimo de Elias foi fazê-lo voltar ao trabalho. O Senhor deu-lhe instruções específicas, fortalecendo a segurança do profeta de que Deus não desistira de Israel ou do desdobramento do drama da história. Ele recebeu ordens para ungir seu sucessor. A obra de Elias teria prosseguimento!
O isolamento de Elias foi curado pelo conhecimento humilde e enaltecedor de que ele não era o único homem fiel a Deus em Israel.
Se as cinzas do desânimo estão latentes em seu coração, esteja certo de que Deus pode acender uma chama e vai fazê-lo. Ele não desistiu de nós. Portanto, não estamos acabados. Preste atenção ao vento. Sinta o terremoto de seu poder. Sinta o calor do novo fogo. E o mais importante: fique atento, pois o Senhor falará. Você ouve a sua voz? Ele diz: "Eu amo você. Jamais desistirei de você. Temos trabalho para realizar juntos. Você já não precisa trabalhar para mim. Deixe que eu faça o meu trabalho através de você! Ainda sou o Senhor do impossível."
quarta-feira, 17 de junho de 2009
O Senhor do impossível - Lloyd John Ogilvie
Postado por
DAVI E AMY
às
07:18
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