terça-feira, 2 de junho de 2009

O Senhor do impossível - Lloyd John Ogilvie

0 SENHOR DO IMPOSSÍVEL
Moisés, o Libertador

Moisés partiu de Midiã para o Egito com ordens claras. Moisés não recebeu a estratégia completa do Êxodo. O que ele tinha era uma visão e um primeiro passo. Tudo o que devia fazer era dizer ao povo que EU SOU, Iavé, o havia enviado. Deus tinha ouvido a súplica do seu povo e iria levá-los do Egito para uma terra prometida. Moisés deveria se dirigir a Faraó com uma ordem do Senhor: "Deixa ir o meu povo!"

É raro o Senhor nos revelar mais do que precisamos para a obediência diária. Realizar a tarefa de hoje é abrir caminho para a revelação de amanhã.

Moisés teve de aprender a confiar totalmente em Deus. O povo não acolheu com entusiasmo a direção do Senhor, e Faraó endureceu o coração à idéia de deixar ir a sua força escrava. Mas o Senhor estava em ação. Ele arranjou as circunstâncias. O povo suplicou a Deus por libertação, e quando esta veio, resistiram a seu nomeado libertador. Espantoso!

A escravidão em que se encontravam era mais profunda do que a imposta pelos egípcios: era a escravidão ao medo.

O que Faraó não aceitou, até que fosse tarde demais, era que sua disputa não era com Moisés, mas com Iavé. As pragas, especialmente a última, na qual o anjo da morte tirou a vida dos primogênitos egípcios, foram demais para ele.

Consta nas Escrituras que a procissão triunfante dos israelitas para fora do Egito compreendia seiscentos homens a pé, além de mulheres e crianças. Se calcularmos em torno de cinco pessoas para cada família, o número total alcançaria a significativa casa dos dois milhões. De particular importância para a nossa consideração é a rota pela qual o Senhor os conduziu. Para evitar uma guerra com os filisteus, o Senhor não os levou direto a Canaã pelas rotas comerciais que passavam através das terra deles. Disse Deus a Moisés: "Para que porventura o povo não se arrependa, vendo a guerra, e retornem ao Egito." Além disso, o Senhor queria preparar o povo a fim de demonstrar o seu poder, de modo que jamais se esquecessem. Moisés teve a sarça ardente; agora o povo precisava de uma experiência do mesmo teor.

"O Senhor faz justiça, e julga todos os oprimidos. Manifestou os seus caminhos a Moisés, e os seus feitos, aos filhos de Israel" (Salmo 103:67).

A sarça ardente revelara a Moisés a natureza poderosa do EU SOU, Iavé, que faria as coisas acontecerem apesar das circunstâncias humanas. Naquele momento era necessária uma manifestação de poder para provar, acima de qualquer dúvida, que Deus estava com o povo e que Moisés era o seu líder escolhido.

O Senhor estava prestes a realizar um milagre que se tornaria um sinal de seu poder para todas as gerações.

Os israelitas estavam cercados pelas montanhas de um lado, a guarnição de Migdol do outro e as extremidades do lado norte do mar Vermelho. Então entraram em pânico, ao avistarem a nuvem de pó das carruagens de Faraó, movendo-se através das campinas da única área aberta. O povo fora apanhado numa armadilha. Uma impossibilidade. Um "beco-sem-saída". E o Senhor os havia conduzido para lá!

Êxodo 14:9-10 torna vivida a situação dos israelitas. "Perseguiram-nos os egípcios, todos os cavalos e carros de Faraó, e os seus cavalarianos e o seu exército, e os alcançaram acampados junto ao mar, perto de Pi-Hairote, defronte de Baal-Zefom. E, chegando Faraó, os filhos de Israel levantaram os olhos, e eis que os egípcios vinham atrás deles, e temeram muito; então os filhos de Israel clamaram ao Senhor."

A análise que os israelitas fizeram da situação baseava-se no potencial humano, não no poder divino. Não eram capazes de perceber o que Deus estava fazendo. Em cinco dias eles haviam-se esquecido das pragas, da intervenção de Deus e da libertação do Egito.

O povo clamava por confirmação de que a decisão de deixar o Egito fora correta, realmente dirigida por Iavé e que ele viria em seu auxílio.

Nesse momento percebemos a grandeza de Moisés começar a emergir. Por estar seguro do EU SOU da sarça ardente, ele não precisa se pôr na defensiva. Sua experiência com Deus o tomou gracioso em vez de amargo. As pessoas fazem o que fazem por causa do que são. São incapazes de mudar seu comportamento até que Deus lhes cure o medo. Moisés era sustido pela percepção • de que Deus providenciara o beco-sem-saída, mas que daria um escape!

O que Moisés disse ao povo e o que Deus disse a todos eles, dá-nos cinco pontos básicos sobre o que fazer diante do impossível. Moisés disse ao povo tomado de pânico: "Não temais: aquietai-vos e vede o livramento do Senhor que hoje vos fará; porque aos egípcios, que hoje vedes, nunca mais os tomareis a ver. O Senhor pelejará por vós, e vós vos calareis." Em seguida, o Senhor disse a Moisés: "Por que clamas a mim? Dize aos filhos de Israel que marchem."

Aqui está a receita contra a perplexidade: (1) Não temais, (2) aquietai-vos, (3) vede o livramento do Senhor, (4) calai-vos, (5) marchai. Esses verbos formam um antídoto para a ansiedade! Sei disso, através de anos em confronto com impossibilidades. O que escrevo aqui já provei e vivi.

A única maneira de nos livrarmos do medo é conscientizar-nos da companhia de Deus. Ele se encarrega da impossibilidade. E não apenas isso: Deus muitas vezes a permite para o nosso crescimento e sua glória.

Crescemos na graça quando acreditamos que nada nos pode acontecer sem a permissão divina. Com esse firme pensamento podemos pedir a Deus seu poder e intervenção.

Quando abandonamos o medo, expressando nosso sentimento a Deus, permitimos que a fé expulse o medo. Diga a Deus: "Estou com medo. Não posso compreender o que estás fazendo comigo! Mas sei que estás no controle e que nada hás de permitir que não me leve para uma comunhão mais profunda contigo. O que dás ou tiras é para que eu possa vir a conhecer-te melhor." Essa é a oração de coragem numa situação impossível.

É tolice afirmar que jamais teremos medo de novo. Normalmente, o medo é a nossa primeira reação em face da impossibilidade. Não o receie. Assim como a dor, o medo é um grito para Deus — um prelúdio à fé. Não teríamos necessidade de Deus se não tentássemos algo além de nossa capacidade. 0 medo é uma reação negativa ante a realidade, a qual deve ser substituída por fé positiva. Fé é dom. Somente Deus pode concedê-lo. E ele o oferece aos que possuem ousadia bastante para se atrever a necessitar desse dom. Mas, se é dado, como podemos recebê-lo? Essa pergunta nos leva ao segundo verbo.

Aquietai-vos! O medo nos deixa frenéticos. A tendência é correr em todas as direções para escapar ao perigo. Em vez disso, aquietai-vos. Em épocas de medo não devemos tomar decisões cruciais nem fazer mudanças. Primeiro, permita que Deus o aquiete até que você esteja novamente certo de sua presença e do que ele afirmou que iria fazer, e, à luz dessa circunstância, o que ele deseja que você faça. Necessitamos de perspectiva divina renovada acerca da impossibilidade.

Vede o livramento do Senhor. Isso é expectativa firmada na promessa. Deus assegurou a Moisés que faria um grande milagre. Moisés, portanto, estava na expectativa. Ver a salvação do Senhor é olhar para o que o ele já fez no passado, e para o que ele promete fazer no futuro. Cada milagre em nossas vidas é uma preparação para maior confiança no futuro. Mas nós os esquecemos com tanta rapidez! O povo de Israel havia substituído a paz interior pelo pânico. Eles avistaram o mar, à sua frente, aparentemente impossível, e os exércitos do Faraó atrás. Olharam ao norte, ao sul, ao leste e ao oeste, mas não olharam para cima — para Deus e a sua fidelidade!

Deus já fez tanto por mim e você. O que vale a energia dissipada em pânico à luz da salvação? As únicas coisas que nos podem fazer mal são as que recusamos apresentar a Deus. Aquietai-vos e vede o que ele fará, porque pertencemos a ele mediante a salvação. Somos seus amados.

A seguir, calai-vos. Essa ordem indica que Deus pelejará por nós. Não devemos intrometer-nos em sua maneira de agir! Há um tempo para ficarmos quietos, atentos, e observarmos Deus lutando a batalha por nós. Algumas das nossas batalhas perdidas jamais foram ordenadas para nós, ou então eram muito especiais e nelas o Senhor desejou lutar por nós. Só em silêncio somos capazes de saber a diferença.

Há um tempo certo para agir, mas só podemos conhecê-lo em completo silêncio. E essa é a palavra final dessa passagem bíblica: Marchai! Seguir em frente! Mas, Senhor, por que caminho? Estamos bloqueados por todos os lados!.Estava Deus a provar Moisés? Na verdade, ensinava-o que tanto a direção quanto o poder são dados no momento certo. Nunca adiantado ou atrasado. A forma específica da visão há de ser revelada. O único movimento da alma é seguir em frente.

Determinou o Senhor: "E tu, levanta a tua vara, estende a mão sobre o mar e divide-o, para que os filhos de Israel passem pelo meio do mar em seco. Eis que endurecerei o coração dos egípcios para que vos sigam e entrem nele; serei glorificado em Faraó e em todo o seu exército, nos seus carros e nos seus cavaleiros" (Êxodo 14:16-17).

Iavé, que fez o Sol, estava dando luz espiritual para guiar o seu povo.

"Então Moisés estendeu a mão sobre o mar, e o Senhor, por um forte vento oriental que soprou toda aquela noite, fez retirar-se o mar, que se tornou terra seca, e as águas foram divididas. Os filhos de Israel entraram pelo meio do mar em seco; e as águas lhes foram qual muro à sua direita e à sua esquerda" (Êxodo 14:21-22).

Quando a nuvem de proteção que ocultara Moisés e os israelitas se levantou, eles estavam bem no meio do mar, próximos da outra margem. Faraó estava tomado de compulsão e ira cega. Ele bem que poderia ter esperado e tomado a rota mais longa ao redor do mar. Em vez disso, ordenou que suas tropas e carruagens entrassem na passagem, tal era a sua confiança arrogante de que Rã era maior que Iavé. Sua confiança foi contraditada quando o fundo do mar, que se endurecera por ação milagrosa para os hebreus, tornou-se macio novamente e cedia às rodas das carruagens.

Quando o exército se encontrava completamente dentro da passagem, Moisés recebeu ordens claras: "Estende a mão sobre o mar, para que as águas se voltem sobre os egípcios, sobre os seus carros e sobre os seus cavalarianos" (Êxodo 14:26). Aconteceu, na íntegra, como o Senhor prometeu. As águas retornaram e o exército se afogou. O Senhor do impossível salvara o povo de Israel. "E viu Israel o grande poder que o Senhor exercitara contra os egípcios; e o povo temeu ao Senhor, e confiaram no Senhor, e em Moisés, seu servo" (Êxodo 14:31).

O mesmo Deus, que realizou o impossível ao abrir o mar, é o Senhor que veio e viveu entre nós. Jesus Cristo, ao declarar quem era — Iavé conosco, usou com ousadia as palavras EU SOU! E o Calvário foi o lugar onde ele partiu as águas da morte, de modo que pudéssemos atravessar para a vida eterna. Todo o poder de Deus repousava em Jesus Cristo e esse mesmo poder está à nossa disposição através de sua presença viva, e sempre presente! Nós temos mais que uma sarça ardente, mais que uma abertura do mar, mais que alguma lembrança. O tempo e a recordação se desvanecem, porém o Senhor é o mesmo ontem, hoje e amanhã. Temos o mesmo amor libertador que abençoou Israel, livrou-nos da escravidão do pecado, da culpa, da dúvida interior e da condenação — tudo por meio de uma cruz, de um túmulo vazio e do poder permanente do Pentecoste!

Empilhe o impossível contra isso! Amontoe as coisas que o impeliram para um beco-sem-saída e então devolva a Deus tudo o que o faz gritar bem alto: "Impossível!" Ele está com você. É o raiar do dia. A noite é passada. Estenda a sua vara, a cruz, sobre o seu mar impossível. As águas se abrirão!

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