0 MILAGRE FUNDAMENTAL
Moisés e a Presença de Deus
O líder (Moisés) vinha sendo submetido a desafios exigentes e exaustivos. Também fora testemunha de intervenções espetaculares do Senhor do impossível. O livramento dos israelitas do Egito, a abertura extraordinária do mar, a vinda das codornizes e do maná e a vitória contra os amalequitas — tudo isso o deixou meio tonto de admiração e espanto. A maior impossibilidade se estendia à frente. Agora, depois de demonstrar o que podia fazer, Deus queria revelar-se ainda mais a Moisés. Com esse intento, ele conduziu o libertador ao monte Sinai para uma libertação de sua própria alma. O Senhor sabia que a necessidade mais premente de Moisés não era de um milagre, mas do milagre fundamental — conhecê-lo em pessoa.
Não podemos conhecer a Deus até que ele decida revelar-se. Reclusos em nós mesmos, nossas mentes se fecham, nossas vontades ficam cativas e nossas emoções impedidas. Somente quando ele se aproxima de nós é que desejamos ir a ele. O desejo de conhecer a Deus é o seu presente.
Desejar conhecer a Deus pelo que ele é e não pelo que desejamos dele, é preparação para a comunhão com ele para a qual nascemos.
Esse é o presente que o Senhor quis dar a Moisés e ao povo de Israel no Sinai. Ele convidou o libertador a subir ao mais alto da montanha. O Senhor revelou sua santidade nas densas trevas da nuvem, no fogo, nos relâmpagos e nos trovões. Em seguida, mostrou sua justiça ao dar ao povo os Dez Mandamentos, como base de um relacionamento correto com ele e entre eles. Sua compaixão pela nova nação, ainda inexperiente em noções fundamentais de saúde, asseio e na gerência da vida, se manifestava através de regulamentos específicos para o viver diário. Em encontros repetidos com Moisés, o Senhor deu ao povo festas nas quais pudessem expressar sua gratidão a ele como fonte de prosperidade na terra prometida. Deus ensinou o povo a expiar com sacrifícios os pecados deles e a edificar um tabernáculo onde ele pudesse ser adorado. A seguir, ele empenhou sua perene fidelidade a aliança, prometendo-lhes ser o seu Deus e abençoá-los como seu povo. Contudo, Moisés ansiava conhecer melhor a Deus, de maneira mais pessoal.
Enquanto Moisés estava na montanha e era conduzido a um conhecimento mais profundo acerca de Deus, o povo pecava ao forjar e adorar um bezerro de ouro. Moisés aprendeu, na experiência, o significado de uma palavra: expiação. O Senhor fez uso dela ao tratar das ofertas de sacrifício que o povo devia apresentar pelos pecados. Num momento de angústia cruciante pelo que o povo havia feito, Moisés ofereceu-se a si mesmo como sacrifício pelo pecado do povo. O Senhor não se impressionou com a sua oferta, pois ele mesmo, o Senhor, iria lidar com o pecado do povo. A tarefa de Moisés era conduzi-los e não ser um sacrifício substitutivo. Seu amor não era suficiente. Somente Deus poderia expiar a idolatria deles.
Esses foram meses tempestuosos, nos quais Moisés chegou a uma compreensão mais clara e gradual de seu Deus. Quando o líder estava preparado, o Senhor mostrou-lhe mais de si mesmo. "Falava o Senhor a Moisés face a face, como qualquer fala a seu amigo" (Êxodo 33:11). O Senhor deseja dar-nos o que deu a Moisés, isto é, a garantia da sua presença e a dádiva da sua glória.
Chegara o momento sublime. O Senhor havia dado a Moisés a liberdade de abrir-lhe o coração de par em par. Note como ele passou das reclamações ao desejo da comunhão. O Senhor permitiu que ele se aprofundasse em cada pedido. Moisés desejava conhecer ao seu Deus. Possuímos o mesmo anseio. Queremos derrubar todas as barreiras que levantamos a fim de deixar que Deus nos conheça como somos. Mas também ansiámos conhecê-lo tal como ele é.
A resposta do Senhor é uma das maiores promessas do Antigo Testamento. Muitos, através dos séculos, têm arriscado nela as suas vidas; mártires têm enfrentado a morte com ela em seus lábios, e os angustiados têm-se agarrado a ela como a sua única esperança. O Senhor declarou: "A minha presença irá contigo, e eu te darei descanso" (Êxodo 33:14). Minha presença! Presença no hebraico quer dizer "face". A face do Senhor com o seu olhar vigilante não abandonaria o seu povo. Ele estaria com eles.
Moisés e o povo podiam partir e fazer jus às promessas do Senhor como um presente para o futuro deles. Nada tem significado sem Deus. Nenhum lugar é seguro ou satisfatório sem ele. Agora Moisés não só conhecia o poder, a santidade, a justiça, a compaixão e o perdão de Iave, mas também estava convencido da sua onipresença.
Deus não só deseja nos conhecer, mas deseja também que nós o conheçamos, amemos, cultuemos e adoremos como nosso Deus. Esse é o motivo por que ele nos criou. À luz de tudo isso, nossa oração mais profunda deve ser: "Senhor, mostra-nos a tua glória!" Você já pediu para ver a glória de Deus? É o sinal certo de que ele vem trabalhando em nós para nos conduzir à entrada do santo dos santos, em seu próprio coração. Há um vazio no coração de Deus que somente você e eu podemos preencher. Ele anela que voltemos para casa e o aceitemos, como a Alguém mais importante que qualquer pessoa ou coisa.
A natureza essencial de Deus é bondade, poder capacitador e graça.
Em um mundo de mudanças, podemos contar com um Deus que é o que disse ser. Sua mente não flutua à nossa volta. Essa bondade se expressa na coerência de seu caráter. Seu nome é o seu caráter. E este se revela em seu poder para criar e recriar. Seu nome é Iavé, que, conforme já aprendemos, significa ser ele o poder fundamental do Universo. Mas poder para quê? Esta pergunta nos leva a outra palavra que o Senhor empregou para definir sua glória. "Terei misericórdia". Misericórdia é o amor eterno, ilimitado e imutável de Deus. Não depende de nosso desempenho nem é estimulado por nossa suficiência. Nós não a merecemos e não podemos conquistá-la. Deus ama porque é amor. Sua misericórdia é o que ele faz para nos alcançar, perdoar e justificar.
Nossas mentes saltam de Moisés para Jesus, do Sinai para o Calvário. Cristo é a glória de Deus que podemos ver, contemplar, experimentar e receber. Tudo o que Deus esclareceu a Moisés acerca da sua glória se manifesta em Cristo.
Não somente contemplamos a Cristo; ele vem para dentro de nós. A bondade, o poder e a graça do Senhor são implantados em nosso íntimo. Tornamo-nos semelhantes a nosso Senhor!
Agora o pedido de Moisés: "mostra-me a tua glória" assume profundas implicações. O Senhor não somente promete ir conosco, mas também deseja viver dentro de nós. Pode tal coisa acontecer? Agora você percebe por que conhecer ao Senhor é, na verdade, a maior impossibilidade da vida — exceto quando ele nos escolhe, nos chama, nos condiciona com uma fome e sede dele.
Para tornar possível esse conhecimento, ele próprio veio como mediador. Fale das impossibilidades! Foi com elas que ele se defrontou no mundo caído, hostil e rebelde. Somente uma expiação universal poderia consumar a reconciliação do homem com Deus.
E o que aconteceu então pode acontecer a mim e a você. Quando fazemos a oração de Moisés: "Mostra-me a tua glória!", o Senhor nos dá mais que uma visão de um Senhor distante que se desvanece. Ela é um convite para que o Senhor da glória estabeleça residência dentro de nós.
Muitas de nossas conversas acerca das impossibilidades da vida enfocam os problemas e as perplexidades como imperfeição humana. Porém, quando seguimos Moisés até ao Sinai, abre-se diante de nós uma nova perspectiva. Para ser exato, precisamos, não de uma intervenção em nossos problemas, mas de uma efusão do Senhor do impossível em nossa pessoa interior. Moisés recebeu a promessa de que o Senhor estaria com ele; nós temos a promessa de que ele fará de nós o seu lar. Não é ali ao lado, acima, ao redor, mas dentro!
O mesmo Senhor que interveio nas necessidades do povo de Israel é aquele que desfez as impossibilidades do pecado, da morte e da recriação da natureza humana, quando viveu entre nós como o Cristo. Cada evento prenuncia a derrota final do impossível.
Ficamos a imaginar por que reivindicamos tão pouco da glória que nos é oferecida. Continuamos a lutar mediante nossas próprias energias. E por isso que podemos nos identificar com a relutância de Israel em crer que a presença do Senhor estaria com eles. Conhecemos bem mais que eles da glória de Deus. Ainda assim, receamos reivindicar a sua oferta de poder.
sexta-feira, 5 de junho de 2009
O Senhor do impossível - Lloyd John Ogilvie
Postado por
DAVI E AMY
às
06:51
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