SEIS CHAVES PARA DESVENDAR O IMPOSSÍVEL
Gideão
Uma pessoa comum que fez coisas extraordinárias! Pode-se dizer o mesmo de todos os heróis da fé. E tão confortante como desafiador descobrir as pessoas comuns atrás das realizações extraordinárias. Somos confortados ao descobrirmos que essas pessoas enfrentaram as mesmas lutas e imperfeições que todos nós enfrentamos. Mas, também, somos desafiados a perceber que a causa da sua grandeza é o que Deus realizou nelas e através delas. Não poderia Deus fazer o mesmo conosco se estivéssemos dispostos?
Admiramos os amigos que parecem viver a vida abundante com toda a ousadia. Ansiamos ser como eles. Então, quanto mais chegamos a conhecê-los, mais surpresos ficamos com a sua humani¬dade. Constatamos que sentem as mesmas dificuldades emocionais e físicas que todos sentimos. Ao penetrarmos em suas personalidades, vemos os mesmos traços da fragilidade humana, comuns a todos os homens. Contudo, eles realizam coisas extraordinárias. Por quê?
Fui apanhado num furacão enquanto me encontrava numa pequena ilha. Passada a tempestade, percebi que uma tábua, arrancada de um velho edifício, penetrara cinco centímetros numa parede de concreto. Ao tirá-la da parede, notei que não passava de um velho pedaço de madeira, já surrado pelo tempo. Contudo, sob a velocidade e propulsão violenta do vento, ele havia penetrado a parede de concreto. Grandes pessoas são como essa tábua. Seu poder e proeza não têm explicação, a não ser que foram impelidas pelo Espírito de Deus. E nossa pergunta é: "Qual o segredo para receber e experimentar esse poder?"
A honestidade da Bíblia acerca de seus heróis nos dá uma resposta esperançosa. Ela nos informa da inaptidão e impotência das pessoas comuns que, pelo poder de Deus, realizaram coisas extraordinárias. Somos tentados a pensar nelas como tendo inteligência superior e talentos espetaculares empregados para a glória de Deus. Nada disso! Foram pessoas apanhadas pelo Espírito do Senhor, capacitadas para lutar com o impossível, e que receberam a graça de ser grandes.
Gideão é um exemplo bíblico clássico de uma pessoa comum, mediante a qual Deus realizou coisas extraordinárias. Um estudo de sua biografia em Juizes, capítulos seis a oito, revela seis chaves que desvendam o impossível.
A primeira é uma chamada inegável dada a uma pessoa que enfrenta circunstâncias insustentáveis. O Gideão que encontramos em Juizes 6 destrói a ilusão de que alguns não são qualificados para a grandeza.Encontramos o jovem Gideão num pequeno vale, às escondidas, malhando o trigo de uma colheita escassa. Podemos imaginar o seu medo, vigiando à sua volta com ansiedade, isso nos diz muito acerca do homem e sua época. Ele não malhava o seu trigo num lugar visível, por causa do perigo dos saqueadores midianitas.
A prosperidade deles era de curta duração. As forças devastadoras de Midiã e Amaleque, na época da colheita, assolavam a terra, levando o fruto de sua árdua labuta, juntamente com seu gado e outros bens. Tais invasões continuavam implacáveis. Israel jamais estava fora de perigo.
Não há nada mais desestimulante do que saber que, quanto mais você trabalha, mais corre perigo. De nada valeu a adoração dos baalins. Mas onde estava Iavé, o Deus que opera maravilhas, que guiou o povo à Terra Prometida? Era isso o que Gideão e todo o Israel desejavam saber. O que deviam lembrar, porém, é que o Senhor jamais aceitaria um segundo lugar — nem mesmo um lugar igual — a qualquer outro deus.
Contudo, o Senhor não abandonou o seu povo. Numa época de desalento nacional, ele estava pronto para outro grande lance a favor de Israel. E Gideão seria a peça-chave de sua estratégia. Nada, na constituição natural de Gideão, o tornava um candidato ao heroísmo, e isso faz sua história tão significativa, pois o que aconteceu a ele pode acontecer a nós.
O Senhor interrompeu Gideão em Ofra com uma saudação que deve tê-lo deixado aturdido: "O Senhor é contigo, homem valente." Nada poderia estar mais longe da imagem que Gideão tinha de si mesmo. Na verdade não era, de modo algum, uma afirmação de Gideão.
O poderoso em coragem é Iavé, não Gideão. A visitação divina lembrava a Gideão a grandeza de Deus.
"Ai, senhor meu, se o Senhor é conosco, por que nos sobreveio tudo isto? e que é feito de todas as suas maravilhas que nossos pais nos contaram, dizendo: Não nos fez o Senhor subir do Egito? Porém, agora o Senhor nos desamparou, e nos entregou nas mãos dos midianitas" (Juizes 6:13).
Note a lamentosa consternação. E tudo culpa do Senhor. Nenhuma confissão de apostasia, nem procura do que ele e Israel teriam feito para trazer a calamidade sobre si mesmos. Muitas vezes nossas dúvidas e indagações, exigindo que o Senhor nos preste contas de suas ações, expressam quão distantes estamos da comunhão com ele.
"Então se virou o Senhor para ele". O que havia nesse olhar? Indignação pela apostasia de Gideão? Cólera pela sua obstinação? Seriam justificáveis tanto uma quanto a outra. Pelo contrário, Deus olhou não para o homem frágil, mas para o homem de fé em que se tornaria. Quanta bondade de Deus em não aceitar a nossa queixa a respeito de sua providência! Em vez disso, ele nos chama para mudar as muitas coisas que afligem tanto a nós como à nossa época. Gideão recebe uma chamada irrecusável na sua circunstância insustentável. "Vai nessa tua força, e livra a Israel da mão dos midianitas; porventura não te enviei eu?" (Juizes 6:14). O homem improvável, cheio de descrença e dúvida, responde como a maioria de nós o faz hoje, com o conhecimento de nossas fraquezas e da injustiça do mundo: "Ai, senhor meu, com que livrarei a Israel? Eis que a minha família é a mais pobre em Manasses, e eu o menor na casa de meu pai" (Juizes 6:15). A resposta do Senhor era tudo o de que Gideão precisava: "Já que eu estou contigo, ferirás os midianitas como se fossem um só homem" (Juizes 6:16).
Gideão reage a essa tremenda promessa pedindo um sinal."Se agora achei mercê diante de teus olhos, dá-me um sinal que és tu, Senhor, que me falas" (Juizes 6:17). Gideão, certo de que fora o Senhor que lhe havia falado, temeu morrer por ter tido um encontro face a face com Deus. Mas, para Gideão, o Senhor reservara vida e vitória. Disse ele: "Paz seja contigo! Não temas! Não morrerás!' (Juizes 6:23). Com temor e assombro o líder eleito construiu um altar e o chamou "Jeová Shalom". O Senhor é paz.
A paz do Senhor nos prepara para combater qualquer coisa em nós, em nossos relacionamentos ou ambientes que privem outros de paz. A paz interior nos capacita a viver sem medo em meio ao conflito. Para Gideão significava favor, afirmação e bênção, mas para nós significa algo muito mais profundo, mediante a reconciliação por Cristo. A batalha em nosso íntimo está acabada por causa do amor perdoador da cruz, e agora podemos nos tornar pacificadores. O preço dessa transformação geralmente é alto. Muitas vezes significa fazer frente aos inimigos da paz, os quais perturbam a nós e aos outros. Deus dá-nos a sua paz a fim de podermos continuar com ele em luta destemida pela paz durante toda a vida.
A segunda chave para desvendar o impossível é: Gideão foi chamado a uma obediência constante. Ele não poderia fazer nada acerca da apostasia de Israel até que ele mesmo limpasse o seu quintal. Literalmente. Havia um santuário de Baal nos campos de sua própria família! A primeira ordem que o Senhor deu a Gideão, antes que este pudesse liderar Israel, foi tomar dez homens e dois bois e, deliberadamente, derrubar e despedaçar o ídolo. Em se¬guida, ele devia pegar a madeira do santuário de Astarote, construir um altar a Deus e sobre ele sacrificar um boi de sete anos. Uma ordem e tanto! Especialmente quando ele sabia que tal ato de obediência ao Senhor traria, com certeza, ameaças à sua vida da parte de seus vizinhos, por demais apagados à adoração do ídolo.
O Senhor não poderia abençoar a Gideão com a vitória enquanto não soubesse que ele lhe obedeceria sem discussão. A obediência de Gideão foi completa: ele derrubou o ídolo e sacrificou o boi para a glória de Deus, exatamente como o Senhor lhe ordenara.
Qual é, em nossa vida, o ídolo competitivo? Que pessoa, posição, bens, plano ou propósito impedem uma obediência completa? Todos nós veneramos divindades secundárias que perturbam ou debilitam nossa vida cristã, e depois perguntamo-nos por que temos pouco poder, discernimento ou ousadia. A causa de nosso fracasso é a de nossa fidelidade dividida entre o Deus verdadeiro e um deus que nós mesmos confeccionamos ou recebemos como produto de nossa cultura.
Quantas vezes cremos em Deus, mas nos apoiamos na segurança de nossos bens, nossas realizações, nossa auto-imagem ou na aprovação de outros. De onde você extrai a sua segurança? Pare a leitura e faça um inventário incisivo.
Uma das melhores maneiras de fazer esse exame é considerar o que você teria de dispensar se vivesse apenas na dependência de Deus. Que perda despedaçaria a sua segurança? De que, ou de quem você depende para o significado ou felicidade da vida, além de Deus?
Todos nós temos necessidade de levar a cabo os nossos alvos — mesmo que, às vezes, usemos pessoas e coisas para alcançá-los. O perigo é que eles se transformam em deuses falsos. Nosso deus é tudo aquilo que domina o nosso pensamento e exige a nossa fidelidade com a exclusão de obediência absoluta a Deus. Qual é o baal do seu quintal?
No caso de Gideão, punha a sua vida em perigo. Quando os homens da cidade de Gideão perceberam o que ele tinha feito, reuniram uma turba de linchamento e se dirigiram ao pai dele, Joás, com a exigência: "Leva para fora o teu filho, para que morra; pois derribou o altar de Baal, e cortou o poste-ídolo, que estava junto dele" (Juizes 6:30).
A obediência de Gideão ao Senhor atiçou as chamas da fidelidade de Joás. A fidelidade de seu filho abriu-lhe os olhos para a sua própria evasiva. Joás deveria constar na lista de nossos heróis. Se seu pai não tivesse enfrentado a multidão enfurecida, Gideão não teria sobrevivido para fazer a vontade do Senhor. Ouça a sua recém-achada coragem e lealdade: "Contendereis vós por Baal? livrá-lo-eis vós? Qualquer que por ele contender ainda este manhã será morto. Se é deus, que por si mesmo contenda; pois derribaram o seu altar" (Juizes 6:31).
Então ele fez algo notável que expressava a confiança e a admiração que tinha pelo filho. Deu a Gideão um novo nome: Jerubaal, que significa: "Que Baal por si mesmo contenda". Ele viu a transformação do seu filho. O homem no rapaz trouxe à superfície o homem no pai. Era como se ele dissesse: "Meu filho Gideão é uma nova pessoa. Alguma coisa lhe aconteceu. Baal não é nosso deus. Ele não tem poder sobre o meu filho. Vocês não devem contender com Gideão. Se Baal tem algum poder, deixe-o usá-lo contra Gideão". Nada aconteceu. Gideão, agora Jerubaal, tinha derrotado o inimigo espiritual do povo.
Quem é o Joás em sua vida? Para quem você precisa ser um Joás?
Gideão desmascarou o inimigo dentro de Israel. Agora ele enfrentava o de fora. Os midianitas e amalequitas, cujo exército contava cento e trinta e cinco mil homens fortemente armados no vale de Jezreel, oprimiam e exploravam sem piedade os empobrecidos israelitas. Era preciso fazer alguma coisa. Gideão era o eleito de Deus para a ocasião, mas faltava-lhe poder. Nesse momento ele descobriu a terceira chave para realizar a tarefa impossível de libertar o seu povo do opressor estrangeiro. Uma tarefa impossível preparou-o para receber poder ilimitado. "Então o Espírito do Senhor revestiu a Gideão, o qual tocou a rebate" (Juizes 6:34).
A personalidade de Gideão, bem como a sua humanidade, se tornaram a vestimenta de Deus! Talentos naturais foram aumentados ao máximo, dons extraordinários, acrescentados. A fé substituiu o medo, a coragem suplantou o comprometimento, e o carisma fluiu através de sua personalidade.
Até essa altura a conversão de Gideão fora uma reação humana a um chamado divino. Mas agora ele se tornava o leito para o fluxo do Espírito do Deus que o chamara. Ao tocar a trombeta, ele convocou Israel às armas.
Desse ponto em diante testemunhamos o que Deus pode fazer com uma pessoa possuída pelo seu Espírito. O homem indeciso, preocupado e tímido, que encontramos no lagar triturando o grão em secreto, está agora cheio de vigor e inspiração. Suas queixas foram substituídas por entusiasmo e vitalidade. O Deus de valor estava fazendo dele um homem de valor.
A reação das tribos de Israel ao chamado de Gideão é surpreendente. Foi Deus quem suscitou os exércitos israelitas. Foi ele quem lhes despertou o desejo de sair de debaixo do calcanhar dos invasores pagãos. Esta é uma lição que os líderes cristãos precisam ter em mente. A reação das pessoas à nossa liderança é induzida por Deus. A força por trás de todo o movimento de Gideão é o Senhor. Por que então milhares de israelitas se uniriam ao filho mais jovem da menor das tribos? A experiência de Gideão não nos dá o luxo de pensar que pouco ou nada acontece quando conduzimos outros numa causa de verdade e justiça.
Gideão precisava de mais confirmação de que o Senhor, que o havia orientado até esse ponto, desejava que ele combatesse os invasores. Por que essa confirmação após sua chamada, conversão, consagração e revestimento do Espírito de Deus? Para muitos intérpretes, Gideão, ao pedir mais um sinal, ofendia ao que Deus já lhe havia dito. Nada disso. A Escritura salienta que Gideão dependeu do Senhor a cada passo do caminho. A quarta chave para desvendar o impossível é uma resposta inquestionável à súplica por orientação. Deus não nos dá apenas um chamado, mas também a confirmação clara ao longo do caminho.
A prova do velo mostra-nos que Deus não se detém enquanto não estivermos seguros. Do que você precisa para convencer-se de que a orientação recebida do Senhor está certa? Para Gideão essa certeza levou-o, não no lagar oculto, mas ao ar livre, a orar corajosamente ao Senhor (Juizes 6:36) — evidência de um ousado novo homem.
Deus foi fiel ao teste: pela manhã a lã estava completamente seca, e o chão estava coberto de orvalho. Quão bondoso é Deus!
Vemos ao nosso redor provas de respostas às nossas orações. Vemos as evidências do amor de Deus. Mas nas ocasiões especiais de desafio e perigo, ele concede um dom especial para nos convencer da sua presença conosco.
Lembre-se que Gideão, até essa altura, não conhecia a Deus muito bem. Quanto a nós, ele nos guia segundo nosso nível de crescimento. O que importa é sermos objetivos ao falar-lhe dos desafios que temos de vencer para a sua glória. Apresentemos a necessidade e esperemos nele com a certeza de que ele usará nossas mentes, nossos sentimentos e sensibilidades para nos conscientizar da sua vontade. Gideão recusou-se a cometer o erro de se apoiar em sua própria força. Deus honrou a sua necessidade de segurança. Ele não fará menos por nós.
O desejo do Senhor para nós não é ambíguo. Se seguirmos o Mestre com entusiasmo, conforme os princípios básicos do discipulado — buscando primeiro o seu reino e a sua justiça — estaremos abertos à sua orientação específica. O segredo é a vontade. Quando desejarmos fazer a sua vontade, tal como ele prometeu, nós a conheceremos (João 7:17). Espalhe a sua incerteza na presença dele. O que você acha que deve fazer cumpre o que ele disse na Escritura? Fará bem a todos os interessados? É uma expressão do seu amor? Dar-nos-á uma mais profunda comunhão com ele? Fará com que o reino de Deus se estenda? Se pudermos responder afirmativamente a essas perguntas, deixaremos a dúvida de lado. Aquele que criou o mundo e ressuscitou a Cristo dentre os mortos, não pode comunicar sua vontade às nossas mentes e corações abertos? É claro que pode.
A seguinte e quinta chave para desvendar o impossível é uma estratégia que não segue o padrão característico das demais. Esta é a mais difícil das chaves. Os caminhos de Deus não são os nossos caminhos. Planejamos, armamos as estratégias e dispomos o po¬tencial humano para realizar a obra de Deus. O Senhor não deixou Gideão cair nessa armadilha. Quando os exércitos de Israel se reuniram no monte Gilboa, Gideão contou os seus soldados — trinta e dois mil ao todo. Em seguida ele olhou de um extremo ao outro, da fonte de Harode no sopé do monte através do vale de Jezreel até os midianitas e os amalequitas acampados ao pé do outeiro de More — cento e trinta e cinco mil. A proporção era de quatro para um. "Eis uma oportunidade de lutar com a ajuda do Senhor", pensou Gideão.
Compreenda o espanto do líder quando o Senhor mandou que ele reduzisse as fileiras! Ele devia submeter o recém-reunido exército a duas provas. A primeira era recitar as palavras prescritas nas leis para a guerra, dadas pelo Senhor a Moisés: "Qual o homem medroso e de coração tímido? Vá, tome-se para sua casa, para que o coração de seus irmãos se não derreta como o seu coração" (Deuteronômio 20:8). Embora Gideão não imaginasse como enfrentar o inimigo sem os seus trinta e dois mil homens, ele obedeceu ao Senhor e disse: "Quem for tímido e medroso, volte, e retire-se". Vinte e dois mil voltaram para as suas casas!
Esmoreceu o ânimo de Gideão ao olhar para os dez mil restantes e depois para o acampamento do inimigo? Sem dúvida, mas ele reuniu sua coragem e deu início aos preparativos. Contudo, o Senhor não havia ainda dado o caso por encerrado! Mandou que Gideão realizasse mais uma prova. Ele devia mandar o seu exército descer às águas. O rio corria entre o exército agora reduzido e as imensas forças de Midiã, de modo que os soldados israelenses pensaram que o estavam atravessando para a guerra. Isso é importante para compreendermos a prova do Senhor. Enquanto os soldados atravessavam o rio, alguns pararam, tiraram a armadura, puseram de lado as suas armas, ajoelharam-se e lamberam a água com a língua. Outros, firmes à liderança de Gideão e não tirando os olho dele nem do inimigo, lamberam a água levando a mão à boca. O Senhor disse a Gideão que somente aqueles que levaram a mão à boca estavam preparados para lutar. Eles atravessaram o rio sem ao menos parar para satisfazer às suas necessidades. O número dos que não passaram na prova foi nove mil e setecentos. Restaram a Gideão trezentos homens!
O Senhor sabia o que estava fazendo. Ele queria somente os que pudessem seguir a Gideão com disposição, obediência e fidelidade. Os que pensavam mais na satisfação de suas próprias necessidades foram tirados do exército. O Senhor queria um grupo de homens ousados, vigilantes e totalmente dedicados. Mas havia uma razão mais profunda para a redução dos soldados: a vitória pertenceria a Deus e ao seu poder. Nosso Deus se deleita em nos surpreender com o que pode fazer com algumas pessoas que confiam nele completamente, que põem o conforto e o orgulho pessoal de lado.
Se desejamos viver uma vida com os dons das possibilidades de Deus, devemos usar os seus métodos e revestir-nos de seu poder. Em virtude de nossa timidez, apoiamo-nos em talentos, habilidades e poder humanos, os quais muitas vezes nos atrapalham. Deus tem de romper esses laços antes de dar-nos o que tem de melhor para nós. Colocá-lo em primeiro lugar em nossa vida, buscar os alvos de seu reino, viver de seus recursos e na expectativa de suas intervenções, e receber o poder de seu Espírito — eis o único modo de viver uma vida realmente vitoriosa.
A última chave para desvendar o impossível é a coragem inabalável.
Quão bondoso foi Deus ao encorajar Gideão, mostrando-lhe que os midianitas o conheciam e temiam o seu poder crescente em Israel, e que a vitória estava assegurada! Confortam-nos os persistentes esforços do Senhor para fortalecer a confiança de Gideão. O resultado foi que Gideão pôde agradecer a Deus, antecipada¬mente, a libertação de Israel.
Agradecer a Deus de antemão o que ele prometeu fazer, permite-nos imaginar como será receber a promessa que eliminará a impossibilidade em nossa vida. Isso exige oração, atenção cuidadosa e consciência das mensagens que ele nos envia através das pessoas e das circunstâncias inesperadas. Uma vez que a imagem da vitória esteja bem fixa em nossa mente, a solução dos problemas ou o sucesso dos projetos que ele nos deu, tudo pode ser levado a cabo com coragem.
Ao retornar a seus trezentos homens, Gideão estava pronto para dar o brado de guerra: "Levantai-vos, porque o Senhor entregou o arraial dos midianitas nas vossas mãos" (Juizes 7:15). A vitória era um fato consumado.
O plano de ataque de Gideão foi brilhante. Gideão deu a cada um deles uma trombeta para segurar em uma mão e uma tocha para segurar na outra. Cada tocha era colocada dentro de um cântaro. "Olhai para mim e fazei como eu fizer. Chegando eu às imediações do arraial, como fizer eu, assim fareis. Quando eu tocar a trombeta, e todos os que comigo estiverem, então vós também tocareis a vossa ao redor de todo o arraial, e direis: Pelo Senhor e por Gideão!" (Juizes 7:17-18). Com um plano de ataque assim tão simples a orientá-los, os israelitas se puseram em marcha rumo a Midiã.
A única espada que eles tinham era a coragem dada pelo Senhor.
Os midianitas e os amalequitas se despertaram do sono ao som assustador de trombetas e clamores de batalha. Saíram das tendas brandindo espadas, e, confusos na escuridão, começaram a atacar e a matar uns aos outros. Mas note a parte do Senhor: "O Senhor tomou a espada de um contra o outro, e isto em todo o arraial". Dos cento e trinta e cinco mil homens, cento e vinte mil se mataram uns aos outros, pensando que estavam combatendo a Gideão e seus homens. Os outros quinze mil fugiram, ao perceberem o que estava acontecendo. Foi uma vitória completa do Senhor para Gideão e Israel. E todo o louvor foi dado ao Senhor do impossível, que triunfara uma vez mais!
Esse relato revela a natureza real da coragem cristã. E a coragem do Senhor, não a coragem para o Senhor. Na qualidade de povo chamado e escolhido por Deus, recebemos nossa coragem da visão de seu envolvimento em nossas crises e aflições. Então, adquirimos a imagem certa do que ele fará e seguimos em frente crendo que, o que ele prometeu, cumprirá a seu modo e em tempo oportuno. Nossa única espada é o Senhor! A oração é a chave. Quando levamos ao Senhor as nossas impossibilidades e nada escondemos, recebemos confiança para avançar. Quanto mais dependemos dele, mais nossa coragem aumenta. Não necessitamos de justificar nossas ações, ficar na defensiva ou bater em retirada. Mais uma vez, como aprendemos com os heróis até agora estudados, se estivermos dispostos a reconhecer a Deus e a dar-lhe a glória, não haverá limites para as bênçãos que receberemos.
Há pessoas assim em todas as épocas. Esperam até que a batalha termine e então se queixam de não terem recebido um convite por escrito para se alistarem, embora soubessem que a batalha também lhes pertencia. Você já se encontrou com pessoas assim? Já foi uma delas?
Quando o Senhor nos dá a vitória em alguma situação à primeira vista impossível, ele nos infunde de certa dose especial de humildade, a fim de darmos carinhosa atenção aos que podem não vir a partilhar de nosso triunfo. Isso também faz parte de dar a glória a Deus.
Ficamos a indagar então como é que a vida espetacular de Gideão veio a ter um fim tão lastimável. Perto do fim do oitavo capítulo dos Juizes, ele comete um pecado de idolatria que ameaça o registro de sua coragem nas páginas da história. Não desejava ser rei e governar no lugar de Deus, mas pediu ao povo argolas de ouro do despojo. Desejava Gideão essas argolas como uma lembrança, um troféu, um símbolo? Talvez. Mas o povo deu-lhe não apenas uma, mas todas as argolas tiradas de todos os midianitas e amalequitas mortos. No total, cento e trinta e cinco mil argolas! O presente pesava mil e setecentos ciclos de ouro. E foi acrescido dos orna¬mentos, pendentes e colares.
Foi nessa altura que Gideão se desviou. Em Juizes 8:27 lemos: "E todo o Israel se prostituiu ali após dela; a qual veio a ser um laço a Gideão e à sua casa". Está implícito que a estola sacerdotal se tomou um santuário de adoração, memorial das grandes coisas que Gideão fizera ao derrotar Midiã e Amaleque.
Gideão vivia da glória dos feitos heróicos do passado. Ele tomou para si a glória que antes teve todo o cuidado de atribuir a Deus. O povo o tomou por ideal e se esqueceu do Deus que ganhara a vitória sobre o inimigo.
Ele tropeçou no auto-engrandecimento. O santuário a Baal, que ele com tanto zelo removera, estava de volta de outra forma.
Isso pode acontecer e de fato acontece conosco. Quando as pressões que nos forçaram a depender de Deus são aliviadas, nos esquecemos de quem nos tirou da confusão. As orações de agradecimento são substituídas por histórias intermináveis do que nós realizamos. O passado se toma mais estimulante que o futuro, a herança, mais preciosa que a esperança.
E, contudo, a história de Gideão permanece. Ela nos incita à ousadia e nos previne do que pode acontecer se tirarmos nossos olhos do Senhor. Acima de tudo, a vida de Gideão, até o fim, demonstra que as bênçãos já recebidas do Senhor do impossível nada são comparadas com o que ele fará com as impossibilidades dos dias que se aproximam. O que o Senhor realizou nos dá as chaves para desvendar as impossibilidades de hoje e de todos os nossos amanhãs.
quarta-feira, 10 de junho de 2009
O Senhor do impossível - Lloyd John Ogilvie
Postado por
DAVI E AMY
às
09:05
Assinar:
Postar comentários (Atom)

0 comentários:
Postar um comentário