segunda-feira, 8 de junho de 2009

O Senhor do impossível - Lloyd John Ogilvie

MAIS TARDE
Israel na Fronteira de Canãa

A menos que eu esteja enganado, cada um de nós se encontra em luta com alguma decisão ou resposta que nos inclina a desejar pôr um fim ao nosso diálogo com o Senhor mediante um: "Mais tarde, Senhor, muito mais tarde!" Qual é a sua luta? Que desafio você vem adiando? Que promessa você vem adiando cumprir? Que oportunidade tem você arquivado para o dia seguinte, que deveria ser aproveitada hoje?

Dizemos "mais tarde" para o Senhor quando ele finalmente nos abre uma oportunidade pela qual temos orado há muito. Recuamos, com freqüência, receosos de agarrar o presente que ele nos oferece e pelo qual temos orado.

A esse tipo de vida chama-se de procrastinação. Procrastinar é prorrogar para amanhã o que o Senhor deseja realizar hoje — agora! E o ladrão do tempo que rouba hoje a liberdade e enche de frustração o amanhã.

Acima de tudo, a procrastinação impede a realização das promessas de Deus. O estranho mistério de nossa natureza obstinada consiste em resistirmos às promessas de vida abundante — paz, alegria e bênção — ao adiar, para um futuro distante, a decisão ou ação que Deus programou para hoje. E muitas vezes o fazemos com razões belamente formuladas e com sutis evasivas. Mas uma frase resume a nossa atitude: Mais tarde!

Moisés não procrastinou. Selecionou doze homens fortes e valorosos, um de cada tribo, e os enviou ao Neguebe, a parte rochosa no Sul da Palestina, uma região montanhosa. Demoraram-se quarenta dias em sua missão. Ao retomarem, deram dois diferentes relatórios de seu reconhecimento. O relatório da maioria era negativo e estava impregnado de temor e pânico. O relatório da minoria, dado por Calebe e Josué, era corajoso e ousado. Calebe atrai a nossa atenção e admiração quando diz: "Eia! subamos, e possuamos a terra, porque certamente prevaleceremos contra ela" (Números 13:30). Admiramos sua prontidão, ousadia e intrepidez. Ele mereceu um dos mais honrosos elogios que o Senhor já deu a uma pessoa: "Porém o meu servo Calebe, visto que nele houve outro espírito, e perseverou em seguir-me, eu o farei entrar na terra que espiou, e a sua descendência a possuirá" (Números 14:24). O espírito de Calebe estava cheio do Espírito do Senhor e ele seguia ao Senhor sem discussão. Mais tarde, Josué fez um retrospecto da carreira de Calebe, e fez soar a mesma nota de louvor: "Visto que perseverara em seguir ao Senhor Deus de Israel" (Josué 14:14).


É lamentável que o relatório de Calebe, que representava a minoria, não tivesse saído vencedor. A exposição da maioria temerosa atraiu a atenção do povo. Eles adiaram a aceitação da promessa de Deus.

O relato adquire um cunho pessoal, pois a terra prometida de bênçãos antecipadas de nosso Senhor só será nossa se ousarmos avançar e possuí-la.

Em primeiro lugar, procrastinar é questionar no escuro o que Deus prometeu em claro. A promessa do Senhor não havia mudado enquanto o povo esteve acampado na fronteira da bênção. No silêncio da oração, o Senhor afirmava a Moisés e ao povo, repetidas vezes, que ele seria fiel em dar-lhes a terra prometida.

A procrastinação é, geralmente, a alternativa preferida do covarde. Todos sabemos disso. Quando ignoramos a presença e o poder do Senhor na análise de um desafio, o pânico nos atinge e adiamos uma ação ou decisão importante. O que Deus esclareceu na luz, questionamos na escuridão. Coragem é o temor que fez suas orações. Procrastinação é o temor que esqueceu o prometido nas orações.

Duvidar do que sabemos ser a vontade de Deus é um grande mal. Ele é o mesmo ontem, hoje e amanhã. O Senhor nunca volta atrás em sua palavra. Ele não muda a sua estratégia nem remove o seu poder de cumpri-la. Nosso Deus deseja dar-nos poder permanente quando as coisas ficam difíceis.

Cristo não é só a verdade e a vida para nós. Ele é também o caminho! Ele nos conduz à nossa terra prometida de vida abundante agora, e de vida eterna para sempre. Agora é o momento de começar a seguir o Caminho. Não amanhã.

A procrastinação nos deixa em ponto morto. Ela nos imobiliza enquanto tentamos parar a vida por algum tempo. Mas a vida segue o seu curso, passando pelo procrastinador, deixando-o com sonhos e esperanças não realizados. Em sua base, procrastinação é pecado, como disse R. E. C. Brown: "A recusa de controlar o que pode ser controlado e a tentativa de controlar o que não pode ser controlado".

A segunda coisa que este relato nos diz é que as coisas se transformam no que aparentam. Os israelitas usaram a capacidade dada por Deus de imaginação para formar um quadro do pior.

O medo nos torna gafanhotos primeiro aos nossos próprios olhos e em seguida aos olhos dos outros. Nathaniel Hawthome escreveu: "Que outro calabouço é tão escuro quanto o nosso próprio coração! Que carcereira tão implacável quanto nós mesmos!"

Deus deseja dar-nos uma auto-imagem criativa, que inclua todos os talentos e habilidades que ele tem para nós, mais o poder do seu Espírito e mais um quadro de nós mesmos realizando o que ele nos deu para realizar. Com essa imagem podemos ser mais que vencedores.

Faça um quadro mental do desafio que você é tentado a adiar. Veja a si próprio no grosso da batalha, equipado com vigor sobre-humano. Agora, mantenha esse quadro. Nós somos gigantes!

Terceiro, considere a infecção contagiosa da procrastinação. O medo dos dez espias apelou para o medo da nação inteira. Espalhou-se por todo o Israel, deixando a nação prostrada. Quando você e eu damos um passo atrás em vez de enfrentarmos a vida de cabeça erguida, espalhamos essa disposição de espírito para o atraso de familiares, amigos e companheiros de aventura em Cristo. Precisamos de Calebe como nosso exemplo à medida que levamos os outros a perseverar. O que o Senhor orienta, ele prove.

O que decidimos e realizamos hoje afetará, de forma radical, a ousadia espiritual ou a falta dela em outros. Atrasar uma decisão ou não decidir é desastroso. Naturalmente, há tempos de espera quando ficamos atentos às ordens de Deus para avançar. Essa é uma época criativa e necessária. Não é procrastinação esperar até obter sinais claros do Senhor antes de agir. Procrastinação é a relutância em pôr em ação que ele já tornou abundantemente claro.

A quarta verdade do relato da procrastinação de Israel é que podemos perder o melhor de Deus dizendo: "Mais tarde!" Por esperar tempo demasiado podemos perder a capacidade de dizer "Agora!" O povo de Israel disse "Não!" não apenas às promessas de Deus, mas também ao seu líder. Sua culpa levou-os à sedição contra Moisés. Mesmo depois de catorze meses de todas as evidências dos milagres de Deus e de sua provisão, eles desejaram voltar para o Egito! É difícil de acreditar. Ou não é? Quando a procrastinação é alimentada em nosso banco de memória como os únicos dados para as exigências da vida, o computador dos tecidos do nosso cérebro não pode dar uma resposta que não seja: "Mais tarde".

Muitos cristãos vivem num deserto, sem espírito de aventura, impotentes e frios, sem a plenitude do poder de Cristo, porque sempre dão um passo atrás nos desafios em que poderiam obter sucesso apenas com a sua presença. Ficamos contentes com substitutos.

O que eu faria hoje se soubesse que o sucesso, de acordo com os padrões de Deus, está assegurado? O que tentaria se estivesse certo de que o Senhor está comigo, infundindo-me sabedoria, amor, coragem e ousadia? Que passo de crescimento pessoal na fé você tem adiado? Que perdão precisa oferecer a pessoas ou receber delas em sua vida? Quem precisa de seu amor e segurança hoje, tanto em palavras como em ações? Se este fosse o seu último dia, o que você faria? (Ao responder a estas perguntas, faça-o por escrito).

Vamos unir-nos ao relatório da minoria. Com Calebe, vamos entrar e possuir nossa terra prometida, afirmando: "Eia! subamos, e possuamos a terra, porque certamente prevaleceremos contra ela" (Números 13:30).

Mais tarde? Não! Agora!

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