UMA QUESTÃO DE LEALDADE
Rute
Reputações são desrespeitadas por críticas depreciativas e sem escrúpulos. A lealdade parece ter sido lançada fora desta "geração do eu". Quem se importa?
Quando percebemos ao nosso redor os relacionamentos desgastados e rompidos, somos forçados a reconhecer que o mal está ganhando algumas batalhas decisivas. Nada se afigura como motivo mais importante para um rompimento que a deslealdade — para com Deus e uns para com os outros. Deus vai vencer a batalha final sem dúvida alguma, mas, enquanto isso, a insegurança, a desconfiança, o desestímulo mútuo e as criticas depreciativas estão levando a vitória. Desde o início do tempo, o máximo de Deus vem sendo reduzido ao mínimo pela estratégia de deslealdade engendrada por Satanás. Perdemos a possibilidade de grandeza oferecida pelo Senhor do impossível quando nosso coração não reproduz a mesma lealdade de seu coração.
Os heróis que examinamos são distinguidos pelo que o Senhor fez neles e através deles. Em cada caso, o herói real é o próprio Senhor. Assim sendo, enquanto a narrativa bíblica prossegue o seu curso, ela passa de relatos do seu poder para uma revelação mais profunda da sua natureza. Deparamo-nos com um Deus que não é apenas poderoso, mas também amoroso. Por trás de suas intervenções para salvar o seu povo em epocas de crise, encontra-se um atributo essencial da sua natureza. Ele é leal para com seu povo chamado e escolhido.
A lealdade de Deus, a qual ele anseia reproduzir em seu povo. Em cada período da história, o povo de Deus tem sido tentado a ser desleal ao pacto divino e ao compromisso de partilhar a sua bondade com todo o povo. Noemi nos mostra o poder da lealdade em nosso testemunho. Rute exemplifica o que pode acontecer a uma pessoa que expressa a fidelidade de Deus numa pessoa fiel. Contradiz-se o exclusivismo e celebra-se o amor inclusivo.
Rute e Noemi partilhavam um pesar comum. Ambas perderam o marido. Noemi liberou Rute da responsabilidade de permanecer em sua companhia e de cuidar dela. A resposta de rute encontra-se nos versículos dezesseis e dezessete do capítulo primeiro do pequeno livro do Antigo Testamento que leva o seu nome. Você precisa ouvir uma expressão de lealdade como essa? Prove-a nos recantos famintos de lealdade do seu próprio coração. Rute disse a Noemi: "Não me instes para que te deixe, e me obrigue a não seguir-te; porque aonde quer que fores, irei eu, e onde quer que pousares, ali pousarei eu; o teu povo é o meu povo, o teu Deus é o meu Deus. Onde quer que morreres, morrerei eu, e aí serei sepultada; faça-me o Senhor o que bem lhe aprouver, se outra coisa que não seja a morte me separar de ti".
Anos antes, Noemi e seu marido, Elimeleque, partiram de Belém de Judá por causa de uma fome na terra. Em companhia dos seus filhos, Malom e Quiliom, viajaram para a terra de Moabe em busca de comida. Embora não fosse fácil para esses hebreus habitarem numa terra onde o culto ao deus Camos incluía sacrifícios humanos, eles permaneceram fiéis a Iavé. Ao falecer Elimeleque, o coração de Noemi foi acometido pela dor. Porém, ela preencheu o seu vazio com a preocupação por seus filhos e suas esposas moabitas. Malom casou-se com Rute e Quiliom com Orfa. Todos viviam juntos debaixo da atenção leal e cuidadosa de Noemi. Ela amava suas noras moabitas como a suas próprias filhas, com dedicação incansável. Então a tragédia os surpreendeu novamente. Ambos os filhos, Malom e Quiliom, morreram, e as três mulheres ficaram viúvas. Essa dor adicional compeliu o coração de Noemi de volta a Belém. A prosperidade retornara a sua terra natal e ela ansiava por voltar ao lar. Seu cuidado caloroso e bondoso para com as noras fez com que ambas se prontificassem a acompanhá-la. As três viúvas partiram para Belém.
Numa encruzilhada, já próximo de Judá, Noemi parou e ofereceu liberdade a Rute e Orfa. Noemi suplicou-lhes que voltassem. Orfa concordou, mas chorava enquanto partia. Rute, contudo, não seria dissuadida da determinação de recompensar a lealdade de Noemi. As duas mulheres continuaram a jornada e se estabeleceram em Belém. Ali, Rute recebeu, como prêmio de sua lealdade, o respeito das pessoas da cidade e o casamento com Boaz, um próspero fazendeiro e parente de seu falecido marido.
O fruto de seu amor com Boaz foi um bonito filho a quem chamaram Obede. A espantosa providência de Deus é que Obede foi o pai de Jessé e este o pai de Davi.
A genealogia da graça, assim iniciada, levou mais tarde ao nascimento de Jesus Cristo da linhagem de Davi!
Uma mulher moabita, convertida a Iavé, tornou-se parte da aliança e predecessora do Filho de Deus! O Senhor do impossível aceitou a lealdade como parte da sua preparação para a encarnação.
Há três coisas importantes acerca da lealdade que Rute nos ensina, e cada uma delas é extremamente necessária para a nossa vida e para a sociedade.
A primeira é que não pode haver lealdade sem liberdade. De modo oposto, não pode haver a liberdade sem lealdade. Noemi deu a Rute o presente da liberdade, para que ela pudesse escolher ser ou não leal.
Uma não pode florescer sem a outra. O inegável paradoxo da vida é que não podemos ser leais até que nos sintamos livres; mas, sem lealdade, nossa liberdade fica sem direção. A lealdade leva ao máximo a nossa realização de interdependência.
Nossa época dá grande importância à liberdade individual. Liberdade de repressões, de regras e regulamentos, de restrições a opiniões e tradições. O que quer que nos deixe "numa boa", está ok. "Faça o que lhe der o maior prazer e felicidade!" é o clamor da liberdade atual. Ostenta-se uma meia-verdade como a verdade fundamental.
Não ouvimos falar muito de lealdade hoje em dia. Mas ela é o fio dourado com que se tece a verdadeira liberdade. Sem ela, a roupagem de nosso caráter se enfraquece e perde o estilo. A lealdade envolve a liberdade em compromissos duradouros, coerência liberadora e constância amorosa.
O Senhor nos concede imensa liberdade a fim de sermos leais a ele. Ele nos chamou, escolheu e cuidou de nós com amor fiel. Todavia, ele sabe que não pode haver amor recíproco sem liberdade. Essa verdade impregnou a mensagem de Jesus. Ele apresentou os dois lados do paradoxo. Ele veio para libertar a humanidade do pecado, do egoísmo e do egocentrismo. Porém, chamou os que aceitavam a libertação para a lealdade do discipulado. Somente aqueles que, por lealdade, colocam o Salvador e a sua cruz em primeiro lugar, seguindo-o em obediência absoluta, podem crescer na realização de seu dom da liberdade. A cruz de Cristo granjeou-nos a liberdade; a nossa lealdade em levar a nossa cruz nos dará a vida liberada.
"Por que tudo é vosso. . . seja o mundo, seja a vida, seja a morte, sejam as coisas presentes, sejam as futuras, tudo é vosso, e vós de Cristo, e Cristo de Deus".
1 Coríntios 3:21-23
Tudo é nosso — isso é liberdade; pertencemos a Cristo — isso é lealdade. O importante não é o número de coisas que possuímos, mas a quem pertencemos. Na verdade, pertencer a Cristo nos dá tudo o que a fé cristã oferece.
É a nossa lealdade que nos preserva a liberdade. Se pertencemos a Cristo, tudo o que ele oferece nos pertence. Quando somos leais a ele e ao povo que ele nos dá para amar e cuidar, tornamo-nos pessoas realmente livres.
Lealdade é o que Deus oferece e deseja em troca. No Salmo 101, versículo 1, Davi diz: "Cantarei a bondade e a justiça; a ti, Senhor, cantarei." Foi o amor ilimitado, inexorável e coerente do Deus da aliança que fez que Davi desejasse cantar. Em sua lealdade a Saul ele reproduz a lealdade do Senhor, apesar do ciúme e temor do rei para com ele. Essa lealdade está clara no que ele disse aos homens de Jabes-Gileade, que foram fiéis a Saul até o fim: "Benditos do Senhor sejais vós, por esta humanidade para com vosso senhor, para com Saul, pois o sepultastes!" (2 Samuel 2:5). Davi é lembrado por suas lealdades — a Saul, a seus filhos, que muitas vezes se rebelaram, a suas tropas, que lutaram valo¬rosamente com ele, e a seus amigos que o decepcionaram. Mesmo no grande fracasso da sua vida, o Senhor o trouxe de volta, quando contrito e arrependido ele se lembrou da lealdade do Senhor.
A sabedoria de Salomão, filho de Davi, baseou-se na lealdade de Deus para com ele e no seu anseio de ser leal a Deus. Provérbios está cheio de lealdade e fidelidade.
Por todas as Escrituras, lealdade a Deus significa colocá-lo em primeiro lugar, renunciar a qualquer outro falso deus e demonstrar aos outros a fidelidade do Senhor para conosco.
Lealdade é o vínculo que une a família de Deus. O Senhor do impossível retém suas bênçãos até que expressemos sua lealdade em nossos relacionamentos. A cruz é o exemplo do extremo a que a lealdade deve ir. É através das lentes do Calvário que podemos ver um ao outro e dizer o que Deus nos diz: "Não o deixarei! Você pertence a mim; não renunciarei a você nem o deixarei partir."
Mais uma pausa para reflexão: Quem precisa saber disso? De quem você precisa ouvir ou sentir isso?
Cumprimos o nosso destino quando somos leais. Tornamo-nos como nosso Deus. Tudo o que aconteceu a Rute — as bênçãos que recebeu e a felicidade que experimentou — foi por ela se ter sujeitado à lei espiritual da lealdade.
Talvez você esteja dizendo: "Espere um pouco, Lloyd. O que fazemos quando as pessoas nos desapontam ou fazem essas coisas indignas da nossa lealdade?" isso nos compele a examinar mais a fundo os ingredientes da verdadeira lealdade.
Quando as pessoas fazem coisas que ferem nossa lealdade, precisamos amá-las o bastante para partilhar com elas a nossa percepção do que está errado. A lealdade não é cega. Antes, vê a pessoa através dos olhos do amor — o que ela é e pode ser. A franqueza é, sem dúvida, necessária a uma lealdade saudável. Deslealdade é fazer comentários acerca de uma pessoa em vez de ir diretamente a essa pessoa, objeto de tais comentários.
Todos nós precisamos de pessoas que nos aconselhem ou nos critiquem. Aqueles que nos contam um fuxico, por certo vão fuxicar a nosso respeito. Devemos conversar com Deus acerca das coisas que nos incomodam no tocante às pessoas, e depois conversar diretamente com as pessoas na perspectiva dessas orações.
E se elas em vez de nos ouvir, continuarem magoando-se e destruindo-se a si mesmas e aos outros? Permaneçamos leais! Lealdade não é aprovação. É a ação de um tipo de amor que dá, perdoa e ama apesar de tudo. A lealdade não nega o certo nem desculpa a irresponsabilidade. Na verdade, por causa da lealdade não podemos permanecer alheios nem fingir que não percebemos o com¬portamento que destruirá essas pessoas. Comprometer-se com a lealdade significa envolvimento coerente no esforço de ajudar os outros a descobrir e fazer a vontade de Deus. Isso não é fácil e exige esforço incansável. Todos nós temos falhado repetidas vezes em ajudar as pessoas a expressar o seu potencial.
Ter amigos que partilham de nossos sonhos e desejam o melhor que Deus tem para nós é provar um pouco do céu. Mas ter amigos assim requer que sejamos esse tipo de amigo.
William James disse: "O princípio mais profundo na natureza humana é o anseio de ser amado." Só Deus pode satisfazer a esse desejo. Não há sentimento de apreço mais profundo por uma pessoa do que compreendê-la. Isso significa conhecer tanto suas esperanças como também suas mágoas, e ser um incentivador leal enquanto elas correm em direção de seus alvos.
Boaz conferiu a Rute honra e reconhecimento por causa da sua lealdade. Excelência é ser tudo o que Deus deseja que sejamos. E o ponto de partida é a nossa aceitação de sua lealdade, expressa numa lealdade imorredoura a ele, a qual florescerá em lealdade duradoura para com as pessoas de nossa vida.
sábado, 13 de junho de 2009
O Senhor do impossível - Lloyd John Ogilvie
Postado por
DAVI E AMY
às
07:00
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