RETARDANDO A AÇÃO DO IMPOSSÍVEL
Saul, um Rei Obstinado
Até aqui, em nossa consideração do Senhor do impossível, vimos os exemplos do que ele pôde fazer nas vidas dos que cooperaram com ele. Agora, devemos ser tão honestos quanto a Bíblia no que diz respeito à nossa espantosa capacidade de limitar o poder do Senhor em nossas vidas. Há ocasiões em que nossas atitudes e ações claramente indicam que nada queremos com Deus. O que mais assusta é que às vezes ele nos dá o que queremos.
Deus, embora todo-poderoso, nos deu a capacidade de aceitar ou rejeitar suas intervenções em nossas impossibilidades. Recebemos tanto a vontade quanto a liberdade de escolha. Esse é o nosso potencial. Deus nos deu a habilidade de discernir e de fazer a sua vontade. Quando a fazemos, coisas admiráveis acontecem. Mas podemos também recusar suas propostas de amor e terminar com o mínimo, em vez de com o máximo que ele almeja para nós. E esse é o nosso problema.
È alarmante refletir que, em algumas ocasiões, Deus nos dá o que realmente desejamos! Mesmo quando perdemos o seu melhor para nós, ele espera abençoar-nos até que busquemos de todo coração a sua vontade.
De milhares de maneiras adiamos as suas intervenções em nossos problemas. Persistimos em controlar as pessoas e as situações, rejeitamos a orientação que exige mudança de comportamento, e continuamos com padrões que intensificam as próprias dificuldades acerca das quais oramos.
É possível entrarmos para o Cristianismo sem ao menos entregar nossa vontade ao Senhor. Nossa vida pode se limitar ao que podemos fazer mediante a nossa própria força, sem ele. A oração pode se tornar vazia. É possível nossas igrejas se transformarem numa série de cultos e atividades que jamais nos levem a um decisivo encontro com o Deus vivo. A vida que realmente desejamos é a que obtemos!
Duro demais? Talvez. Muitos têm sido forçados a perceber que os problemas mais graves são causados pela falta de um relacionamento íntimo com Deus.
Saul mostra-nos um lado que muitos de nós precisamos encarar e pedir poder para mudar. Em Saul vemos a aterradora possibilidade de dizer não a Deus por tanto tempo que perdemos o desejo de dizer sim. Podemos ver o que acontece quando sempre damos as costas às aproximações do Senhor. A vida de Saul é um exemplo vivido da verdade perturbadora de que podemos receber o que desejamos. E, em análise final, Saul realmente não queria a Deus!
Em 1 Samuel 9, encontramos Saul pela primeira vez. De saída, defrontamo-nos com o seu misto de promessas e problemas, vantagens e desvantagens, forças e lutas. Saul nada sabia acerca de Samuel ou das grandes questões que Israel enfrentava. Como seria possível um jovem, com o potencial de liderar a nação contra seus inimigos, não conhecer o profeta de Deus do momento?
O encontro com Samuel revelou mais que o modo de encontrar as jumentas. Nele, o profeta anunciou a Saul o que o Senhor lhe havia dito. O filho de Quis deveria reinar sobre o povo de Deus e comandar os seus exércitos na incessante batalha contra os filisteus. Samuel ungiu a Saul e deu-lhe instruções misteriosas. Ele devia seguir para casa, pois no caminho encontraria dois homens que lhe dariam o relato da recuperação das jumentas. Mais além, ele en-contraria três homens a caminho de Betel, onde sacrificariam, os quais lhe dariam bolos de pão, que ele devia receber. Logo a seguir, Saul encontraria um grupo de profetas. "O Espírito do Senhor se apossará de ti, e profetizarás com eles, e tu serás mudado em outro homem" (1 Samuel 10:6). Para Saul, isso deve ter soado um tanto místico e estranho. Tudo o que desejava era encontrar as suas jumentas. Agora, via-se recrutado pelo Senhor para ser rei de Israel e general dos seus exércitos. Não há registro de uma resposta da parte de Saul. A instrução final de Samuel era mais desconcertante que as outras. No futuro, Saul devia ir a Gilgal onde o profeta ofereceria holocaustos e apresentaria ofertas pacíficas a Deus. As ordens eram que Saul aguardasse ali sete dias, e então Samuel lhe diria o que fazer. A hierarquia do comando estava claramente es-tabelecida: o Senhor, seu profeta e o rei designado. Samuel tinha plena certeza de que este rei o manteria informado de tudo. Se Israel exigia um rei, este cumpriria as ordens do profeta.
Quando Saul deixou Samuel, experimentou um movimento dinâmico do Espírito do Senhor dentro dele. Era uma confirmação de tudo o que o profeta lhe revelara. A caminho de casa, tudo o que Samuel disse aconteceu. Como havia recebido um novo coração, Saul agora se enchia do Espírito do Senhor. Uma vez mais o povo pediu um rei que reinasse sobre eles. Com relutância, Samuel, seguindo a orientação do Senhor de dar-lhes um rei, anunciou que este seria escolhido da tribo de Benjamim. E então, para surpresa de todos, declarou que Saul, filho de Quis, havia sido escolhido rei. Mas ninguém conseguia encontrá-lo em parte alguma. Na verdade, o vistoso Saul estava escondido entre a bagagem! O próprio Senhor disse onde encontrar o rei. Correram e o levaram a Samuel. Estando ele no meio do povo, era o mais alto e sobressaía a todo o povo do ombro para cima. A aprovação de Samuel parecia contradizer a óbvia relutância de Saul. "Vedes a quem o Senhor escolheu? Pois em todo o povo não há nenhum semelhante a ele". E o povo exultou em ter finalmente um rei, e exclamaram: "Viva o rei!" Mas outros disseram: "Como poderá este homem salvar-nos?"
O relato do chamado de Saul expõe os problemas essenciais que o acompanharam por toda a vida. Ele tinha grande estatura, mas pequeno caráter. Ele era qual uma torre acima de todo o povo e, contudo, se acovardava diante do desafio de liderá-los. Ele recebera poder do Senhor para uma causa que não lhe prendia, sequer, a atenção e o interesse. Pessoas como essas podem ser perigosas. Elas fazem o que se requer delas por motivos errados. Não possuem rigidez de caráter. O plano e os propósitos do Senhor se desvirtuam na necessidade que têm de reconhecimento e engrandecimento. Saul, em vez de realizar a obra de Deus pelo poder de Deus, ele a realiza para a sua própria glória.
No princípio de sua carreira militar, Saul demonstrou sair-se de forma espetacular. O Espírito do Senhor não só o abençoou nas batalhas, mas também deu-lhe uma atitude magnânima para com aqueles que zombaram da sua coroação.
Dois anos mais tarde, Saul cometeu o primeiro de vários erros fatais que deram início à sua queda. Saul assumiu a direção, fazendo-o ele próprio. As ordens do profeta eram que ele esperasse sete dias. Como Samuel não aparecesse, Saul apresentou o sacrifício sozinho.
Ele relutara em ser rei. Então, quando a aprovação do povo e o sabor do poder começaram a preencher o seu vazio interior, ele se tornou dominador e impetuoso. Porque o Senhor e os seus mandamentos não eram a paixão da sua vida, ele persistia na desobediência. O medo de perder a sua nova glória apenas intensificou sua compulsiva determinação.
O que acontecia com Saul era que, apenas para seu próprio intento e propósitos, ele desejava o poder de Deus.
A mesma coisa nos pode acontecer quando desejamos que Deus siga os nossos planos, em vez de seguirmos os dele. É possível desejarmos o miraculoso poder de Deus a fim de conseguir coisas para nós, e ao mesmo tempo impedirmos que ele nos torne íntegros e consolidados no firme fundamento de seu amor e aceitação. Deus nos quer, mas não exatamente para o que podemos fazer para ele. Quando ele nos possui através da constante entrega de nossos desafios diários, então o impossível acontece a nós e aos que estão à nossa volta.
Mas, com demasiada freqüência, à semelhança de Saul, nos tornamos pessoas que reagem, ao invés de pessoas que agem. Partimos de um problema para outro, clamando: "Senhor, tira-me desta!", em vez de: "Senhor, ajuda-me através disto e do que vier segundo os teus alvos para mim." O poder do Senhor é para seus propósitos, e não uma muleta em que nos apoiemos enquanto vencemos um problema e nos preparamos para outro.
Por não crermos que Deus nos ama, começamos a pensar que os outros também estão contra nós.
Quando o Senhor deixa de ser a nossa segurança, somos tentados a expor-nos à mágoa e a romper relacionamentos. Por estarmos fora do fluxo da graça para os nossos fracassos, sem ao menos refletir criamos circunstâncias nas quais somos punidos. Nós nos voltamos até mesmo contra as pessoas mais chegadas. Quanto mais expressiva é a pessoa que nos fere, tanto mais dolorosa é a angústia que daí resulta. Quando quebramos nosso relacionamento com o Senhor, como o nosso único juiz, e, por conseqüência, nossa única fonte de perdão, planejamos para que a vida e as pessoas reforcem os maus sentimentos que temos por nós mesmos. Quando nos sentimos mal acerca de nós mesmos, é fácil criarmos situações em que as pessoas concordem com a nossa auto-estima negativa.
Quando não desejamos realmente a autoridade de Deus sobre nós, insistimos em repetir aquelas coisas que abusam da sua paciência. Da mesma forma que fazemos com que as pessoas se tornem nossas Inimigas, assim também nos portamos ao resistirmos a Deus. Se não o conhecemos como um amigo, muitas vezes o projetamos na mente como um inimigo. Acabamos pensando que Deus está contra nós, em vez de a nosso favor.
O problema de Saul era que embora ele fosse o mais alto em Israel, ele era pequeno a seus próprios olhos.
Saul resistira tempo demasiado ao Senhor. O Senhor não podia mais usá-lo.
Chocante? Sim. Deus perdoa, mas nosso pecado pode nos custar a posição, os relacionamentos ou o status que prezamos. A mensagem aqui é que, se insistentemente não desejarmos a autoridade divina sobre nós, podemos tornar-nos não usáveis. Nossa rebelião pode enfraquecer nosso caráter ao ponto de nos tornarmos incapazes de grandes responsabilidades. Deus tanto amou a Saul que não o quis na posição de rei, pois isso pioraria a sua neurose.
Quando confessamos nossas necessidades ao Senhor, ele glorifica a si mesmo ao realizar, cm nós, o que de outra forma seria impossível. Ele se deleita nisso. Quando, porém, nossa insegurança nos torna obstinados e empedernidos, negamos ao Senhor a glória de usar a nossa humanidade como um leito para o fluxo do seu poder. A relutância de Saul em confiar no Senhor, manifesta através da rebelião, finalmente resultou em ações intoleráveis. Saul, na verdade, não aceitou a si mesmo como rei. Eventualmente, o Senhor concordou com ele!
Saul continuou no posto de rei sem a bênção de Deus. Isso não significa que o Senhor não o havia perdoado ou deixado de amá-lo. O Senhor dava andamento ao seu propósito de preparar um novo rei. Sua escolha foi um jovem pastor de ovelhas, que amava ao Senhor de todo o coração. Davi, filho de Jessé. É interessante notar que desta vez o Senhor escolheu um homem que o conhecia, amava-o e confiava nele, antes de ser chamado para ser rei.
O tipo de rei que Saul se tornou não era o que Deus pretendia. Saul rejeitou o melhor de Deus. Nós podemos retardar o plano providencial do Senhor, mas não o podemos impedir.
Saul tinha um problema consigo mesmo o qual se fixava em Davi! Sua ira e ciúme crescentes, por fim, romperam seus últimos elos com a realidade. Saul impedira o acontecimento impossível em sua vida e, por algum tempo, em Israel.Cristo morreu por aquela parte de mim e de você que, obstinadamente, o rejeita. Sua ressurreição nos oferece o poder da regeneração. Podemos nos tornar novas criaturas que desejem fazer a vontade de Deus. E quando o seu Espírito nos invade, e o vazio é substituído pelo seu poder, podemos dizer: "Não a minha vontade, mas a tua seja feita."
De repente descobrimos o que queremos que o Senhor faça por nós, e podemos dizer. "Senhor, quero realmente a ti, e anseio ser uma pessoa obediente. Perdoa-me os desejos superficiais de con¬trole próprio e olha somente para o meu desejo mais profundo de conhecer-te e amar-te."
E então, na calma, nosso desejo de orar se torna um presente dele. Talvez não tenhamos tanto poder para limitar o impossível quanto pensávamos. Será que a transformação de nossos desejos de querer fazer a sua vontade é uma das maiores impossibilidades que ele realiza em nós todos os dias, neste instante? Creio que sim. E desejo essa transformação acima de tudo.
segunda-feira, 15 de junho de 2009
O Senhor do impossível - Lloyd John Ogilvie
Postado por
DAVI E AMY
às
14:54
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