terça-feira, 30 de junho de 2009

A raiz de rejeição - Joyce Meyer

A Rejeição e a Sua Percepção

Você se sente rejeitado simplesmente porque percebeu que não obteve atenção. Agora, na verdade, isso pode ser a coisa mais distante da realidade. É totalmente possível que as pessoas na sala simplesmente não tenham notado que você chegou!

Freqüentemente o que nós pensamos não é o de que realmente precisamos.

Como uma pessoa com raiz de rejeição em sua vida tenta nos pressionar a dar-lhe atenção ou o suporte que ela quer, a tendência natural é tentarmos realmente dar-lhe isso. Pensamos que estamos ajudando e abençoando, mas, se não atentarmos para a direção de Deus, nossa atitude pode ser a última coisa de que a pessoa realmente precisa. Ao tentarmos lhe dar o que quer, podemos estar mantendo-a presa aos seus problemas bem mais tempo do que ficaria de outra forma. Com o objetivo de ser livre, devemos deixar que Deus tire seu "apoio". Isso pode fazê-la sentir-se muito insegura e desconfortável por um tempo, mas é necessário... A cura envolve dor! O amor real não aliviará a dor, caso a atitude de "enfrentar" signifique melhora a longo prazo.

Uma pessoa com raiz de rejeição não se sente bem a respeito de si mesma. Ela está operando com uma deficiência emocional, não aprendeu que seu valor é baseado naquilo que ela é em Cristo, e não na forma como outras pessoas reagem a si.

"Não deixe que a maneira como as outras pessoas o tratam determine seu valor. Você deve crescer até ser confiante o suficiente para crer que tem dignidade e valor. Se outras pessoas não pensam assim, elas é que estão com problemas".

Sempre haverá aqueles que não gostam da forma como fazemos as coisas. Repito: Não deixe que a opinião de alguém determine seu valor.

Uma Lição entre Lágrimas

Não somente Deus cura nossas feridas emocionais, por causa da rejeição do passado, mas Ele também cura nossos hematomas! Muitas vezes, somos feridos em certas áreas porque esses hematomas ainda estão em processo de cura.

O que Deus me mostrou é que a dor da rejeição emocional vai além do nosso raciocínio. Ela ultrapassa nosso pensamento racional.

Percepções Podem não Ser a Realidade

Quantas vezes sofremos de forma insuportável porque alguém não nos deu o que pensávamos que deveria nos dar e realmente, eles não têm percepção daquilo que pensamos de que precisamos?

Quero dizer novamente que, muitas vezes, você sente que alguém o está rejeitando quando, na verdade, não está. Algumas vezes, você sofre muito simplesmente por causa de uma imaginação fértil.

Eu vivia clamando a Deus: "Qual é o problema"? Eu não queria ser rebelde! Eu não queria ficar ofendida! Eu não queria que meus sentimentos fossem feridos! Mas isso foi tudo o que consegui!

Finalmente, Deus me mostrou qual era o problema. Ele disse: "Joyce, cada vez que Dave discorda de sua opinião, você recebe isso como uma rejeição. E, realmente, ele não a está rejeitando. Ele simplesmente não concorda com sua idéia".

Apenas porque as pessoas rejeitam sua opinião não significa que elas o rejeitam! Elas podem discordar de você e ainda amá-lo e respeitá-lo como pessoa. Você deve dar às pessoas a oportunidade de discordar, ou não haverá base para um bom relacionamento.

Pessoas com raiz de rejeição geralmente não podem ser confrontadas. A Bíblia tem muito a dizer sobre correção, especialmente em Provérbios. As Escrituras nos dizem que um grande sinal de maturidade é a habilidade de aceitar a correção. Exige muito crescimento chegar a esse ponto, mas realmente podemos apreciar a correção quando verdadeiramente sabemos quem somos em Cristo. Nem toda a correção que alguém traz pode ser apropriada, mas é sábio ao menos abrir-se para Deus em tal situação.

Deus nos dá outras pessoas em nossa vida que têm uma perspectiva diferente da nossa, porque precisamos uns dos outros. A Bíblia diz em Tiago 3.17 que a verdadeira sabedoria do alto é mansa, desejosa de render-se à razão.

Penso que as pessoas cometem esse tipo de erro a todo o momento em seus relacionamentos; elas tentam dar aos outros aquilo de que elas precisam. A razão de a pessoa rejeitar tal coisa é porque não precisa realmente daquilo! Ela não está fazendo isso de propósito. Não seria diferente de alguém oferecer um copo com água e você recusar porque não está com sede. Uma pessoa firmada na rejeição não pode compreender como alguém que ela ama rejeita seu consolo, porque, se alguém pudesse confortá-la, ela ficaria deliciada!

Você está tentando dar às pessoas aquilo de que você precisa e sentindo-se rejeitado se elas não o recebem? Tentamos dar aos outros o que queremos! Creio que essa verdade irá ajudar muitos relacionamentos. Isso certamente me ajudou, e oro para que também ajude você.

Minha percepção estava errada, ainda afetada, ou talvez devesse dizer infectada pela raiz de rejeição em minha vida. É interessante como pensamos de forma diferente quando olhamos as coisas em toda uma existência lidando com a rejeição. Não creio que ainda tenha essa grande raiz de rejeição, pois já experimentei uma grande libertação. Mas descobri que todas as vezes que alguém esteve enfermo numa área em particular, emocional ou física, há uma pequena sensibilidade nessa área um hematoma. Algumas vezes, por um longo tempo após a pessoa receber a cura, ela ainda será um pouco sensível em tais áreas. Se isso o descreve, não fique desencorajado. Deixe cada incidente ser uma experiência de aprendizagem, então você poderá ser impulsionado a seguir adiante, e não puxado para trás.


Percebi que, muitas vezes, respondemos às outras pessoas baseados naquilo que nós mesmos sentimos.

Lembre-se sempre de checar sua percepção quando você se sentir rejeitado. Apenas porque se sente rejeitado ou percebe rejeição numa situação não significa que esteja sendo realmente rejeitado. Isso pode ser resultado de problemas do passado , e, se é assim, é tempo de receber a cura.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

A raiz de rejeição - Joyce Meyer

Rejeição: Causas... e Conseqüências

Quase todos experimentam algum tipo de rejeição de uma forma ou outra, e ninguém precisa ter vindo de um abuso no passado para ter experimentado rejeição.

O diabo quer que as pessoas debochem de nós. Ele quer conseguir alguém que nos rejeite. No mundo somos freqüentemente rejeitados, a menos que façamos tudo perfeitamente.Como nenhum de nós tem a habilidade de ser perfeito, somos feridos e nos sentimos rejeitados! Mas, graças a Deus, temos a resposta por meio de Deus e de sua Palavra! Jesus o ama, e Ele nunca o rejeitará (João 3.18).

Cura Exige Tempo... e Compromisso

Tudo aquilo que Deus dirigi-lo a fazer você deve assumir um compromisso de obedecer. Onde quer que Deus lhe diga para se comprometer, é onde você deve estar comprometido. Compromisso é uma das chaves para a vitória.

Problemas como rejeição estão profundamente en¬raizados, e receber ajuda não é tão simples quanto ir até o altar, fazer uma oração e, então, sair e esperar que tudo esteja diferente da noite para o dia. Você tem de cooperar com Deus para obter sua cura.

Não, você não tem de viver sob o tormento causado pela rejeição. Mas, para receber cura, precisa assumir um compromisso com Deus e com sua Palavra. Para fazer isso, você deve desejar investir seu tempo, gastar dinheiro com materiais como fitas, livros e uma boa Bíblia, e dar 100% de si mesmo para tornar-se um bom estudante da Palavra. Se você fizer isso, garanto que gradualmente será transformado!

Segurança versus Insegurança

O que é insegurança? Muitas pessoas no mundo de hoje são inseguras. De fato, são mais inseguras do que seguras. Assim, o que acontece quando todas essas pessoas inseguras tentam manter relacionamentos umas com as outras? Isso cria uma grande confusão. Realmente é muito triste!

Contudo, há alguns grandes versículos da Bíblia que nos prometem que podemos estar seguros por intermédio de Jesus Cristo. Deus quer que você seja seguro!Sua segurança NÃO depende dos seus recursos financeiros, do seu trabalho, da sua aparência, de como os outros reagem a você ou como o tratam. Não baseie sua segurança em sua educação, na grife de suas roupas, no carro que dirige ou no tipo de casa em que você mora. Não baseie sua segurança em quem é seu cônjuge, ou se tem ou não filhos. Não coloque sua segurança em nada além de Jesus Cristo e nEle somente, pois Ele é a Rocha sobre a qual você deve se firmar. Tudo o mais é areia movediça.

Comece a cooperar com o Senhor e a edificar sua segurança nEle. Aprenda como desarraigar-se de todas as coisas erradas e ser enxertado nas coisas certas.

De quem ou do que você depende? O que faz você sentir-se "confiante"? Seu senso pessoal de bem-estar depende daquilo que as pessoas fazem ou dizem? Quando você se sente um pouco inseguro, começa a buscar por alguém que se aproxime e o "estabilize" para sentir-se seguro novamente? Devemos buscar a estabilidade em Cristo, e não em cumprimentos.

Custe o Que Custar...

Não sei quanto a você, mas decidi que, custe o que custar, serei feliz até que Jesus venha me buscar. Se você está como eu estava, dependendo de todos para se manter "bem", será miserável assim como eu era. Mas, se você firmar-se na Rocha, descobrirá que Jesus é inabalável. Ele não oscila!

Pessoas que não conhecem Jesus vão de um lugar de dificuldade a outro. Elas têm um lugar de dificuldades à sua frente e outro por trás. Mas quando nós, Seu povo, estamos nessa posição, temos um lugar de dificuldades atrás de nós e Jesus, a Rocha, à nossa frente. Quando as dificuldades estão diante de nós, Jesus está ao nosso redor! Somos os únicos que, possivelmente, podemos estar entre a Rocha e a pedra (dificuldades)!

Sim, é maravilhoso estar na Rocha! Tudo o mais é inseguro.

Romanos 8.35-37 diz: Quem nos separará do amor de Cristo? Será sofrimento, aflição e tubulação? Ou calamidade e angústia? Ou perseguição, ou fome, ou nudez, ou perigo, ou espada? Como está escrito, por sua causa nós somos entregues à morte todos os dias: somos considerados e contados como ovelhas para o matadouro. Contudo, em meio a todas essas coisas, somos mais do que vencedores e ganhamos uma vitória incomparável através daquele que nos amou.

Você é mais do que vencedor quando alguém o maltrata e não aprecia seu valor ou dignidade! Você pode ter um problema, desde que o problema não o tenha; você é mais do que vencedor. Você ganhou uma vitória incomparável. Como? Através daquele que nos amou (versículo 37)! Não importa o que venha contra nós, não vamos nos separar do amor de Deus!

Segurança em Cristo

Você está servindo ao Senhor? Então, aqui está uma boa nova: ... nenhuma arma forjada contra você prosperará, toda a língua que se levantar contra você em juízo, você mostrará estar em erro. Esta (paz, justiça, segurança, ou triunfo sobre a oposição) é a herança dos servos do Senhor... (Isaías 54.17). Você tem um direito comprado pelo preço de sangue para sentir-se seguro, para crer que é digno e precioso e gostar de si mesmo!

Você tem um direito comprado pelo sangue de Jesus para estar em pleno controle. Pessoas que são inseguras não conseguem ter controle de suas vidas. O diabo prevalece sobre elas e as atormenta. Pessoas inseguras são constantemente atormentadas pelo que as outras pessoas pensam, elas possuem uma raiz de rejeição na vida e freqüentemente terminam sendo manipuladas e controladas pelos outros. São pessoas que vivem para agradar as outras, ao invés de seguir a direção do Espírito Santo. A definição grega da palavra segurança inclui ter pleno domínio, ser forte, governar e estar sem ansiedade, livre de cuidados.

Agora observe essa palavra de encorajamento em João 3.18: Aquele que crê nele [que se apoia, confia e depende dele} não é julgado [aquele que confia nele nunca entra em juízo; pois nele não há rejeição ou condenação; ele não incorre em condenação]; aquele que não crê (que não se apoia, confia e depende dele) já está julgado.

O que isso significa? Simplesmente que para aqueles que crêem em Cristo não há condenação nem rejeição. Somente aqueles que O rejeitam estão sujeitos à condenação e rejeição. Se você é um crente, descobrirá que Jesus nunca o rejeitará!

Quando o diabo procura me atormentar, gosto de dizer a mim mesma: "Joyce, Deus não tomou você acidentalmente! Não foi como se Ele não tivesse outra opção! Ele olhou ao redor e disse, propositadamente: "Eu quero aquela"! Pode ser que alguns dos anjos tenham dito: "O Senhor tem certeza? Deixe-nos ler para o Senhor o currículo dela! Deixe-nos dar-lhe um breve panorama da vida de Joyce Meyer! Senhor, se está pretendendo formar uma pregadora hoje, talvez seja melhor escolher novamente"! Mas o Senhor disse: "Não! Eu quero aquela! Quero Joyce"!

Todas as outras pessoas no mundo podem rejeitá-lo, mas Deus olha para você e diz: "Eu te escolhi"!

O Salmo 27.10 diz: Ainda que meu pai e minha mãe me abandonem, contudo o Senhor me acolherá [adotando-me como seu filho]. Você compreende isso? Embora minha mãe e meu pai me abandonem, Deus me toma e me adota como Sua própria filha!

Causas da Rejeição

Apenas um pouco de rejeição pode causar uma ferida para a alma que abrirá uma porta. Por meio dessa porta aberta, o diabo pode trazer um espírito de rejeição que governará a vida de uma pessoa. Há muito poucas pessoas que não são seriamente afetadas pela rejeição quando adultas. Quais são as causas da rejeição? A lista é longa, mas vamos apenas cobrir algumas das causas principais:

- gravidez indesejada;

- aborto desejado e tentado;

- uma criança nascida com sexo "errado" (isto é, pais que desejavam menino, mas tiveram uma menina, ou vice-versa);

- uma criança nascida com deficiência, incluindo dificuldades de aprendizagem - problemas físicos, etc;

- comparações com outro irmão;

- adoção;

- abandono;

- a morte de um ou ambos os pais;

- abuso - físico, verbal, sexual, emocional - e privação de amor;

- pais com problemas mentais (a criança pode se sentir abandonada);

- ser vítima das circunstâncias, incluindo enfermidades crônicas seguindo o nascimento, o que requer hospitalização prolongada;

- rejeição de colegas;

- conflitos dentro do lar;

- rejeição no casamento, infidelidade ou divórcio.


Como já declarei anteriormente, a rejeição pode atacar uma pessoa enquanto ainda estiver no ventre materno. Isso pode ocorrer por intermédio de uma concepção indesejada, um aborto desejado ou tentado. Em alguns casos, as sementes de rejeição são plantadas ao nascer, quando pais que desejavam uma menina descobrem que o novo bebê é um garoto, ou vice-versa. Uma criança que nasce com algum tipo de deficiência e de inabilidade pode experimentar rejeição, assim como crianças que são comparadas freqüentemente com um irmão ou irmã. Tais comparações podem abrir uma porta para o espírito de rejeição governar a vida das pessoas.

Adoção, abandono ou até a morte de um dos pais podem causar rejeição.

Assim, o abuso não é necessariamente a única causa da rejeição, contudo é a causa principal. Todos os tipos de abuso, incluindo físico, verbal, sexual, emocional e retenção de amor, definitivamente, plantam sementes de rejeição.

Crianças nem sempre entendem o que está acontecendo e podem considerar situações problemáticas como rejeição.

Talvez uma criança tenha nascido num lar onde haja conflitos constantes. A medida que a criança cresce, assume o conflito como sua culpa: "Se eu fosse melhor, então mamãe e papai não brigariam tanto"! Esteja certo de que seus filhos sabem que seus problemas não são culpa deles.

Adolescentes enfrentam uma tremenda ansiedade hoje apenas tentando ser aceitos. Isso pode atingir os filhos em cada estágio do crescimento. Adultos sentem isso também. A rejeição de pessoas ao redor ocorre a cada nível. Nós todos necessitamos de aceitação.

Não é de admirar que a Bíblia nos diga para não fazer acepção de pessoas (Atos 10.34). Por meio da Palavra, o Senhor nos diz para tratarmos todos da mesma forma, para amarmos todas as pessoas. Devemos, determinadamente, nos aproximar de pessoas que parecem inseguras, solitárias e desconfortáveis.

Há também rejeição ligada ao casamento, que inclui divórcio, infidelidade, condições negativas no lar. Tudo isso é uma porta aberta para a rejeição. Talvez você tenha visto fruto de rejeição ou de uma maldição hereditária e, mesmo que tenha odiado os problemas do seu lar durante a infância, tem continuado com o mesmo padrão de comportamento. É necessário dizer que a rejeição pode ser encontrada em qualquer lugar.

Resultados da Rejeição

Você pode estar sofrendo um tormento desnecessário, o qual se dissipará se você apenas entender que tais sentimentos vêm de uma raiz antiga e de formas antigas de crer. O medo da rejeição nos leva a pensar e a sentir que estamos ainda sendo rejeitados, quando freqüentemente não é o caso.

Aqui estão os maiores resultados da raiz de rejeição:
- rebelião;
- ira;
- amargura;
- culpa;
- inferioridade;
- auto-imagem pobre;
- escapismo, incluindo "sonhar acordado", vício em drogas, álcool, televisão e trabalho excessivo;
- crítica;
- pobreza;
- medo de todos os tipos;
- desesperança;
- pessoa defensiva;
- dureza;
- desconfiança;
- desrespeito;
- competição;
- ciúmes;
- perfeccionismo.

A rebelião é uma resposta comum à rejeição. Pessoas foram criadas e destinadas a ser amadas e aceitas. Assim, quando são abusadas e maltratadas, sempre sentem uma ira que se expressa na forma de rebelião.

Graças a Deus, há uma forma de se libertar: Jesus é o Caminho, como Ele disse a respeito de si mesmo. A verdade da Palavra de Deus o tornará livre em cada área, se você prosseguir em tempo suficiente para renovar sua mente. João 8.31-32 diz: Se vocês continuarem em Minha Palavra, então serão meus discípulos de fato; e conhecerão a verdade, e a verdade os tornará livres.

Outros resultados da rejeição incluem:
- crítica;
- culpa;
- inferioridade;
- auto-imagem pobre.

A pobreza pode ser resultado da rejeição. Muitas pessoas vivem na pobreza material simplesmente porque têm uma imagem pobre de si mesmas. Elas não se sentem dignas de ter alguma coisa, embora Jesus morresse para que pudéssemos prosperar e ter nossas necessidades supridas. O versículo de 3 João 2 diz: Amado, oro para que você possa prosperar de todas as formas e para que [seu corpo] possa manter-se saudável, assim (como eu sei que) sua alma vai bem e prospera.

Freqüentemente, agimos de forma exagerada por meio do perfeccionismo. Se temos uma raiz de rejeição, constantemente tentamos fazer compensações com relação a isso. Se nos sentimos mal interiormente, tentaremos fazer algo exterior para compensar o problema. Esse medo de ser rejeitado leva a um perfeccionismo infrutífero! Tornamo-nos viciados em trabalho, tentando obter nosso valor próprio pelo que fazemos. O perfeccionista sente que se ele puder fazer tudo perfeitamente, não cometendo erros de forma alguma, então nunca sentirá a dor da rejeição porque ninguém encontrará um motivo para rejeitá-lo!

quinta-feira, 25 de junho de 2009

A raiz de rejeição - Joyce Meyer

Prefácio

A rejeição começa como uma semente que é plantada em nossa vida por meio de vários acontecimentos. Deus disse que seu povo deveria ser como árvores de justiça (Isaías 61. 3). Arvores têm raízes, e as raízes determinam os frutos! Frutos podres vêm de raízes podres, e frutos bons vêm de raízes boas. O fruto em nossa vida tem origem onde estivermos enraizados.

Ninguém atravessa a vida escapando totalmente da rejeição; mas, se você está enraizado no abuso, na vergonha, na culpa, na rejeição ou em uma auto-imagem pobre, como estive por muitos anos, então os problemas começam a se desenvolver. Aqui está a boa nova: você pode ser livre do poder da rejeição!

Todas as áreas de sua vida que estão fora de ordem podem ser reestruturadas por intermédio de Jesus e da obra que Ele realizou na cruz. Isso aconteceu comigo, e Deus pode fazê-lo por você. Comece a crer nisso! Não aceite a escravidão, mas determine-se a ser livre! Oro para que este livro o coloque num caminho novo em direção a essa liberdade.

Identificando a Raiz de Rejeição

Ele era desprezado, rejeitado e abandonado pelos homens; um homem de sofrimentos e dores e que sabe o que é padecer e adoecer; e, como um de quem os homens escondem o rosto, era desprezado, e dele não fizemos caso, nem tínhamos qualquer estima por Ele.

Isaías 53.3


Muitas pessoas no mundo de hoje estão tentando provar seu valor por subir a escada do sucesso. Como é triste ver pessoas envolvidas em perseguir tais práticas inúteis sem nunca perceberem que a única coisa que realmente precisam é do amor de Jesus Cristo.

Em minha busca pessoal por libertação da raiz de rejeição, vim perceber que toda rejeição que Jesus enfrentou durante Sua vida na Terra e em Sua agonizante morte na cruz foi em nosso benefício. Jesus não tinha problemas. Ele era um homem sem pecado. Ele não tinha de enfrentar aquela rejeição por Sua própria causa.

Nós é que tínhamos problemas! Assim, Ele, voluntariamente, desejou vir e tomar nossos problemas, nossas feridas, nossas dores e até nossas rejeições, e levá-las sobre Si mesmo.

Mas a rejeição não é apenas algo que o diabo usa para atacar os cristãos. Milhões de pessoas de todas as partes do mundo sofrem a dor da rejeição. E um segmento surpreendentemente grande da nossa sociedade tem experimentado, vez ou outra, esse sofrimento.

Há muitas causas de rejeição: abuso (incluindo abuso físico, verbal, sexual e emocional), conflitos no lar, adoção, abandono, infidelidade no casamento, divórcio, rejeição de colegas, etc. E isso traz muitas conseqüências.

Um Curioso Denominador Comum

Durante meus períodos de sofrimento, o Espírito Santo me revelava a graça e a misericórdia de Deus e como minha perfeição somente poderia ser encontrada em Cristo. Eu entrava no descanso de Deus e passava certo tempo desfrutando essa vitória. Então, o diabo me atacava novamente, e Deus me dava nova revelação, ainda mais profunda. Uma vez que o diabo sabe que somos vulneráveis em certa área, ele nos atacará ali, vez após vez, para ver se há alguma fraqueza remanescente da qual ele pode se aproveitar.

Quantos existem no mundo de hoje que estão se desgastando ao tentarem ser dignos de algo, ao escalar a escada do sucesso? Temos disponível a única coisa de que verdadeiramente precisamos: o amor de Jesus Cristo. De fato, Sua opinião a nosso respeito é a única que realmente conta!

Quero que todos gostem de mim, mas descobri, muito tempo atrás, que tentar fazer as pessoas gostarem de mim é uma tarefa árdua! E sabe o que é mais interessante? Quando parei de me importar com o que os outros pensavam a meu respeito, pude ver que não havia tantas pessoas que realmente pensavam mal de mim. Percebi que o diabo colocava pessoas que não gostavam de mim por perto na mesma proporção em que eu me importava com isso! Quando desisti de me preocupar, tais pessoas simplesmente desapareceram.

A Rejeição e a Cruz

Jesus, um homem que compreendia o que era sofrer e sentir dores, foi rejeitado e desprezado. Quando você experimenta a dor da rejeição, pode identificar-se com Jesus e obter força e cura por intermédio dEle.

A rejeição é uma das armas favoritas que Satanás usa contra as pessoas. Ele não espera muito para começar a plantar "sementes de rejeição". Ele pode ter trabalhado em sua vida por anos. Talvez Satanás tenha até plantado essas sementes enquanto estava no ventre de sua mãe, sementes que o levaram a sentir-se sem valor e indesejado.

O diabo é um mentiroso! Deus diz que você é precioso. Ele o escolheu e derrotou o diabo por você. Acredite no que Deus diz a seu respeito, e não naquilo que as pessoas ou o diabo dizem.

A rejeição pode estar aí, mas não há poder que possa afetá-lo, se você crer apenas no que Deus diz e em nada mais.

A rejeição não tem poder sobre minha vida agora porque sei quem sou em Cristo. Conheço o meu valor. Sei que meu valor não está naquilo que alguém PENSA a meu respeito, mas naquilo que SEI que sou! Eu sou aceita no Amado (Efésios 1. 6). Se Deus é por mim, quem será contra mim? (Romanos 8. 31).

A rejeição começa como uma semente plantada em nossa vida por meio de vários fatos que nos acontecem. O diabo não quer apenas plantar uma semente de rejeição, mas quer plantá-la bem profundamente para que ela desenvolva uma raiz; uma raiz que crescerá muito e gerará outras pequenas raízes ligadas a ela. Finalmente, essas raízes se tornarão uma árvore.

Aquilo em que você estiver enraizado determinará o fruto em sua vida. Se você estiver enraizado na rejeição, no abuso, na vergonha, na culpa ou em uma auto-imagem pobre, se estiver enraizado no pensamento "Há-algo-errado-comigo"!, então todos esses problemas começarão a se desenvolver em sua vida. Você começa a pensar: "Bem, o meu eu REAL não é aceitável, assim preciso produzir um FALSO eu"!

Você pode realmente rejeitar-se porque alguém mais o rejeitou, e então se torna cheio de confusão e tormento interior. A sua "árvore" começa a carregar frutos ruins da depressão, do negativismo, da falta de autoconfiança, da ira, da hostilidade, do espírito controlador, da crítica, do melindre, do ódio e da autopiedade. Raízes determinam frutos! Frutos podres vêm de raízes podres... e frutos bons vêm de raízes boas.

Se você está enraizado na aceitação e no amor, então desenvolverá boas coisas em sua vida; coisas como domínio próprio, mansidão, fidelidade, bondade, benignidade, paciência, paz, alegria e amor.

Se você tem uma raiz de rejeição em sua vida, essa rejeição certamente brotará em seus relacionamentos. Ela aparecerá de muitas formas, mas certamente aparecerá.

Somente quando comecei a perceber quanto Deus me amava, comecei a me sentir bem. Descobri que leva tempo para recuperar-se da rejeição.

A Bíblia ensina que somos desarraigados e, então, enxertados. Não somente somos enxertados, mas somos arraigados e firmados no amor de Deus. Temos de ser arraigados e firmados em Jesus Cristo. Em cada momento que você ouvir a Palavra de Deus, se prestar atenção e fizer o que Deus lhe diz, obterá um pouco mais de cura. A medida que continuar a ouvir a Palavra, será continuamente curado, pouco a pouco.

Torne-se um bom estudante da Palavra e deixe Deus fazê-lo conhecer a plenitude da herança que Jesus morreu para lhe dar! O que está contido nessa herança? Justiça (mesmo quando você não faz tudo certo), paz que excede todo o entendimento (mesmo quando suas circunstâncias não estão em paz) e alegria indizível (mesmo quando não há motivos para se alegrar). Essa é sua herança em Jesus Cristo. Você pode desfrutar a vida!

Você pode estar em sua jornada para o céu, mas está desfrutando a viagem? Se não, algo está desesperadamente errado, e Deus é a sua resposta!

quarta-feira, 24 de junho de 2009

O Senhor do impossível - Lloyd John Ogilvie

UM QUARTO HOMEM NO FOGO
Sodraque, Mesaque e Abede-Nego

A verdadeira liberdade é mais que simples respostas às orações pelo que desejamos ou pensamos ser melhor para nós. Não haverá permanente livramento de nossa ansiedade, enquanto não formos capazes de afirmar: Mesmo se não der certo, como planejamos ou esperamos, alcançaremos vitória maior. Estamos vivos para sempre. Nada nesta vida nos pode derrotar.

Grande parte de nossa fé depende de conseguirmos que Deus realize certas coisas, das quais nos consideramos necessitados. Medimos a nossa fé pelas respostas às nossas petições. Permanecemos fiéis quando há um fluxo constante de milagres a nosso favor, mas quando enfrentamos reveses ou longos períodos de espera pelas respostas à oração, achamos que alguma coisa está errada. Às vezes, questionamos até mesmo a fidelidade de Deus.

A história de Sadraque, Mesaque e Abede-Nego apresenta-nos o quarto Homem na fornalha ardente mediante quatro expressões de fé. Durante o exílio babilônico, os três amigos de Daniel super visores administrativos do povo de Deus, foram fiéis a Iavé e jamais adoraram os deuses babilônicos. Quando Nabucodonosor erigiu uma imagem de ouro de quase trinta metros de altura e quase três de largura, na província de Babilônia, eles não a adoraram. A notícia dessa desobediência deixou o rei tão furioso que ele ordenou que trouxessem os três hebreus à sua presença. "É verdade, ó Sadraque, Mesaque e Abede-Nego, que vós não servis a meus deuses nem adorais a imagem de ouro que levantei? Agora, pois, estai dispostos e, quando ouvirdes o som da trombeta, do pífaro, da citara, da harpa, do saltério, da gaita de foles, prostrai-vos e adorai a imagem que fiz; porém, se não a adorardes sereis no mesmo instante lançados na fornalha de fogo ardente. E quem é o deus que vos poderá livrar das minhas mãos?" (Daniel 3:14-15).

A resposta dos corajosos hebreus foi cheia de confiança e ousadia: "O Nabucodonosor, quanto a isto não necessitamos de te responder. Se o nosso Deus, a quem servimos quer livrar-nos, ele nos livrará da fornalha de fogo ardente, e das tuas mãos, ó rei" (Daniel 3:16-17). A declaração deles, mais adiante, expressa o segredo da sua ousadia: "Se não, fica sabendo, ó rei, que não serviremos a teus deuses, nem adoraremos a imagem de ouro que levantaste" (v. 18).

A fé que Sadraque, Mesaque e Abede-Nego possuíam não dependia do livramento, mas baseava-se no conhecimento de que Deus cuidaria deles, não obstante a fornalha. Só teremos vida abundante quando pudermos proferir essas palavras.

Eles não confiavam em Deus para abrir-lhes o caminho, mas para um caminho através de qualquer provação.

Jamais entregaremos realmente um problema a Deus enquanto não pudermos fazê-lo com a confiança de um "se não". Perturbador? Sim! Mas sublimemente libertador. Todos temos lutas que exigem o poder e a ajuda de Deus. Muitos vivem no nível da fé que faz um pedido e espera uma resposta. Quando nos deparamos com uma oração aparentemente não respondida, sentimo-nos esquecidos e desanimados. No entanto, é então que temos uma abençoada oportunidade de crescer. Quando olhamos além da resposta interesseira e vemos que Deus tem planos ainda melhores, descobrimos uma paz que "ultrapassa o entendimento".

Podemos permanecer de pé com uma ousadia iluminada. Através de Jesus Cristo possuímos "uma herança incorruptível, sem mácula, imarcescível, reservada nos
céus. . ." (1 Pedro 1:4). Todas as nossas orações devem descansar na perspectiva da vitória de Cristo sobre o mal e a morte. A luz dessa fé podemos abrir mão de nossas necessidades, certos de que Deus sabe o que é fundamentalmente melhor para nós. Mesmo que ele não responda como gostaríamos, esse fato pode ser apenas uma vírgula no triunfante relato de nossa aventura cristã, cuja vitória final é certa.

Assim, a primeira coisa que aprendemos de Sadraque, Mesaque e Abede-Nego é enfrentar a fornalha.É na fornalha que nossa obediência enfrenta as chamas do mal no mundo. Alguns arranjam problemas por razões erradas como orgulho, obstinação e arrogância. Também à nossa volta se levantam deuses falsos, e alguns de nós enfrentam uma fornalha de dificuldades por não se curvarem diante deles. Quando recusamos a nos curvar diante delas, podemos sofrer a rejeição e as críticas. Para outros, a fornalha pode ser sofrimento físico ou problemas emocionais. Quando a vida nos desaponta, somos tentados a adorar uma imagem de frustração e futilidade.

A fornalha mais ardente, contudo, é a sensação de que Deus nos abandonou. Ela arde como resultado da nossa adoração de um deus que nós mesmos esculpimos — um deus que obedeça a nossas ordens e atenda a nossos pedidos. Ele é terreno, não celestial; um rapaz de recados, não o Soberano eterno de toda a criação. Mas Deus não quer estar em nossa agenda; ele nos quer na dele!

Enfrentar a nossa fornalha significa nos atracarmos com a reali¬dade. Sejam quais forem os problemas — perplexidades, doenças, desapontamentos nas relações humanas — podemos enfrentá-los de frente, seguros de que, mesmo que Deus não nos livre deles de acordo com os nossos desejos, ele nos ajudará através deles. Enfrentamos a fornalha quando a entregamos à sábia providência de Deus e confiamos nele para que nos fortaleça e nos coloque além dela.

O problema não é tudo na vida. Regularmente, visito pessoas hospitalizadas, que podem não melhorar. Em cada caso, ajudo-as a prosseguirem com a investigação do que lhes acontecerá se as orações pela sua recuperação não forem atendidas. Onde estarão elas depois? Quando a segurança da infalível graça de Deus é mais importante que a resposta secundária da cura imediata, nada mais importa. Elas recebem a liberdade para afirmar com Paulo: "Porque, se vivemos, para o Senhor vivemos; se morremos, para o Senhor morremos. Quer, pois, vivamos quer morramos, somos do Senhor" (Romanos 14:8). É estimulante que o momento da renúncia seja freqüentemente o princípio da cura ou da solução de um problema difícil.

Perguntaram a Lutero onde ele estaria ao enfrentar os furiosos bispos, os cardeais e o Papa na Dieta de Worms. Sua resposta vale para todas as fornalhas da vida que tivermos de enfrentar: "Naquele momento, como agora, estarei nas mãos do Deus Todo-poderoso!"

A segunda coisa que aprendemos de Sadraque, Mesaque e Abede-Nego é entrar em nossa fornalha e deixar os resultados com o Senhor. Eles confiavam em Deus, quer por livramento, quer por vigor a fim de suportar a dor das chamas. Façamos essa declaração e deixemos os resultados com Deus. Não somos responsáveis pelos resultados; somos responsáveis pela obediência. A sarcástica pergunta dirigida a Jó: "Jó ama a Deus por nada?" podemos responder com firmeza: "Amamos a Deus por Deus!" Não afirmamos mais: "Deus, se tu fizeres isto por mim, farei isto por ti", ou: "Deixarei de fazer isto ou aquilo, se prometeres fazer isto por mim!" Que possamos afirmar: "Senhor, deixo os resultados em tuas mãos."

Quando enfrentamos a nossa fornalha e deixamos os resultados com Deus, podemos estar certos de sua presença conosco no fogo.O Senhor estava com eles no fogo. Ele é o quarto Homem no fogo!

O Senhor sempre atende à oração. Quando a resposta não é a que desejamos ou a que pedimos, ele nos dá um presente bem melhor — ele próprio. Deus viveu entre nós em Jesus Cristo e passou pelas chamas de nossa humanidade por nós, a fim de que pudéssemos ter a certeza de que ele jamais se ausenta quando precisamos dele. Ele está conosco agora. Com ele ao nosso lado, podemos suportar nossa fornalha ardente. Note que ele não extinguiu o fogo nem tirou os três homens da fornalha.

Quando estamos dispostos a confiar na sua providência, o Senhor intervém a tempo e no seu tempo. Quando entramos na fornalha, os resultados ficam a critério do seu plano e horário, e sua intervenção convencerá os outros do poder que ele tem.

Foi preciso um acontecimento extraordinário na vida do rei para mudar-lhe a atitude com relação ao povo de Deus, cruelmente deportado para Babilônia. Era preciso fazer algo para reassegurar ao povo que o poder de Iavé não se limitava a Jerusalém e à terra prometida. O que aconteceu na fornalha ardente transformou, não apenas o rei, mas também o povo hebreu. Deus realmente estava no comando! A intervenção divina abalou toda a terra, desviando a atenção de todos dos deuses pagãos para o verdadeiro Deus, e infundindo coragem e esperança no povo cativo.

O povo de Deus, exilado por causa da sua apostasia, evangeliza os seus captores. De fato, Deus tem a última palavra!

A confiança deles não dependia do livramento, de acordo com os critérios humanos.Por último, aprendemos de Sadraque, Mesaque e Abede-Nego que não há limite para o que Deus fará se dermos a ele a glória. Nosso futuro poder da oração depende de darmos ao Senhor a glória por tudo o que aconteceu no passado.

Nosso testemunho deve ser que somente Deus poderia ter feito o que fez, e que mesmo que tivesse feito de modo diferente, ainda confiaríamos nele.

De nossos estudos dos heróis e heroínas do Antigo Testamento, um tema constante se nos afigura. O Senhor do impossível chamou a todos para se arriscarem, e nenhum deles sabia como a provação ou o desafio terminaria. Eles não buscaram heroísmo; tão-somente obedeceram a Deus e confiaram nele para que o Senhor realizasse os seus propósitos através deles.

Estamos dispostos a abrir mão dos temores do que nos possa acontecer? Se pudermos proclamar nossa independência de outros deuses, então poderemos levar nossas necessidades ao único Deus verdadeiro. Quando proferimos e enfatizamos as duas palavras no fogo — "Se não" —, o quarto Homem fará muito mais do que esperamos — e de um modo incomparavelmente melhor.

QUANDO TUDO 0 MAIS FALHA
Ezequiel

Você já conheceu alguma época em sua vida quando nada parecia dar certo? Alguma área de sua vida? Um relacionamento ou uma responsabilidade? Algum problema que resiste à solução ou ao desafio, com o qual você parece não poder lidar? Já ficou abatido ao ponto de se desiludir da vida como um todo? O que faz você quando nada dá certo, quando os melhores esforços e os maiores dispêndios de energia somente parecem piorar a situação?

Todos nós já o sentimos em tarefas que pesam muito em nossos corações. O que você pode fazer quando nada dá certo?

Foi numa época em que nada dava certo que Deus nomeou Ezequiel profeta para o seu povo. Ele viu o templo perder a sua glória, ao ser despojado de ornamentos e acessórios, num último esforço para afastar a derrota, pagando tributo. O profeta testemunhou a ascensão e a queda de quatro reis. Finalmente, por volta de 597, Ezequiel foi levado para a Babilônia juntamente com o rei Jeoaquim e outros cidadãos distintos, como príncipes e artesãos.

No primeiro ano de exílio, Ezequiel observou o povo de Deus e condoeu-se de sua triste condição espiritual. As notícias desanimadoras de Jerusalém intensificavam a angústia deles.Eles se sentiam sozinhos e abandonados na Babilônia. Estar fora da Palestina era estar longe do Senhor. O ridículo e o escárnio de seus captores somente aumentavam a angústia deles.

Foi numa época de abatimento, sem canção, que Deus levantou a Ezequiel com uma nova canção. E a canção de esperança que ele ensinou ao povo de Deus em terra estranha foi a primeira que lhe ensinou o Senhor. O que Deus desejava para o seu povo, ele primeiro produziu em seu profeta.

A chamada de Ezequiel continha três admoestações estimulantes. A primeira, era que ele permanecesse firme, de modo que Deus pudesse falar-lhe. O Senhor desejava de seu profeta completa atenção, pés firmes, prontos para se mover com fidelidade. A segunda admoestação era acompanhada de um dom. O Espírito do Senhor penetrou na alma esvaziada de Ezequiel, quando lhe disse: "Tu lhes dirás as minhas palavras." E para que a ordem se cumprisse, o profeta recebeu um rolo da Palavra de Deus. A terceira ordem, foi: "Tu, ó filho do homem, ouve o que eu te digo, não te insurjas como a casa rebelde; abre a boca, e come o que eu te dou." O rolo foi dado a Ezequiel com um urgente: "Filho do homem, come o que achares; come este rolo, vai e fala à casa de Israel" (Ezequiel 2:1, 7, 8; 3:1).

Levante-se, mova-se, coma e digira a Palavra de Deus. Quando nada mais dá certo, é isso precisamente o que o Senhor faz por nós. Ele atrai a nossa atenção, dá-nos um desafio para que dependamos somente de seu Espírito para o nosso sustento, e nos alimenta com a sua orientação, enquanto mastigamos e digerimos as suas palavras de estímulo.

Ele pode tomar pessoas mortas, igrejas mortas, casamentos mortos, amizades mortas, projetos mortos, e ressuscitá-los para uma nova vida mediante a efusão de seu Espírito! Foi essa a mensagem esperançosa e liberadora de Ezequiel ao povo de Deus, através dos vinte anos de seu ministério na Babilônia a partir de 592 a.C.

Quando a cidade caiu em 586 a.C, ele teve uma visão do que Deus era capaz de fazer por seu povo, que pensava que nada mais daria certo. Ezequiel se tornou o profeta da glória de Deus. Para o povo de Deus, Ezequiel era um ponto decisivo, a marcar a inversão do fluxo de pensamento e expectativa da morte para a vida. Ele era um profeta do poder ressuscitador de Deus.

Ao profeta, o Senhor assegurou que levaria o seu povo do exílio para Jerusalém, mas eles não seriam o mesmo povo tirados da sua terra natal. Para todos eles o exílio seria como humilhação e morte. E das sepulturas do fracasso e da apostasia, Deus ressus¬citaria um novo povo. Ele lhes daria um novo coração e colocaria o seu Espírito dentro deles — outra garantia de uma dieta de último recurso, quando nada mais dava certo. A promessa do Senhor é a de que todos nós precisamos: "Dar-vos-ei coração novo, e porei dentro em vós espírito novo; tirarei de vós o coração de pedra e vos darei coração de carne. Porei dentro em vós o meu Espírito, e farei que andeis nos meus estatutos, guardeis os meus juízos e os observeis. Habitareis na terra que eu dei a vossos pais; vós sereis o meu povo, e eu serei o vosso Deus" (Ezequiel 36:26-28).

Então o Senhor deu a Ezequiel uma revelação de como isso aconteceria. Ele se apoderou do profeta e deu-lhe a visão do vale de ossos secos.

Afirma a Bíblia que o profeta foi arrebatado pelo Espírito. Sentiu-se fora de si, viu a condição real de seus irmãos judeus e viu também o que Deus estava prestes a realizar. O que Deus lhe revelou deve ser compreendido no contexto da interpretação após a visão. "Filho do homem, estes ossos são toda a casa de Israel" (Ezequiel 37:11). E eles podem ser os nossos também e de nossa igreja!

"Filho do homem, acaso poderão reviver estes ossos?" Note como o Senhor se aproveita do provérbio de desespero que circulava entre o povo: "Os nossos ossos se secaram". Ele desejava saber se o profeta acreditava que eles pudessem reviver. Ezequiel respondeu com humildade e realismo, de par com temor e espanto: "Senhor Deus, tu o sabes" (37:3). Era uma resposta de rendição e franqueza, como se dissesse: "Ó Senhor, eles não podem viver sem ti. Somente tu podes trazê-los à vida!"

Ezequiel recebeu ordens para profetizar aos ossos secos.Ezequiel seguiu as ordens e fez como o Senhor lhe disse. Enquanto profetizava, houve um ruído estrepitoso, e os ossos começaram a se ajuntar, cada osso à sua junta correspondente. Então os tendões cresceram por cima deles, seguidos de carne e pele. O resultado foi um vale de corpos mortos, faltando apenas a respiração que os trouxessem à vida plena de novo. Para esse fim, o Senhor instruiu a Ezequiel que ordenasse a volta da respiração aos corpos mortos. Tendo ele feito isso, os corpos voltaram à vida e se puseram em pé como um grande e expressivo exército. Uma ressurreição dos mortos acontecera!

O Senhor foi rápido em apresentar à mente de Ezequiel as implicações da visão.Duas coisas importantes essa visão nos revela, quando pensamos que nada mais dá certo. A primeira é: reconheça os ossos! Os ossos eram Israel. O significado para nós é que também podemos estar espiritualmente mortos, enquanto fisicamente vivos.Estamos entre os mortos-vivos sempre que nossa capacidade para a esperança se acaba, sempre que o nosso amor por Deus e pelos outros começa a esfriar-se e se torna superficial, e sempre que a nossa fé se restringe a um hábito e um dever monótono. Nossa finalidade é a de ser vibrantes e radiantes. Reconheçamos os ossos da monotonia, da aparência triste e da falta de alegria. Não há nada mais ineficiente do que a religiosidade que perdeu o entusiasmo e a atração. Se não estamos entusiasmados com a vida, nossas vidas estão entre os ossos secos — fragmentadas e espalhadas. E o Senhor afirma: "Você está morto, seco, vazio, mortalmente triste. Mas eu vou dar-lhe nova vida!"

Quanto mais falo com líderes e membros da igreja atual, mais convencido fico de que a nossa maior necessidade é reconhecer os ossos do nosso institucionalismo morto. Nada deu certo! Devemos admitir, como indivíduos e como um corpo, nossa necessidade da ressurreição diária e do sopro do Espírito Santo para nos encher. Há ciclos de morte e ressurreição nas vidas dos crentes como indivíduos, assim como nas igrejas. Quando apreciamos o nosso passado mais que o nosso futuro, começamos a morrer. A experiência de Deus no passado jamais pode substituir o que ele anseia ser para nós agora e no futuro.

O Senhor quebranta as igrejas bem como as pessoas. Ele permite que elas cheguem ao ponto em que nada mais dá certo! Ele nos faz a pergunta que fez a Ezequiel: "Acaso poderão reviver estes ossos?"

Devemos reconhecer os ossos. "Senhor, estamos mortos. Mortos em comparação com o que desejas da tua igreja. Enfadonhos, comparados com o Cristianismo contagioso que percebemos nas páginas de Atos. Desejamos voltar à vida. Mais vivos que jamais fomos antes. Ansiamos ser um centro de nova vida, pregação dinâmica, conversões, uma comunidade amorosa, aberta para a compreensão, alcance e acolhimento, onde as pessoas são amadas e livres para viver a vida abundante."

Reconhecer os ossos, oração que jamais voltará sem resposta. A ressurreição da igreja pode acontecer e acontecerá. Os ossos vão ganhar vida!

A ressurreição espiritual exige uma combinação da franqueza com o desejo de viver no mais alto nível para o Senhor.

Somente Deus pode dar entusiasmo e vida à pregação de sua Palavra. Ele é o único que pode capacitar as pessoas à reação. Ele é o agente da conversão e a fonte da dádiva da fé.Ele gera uma prontidão e uma responsabilidade em seu povo, que é nada menos que um milagre.

A maioria de nós é tão orgulhosa e auto-justificadora que evita a todo o custo a experiência de reconhecer os ossos. Na verdade, a percepção do que está morto em nós ou em nossas igrejas é um sinal de grande maturidade. A única coisa pior que o próprio fracasso, é o fracasso em admiti-lo e em permitir que Deus conceda o dom da ressurreição. Quando nos recusamos, Deus precisa achar um meio de nos revelar o quanto estamos mortos.

Quando nada mais dá certo, a pergunta mais importante é: "Por que nada deu certo?"

O Senhor assevera: "Admita os ossos — eles são seus!" Aí é quando os ossos obtêm tendões, carne e pele. A ressurreição não está muito longe.

Depois que admitimos os ossos devemos repudiá-los. A dieta espiritual de Deus para Israel e para nós é um novo espírito e um novo coração, que sejam capazes de receber e conter o seu próprio Espírito doador da vida. Os ossos foram ligados. Os esqueletos receberam nervos e carne, mas não houve vida até o Senhor assoprar-lhes o seu Espírito. Minha interpretação é que nosso novo espírito seja uma nova disposição, uma atitude diferente, uma perspectiva liberada.

Deus prepara os nossos corações através da confrontação, confissão e confirmação de seu amor, antes que haja uma prontidão de nossa parte para receber o seu Espírito. Seu Espírito é o autor da preparação e do enchimento interior. Rendição completa é o prelúdio para a ressurreição dos ossos mortos de nossos sonhos desfeitos e alvos não alcançados.

O segredo da vida nova e abundante nos é oferecido por meio da morte e ressurreição de Cristo, e do poder do Espírito Santo. Ele morreu para que pudéssemos ser perdoados, e ressuscitou para que a morte não mais seja nossa inimiga.

Nossa esperança não se baseia apenas na ressurreição dele, mas no fato de que nós mesmos ressuscitamos para uma nova vida que jamais findará. A ressurreição para uma vida cheia do seu Espírito promete a regeneração de nosso caráter e de todo o nosso ser. Não só ele nos arranca das nossas sepulturas de impotência, mas também nos dá o poder para viver com liberdade e alegria, como novas pessoas.

O período entre a ressurreição e o Pentecoste foi como um vale de ossos secos. O que trouxe aqueles discípulos esgotados à vida foi o derramamento do Espírito Santo.

Quando leio essa história, vejo que o renascimento espiritual sempre começa com pessoas que admitem os ossos e depois os repudiam através da experiência do arrependimento e da aceitação do poder do Senhor.

Se você se encontra em uma dessas ocasiões em que nada está dando certo, agradeça-a Deus. Se você sente que está frio o seu coração, creia que Deus o substituirá por um coração de carne — aberto, caloroso e receptivo. Você está pronto para receber o sopro da vida, o Espírito do próprio Senhor.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

O Senhor do impossível - Lloyd John Ogilvie

NOVA A CADA MANHÃ
Jeremias

Muitas das cartas que recebo revelam a necessidade de esperança. A cada semana centenas de pessoas me informam, de muitas maneiras, que sua esperança está a acabar-se.

O que faz você quando pede a Deus que realize algum milagre e, em lugar disso, obtém mais problemas? Como se pode ter esperanças quando pede ajuda a Deus e nada acontece?

Você é uma pessoa muito abençoada. Não é possível produzir esperança autêntica. O que você perdeu foi seu senso de expectativa e seu ardente desejo. Você não perdeu a esperança. A verdadeira esperança não é uma capacidade produzida por meios humanos e adquirida mediante atitudes corretas ou pensamentos positivos. A esperança é um dom que se relaciona de um modo inseparável e inexplicável com o Doador. Você precisa de Deus muito mais que das respostas dele a seus problemas. Quando experimentamos um relacionamento íntimo com ele, a esperança será um dos mais agradáveis subprodutos. A esperança duradoura não é um ocasional anseio para que Deus atue em nosso favor. Antes, é uma inabalável confiança de que ele é a nossa vida, agora e para sempre, e que nem a vida nem a morte pode separar-nos dele.

Você receberá esperança ao reconhecer a Deus, real¬mente, como o Senhor da sua vida.

Ficaremos desapontados se buscarmos a esperança como um fim em si mesma. A esperança dinâmica vem de algo ou de alguém fundamentalmente confiável. Nenhum amigo e nenhuma pessoa amada, nenhum líder e nenhuma instituição pode ser a fonte da esperança. Essas pessoas ou coisas jamais tiveram esse propósito. Pessoas, causas, movimentos, partidos — ou o fraco desejo de que em dado momento as coisas vão dar certo — sempre nos decepcionam.

"Há esperança?" E o que muitos perguntam hoje, unindo-se ao coro de outros cuja expectativa está imersa no vazio. Amor e honestidade devem responder sim e não. Não, não há esperança no pedido que fazemos a Deus; sim, há esperança no que Deus deseja ser em nós e realizar por nosso intermédio.

Todos nós temos um anseio interior pelo progresso, pelo sucesso e pelo cumprimento de nossos sonhos e planos mais acalentados. Algumas pessoas, que esperam ansiosas pelo melhor, têm sido abençoadas com uma disposição radiante. Mesmo as mais positivas das pessoas, quando enfrentam problemas e perplexidades, são forçadas a pedir ajuda a Deus a fim de resolver as coisas de acordo com a pressuposição delas. Mas é quando ele não satisfaz às nossas expectativas, ou não marcha conforme o nosso ritmo, que somos abençoados com a crise de desejar Deus por Deus, e não pelo que ele realiza como cumpridor de nossos planos. É neste nível mais elevado que nasce a esperança.

A transição turbulenta de uma esperança utilitária para a esperança real é a história da vida de Jeremias. Ele é conhecido como o "profeta chorão". Na realidade, o profeta se tornou um homem de profunda esperança. Jeremias não vivia na superfície do mar turbulento da história da Judá; ele foi um mergulhador que desceu às profundezas e apareceu com uma pérola genuína posta à prova. Ele recebeu o dom da esperança verdadeira e partilhou o segredo.

"E aconteceu que, depois que Israel foi levado em cativeiro e Jerusalém foi destruída, Jeremias sentou-se a chorar e pranteou esta lamentação sobre Jerusalém, dizendo. . ." E o que ele disse está cheio de pesar e por fim de indignação, que se aproxima da blasfêmia, acerca da providência divina. Como pôde Deus permitir tal coisa? O povo havia pecado, sim. É bem verdade que se haviam feito de surdos para as advertências mais ardentes do profeta. O povo escolhido adotou falsos deuses e aliados políticos incrédulos e desobedientes, sem dúvida. Mas Jeremias havia orado durante todo esse tempo. Deus não atentou para suas orações? Não se importou?

"O Esperança de Israel, e Redentor seu no tempo da angústia, por que serias como estrangeiro na terra? Como viandante que se desvia para passar a noite?" Jeremias poderia aceitar o juízo de Deus com respeito à apostasia de seu povo, como havia predito, bem como confirmar a permissão de Deus para a queda de Jerusalém e o exílio dos seus mais honrados cidadãos — mas desde que tudo isso fosse sem angústia e sofrimento tão terrível, com uma pergunta séria acerca da extensão do castigo de Deus. Foi então que Jeremias clamou em alta voz por amparo pessoal, a fim de suportar a sua dor, como abandonado e esquecido. Imaginava que estivesse do lado do Senhor através da angústia que seu povo experimentava, mas tudo o que obteve em troca desse mesmo povo que tentou ajudar foi rejeição, ódio e hostilidade.

Do mesmo modo como muitos só se satisfazem com a esperança de que Deus venha cumprir a sua visão, Jeremias chegou a duvidar da intervenção divina. Jeremias tinha visto aflição, mas era a vara da ira de Deus que ele questionava. Sentia-se sozinho na escuridão da aparente rejeição do Todo-poderoso. Deus não apreciara seus esforços por tantos anos? Aprisionado, ele sentia-se sozinho e abandonado.

Quando orava, parecia não haver resposta. "Ainda quando clamo e grito, ele não admite a minha oração. Fechou os meus caminhos com pedras lavadas, fez tortuosas as minhas veredas. Fez-se-me como urso à espreita, um leão de emboscada. Desviou os meus caminhos, e me fez em pedaços; deixou-me assolado" (Lamentações 3:8-11). A esperança dele, de que Deus atenderia ao seu chamado, engolfava a sua alma. O ridículo e a zombaria do povo nada era comparado ao silêncio de Deus.

"Já pereceu a minha glória, como também a minha esperança no Senhor" (La-mentações 3:18). Ele estava próximo do ponto de ruptura. Ele estava sendo quebrantado para experimentar a esperança verdadeira.

Deus se lembrava? Sim, Jeremias! "Lembra-te da minha aflição e do meu pranto, do absinto e do veneno. Minha alma continuamente os recorda e se abate dentro em mim" (Lamentações 3:19-20).

Então, de repente, um raio da verdade penetrou no calabouço da memória de Jeremias. Ao alcançar bem o fundo, ele se agarrou a uma lembrança que transformou o seu complexo de consternações. Nas profundezas do desespero, ele conseguiu o dom da esperança. E o Doador era o dom. "Disso eu me recordo, portanto tenho esperança." O "Ah, como?" de Jeremias se transforma em: "Ah, eis a esperança!"

O profeta emerge de sua noite escura com três grandes convicções que levam a uma experiência liberadora de esperança inabalável. A primeira baseia-se nos atos passados de Deus. "As misericórdias do Senhor não têm fim" (v. 22a). Deus não havia completado a sua obra com o seu povo ou com seu profeta. Ele tinha planos. O que Jeremias pensava ser o fim, na verdade era um ponto-e-vírgula na preparação de um novo começo — e tudo por causa da paciência de Deus.

Nosso processo de cura começa quando pensamos que toda esperança se foi, e então nos lembramos de como Deus tem sido perseverante conosco, apesar de nossa rebelião e resistência. Pense nos momentos em que você foi poupado dos resultados de decisões erradas, resistência à orientação de Deus e recusas clamorosas em fazer a sua vontade.

Em seguida, Jeremias lembrou-se das compaixões do Senhor que nunca falham. "Pois suas compaixões nunca falham". Deus não volta atrás em sua palavra. "Assim serei contigo: não te deixarei nem te desampararei" (Josué 1:5). Desejamos saber por que Deus não provoca um curto-circuito em nossa liberdade humana e constrói um mundo melhor. E, contudo, suas compaixões persistem e ele usa até mesmo os nossos erros para o nosso crescimento e para a sua glória.

Deus não desiste. Cristo foi misericórdia encarnada em seu ministério, graça imerecida em sua morte e fonte de verdadeira esperança na sua ressurreição. Os atos poderosos de Deus dispersam a desesperança. Ele é o Senhor que intervém, que invade, o Senhor da criação e da história humana.

A cruz e o túmulo vazio lembram-nos que Deus pode usar o pior para realizar o melhor. Cristo derrotou o poder do pecado na cruz e a morte na manhã da Páscoa. Nossa magra esperança é substituída por uma esperança viva.

A ressurreição de Cristo é a base de nosso crescimento na esperança.

A esperança nasce quando morrem as nossas falsas esperanças de fazer com que o Senhor obedeça às nossas ordens. Somos crucificados na morte da esperança temporária e ressuscitados para a esperança eterna. Estamos vivos para sempre mediante o nascer de novo. O céu começou. Nada pode destruir esse acontecimento. A compaixão de Deus nos salvou do desespero — com nós mesmos, com os outros e com o mundo.

Jeremias descobria que as misericórdias de Deus eram novas a cada dia. Sua antecipação da paciência e do perdão de Deus o levou à fidelidade do Senhor. "Renovam-se a cada manhã; grande é a tua fidelidade" (Lamentações 3:23). A esperança renasce dia a dia, a todo momento, em cada desafio e crise; a cada intervenção, quando a ressurreição acontece de novo dentro e ao redor de nós. As misericórdias de Deus não apenas se renovam a cada manhã, elas transformam as noites em dias.

Uma época de desesperança não deveria nos compelir, em vão, a uma busca da esperança, mas a uma busca de Deus.

Mas essa introspecção apenas preparou o profeta para a descoberta mais importante acerca da esperança. Experimentamos a esperança genuína em união com o próprio Deus. "A minha porção é o Senhor, diz a minha alma, portanto esperarei nele" (Lamentações 3:24).

Chegamos, com Jeremias, ao Santo dos Santos: o coração de Deus. Nada mais pode nos dar esperança duradoura.

Jerusalém estava vazia da glória passada. O que sobrava? Deus! Somente ele era a porção de Jeremias. E esperança. A recém-achada intimidade florescia na esperança.

Jeremias havia mudado. Em vez de desejar a esperança do Senhor, ele quis experimentar a esperança no Senhor. A esperança insuficiente fora substituída por uma esperança ativa e inextinguível.

Quando as tragédias, as perdas e a dor chegarem, quebrantando os nossos corações, e as coisas não saírem como planejamos, podemos ainda experimentar a esperança.

A verdadeira esperança deve sempre combater a esperança de origem humana.

O amor de Deus, mais a fé, é igual à esperança. É uma esperança que não nos desaponta, tão estável e segura quanto o próprio Deus.

Passemos, agora, ao passo seguinte do crescimento na esperança. A verdadeira esperança nos auxilia nos problemas e decisões do dia-a-dia.Recebemos orientação de como esperar e pelo que esperar na vontade de Deus para nós.Quando ele é a nossa esperança, temos o desejo de executar a sua vontade revelada. E podemos esperar com confiança, sabendo "que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito" (Romanos 8:28). Isso é esperança!

A esperança e o Espírito de Deus são um. Quando estamos cheios do Espírito, temos esperança. Quando obstruímos o fluxo do Espírito e exigimos que o seu poder execute nossos planos, a esperança diminui e desaparece.

Viver sem Deus no mundo é, afinal, enfrentar a desesperança.

"Cristo em vós, a esperança da glória" (Colossenses 1:27). Aí está de novo: a nossa esperança procede do Espírito de Cristo.

Seja o que for que a vida nos dê ou nos tire, é uma bênção se rompe o laço da esperança utilitária que sempre nos desaponta, a fim de podermos experimentar uma esperança tão certa quanto o próprio Senhor. A esperança que Jeremias encontrou nova a cada manhã, é nossa a cada momento, pois o Senhor não é apenas a nossa porção — ele é o nosso poder, poder para esperar!


Davi Emanuel

sexta-feira, 19 de junho de 2009

O Senhor do impossível - Lloyd John Ogilvie

A SOLIDÃO DE DEUS
Oséias

Você já pensou na solidão de Deus? Falamos tanto de sua glória e poder. Não deixemos de atentar para a solidão de seu coração. Podemos nos identificar com essa solidão de nossa própria experiência.

Há um tipo de solidão que é mais do que a ausência de outras pessoas. É o anseio de que as coisas estejam bem entre nós e aqueles a quem amamos. Relacionamentos rompidos causam a nossa mais cruciante solidão. Podemos estar em companhia de alguém e não termos comunhão com essa pessoa. Há uma dor na separação que advém de sonhos não partilhados, intimidade não experimentada e sentimentos mais profundos não correspondidos.

Nossa tentação como cônjuges, pais, irmãos, irmãs e amigos é assumir a responsabilidade. Queremos resolver tudo, aliviar as dificuldades e dirigir a vida das pessoas com mais eficácia que pensamos que elas podem.

Há uma solidão de querer ajudar uma pessoa amada e saber que é melhor não interferir.

Quando nos simpatizamos com essas pessoas e sentimos semelhante frustração, estamos nos aproximando das profundezas do coração de Deus. O problema dele com você e eu, da mesma forma que com milhões de seu povo, não é diferente. E o relacionamento complexo de justiça e graça. Ele nos criou para si mesmo e para o companheirismo espiritual de conhecê-lo, amá-lo, e permitir que ele nos ame.

Fazemos coisas que magoam o coração de Deus. Com freqüência estamos decididos a voltar-lhe as costas e fazer as coisas a nosso modo. Não é sempre que o pomos em primeiro lugar. Buscamos coisas que ele não nos destinou. Adoramos falsos deuses erigidos pelo nosso orgulho. Resistimos à sua orientação e fechamos o fluxo de seu amor remediador.

Como conseqüência, nossos relacionamentos com os outros estão-se fragmentando pela falta de amor perdoador e de bondoso encorajamento. Quebramos os mandamentos divinos e o mandamento essencial do amor. O que pode ele fazer conosco?

A oração se torna menos íntima, depois formal e finalmente sem efeito. Tentamos usar Deus para satisfazer a nossa agenda e desejos egoístas. O que desejamos, muitas vezes, não é o melhor para nós. Esquivamo-nos de ser honestos com ele ao elaborar teorias bem sutis acerca de orações não respondidas. Deixamo-nos levar ao sabor das ondas. Uma saudade de Deus se desenvolve em nossas almas. Mas não podemos ir para casa em razão do que temos sido ou por causa de nossos argumentos presunçosos, levantados contra o Todo-poderoso pelo modo como falhou em satisfazer às nossas expectativas. Nossa falta de amor-próprio criativo não permite que Deus preencha o nosso vazio. Suportamos o afastamento por causa das condições que impomos. Os outros, o destino, as circunstâncias, inclusive o próprio Deus, a culpa é de todos — pensamos. E Deus, que não nos rejeita obliterando nossa liberdade, busca uma maneira de tornar-nos dispostos a estarmos dispostos. Como resultado de nossa independência motivada pela culpa, Deus fica solitário. Solitário pelo enlevo da reconciliação, da intimidade para a qual fomos criados.

Muitos de nós não conseguimos nos identificar com a solidão do coração de Deus, até que a experimentamos com alguém que amamos. Sintonizamos a sua angústia quando sentimos o doloroso desinteresse e a resistência doentia de alguém que amamos, e que tem provocado tanto a nossa indignação como a nossa preocupação quando tudo fizemos para ajudar. Quando uma pessoa que amamos profundamente nos mantém à distância e resiste ao nosso desejo de ajudar, temos a oportunidade sagrada de saber como Deus lida com a solidão em relação a nós.

Pensamos no céu como felicidade duradoura, e ditosa alegria. Mas eu acho que o coração de Deus está sempre voltado para o arrogante planeta Terra, para seus filhos, por quem ele anseia com amor paternal — por você e por mim. A atenção principal de Deus é para com o povo que se diz dele, mas o nega com orgulho rebelde; que não pretende conhecê-lo, mas finge que sim. Pense nessa dolorosa solidão, quando as pessoas que você ama sofrem pela própria obstinação e você nada pode fazer, senão observar. Sinta o que Deus sente quando você chega à conclusão de que julgá-las só vai afastá-las de você. Identifique-se com o problema de Deus quando você sabe que a cortesia barata ou a aprovação solícita, de valor baixo, só farão de você um co-conspirador na ruína de alguém. Tudo o que você pode fazer é esperar. E no que diz respeito à pessoa, resta a dor. Solidão!

O profeta Oséias, através de seu próprio casamento, descobriu a solidão de Deus. Sua esposa o deixou para ser uma prostituta nas orgias sexuais do culto a Baal. O que podia ele fazer? Ele não podia perdoar-lhe o sacrilégio, e de sua condenação veio a expulsão dela para bem longe. Então, por inspiração divina, ele percebeu o espantoso paralelo entre a sua angústia por causa de sua esposa e o desapontamento de Deus por causa de seu povo.

Dizem alguns que uma má esposa fez um bom profeta. Talvez. Mas, de uma maneira mais profunda, Oséias se afasta da proclamação profética geral porque usa sua vida e experiência como mensagem. Em certo sentido, Deus escreveu o roteiro da dor de Oséias e a seguir pregou sua mensagem através do profeta!

Oséias levou o povo à descoberta espiritual da verdadeira natureza do perdão de Deus e de seu amor inexorável. O que ele proclamou era muito mais que uma transferência de sua luta a Deus. Oséias não passou pela dor de sua solidão por causa do pecado e separação de Gômer, e então de súbito disse: "Isso é como Deus deve se sentir acerca de Efraim." Pelo contrário, na profundeza da comunhão com Deus, o profeta recebia uma nova verdade acerca da natureza divina e a orientação de como reconciliar-se com a esposa. Logo depois ele anuncia, com urgência pessoal, a sua profecia ao povo de Deus.

Primeiro, Deus revela o seu amor ilimitado em graça insondável. Para um hebreu, nenhum pecado poderia ter sido mais desprezível do que a adoração de Baal. A coisa mais acertada a fazer era julgá-la e esquecê-la. Mas a separação resultava na angústia inexplicável da solidão. Seu coração ansiava pela esposa desafeiçoada. Então Deus mandou que ele fizesse algo que parecia contradizer toda a decência e integridade. "Disse-me o Senhor: Vai outra vez, ama uma mulher, amada de seu amigo, e adúltera, como o Senhor ama os filhos de Israel, embora eles olhem para outros deuses" (Oséias 3:1). É como se o Senhor estivesse dizendo: "Você ama sua esposa, agora vá e a ame com um amor mais profundo, como o que eu tenho por Israel."

O quarto capítulo declara o juízo divino sobre o seu povo: "Efraim está entregue aos ídolos; é deixá-lo" (Oséias 4:17). Isso soa como o fim da paciência de Deus. Uma parte da solidão de Deus é que em certas ocasiões, em virtude de sublime sabedoria, ele deve nos deixar. Ele nos ama tanto que se recusa a fazer um curativo na ferida do pecado com uma graça barata.

Oramos, e nossas orações parecem retornar sem resposta. Nenhum sinal de seu cuidado amoroso; nenhum sussurro de sua orientação; nenhum som em nossas almas. Ele nos deixa a sós com nossa rebelião, como um pai a lidar com o acesso de raiva do filho. Nada, exceto o silêncio! Na dor de nossos erros auto-infligidos, ansiamos pelos braços de um pai que nos assegure que tudo está bem, que realmente não fez diferença nenhuma. Silêncio de novo. Ou, oramos pedindo respostas rápidas para problemas que levamos anos a criar, e petulantemente batemos os pés no chão: "Deus, onde está você?" Aonde Deus vai quando precisamos dele? Dizemos com o profeta: "Até quando, Senhor, clamarei eu, e tu não me escutaras?" (Habacuque 1:2). Deus conhece a solidão profunda, enquanto espera que cheguemos ao fim de nossos recursos. Quão fácil seria reduzir o tempo na fornalha ardente, o qual é necessário para criar pessoas realmente temperadas! Ele nos ama demais para fazer isso.

Oséias revela o coração de Deus quando ele parece mais distante, inalcançável. Atente para o que Deus declarou acerca de Efraim. O mesmo se aplica a mim e a você, e às pessoas que tanto amamos: "Todavia, eu ensinei a andar a Efraim; tomei-os nos meus braços mas não atinaram que eu os curava. Atraí-os com cordas humanas, com laços de amor. . . Como te deixaria, ó Efraim? Como te en¬tregaria, ó Israel? Como te faria como a Admá? Como fazer-te um Zeboim? Meu coração está comovido dentro em mim, as minhas compaixões à uma se acendem. Não executarei o furor da minha ira; não tornarei para destruir a Efraim" (Oséias 11:3-4a, 8-9a). O aparente desinteresse de Deus é contrabalançado pelo seu envol¬vimento compassivo. Ele não pode revelar-se de outra maneira; sua graça perdoadora é muito maior do que seu justo juízo.

Deus sente-se solitário por mim e por você. Ele nos deseja de volta ao seu coração, onde é o nosso lugar!Quando pedimos que Deus nos ajude a saber o que fazer e o que dizer, sua orientação não é diferente da que deu a Oséias. Devemos nos dirigir à pessoa a quem amamos, ser o amor de Deus para ela, e, depois, confessar-lhe a nossa solidão e o nosso anseio de ser útil.Se pudermos, ao lado de outros, ser a pessoa que ansiamos que os outros sejam, em breve o nosso exemplo alcançará os seus objetivos.

A cruz é o único lugar onde o amor pode nascer e ser nutrido. O Calvário revela plenamente o mesmo amor solitário que Oséias experimentou e depois liberou. Juízo do pecado, sim, mas também amor inextinguível, que expõe o verdadeiro e eterno coração de Deus. "Não posso deixá-lo ir, porque o amo muito. Sinto solidão por você!" Que nossa resposta seja permitir que seu amor encha os nossos corações solitários, e que estes, depois, revelem esse amor às pessoas que ele colocou em nosso caminho.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

O Senhor do impossível - Lloyd John Ogilvie

A LUTA PELO PODER
Jonas

Ouve-se muito falar de lutas pelo poder no momento atual. A batalha interminável pelo domínio e autoridade contínua em cada nível da vida. Quem manda aqui? Quem dá as ordens? Quem está no controle? A disputa pelo poder permeia a nossa existência.

As companhias manobram para conseguir vantagens sobre os competidores, na luta pelo primeiro lugar. As pessoas lutam por posições mais elevadas e mais reconhecimento, passando por cima umas das outras, como degraus de uma escada que as levem ao topo.

Todos desejam ser chefe de alguma coisa — do almoxarifado até às salas dos executivos. Na igreja cristã infelizmente, não é muito diferente. As denominações competem por superioridade estatística. Líderes de igrejas disputam a popularidade.

As famílias não estão isentas dessa luta. Maridos e esposas competem pelo controle um do outro de maneiras sutis e abertas. As crianças são apanhadas nas situações sem saída da rivalidade entre irmãos e aprendem, em tenra idade, a como manipular os pais.

A vida é uma luta pelo poder.

Mas a maior luta de todas se trava entre nós e Deus. Deus assumiu o risco mais temível da história ao confiar o livre-arbítrio à humanidade. Sua intenção era deixar-nos livres para decidirmos a receber ou rejeitar o poder de seu amor. Com o poder de nossa vontade, somos capazes de dizer sim ou não a Deus. Jamais escapamos | pergunta: Quem está no controle de minha vida? A pergunta está diante de nós quando somos desafiados a começar a vida crista; devemos responder a ela a cada dia, à medida que enfrentamos cada oportunidade ou perplexidade. Desejar fazer de Deus o Senhor de nossas vidas e seguir a sua orientação não é fácil. Quase sempre resistimos. Muitas vezes achamos que sabemos o que é melhor, e colocamos em dúvida a sua direção. Perdemos a sua bênção numa batalha de vontades. A luta decisiva pelo poder está em nossos corações.

Precisamos desesperadamente de seu poder, mas muitas vezes obstruímos o canal de seu fluxo ao engajar Deus numa luta pelo poder.

Temos considerado o poder do Senhor do impossível. Agora, voltemos a nossa atenção para a luta pelo poder que se trava quando, por causa de nossos preconceitos e críticas, julgamos impossível realizar o que ele nos orientou, embora perfeitamente praticável. Perdoar àqueles que julgamos imperdoáveis, aceitar o inaceitável, amar a nossos inimigos — são desafios que encontram uma resistência obstinada em nossos corações. Dizemos não, e a luta pelo poder continua!

O profeta Jonas é um exemplo típico de uma pessoa em luta com Deus pelo poder. Jeroboão "restabeleceu os termos de Israel, desde a entrada de Hamate até ao mar da planície, segundo a palavra do Senhor, Deus de Israel, a qual falara por intermédio de seu servo Jonas, filho de Amitai o profeta, o qual era de Gate-Hefer". Foi algum tempo depois desse trabalho que Jonas começou a sua luta com Deus, motivado pelo ódio que nutria para com o arquiinimigo de Israel, a Assíria. A instrução do Senhor foi bem clara quanto a ida de Jonas a Nínive, a capital dos assírios, para pregar o juízo.

A história de Jonas confronta-nos com uma batalha de vontades, a qual muitos de nós experimentamos hoje em dia. Jonas personifica a maneira de questionarmos a orientação divina e resistirmos ao que, no mais íntimo de nosso coração, sabemos ser a sua vontade para nós. Somos um Jonas que sempre acha difícil dizer sim ao melhor que Deus tem para nós.

Ao preparar-nos para o que o Senhor quer dizer-nos, gostaria que, com os olhos da mente, nos concentrássemos nas pessoas que achamos mais difíceis de amar. No vídeo de sua consciência, ponha em cena as faces das pessoas, os tipos e grupos de pessoas que você mais critica e reprova.Pense naqueles que você deprecia, esperando jamais encontrar, acerca de quem você pode dizer: "Nunca mais vê-los de novo é ainda cedo demais", ou: "Seja o que for que lhes aconteça, é menos do que merecem!" Essas são as pessoas que se tornaram inimigas em sua mente por causa do que fazem, dizem ou acreditam. Deus pode ter algumas ordens a respeito dessas pessoas para nós, que hão de nos desafiar a uma luta pelo poder acerca de sua vontade.

Foi o que aconteceu a Jonas. "Veio a palavra do Senhor a Jonas, filho de Amitai, dizendo: Dispõe-te, vai à grande cidade de Nínive, e clama contra ela, porque a sua malícia subiu até mim" (Jonas 1:1-2)."Nínive, Senhor? Deve estar brincando! A capital dos assírios? O centro de poder do pior inimigo de Israel?" A luta pelo poder começava. Jonas poderia concordar com a perversidade e pecado de Nínive. Mas que lhe importava? Iavé era o Deus exclusivo dos hebreus. A Palestina era o seu reino. O que aconteceria se os ninivitas respondessem e se arrependessem? Essa era a essência da resistência de Jonas. A última coisa que desejava era tomar-se responsável pela salvação de seus inimigos. Ele não iria!

O resto do livro de Jonas registra as fugas do relutante missionário. Gosto de chamá-lo de o mensageiro mais rebelde do Antigo Testamento. Quando a surpreendente revelação da vontade de Deus atingiu o coração nacionalista e exclusivista de Jonas, ele pediu a demissão. Começou por fugir para bem longe.

Em vez de ir, fugiu para Jope. Pagou a passagem, embarcou num navio e partiu para Társis, uma sossegada vila pesqueira no litoral da Espanha. Tendo recebido ordens para ir para o noroeste, Jonas foi para o oeste. A atitude de Jonas refletia o narcisismo de Israel. Amor próprio e orgulho distorcido excluíam a possibilidade de esse povo escolhido ser um agente de reconciliação para a salvação do mundo inteiro.

Ele estava comprometido com a exclusividade e o separatismo. Não havia espaço em seu coração preconceituoso para seus inimigos. Na realidade, também não havia espaço para Deus. Ao correr, Jonas pensava poder fugir de Iavé. Társis era o lugar mais longínquo a que Jonas podia fugir da presença de Deus.Ele fugia da realidade de Iavé no afã de evitar qualquer responsabilidade. E, o mais importante, Jonas esperava pôr um fim à luta pelo poder.

Muitos têm suas próprias Nínives e Társis. Nínive é a cidade da obediência e da confrontação; Társis é um lugar de fuga e evasiva. Nossa Nínive é a revelação inegável da vontade de Deus para nós, focalizada em pessoas, oportunidades, problemas ou perplexidades. Tudo o que nossas críticas transformaram em nosso inimigo, pode ser a nossa Nínive. Alguns são simples. Nínive pode ser simplesmente a exortação do Senhor à qual ignoramos, uma obediência que exige mais do que estamos prontos a dar. Seja o que for, Nínive é a chamada de Deus a soar em nossos corações para servi-lo, para sermos a sua pessoa escolhida e dar-lhe o primeiro lugar em nossas vidas.

Alguns estão fugindo de Deus sem jamais sair do local. Podemos estar fugindo quando preenchemos nossa vida com boas coisas, de modo que não deixamos tempo para Deus, quer para atender a um trabalho específico, quer para lidar com pessoas que ele colocou em nossa agenda. Alguns estão fugindo em muitas direções, mas não sob a direção de Deus.Társis pode estar dentro de nossas próprias almas!

Quando nos tornamos cristãos, Deus procura colocar-nos no assunto central do reino, fazer com que nos movamos com ele ao amar pessoas e expressar-lhes o que ele tem feito em nós. Não há vôos solitários. Não podemos agarrar a Deus como uma posse particular, para que nos ajude a levar até ao fim os nossos alvos. Ele nos pôs em mira para surpresas inesperadas com pessoas improváveis, e com desafios não antecipados.

Jonas apostou a sua vida na falsa idéia de que poderia fugir da presença de Deus. E perdeu. Em Jope, ele embarcou num navio para Társis e imediatamente anestesiou o coração rebelde com o sono. Ele se esqueceu de que Iavé é Senhor da terra e do mar.Os ventos começaram a soprar e o mar se agitou. O capitão do navio e sua tripulação foram tomados pelo pânico. Os deuses estavam irados, pensavam — zangados com alguém no navio. Lançaram sortes para descobrir o culpado, e estas caíram sobre Jonas. "Quem é você? Qual é a sua ocupação? De onde veio?" perguntaram. Jonas respondeu-lhes que era um hebreu e pertencia ao Deus de Israel. Então confessou que estava fugindo da presença de seu Deus. Os marinheiros suplicaram a Jonas para que orasse ao seu Deus, e todos se uniram numa fervorosa oração por segurança, mas nada adiantou. Finalmente, Jonas pediu que o lançassem ao mar. Os marinheiros tentaram tudo antes de atenderem ao estranho pedido. O masoquismo está muito perto do narcisismo. Quando não podemos construir o nosso mundo em tomo de nós mesmos, com freqüência esperamos e às vezes assumimos a responsabilidade de castigar-nos a nós mesmos.

Jonas foi lançado ao mar e a tempestade amainou. A intervenção do "grande peixe", ou baleia, lembra-nos que os pensamentos de Deus para nós são "de paz, e não de mal, para vos dar o fim que desejais" (Jeremias 29:11). O segundo capítulo de Jonas revela que, no ventre do peixe, Jonas correu em espírito para Deus.

Todos nós conhecemos ocasiões de desespero, nas quais clamamos: — Deus, me ajude, por favor! — quando caímos prostrados sobre os nossos rostos, enquanto fugíamos dele. Criamos muita confusão. A vida caiu sobre nós. O Senhor, de quem estávamos tentando escapar, torna-se a nossa única esperança. Não merecemos a sua intervenção ou uma segunda oportunidade, mas nada resta a fazer, senão clamar por sua ajuda.

Não devemos ser simplistas acerca da dificuldade. Há ocasiões em que o problema indica que estamos sendo fiéis e enfrentando o mal. Outras vezes, o problema aparece em nosso caminho sem a mínima explicação ou propósito. Indagamos por que não estamos isentos de dificuldade. Então, geralmente depois de perplexidade frustrante, olhamos para o passado e percebemos que através dela crescemos na graça de Deus. Há, também, ocasiões em que o problema é um som de alarme que nos leva a correr de volta para Deus, fazendo-nos questionar o propósito e a prioridade de nossas vidas. Às vezes, quando as coisas se desmoronam, percebemos que o propósito jamais foi permanecerem intatas. Estávamos forçando alguma coisa de nossa própria vontade obstinada.

Para Jonas, não havia lugar para onde correr, que Deus não estivesse lá esperando por ele.

Quando Jonas foi cuspido na praia, Deus estava pronto para retornar ao plano zero. O Senhor não alterou a sua ordem. O rebelde profeta se humilhou e começou a jornada para Nínive. Por um breve período ele correu com o seu Senhor. O colérico hebreu caminhou com largas passadas pelas ruas da capital assíria, bradando condenação com clareza indiscutível: "Ainda quarenta dias, e Nínive será subvertida".Podemos imaginar que as pessoas tenham perguntado: "Quem diz tal coisa?" Jonas falou-lhes acerca do julgamento de Iavé sobre o pecado de suas vidas e sobre a iniqüidade de Nínive. Quando o rei de Nínive ouviu a mensagem, ele conduziu um movimento nacional de arrependimento. A cidade inteira cingiu-se de panos de saco e cinzas de contrição e angústia.

O povo se arrependeu, e Deus também! "Viu Deus o que fizeram, como se converteram do seu mau caminho: e Deus se arrependeu do mal que tinha dito lhes faria, e não o fez" (Jonas 3:10).

O Senhor mudou de idéia em resposta à confissão do povo. Isso é muito importante para nós. Deus é contra o pecado, mas é por nós. Não podemos fugir de diante de sua face de retidão e justiça. O julgamento do pecado é a separação de Deus, agora e para sempre. Mas, no momento em que nos voltamos para ele, ele nos recebe com graça e perdão. É um novo começo!

Agora, o corredor que correu com Deus tão eficazmente proclamando a sua palavra a Nínive, corria bem à frente dele, revoltado. Por que estava irado? Porque Deus, graciosamente, se arrependeu do julgamento. O que Jonas menos desejava era que Nínive alcançasse perdão, pois tal arrependimento significava que ele teria de mudar de atitude para com os seus inimigos.Ele estava mais comprometido com os seus juízos negativos e com seu mau humor do que com Deus.

Estamos às vezes tão comprometidos com nossas predições acerca de pessoas e situações que nos desagradam, que nem mesmo a mente de Deus pode mudar as nossas mentes! É fácil empenharmos na destruição de pessoas e situações, de tal modo que a força destrutiva se volta contra nós mesmos. O comentário: "Veja só, eu não disse?" ou "Eu estava certo o tempo todo!" é sinal claro de que estamos correndo adiante de Deus e alimentando nossa ira. Você já sentiu uma satisfação interior quando alguém de quem você não gosta satisfaz às suas piores expectativas? Muitas de nossas lutas pelo poder com as pessoas são uma extensão de nossa luta pelo poder com Deus.

Quando Deus passa por nosso negativismo e abençoa a outros, o que podemos fazer? Jonas tinha duas opções: unir-se ao povo de Nínive, confessando o seu próprio pecado, ou tomar em suas próprias mãos o julgamento de si mesmo.

Jonas desejava morrer porque não podia fazer que Deus marchasse segundo o seu ritmo. O Senhor queria curar o coração turbulento de Jonas. O propósito de Deus era lembrar ao profeta que ele, o Senhor, da mesma forma como dá suas bênçãos as tira, caso elas não tragam os corações para ele.

O Senhor é bondoso em sua luta final pela vontade de Jonas. A expressão: "É razoável essa tua ira?" é uma maneira bondosa de perguntar quem de fato tem o direito de ficar zangado. Mas é difícil parar alguém que corre velozmente adiante do Senhor e tenta dizer-lhe, ao mesmo tempo, como dirigir o Universo. Esteja certo de que, numa luta com Deus pelo poder, a única maneira de ganhar é permitir que ele vença. O de que Nínive precisava, Jonas precisava ainda mais. Seu julgamento, resultando em ira, procedia da falta de percepção de que ele também devia ser julgado por Deus. O perdão de Deus para ele devia ter produzido a preciosa compaixão de que ele tanto carecia.

Deus está fazendo algo grandioso no mundo. Exclusivismo e julgamento são luxo que não devemos ter. O mesmo Deus que lutou com Jonas e com seu povo Israel, a fim de fazê-los amar a todos os povos, veio ao mundo no "maior do que Jonas" —Jesus Cristo — para revelar sua compaixão e graça. Quando renunciamos à nossa luta pelo poder e aceitamos o perdão de Deus e seu poder capacitador em Cristo, podemos correr com ele para a nossa Nínive.

Uma experiência do poder de Cristo, que habita em nós, liberta-nos da luta pelo poder com ele ou com outras pessoas. E quando percebemos que o seu poder que nos foi dado tem o propósito de conhecermos e fazermos a sua vontade, então as nossas lutas se convertem numa paz sublime. Sabemos que somos amados e aceitos. Já não temos necessidade de lutar por vantagem nem competir por autoridade. Todo o poder no céu e na terra é nosso!

O mais emocionante é que podemos pintar o próprio semblante no teto de hoje e na eternidade. A luta pelo poder pode terminar, e um fluxo da bondade e do poder de Deus pode começar dentro e através de nós. O retrato não está terminado. Seu último capítulo ainda não foi escrito. Louve a Deus por isso!

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Pregação - 16/06/2009

Acostume-se com o som do céu

1 reis 18: 41-46

O profeta Elias profetiza seca e por três anos e meio não chove na terra. Todos nós e inclusive a igreja somos afetados por situações que acontecem, mas nós não paramos pelas dificudades. Todos estavam afetados pela seca.

Por que Deus reteve aquelas águas? Simbolizava a sequidão de Israel e de Acabe. Acabe adorava demônios. Deus estava esquecido e precisou deixar que acontecesse uma situação para acordá-los. Era uma seca espiritual que Israel estava passando.

Hoje em dia vemos muitas vidas que precisam de água. A fonte de água viva é Jesus. Deus remove a maldição e trás bênçãos. Deus que mostrar que Ele é Deus Todo-Poderoso.

Irmão, essa noite é a tua noite. Se tem uma área seca na sua vida vai chover bênçãos sobre ela.

Deus falou com Elias que era hora de chover. O povo já tinha sofrido demais.

Meu irmão, problema não é problema. Problema só é problema quando a gente não resolve o problema. Não dê valor ao seu problema. Esse seu problema não é maior do que o Deus que habita na sua vida.

Então Elias abre a boca para falar uma palavra que é poderosa, ele diz: "Já se houve ruído de abundante chuva".

Ruído. O que é um ruído? O ruído é um barulho pequenininho, mas em seguida ele diz de abundante chuva.

Uma coisa pequenininha que vai trazer uma grande bênção para a sua vida.

Meu irmão, essa opressão tem por trás o diabo.

Qual o som que você está ouvindo?

Elias não ouviu um som alto, mas o som veio do Alto. Você pode até ouvir um grande barulho, mas um barulho que não vem do Alto. Elias ouviu um som do céu.

Qual o som que você está ouvindo? Um som que vem da Terra ou um som que vem do céu?

Jornal, notícias, tudo isso é um som que vem da Terra. Não é que você tem que parar de ver jornal, de ler as notícias e se tornar alienado, não é isso, mas esse é som que temos que ouvir com discernimento. Se você for ouvir tudo que dizem no jornal, você não sai mais de casa.

O som que você ouve vem da onde? Vem de quem?

Tem um som que vem do céu. Elias ouvia um som do céu que iria afetar a Terra. Um som que afeta a tua vida na Terra. Nós precisamos ouvir o som que realmente vem do céu. Que faz calar as vozes na Terra.

Tem uma promessa para a sua vida. Não fique protelando. Adiando. Tome posse para a sua vida.

É a Palavra de Deus! Essa Palavra não tem nada que segure!

O som da Terra nos dias atuais é crise. A crise, irmão, pode ser a porta de entrada para a tua bênção. Crise, irmão, que crise? Abre a tua mente, trabalha mais, pede a Deus idéias novas. Com Deus a crise não pode perdurar. Deus, no meio da crise, dá vitória.

Valorize teu país. Fale dele. Ame ele. Tire de letra a tua crise.

Ouça o som do céu!!!


Todo o problema que te afetou, você vai passar a frente dele e vai chegar primeiro. Tudo que te confundiu, vai ficar para trás. Deus vai te ungir para você chegar ao seu lugar. Muitas vezes vão tentar te confundir. Tenha aberto o ouvido do coração para ouvir o que Deus quer fazer para a sua vida.

Quem vive com Jesus ouve a Sua voz. O Seu Espírito habita em nós.

Coisas que nos afetam, que são vozes para nos enfraquecer. Lembre-se, meu irmão, que o diabo não faz nada novo, ele não tem habilidade de gerar nada. Jesus venceu o diabo. Deus é fonte de vida. Deus pode fazer. Deus quer fazer. Deus hoje pode dizer para a tua doença: "Doença daqui chega!". Deus pode operar sua cura.

Entenda, meu filho, Jesus te dá uma geral. Não importa em que estado de doença você esteja. Jesus te dá uma geral. Jesus não troca o óleo, Jesus dá banho de óleo.

As vozes que te amedrontam e persuadiam vem do inferno.

Agora você está ouvindo um som do céu que vai impactar a Terra.

O Senhor do impossível - Lloyd John Ogilvie

FOGO SAÍDO DAS CINZAS
Elias

Desânimo. Todos nós o experimentamos às vezes. Alguns raras vezes se vêem livres desse mal-estar espiritual.

Percebe?Deus pode fazer com que o fogo surja das cinzas!Deus não só pode fazer com que o fogo surja das cinzas. Ele pode usar os gravetos de nossa rendição e disposição de espírito para nos inflamar outra vez de nova alegria e coragem.

Este capítulo se aplica a três tipos de pessoas. Há aquelas que sofrem da enfermidade espiritual do desânimo agora mesmo, enquanto lêem. Outras, conheceram esse vírus da debilidade da alma no passado e sabem que estão mal preparadas para o próximo ataque. Outras, ainda, estão muito preocupadas pelos entes queridos ou amigos imobilizados pelo desânimo e anseiam ajudá-los.

Elias, o profeta, é um caso clássico de desânimo. O que lhe aconteceu e o que Deus fez para curá-lo deixam bem clara a maneira como somos levados ao esgotamento total. E a história do que o Senhor pode fazer para que o fogo surja das cinzas.

Elias era um tesbita de Gileade, uma região ao norte da Palestina, ao leste do Jordão. Deus o chamou para ser profeta numa época de crise em Israel, durante o reinado de Acabe. Este rei fraco e vacilante casara-se com Jezabel, uma estrangeira, natural de Tiro. Ela trouxe consigo os sacerdotes e a adoração de Baal e Astarote. Sua paixão na vida era a supressão do culto a Iave e o estabelecimento da adoração de Baal como religião nacional.A rainha não promovia uma mistura de religiões, mas o culto exclusivo a Baal como deus em Israel.

No momento mais tenebroso da apostasia, o Senhor enviou Elias para enfrentar o rei. O nome do profeta significa a sua missão: Iave é Deus.

"Tão certo como vive o Senhor, Deus de Israel, perante cuja face estou, nem orvalho nem chuva haverá nestes anos segundo a minha palavra" (1 Reis 17:1). Com isso, ele deixou o rei a ponderar quem, na verdade, era Deus em Israel. E teve início uma longa seca, como predisse Elias.

O Senhor desejava que seu profeta tivesse certeza do seu poder. Uma vez que nada pode acontecer através de nós que não tenha sido demonstrado em nós, o Senhor preparava Elias para confiar plenamente no poder do Senhor do impossível. Ele devia se apresentar de novo a Acabe e combater os profetas de Baal e Astarote até o fim.

Elias retornou à presença de Acabe com um desafio que poria fim à questão de quem era Deus em Israel. "Agora, pois, manda ajuntar a mim todo o Israel no monte Carmelo, como também os quatrocentos e cinqüenta profetas de Baal, e os quatrocentos profetas do poste-ídolo, que comem da mesa de Jezabel" (1 Reis 18:19). Acabe aceitou o desafio e convocou todo o Israel ao monte Carmelo.

Quando o povo e os sacerdotes estrangeiros e o profeta se reu¬niram na montanha, Elias estrondeou a sua mensagem: "Até quando coxeareis entre dois pensamentos? Se o Senhor é Deus, segui-o; se é Baal, segui-o" (1 Reis 18:21). O povo concordou, dizendo: "É boa esta palavra".

A batalha tinha começado. Os profetas de Baal clamaram durante todo o dia: "Ah! Baal, responde-nos!", mas nenhum fogo desceu sobre o altar deles. Depois de zombar da impotência deles e do silêncio de Baal, Elias preparou o seu altar de um modo que somente o Senhor do impossível poderia enviar o fogo. Ele ordenou ao povo que derramasse doze barris de água sobre o altar de Iave. A água correu das bordas do altar e encheu a valeta ao redor dele. Então, ao anoitecer, Elias orou: "O Senhor, Deus de Abraão, de Isaque e de Israel, fique hoje sabido que tu és Deus em Israel, e que eu sou teu servo, e que segundo a tua palavra fiz todas estas coisas. Responde-me, Senhor, responde-me, para que este povo saiba que tu, Senhor, és Deus, e que a ti fizeste retroceder o coração deles" (1 Reis 18:36-37). E fogo caiu sobre o altar, consumindo o boi, a lenha e sorvendo a água da valeta. Deus e Elias venceram. O povo se convenceu. "O Senhor é Deus! O Senhor é Deus!", clamaram, prostrando-se em terra.

Com compulsão frenética Elias liderou o povo na matança dos profetas de Baal e Astarote junto ao ribeiro de Quisom.

Depois, foi o momento de orar por chuva. Despendendo energia sobre-humana, Elias colocou a cabeça entre os joelhos e derramou tudo o que lhe ia no íntimo em oração por chuva, para acabar com a seca. Depois de algum tempo, finalmente, uma nuvem apareceu no horizonte sobre o mar. Logo o céu escureceu com nuvens e uma chuva pesada caiu sobre a terra. O Senhor respondera novamente.

Quando Acabe viu a chuva cair, achou que era hora de voltar e contar a Jezabel as coisas espantosas a que havia testemunhado. Ele aparelhou a sua carruagem e a conduziu velozmente através da chuva. Podemos apenas imaginar o seu assombro quando ele viu Elias correndo ao lado e depois adiante de sua carruagem com vigor inacreditável. O profeta do Senhor corria mais rápido que a carruagem de Acabe!

No final daquele dia espetacular e cheio de acontecimentos, Elias estava exausto. Ele havia despendido todos os seus recursos físicos e espirituais no trabalho do Senhor. Não restava nada. O fogo do Senhor descera sobre o altar, mas o fogo de Elias se apagara. Psicologicamente, ele não estava preparado para a mais cruciante prova de sua resistência, que ainda viria.

Jezabel ficou furiosa quando Acabe contou-lhe acerca da matança dos seus profetas no Carmelo. Ela enviou a Elias uma mensagem amarga e ameaçadora: "Façam-me os deuses como lhes aprouver se amanhã a estas horas não fizer eu à tua vida como fizeste a cada um deles" (1 Reis 19:2).

Em outra ocasião qualquer Elias teria recebido essa mensagem sem o mínimo receio. Mas, depois de tudo por que havia passado, despendendo tudo o que tinha dentro de si em sua batalha pelo Senhor, a mensagem o abateu com desânimo insuportável. Elias conheceu uma emoção que ele jamais experimentara antes. Estava com medo. O poderoso profeta corria para salvar a vida. Quando não pôde correr mais por causa da completa exaustão, ele se sentou debaixo de um zimbro e suplicou a Deus que o deixasse morrer. "Basta" , disse ele, "toma agora, ó Senhor, a minha alma, pois não sou melhor do que meus pais".

Esgotamento total. Os componentes do que eu chamo de "Complexo de Elias" são dignos de análise, porque podem acontecer a todos nós. Há cinco fatores que contribuíram para o desânimo e a depressão de Elias.

O primeiro é que ele estava completamente exausto. Não há exaustão tão perigosa quanto a que vem de nos esforçarmos demais por causas justas. Elias tinha despendido suas energias por Iavé, em vez de ter sido um canal do seu poder.

Segundo, Elias era ingênuo. Simplesmente, ele acreditava que a derrota de quatrocentos e cinqüenta profetas acabaria com a ameaça do mal em Israel. Contudo, ele tinha apenas tocado a ponta do iceberg.

Quase todo dia converso com cristãos que se esgotaram completamente no trabalho de Deus. São pastores, diáconos e professores, membros da igreja e pessoas ativas em boas causas. Nossa atividade ardorosa para Deus pode ser a mais perigosa ameaça ao nosso relacionamento com ele, se preferimos trabalhar mediante nossos próprios esforços em vez de no fluxo de seu Espírito.

Nosso trabalho para Deus pode resultar numa fonte de orgulho e extensão de nossos próprios egos. Há aqueles que surgem com boas idéias, que, embora dignas, não foram enviadas pelo Senhor. Esperamos que ele nos confirme e nos dê vigor a fim de estarmos preparados para o que determinamos ser a sua vontade. A segunda maneira é muito mais frustrante. Buscamos a vontade de Deus, sentimo-nos guiados para tomar uma direção em particular, e, então, disparamos a frente do seu tempo e da sua estratégia. Perdemos contato com Deus quando a tarefa se torna mais importante que ele!

A terceira é a mais difícil de romper. Acontece quando confundimos o nosso valor com o nosso desempenho. Sempre que somos tentados a assumir que somos amados por Deus pelo que fazemos e não pelo que somos, sobrecarregamos nossas vidas além do que podemos suportar. O fogo do Espírito vai-se apagando até se extinguir totalmente.

O próximo aspecto do complexo de Elias se relaciona bem de perto com o anterior: perfeccionismo."Pois não sou melhor do que meus pais". Quem é que disse que ele tinha de ser? O Senhor o chamou para a tarefa que lhe foi dada, não para comparar-se com alguém mais.

Jamais nos contentamos com o que temos, e estamos sempre intranqüilos com as realizações dos outros. Elias desejava sobrepujar a seus predecessores e a todos ao seu redor. Ele perdeu o contato com a sua humanidade e permitiu que o precioso dom da vulnerabilidade se tomasse ineficaz para comunicar-lhe a graça de Deus.

O erro está em nos conduzirmos à luz do desempenho dos outros, em vez de seguirmos a orientação divina. Mas quando é que o suficiente é suficiente? Em poucas ocasiões. E aí esgotamos as nossas forças pressionando-nos a nós mesmos em direção a uma imagem que jamais se realiza.

O perfeccionismo leva ao isolamento. No monte Carmelo Elias declarou com altivez: "Só eu fiquei dos profetas do Senhor". Nem todo o povo se deixou enganar por Jezabel. Muitos joelhos não se haviam dobrado diante de Baal. Mas Elias não podia perceber tal coisa por estar por demais possuído de seus próprios e apaixonados esforços pela causa. Quando suas forças minguaram e Jezabel o ameaçou, tudo o que pôde dizer foi: "e eu fiquei só, e procuram tirar-me a vida". O solitário ficou sozinho para fazer o seu vôo ao poço sem fundo da auto-condenação.

Uma das principais causas do esgotamento é o isolamento, nossa obstinada independência. Todos nós precisamos de pessoas que nos ajudem a perceber que o que sentimos agora elas já sentiram antes. O desânimo aprofunda-se mediante a falsa idéia de que ninguém mais sente como sentimos. Não há nada que não possamos suportar que o Senhor já não tenha enfrentado como o nosso Emanuel. Deus conhece, compreende e se importa!

Por fim, o desânimo de Elias chegou ao fundo quando ele considerou a futilidade do futuro. Ele havia perdido a visão da soberania de Deus. E o mais importante, ele havia desistido do significado de seu nome: Iavé é Deus. Na realidade, Elias era o deus de Elias.

O primeiro remédio foi colocar o exausto guerreiro do Senhor para dormir. Psicologicamente, ele se achava por demais cansado para raciocinar ou receber nova esperança. O primeiro passo para sairmos do desânimo é amar-nos a nós mesmos o bastante para reorganizar nossas vidas de modo a dormirmos o suficiente, passarmos horas em lazer, em exercícios e atividades à parte de qualquer programação. Ao despertar, Elias estava racional o bastante para sentir fome. Ele precisava de comida. O Senhor satisfez à sua necessidade. "Levanta-te e come", foi a simples ordem. O profeta comeu e bebeu dos pães e da água providenciados, e caiu no sono novamente. Deus, que nos conhece melhor que nós mesmos, prove exatamente o necessário para dar prosseguimento à nossa vida.

Quando Elias estava descansado, o Senhor ordenou-lhe que prosseguisse para o monte Horebe. Quando Elias chegou, o Senhor fez-lhe uma pergunta muito estranha: "Que fazes aqui, Elias?" Por que a pergunta, se o próprio Senhor tinha enviado o profeta? Por uma boa razão: para ajudar o profeta a conscientizar-se do que lhe acontecia e despertar seus verdadeiros sentimentos. A reação de Elias refletiu essa conscientização. Ele repetiu toda a situação que motivara o seu desânimo. "Tenho sido zeloso pelo Senhor, Deus dos exércitos, porque os filhos de Israel deixaram a tua aliança, derribaram os teus altares, e mataram os teus profetas à espada; e eu fiquei só, e procuram tirar-me a vida". Tendo Elias focalizado seus sentimentos e idéias, o Senhor podia começar a lidar com a causa mais profunda do desânimo do profeta.


O Senhor faz isso comigo e com você. O que você faz aqui? O que causou essa situação? Como aconteceu? A pergunta a Elias era uma expressão de profundo amor. O Senhor não o estava censurando pelo desânimo; ele simplesmente pedia um relato das circunstâncias e de seus sentimentos. Um meio infalível de cura para o nosso desânimo é nos desabafarmos perante o Senhor acerca de como nos sentimos em termos exatos e das causas da nossa condição. O Senhor deseja fazer-nos essas mesmas perguntas tema e incisivamente. Quando somos desafiados a apresentar a causa de como chegamos ao nosso desânimo, estamos no início do caminho de volta à saúde.


A maior necessidade do profeta era renascer em seu relacionamento com o Senhor. Foi isso exatamente o que aconteceu. Primeiro, houve um vento impetuoso que fendia os montes e despedaçava as penhas em volta do profeta. Depois, um terremoto fez a terra tremer debaixo dos pés de Elias. Finalmente, uma chama saltou para fora da encosta da montanha. O profeta ficou abalado e horrorizado diante das manifestações físicas da presença de Iavé. Porém, mais importante que o vento, o terremoto e o fogo foi a experiência interior da graça no coração de Elias. O Espírito do Senhor falou-lhe em tom baixo e calmo — um sussurro suave — que trouxe calma e segurança.

O terremoto no coração de Elias o ajudou a passar do antigo fundamento do perfeccionismo para o novo fundamento de ser amado e aceito como era. O fogo de Deus extinguiu por completo a palha miúda do desespero e realimentou a chama da boa disposição para o serviço no coração de Elias. O mais dinâmico dom de Deus para o desanimado é acender uma nova chama de esperança para o futuro. O entusiasmo retoma; a empolgação pelo Senhor e sua causa se inflamam de novo. O fogo do Senhor é para pessoas completamente esgotadas!

A cura final do desânimo de Elias foi fazê-lo voltar ao trabalho. O Senhor deu-lhe instruções específicas, fortalecendo a segurança do profeta de que Deus não desistira de Israel ou do desdobramento do drama da história. Ele recebeu ordens para ungir seu sucessor. A obra de Elias teria prosseguimento!

O isolamento de Elias foi curado pelo conhecimento humilde e enaltecedor de que ele não era o único homem fiel a Deus em Israel.

Se as cinzas do desânimo estão latentes em seu coração, esteja certo de que Deus pode acender uma chama e vai fazê-lo. Ele não desistiu de nós. Portanto, não estamos acabados. Preste atenção ao vento. Sinta o terremoto de seu poder. Sinta o calor do novo fogo. E o mais importante: fique atento, pois o Senhor falará. Você ouve a sua voz? Ele diz: "Eu amo você. Jamais desistirei de você. Temos trabalho para realizar juntos. Você já não precisa trabalhar para mim. Deixe que eu faça o meu trabalho através de você! Ainda sou o Senhor do impossível."