Como Vencer o Pecado
Tenho encontrado muitos cristãos professos em lamentável estado de escravidão ao mundo, à carne ou ao diabo. Tenho ficado penalizado ao encontrar tantos crentes vivendo na escravidão legalista descrita no capítulo sete de Romanos: uma vida de pecar, de resolver reformar-se e de cair novamente. E o que é particularmente entristecedor, e mesmo motivo de angústia, é que muitos pastores e cristãos proeminentes dão instrução inteiramente errônea sobre o assunto de como vencer o pecado. A orientação que, lamentavelmente, costuma ser dada sobre esse assunto, resume-se nisto: "Trata dos teus pecados um por um, resolve abster-te deles, luta contra eles, com oração e jejum se for preciso, até vencê-los. Dispõe firmemente a tua vontade contra uma recaída no pecado, ora e luta, resolve não fraquejar e persiste nisso até que formes o hábito da obediência e quebres todos os teus hábitos pecaminosos". É verdade que geralmente acrescentam: "Nessa luta, não deverás depender das tuas próprias forças, mas pedir o auxílio de Deus".
Grande parte do ensino acaba dando nisto: a santificação é pelas obras, não pela fé. Tomar a decisão e lutar contra o ato, faz-nos concentrar a atenção no pecado e sua fonte, desviando-a inteiramente de Cristo.
É essencial esclarecermos o quanto antes que todos os esforços dessa natureza são inúteis e não raro resultam em desilusão. Em primeiro lugar, é perder de vista o que realmente constitui o pecado, e, em segundo, abandonar a única maneira viável de evitá-lo. O pecado não é externo e sim interno. É um ato ou estado voluntário da mente.
Podemos resolver prestar obediência aos mandamentos de Deus. Mas arrancar do peito o egoísmo por meio de resoluções é um contra-senso. Assim também é contra-senso o esforço para conseguir, por meio de decisões, obedecer em espírito os mandamentos de Deus, amar conforme a lei de Deus.
Há muitos que sustentam que o pecado consiste nos desejos. Que seja! Dominamos por força de resoluções os nossos desejos? Poderemos, pela resolução, deixar de satisfazer determinado desejo. Poderemos fazer ainda mais, abstendo-nos de satisfazer o desejo em sua manifestação exterior. Isso, porém, não é assegurar o amor de Deus, que é o que constitui a obediência. Nossa resolução não assegura o amor, a única verdadeira obediência a Deus. Todo o nosso batalhar contra a manifestação exterior do pecado à força das resoluções, apenas acabam tornando-nos em sepulcros caiados. É inútil lutar contra o desejo, a poder de resoluções; pois tudo isso, por mais bem sucedido que seja o esforço para reprimir o pecado, quer na vida exterior quer no desejo interior, acabará em desilusão, pois a poder de resolução não podemos amar.
Todos os esforços dessa natureza para vencer o pecado são inúteis, e ainda em desacordo com a Bíblia. Esta ensina expressamente que o pecado é vencido pela fé em Cristo. Ele é "o caminho, a verdade e a vida". Diz-se a respeito dos crentes que seus corações são "purificados pela fé" (At 15.9). E em Atos 26.18 afirma-se que são santificados pela fé em Cristo. Em Romanos 9.31-32 lemos que os judeus não atingiram a justiça porque não a buscaram pela fé e, sim, pelas obras.
A doutrina da Bíblia é que, pela fé, Cristo salva o seu povo do pecado; que o Espírito de Cristo é recebido pela fé para habitar no coração. É a fé que opera pelo amor. O amor é operado e sustentado pela fé. Pela fé os crentes "vencem o mundo, a carne e o diabo". É pela fé que se "apagam todos os dardos inflamados do maligno". É pela fé que os crentes se "revestem do Senhor Jesus Cristo" e "se despem do velho homem com os seu feitos". É pela fé que combatemos "o bom combate", e não pelas resoluções. É pela fé que "ficamos em pé" e pelas resoluções é que caímos. Esta é a vitória que vence o mundo, a nossa fé. É pela fé que a carne é subjugada e conquistados os desejos carnais.
Na realidade é simplesmente pela fé que recebemos o Espírito de Cristo para operar em nós. Ele derrama em nosso coração o seu próprio amor, acendendo assim o nosso. Toda vitória sobre o pecado vem pela fé em Cristo; e quando o pensamento se desvia de Cristo para as resoluções e as lutas contra o pecado, quer tenhamos consciência disso ou não, estamos agindo com nossas próprias forças, rejeitando o socorro de Cristo: estamos sob uma perigosa ilusão.
Nada, senão a vida e energia do Espírito de Cristo dentro de nós, pode salvar-nos do pecado: e a confiança é a condição uniforme e universal da operação dessa energia salvadora dentro de nós.
Até quando esse fato continuará sendo ignorado, pelo menos na prática, pelos ensinadores da religião? É tão profunda que esta é uma das lições que o coração do homem mais custa a aprender: renunciar à amo-dependência e confiar inteiramente em Cristo.Quando abrirmos a porta para a confiança absoluta, ele entrará e fará conosco e em nós a sua morada. Inundamo-nos do seu amor. Ele faz toda a nossa alma reviver para senti-lo e assim e somente assim, purifica o nosso coração pela fé.
A Bíblia ensina que, pela confiança em Cristo, recebemos uma influência interior que estimula e dirige a nossa atividade; que pela fé recebemos sua influência puriticadora no recôndito do nosso ser; que através da sua verdade revelada diretamente à alma, ele vivifica todo o nosso ser interior para ter a atitude de amor e obediência; e é esse o caminho, não havendo outro caminho prático, para vencermos o pecado.
No verso 12 de Filipenses 2. Paulo diz: "Assim, pois, amados meus, como sempre obedecestes, não só na minha presença, porém muito mais agora na minha ausência, desenvolvei a vossa salvação com temor e tremor; porque Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade". Não há aqui nenhuma exortação a trabalhar por força de resolução, mas sim por meio da operação interior de Deus. Paulo os tinha ensinado, quando estava presente com eles: agora, na sua ausência, exorta-os a desenvolverem a salvação, não pela resolução, mas pela operação de Deus.
Deus opera em nós o querer e o realizar: nós aceitamos pela fé a sua operação queremos e efetuamos de acordo com a sua boa vontade.
A própria fé é um estado ativo e não passivo. Quem dera, fosse compreendido que toda a vida espiritual, que houver em qualquer pessoa, é recebida de Cristo pela fé, como o ramo recebe da videira a sua vida. Abaixo com o evangelho das resoluções! É uma cilada de morte. Abaixo com o esforço para tornar a vida santa, quando o coração não tem em si o amor de Deus! Quem dera os homens aprendessem a olhar diretamente para Cristo pelo evangelho, e de tal modo a chegarem-se a ele mediante um ato de confiante amor, que ficassem envolvidos na simpatia universal do seu modo de pensar! Isso, e somente isso, é santificação.
quinta-feira, 30 de julho de 2009
Uma vida cheia do Espírito - Charles G. Finney
Postado por
DAVI E AMY
às
11:06
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