domingo, 26 de julho de 2009

Uma vida cheia do Espírito - Charles G. Finney

Será "Duro Este Discurso?"

Será "duro esse discurso"? Será uma palavra descaridosa? Será injusta? Será imoderada? Estará em desacordo com as Escrituras? Suponhamos que, no dia de Pentecoste, um dos apóstolos ou dos demais discípulos presentes tivesse deixado, por apatia, egoísmo. incredulidade, indolência ou ignorância, de obter esse revestimento de poder. Seria então descaridoso, injusto, imoderado ou anti-bíblico, que ele fosse tido por inapto para a obra da qual Cristo os encarregara?

Cristo lhes dissera expressamente que, sem esse revestimento, nada podiam fazer. Tinha-lhes recomendado taxativamente que não o tentassem com as próprias forças, mas que esperassem em Jerusalém até receber o necessário poder do alto. Prometera, com igual clareza, que, se permanecessem conforme a sua recomendação, haviam de recebê-lo "dentro de poucos dias". Evidentemente entenderam a recomendação no sentido de esperarem continuamente no Senhor em oração e súplica pela benção. Ora, suponhamos que algum deles se ausentasse, para cuidar de seus negócios, contando com a soberania de Deus para outorgar-lhe esse poder. Fatalmente teria ficado inapto para o trabalho: e se assim fosse considerado pelos irmãos e companheiros que obtiveram o poder, teria isso sido descaridoso, injusto ou em desacordo com as Escrituras?

E não é verdade, para todos que recebem a ordem de fazer discípulos, e a promessa do poder, que, se por alguma falta ou falha, deixarem de receber o dom, estão de fato desclassificados para a obra, e principalmente para qualquer cargo oficial? Não estão, de fato, desabonados para ministrar as ordenanças da Igreja? Ou estão credenciados para ensinar aqueles que deverão fazer o trabalho? Se é verdade que lhes falta poder, seja qual for a explicação da deficiência, é igualmente verdade que não estão aptos para ensinar o povo de Deus: e se é reconhecido que são inaptos porque lhes falta poder, há de ser razoável, certo e bíblico assim considerá-los, falar deles e assim tratá-los. Quem tem direito de se queixar? Por certo que eles não têm. Deve a Igreja de Deus tolerar ensinadores e líderes a quem falta esse requisito fundamental, quando essa falta é forçosamente culpa deles?

Com a ordem de alcançar o mundo ressoando em nossos ouvidos; com a recomendação de esperar em oração constante e fervorosa até receber o poder: com a promessa, feita pelo Salvador. e a nós estendida, oferecendo toda a ajuda de que precisamos, que desculpa podemos dar por estarmos incapacitados para essa grande obra?

Que tremenda responsabilidade pesa sobre nós, sobre toda a Igreja, sobre cada crente! Poderíamos perguntar: como é possível, em tais circunstâncias, a apatia, a indolência e a comum e fatal negligência? Se algum dos primitivos cristãos a quem foi dada essa ordem deixasse de receber o poder, não o teríamos por grandemente culpado? Pois se neles a falha seria pecado, quanto mais em nós, com toda a luz da história e dos fatos nos cercando, luz que eles não possuíam. Alguns pastores e muitos crentes tratam este assunto como se devesse ficar ao cuidado da soberania de Deus, sem nenhum esforço persistente para se obter o revestimento. Era assim que os primeiros cristãos entendiam e tratavam do assunto? Em absoluto. Não descansaram enquanto o batismo de poder não veio sobre eles.

Temos a obrigação de não descansar enquanto o não obtiver.

É comum essa falha nos sermões que ouço: são muito instrutivos, mas não deixam na congregação o senso de obrigação ou o sentimento de grande estímulo quanto ao uso dos meios. Nenhum estímulo ou senso de obrigação para buscar ardentemente o batismo. São deficientes na conclusão: não deixam a consciência sob pressão, nem a mente sob o estímulo da esperança.

Encontro muitas pessoas procurando aprender pelo intelecto e resolver teoricamente questões de pura experiência. Apoquentam-se com esforços para compreender intelectualmente aquilo que deve ser recebido como experiência consciente pela fé.

De alguma maneira a igreja deve verificar se o pastor que chama apresenta um ministério frutífero e não uma haste seca, ou seja, um mero intelecto, uma cabeça quase sem coração; escritor elegante, mas sem unção; grande arrazoador, mas de pouca fé; de grande imaginação, talvez, porém sem o poder do Espírito de Deus.

É incrível que, embora geralmente se admita que o revestimento de poder do alto é real e indispensável para o sucesso no ministério, na prática o assunto seja considerado pelas igrejas e escolas como sendo relativamente de pouca importância. Desde os apóstolos até o tempo presente vem-se verificando que homens de mínima cultura humana, mas revestidos desse poder, têm tido o maior sucesso em ganhar almas para Cristo: enquanto que outros da mais apurada cultura, de posse de tudo quanto as escolas lhes forneceram, têm revelado a mais absoluta falta de poder no que concerne à obra específica do ministério. Assim mesmo continuamos dando dez vezes mais ênfase à cultura humana do que ao batismo do Espírito Santo.

Entretanto, religião é experiência. É uma percepção interna. O convívio íntimo com Deus é todo o seu segredo.

Tenho incomparavelmente maior esperança na utilidade do homem que, a qualquer custo, mantém sua comunhão diária com Deus, que almeja e luta por maiores alturas espirituais possíveis: que faz questão de não viver sem a vitória diária na oração ou sem o revestimento do poder do alto.

Quem dera a situação fosse outra, e estivéssemos todos concordes, na prática, agora e para sempre, em nos apegar à promessa de Cristo e jamais julgar a nós mesmos ou a qualquer outro, aptos para a grande obra da Igreja enquanto não tivermos recebido plenamente o revestimento de poder do alto. Irmãos, rogo-vos que considereis mais seriamente o caso, que acordeis e o leveis a sério, não descansando enquanto esse assunto não for colocado no seu devido lugar e não tomar, à vista de toda a Igreja, aquela posição destacada e prática que Cristo lhe destinou.

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