0 LUTADOR OBSTINADO Jacó
Todos nós carecemos dela com desespero. É aquela grande necessidade de todos nós. Nascemos por causa dela e não há alegria que dure sem ela. Ela é para a alma o que o oxigênio é para os pulmões e a proteína para o corpo. Ela é a única fonte de segurança espiritual e saúde psicológica, a base da confiança e da auto-estima. Com ela nos tomamos livres e atraentes; sem ela somos tímidos e obstinados. Ela é o que as pessoas mais esperam de nós, porém não a podemos dar enquanto não a recebemos. Quando não a recebemos de nossos pais, por lhes ter sido negada, despendemos o resto de nossas vidas a exigi-la ou tentando merecê-la. Contudo, nenhum ser humano pode satisfazer ao nosso ardente desejo por ela. Ela é o bem mais precioso da vida.
Que é esse bem tão ansiado, esse poder dinâmico? A bênção. Cada um de nós necessita ser abençoado, sentir-se abençoado e por sua vez se tornar um comunicador de bênçãos.
Dos remotos tempos bíblicos até agora, a bênção de Deus é a plena certeza de que a ele pertencemos, de que ele se deleita em nós e de que ele nos escolheu como o alvo de seu ilimitado amor. Ser uma pessoa abençoada é conhecer, sentir e comprazer-se na firme promessa de Deus, na sua aceitação e aprovação. É a experiência de ser escolhida e estimada, valorizada e apreciada. Uma pessoa abençoada pode dizer, nas palavras de Karl Barth: "Deus é por mim!" com quatro auspiciosas ênfases: Deus é por mim! Deus é por mim! Deus é por mim! Deus é por mim!
Este capítulo é para aqueles que precisam sentir essa bênção, que não conseguem permitir que Deus os abençoe e que são, muitas vezes, mesquinhos para com os outros com a bênção que receberam. É para pessoas como eu e você. O mistério da vida está em resistirmos ao que necessitamos e em desejarmos muitas outras coisas. Assim é que muitos se sentem não abençoados nesta di-mensão mais profunda. Alguma coisa em nós impede a entrada das riquezas das bênçãos divinas. Muitos dos que possuem dons e talentos, oportunidades e sucesso material ainda se sentem não abençoados.
O que significa isso? A síndrome misteriosa da vida consiste em recusarmos a bênção se não nos sentimos abençoados. Se os pais e outras pessoas mais achegadas em nossos anos de crescimento retiveram de nós a bênção, recusaram dar-nos afirmação, aprovação e a plena certeza de sermos especiais, acharemos difícil permitir que Deus nos abençoe. Esta é a razão por que muitos, embora possuindo uma compreensão intelectual da fé e uma confiança sólida em Deus, não sentem o amor divino ou não se apegam a um relacionamento pessoal e familiar com Deus. Se a bênção da afirmação foi recusada em termos humanos, será difícil a sua acei¬tação em termos divinos.
Minha tese é que as pessoas que se sentem não abençoadas se tornam obstinadas. Quanto mais elas se sentem não abençoadas, mais desenvolvem, sem perceber, uma obstinação para manter o autocontrole e guardar-se de ser magoadas. Ocorre exatamente o oposto com as pessoas abençoadas. As pessoas que se sentem afirmadas e amadas são flexíveis, receptivas e dispostas. Mas as não abençoadas se tornam lutadoras obstinadas. Elas se esforçam por obter a bênção de outros, expressa em aprovação e estima, mas amiúde questionam a bênção dos outros e, acima de tudo, resistem à bênção de Deus. Lutar e resistir se torna uma tática de sobrevivência.
A obstinação é uma distorção do dom da vontade. Ela busca o domínio do comportamento, e, para esse fim, faz com que manipulemos os outros e nos tornemos intratáveis. As pessoas obstinadas devem estar no controle. Eles se tornam competitivas e combativas. Em cada situação a pergunta é: "Quem é o responsável aqui?", o que leva a concluir que desejam ser responsáveis e fazer tudo o que for necessário para assegurar que o sejam.
Com o tempo, os lutadores obstinados se arrojam em luta com Deus. Ele então travará combate conosco até que possamos declarar: "Seja feita a tua vontade". Ele nos deixará imobilizados até que finalmente reclamemos a bênção, que ele está mais disposto a dar do que nós a pedir. Ele não ultrapassará o limite de nossa obstinação, mas disporá as circunstâncias da vida, levando-nos ao ponto de reconhecermos que a necessidade de afirmar nosso valor e importância, comparada com a fome de origem divina, não passa de um pequeno desejo que só ele pode satisfazer. Foi exatamente isso o que ele fez por Jacó.
Jacó, filho de Isaque, de vontade forte, impaciente, inseguro e não abençoado, faz que nos vejamos com espanto no espelho. A Bíblia é muito honesta acerca da luta de Jacó para ser abençoado. Um estudo em profundidade dele nos auxilia a identificar nossas lutas e a perceber o que Deus pode fazer com elas. Na história de Jacó vemos o sentimento da falta da bênção, o que acontece quando permitimos que Deus nos abençoe, e a bênção que podemos ser para os outros logo que nos sentimos abençoados.
Jacó e seu irmão gêmeo Esaú eram filhos de Isaque e Rebeca. O primeiro a nascer foi Esaú, mas com apenas segundos de diferença, pois Jacó saiu do útero agarrado ao calcanhar do irmão.Desde o início Esaú foi o favorito de seu pai. Ele veio a ser um caçador, um homem do campo. Tal como Isaque, ele gostava da emoção da caça, da liberdade da aventura e do sabor da carne de animais selvagens. Jacó era o favorito de Rebeca. Dizem as Escrituras que ele era um jovem pacato, que morava em tendas.
O ambiente psicológico da família era de competição pela supremacia. No lar em que o marido e a esposa contendem entre si, a família inteira perde. O favoritismo de um pai por um filho, em geral vem de um casamento muito instável.
O ponto em questão na família de Isaque era qual dos dois filhos teria o direito maior — o direito de primogenitura. Nos tempos bí¬blicos dava-se ao primeiro que nascesse o direito de receber a propriedade e o governo da casa, por ocasião da morte do pai. Mas, de semelhante importância espiritual era a bênção do pai sobre todos os filhos. Essa dádiva preciosa de aprovação, afirmação e amor dava a cada filho um senso de identidade e importância para toda a vida. O intenso anseio de Rebeca não era simplesmente que Jacó fosse abençoado, mas que ele obtivesse o direito à primo¬genitura. Ela inculcou sua compulsão em Jacó de tal modo que ele se aliou a ela para obter esse direito quando o que ele realmente desejava era a bênção de Isaque. Esaú pouco se importava com a primogenitura, porque ele achava que já tinha a bênção de Isaque.
Um incidente demonstra a constante rivalidade dos irmãos. Certo dia, Esaú chegou faminto dos campos após um dia árduo de trabalho. Jacó cozinhava um ensopado e Esaú, com impetuosidade juvenil, exigiu uma porção dele, dizendo que morreria se não co¬messe imediatamente!
Jacó desejava tanto o direito de primogenitura que ele poderia morrer! "Vende-me primeiro o teu direito de primogenitura", disse a Esaú. A atitude de indiferença de Esaú para com a primogenitura se depreende da sua resposta: "Estou a ponto de morrer; de que me aproveitará o direito de primogenitura?" Assim Esaú vendeu o direito e recebeu o cozinhado de lentilhas. A barganha revela a natureza obstinada de Jacó e seus esforços para obter auto-estima e segurança.
A trama se intensificou algum tempo mais tarde, quando Isaque percebeu que estava às portas da morte. Chamou Esaú à sua tenda I pediu que ele saísse a caçar e trouxesse carne para um prato saboroso. "E traze-ma para que eu coma, e te abençoe antes que eu morra', (Gênesis 27:4). O primogênito saiu ao campo, mas Rebeca estivera ouvindo através das finas paredes da tenda. O momento que ela tanto esperava havia chegado! Rápida como um raio ela corre para Jacó, ordena-lhe que mate uma ovelha, prepare o prato saboroso que seu pai desejava e receba a bênção e o direito de primogenitura prometidos a Esaú. Jacó alega que sua pele é lisa e que Esaú é cabeludo. Seu pai ao tocá-lo, reconheceria logo que não se tratava de Esaú. Rebeca havia preparado um plano para essa circunstância. Manda que Jacó vista as roupas de Esaú e cubra o pescoço e as mãos com pele de cabra, de modo que Isaque seja enganado.
O plano dos dois teve êxito. Isaque comeu uma suntuosa refeição e, depois que suas suspeitas foram desfeitas por meio dos disfarces de Jacó, o abençoou e deu-lhe o direito de primogenitura. O teor da preciosa bênção nos auxilia a compreender por que era um galardão e tanto:
Deus te dê do orvalho do céu, e da exuberância da terra, e fartura de trigo e de mosto. Sirvam-te povos, e nações te reverenciem: sê senhor de teus irmãos, e os frutos de tua mãe se encurvem a ti: maldito seja o que te amaldiçoar, e abençoado o que te abençoar" (Gênesis 27:28-29).
Quando Esaú retornou a casa, soube do que sua mãe e o irmão haviam feito, e rogou a Isaque uma bênção. "Acaso tens uma única bênção, meu pai? Abençoa-me, também a mim, meu pai", clamou ele com a dor da rejeição. Achamos difícil compreender a severidade de Isaque para com o destino de Esaú. Seria a cólera por ter sido enganado pela esposa que o tornou tão intratável? Contudo, o que ele predisse para Esaú se cumpriu.
"Longe dos lugares férteis da terra será a tua habitação, e sem orvalho que cai do alto. Viverás da tua espada, e servirás a teu irmão; quando, porém, te libertares, sacudirás o seu jugo da tua cerviz" (Gênesis 27:39-40).
Assim, um ressentimento profundo tomou conta de Esaú, provocando um clima de rivalidade, ódio e inveja entre os dois irmãos. Esaú planejou matar o irmão tão logo Isaque viesse a falecer.
Coube a Deus tirar Jacó dessa complicada trama de vontades em conflito e levá-lo a um lugar onde pudesse permitir que Deus o abençoasse. E fascinante ver como Deus usou o temor de Rebeca de que Jacó se casasse com uma das mulheres locais, bem como a angústia dela sobre o que Esaú poderia fazer ao irmão. A idéia de Rebeca (era dela mesmo?) consistia em enviar Jacó a Labão, seu irmão. Segundo nos parece, ela apresentou o plano a Isaque, pois este despediu Jacó com a sua "bênção" para Padã-Arã, onde morava Labão. Em muitas decisões como esta no Antigo Testamento, o que parece uma escolha humana lógica é, na verdade, o mais íntimo propósito do Senhor.
Jacó partiu para a terra de Labão sentindo-se não abençoado como sempre. Ele estava derrotado e amargurado. Tudo o que possuía era a lembrança do que tinha feito a Esaú e de como seus pais falharam em dar-lhe segurança íntima. O resultado foi um homem de conduta ardilosa e manipuladora, empedernido em sua determinação de viver por sua própria astúcia e resolução. Ele possuía fé intelectual em Deus, mas uma indiferença envolvia o seu coração sensível e não abençoado. A ferida na mente de Jacó cicatrizava-se agora mediante os efeitos de sua obstinação.
A síndrome de Jacó. Não me surpreendo mais quando, num inesperado momento de franqueza pessoal, alguém aparentando segurança confessa que quando pequeno seus pais lhe negaram afirmação ou que se sentiu rejeitado por outros, resultando disso uma vida inteira de esforço pela aprovação.
Atravessamos a vida à procura de um pai, mãe, irmã ou irmão mais velho substituto, ou de uma autoridade que nos diga, afinal, que estamos OK.
O Senhor tinha grandes planos para Jacó. Por isso, tão logo o levou para longe da aceitação limitada de Isaque e do domínio de Rebeca, ele começou a moldar o homem a fim de tomá-lo no que deveria ser. O Senhor sabia que o que Jacó mais ansiava era a sua bênção.
A caminho de Padã-Arã Jacó certa noite sonhou com uma escada firmada na terra, e que se estendia até o céu, na qual os anjos de Deus subiam e desciam. A mensagem era clara: a glória de Deus descia até Jacó e este era elevado à presença do Senhor, introduzido ao esplendor da glória de Deus. O de que o jovem obstinado precisava era da plenitude de Deus para encher o seu vazio. No sonho, o Senhor assegurava-lhe um direito de primogenitura mais importante — de recebedor das promessas dadas a Abraão e a Isaque.
Jacó não esperava encontrar-se com o Senhor sob as estrelas em Luz. Aparentemente, em casa ele nutria pouca ou nenhuma fé. Não sabia que precisava dela até ter de encarar a vida sozinho. O Senhor, para quem todas as coisas são possíveis, sempre tem de conduzir as pessoas sagazes, de vontade forte, a um lugar de solidão frente ao impossível, de modo que possa revelar-lhes o seu poder.
O sonho de Jacó emocionou-o profundamente. Ele erigiu um altar e o chamou de Betel, que quer dizer "Casa de Deus". Jacó começava a sentir os primeiros sintomas da sensação de ser abençoado.
Percebem-se esses sinais em seu encontro com Labão. Seu tio era um embusteiro dos maiores! Mas Jacó trabalhou árdua e honestamente para ele. Apaixo¬nou-se por Raquel, filha de Labão. Verdadeiro à sua maneira, Labão não ofereceu salário, mas pediu que Jacó fizesse uma proposta. Jacó ofereceu-se para trabalhar sete anos pela mão de Raquel. Labão aceitou, mas não gostou da idéia de a filha mais jovem, Raquel, se casar antes de Lia, a irmã mais velha. Jacó deu um duro pela mão de Raquel. "Serviu Jacó sete anos; e estes lhe pareceram como poucos dias, pelo muito que a amava" (Gênesis 29:20).
Completados os sete anos, Jacó exigiu sua amada Raquel. Labão ofereceu um festa de casamento e, tarde da noite, enviou Lia para a tenda de Jacó, em lugar de Raquel. A festa deve ter tido bebedeira mais que suficiente, pois Jacó não percebeu a troca até de manhã, com o casamento já consumado. Estranha ironia — reminiscências da fraude que realizara no intento de obter o direito de primogenitura.
Jacó ficou furioso. Labão, o embusteiro, manobrara melhor que Jacó, o manipulador. Labão convenceu-o a trabalhar outra semana, antes que ele pudesse se casar com Raquel, isto é, trabalhar mais outros sete anos para mantê-la, e seis anos mais! Esses treze anos foram prósperos e produtivos, mas não sem conflitos entre as mulheres da sua vida. Raquel e Lia estavam sempre lutando pelas afeições de Jacó. Para Raquel, isso era um tanto difícil, pois foi estéril durante os primeiros anos de casamento, enquanto Lia deu a Jacó seis filhos e uma filha. Esse fato impeliu Raquel a ter dois filhos por intermédio da criada que deu a Jacó. Sem querer ser sobrepujada, Lia, numa época em que parou de conceber por algum tempo, deu a Jacó sua criada para mais dois filhos. Com estes, eram dez. Por fim, Raquel teve José que se tomou o filho favorito do pai. Jacó deu a José toda a atenção que seu pai Isaque lhe negara e que quase o arruinou quando rapaz.Com o tempo, Raquel morreu ao dar à luz o seu segundo filho, Benjamim.
Completados os longos vinte anos, Jacó sentia-se intranqüilo. Havia um assunto não terminado em seu coração. Não fora capaz de esquecer o que havia feito a Esaú, e ansiava por retornar ao lar. Não foi fácil fugir de Labão, que a essa altura havia constatado que a grande prosperidade de Jacó devia-se à bênção do Senhor. Labão não desistiria de tudo sem luta. Outra vez tentou enganar a Jacó. Labão maquinou outra trapaça. Tomou todos os cordeiros e as cabras que pertenciam a Jacó e ocultou-os em algum lugar a três dias de jornada dali. Assim Jacó teve de partir do nada novamente, mas desta vez com algo mais que a sua astúcia contra a de Labão. O Senhor era com ele, e Jacó sabia disso. Quando ele acasalou os cordeiros, nasceram malhados e salpicados. A estes acasalou o rebanho forte e os separou de Labão. Quando ele contou a Raquel o que acontecera, deu a Deus a glória. O Jacó obstinado aprendia que com Deus todas as coisas são possíveis. Ele estava pronto a obedecer à voz do Senhor, quando este lhe ordenou que retomasse à terra de seus pais e deu--lhe a segurança de que estaria com ele.
Deus o estava preparando para um encontro muito decisivo, não apenas com Esaú, mas com ele próprio.Seria improvável que Jacó estivesse preparado para o que Deus lhe reservara em sua viagem de volta ao lar, se ele não tivesse suportado as provações e sido forçado a perceber que o Senhor — não sua garra, tutano ou astucia — tor¬nou possível os triunfos.
Em qualquer de nós, a transformação espiritual se dá com len¬tidão.Havia dentro de um Jacó obstinado duas naturezas em conflito, uma nova e outra velha.
Aceitação. Jacó tinha necessitado da aceitação de Esaú toda a sua vida. O que ele não percebia era que apenas Deus era capaz de dar-lhe esse presente precioso. Quando aceitamos a dádiva da aceitação de Deus, ficamos isentos de reclamá-la ou de manipular pessoas para assegurar o seu fluxo. E é exatamente isso o que aconteceu a Jacó na noite do seu encontro com Esaú.
Uma combinação de medo, culpa e uma vida de astúcia manipuladora opunha-se à presença e ao poder de Deus na vida de Jacó. Você sabe como é isso? Você já reviveu o passado, com cada fracasso a desfilar diante dos olhos da sua mente? Você já levantou no meio da noite em estado de pânico e se ajoelhou perante o Senhor, perturbado pela preocupação? Então saiba, como eu já sei, o que é ter o Senhor a batalhar pelo domínio de sua vontade até que você permita que ele perdoe o passado e assuma o governo do futuro.
E vivido o relato de Gênesis 32:24-32 desta batalha pelo coração de Jacó. A Escritura informa que um homem entrou em luta cor¬poral com Jacó durante toda a noite. Chamou ele o lugar de Peniel, que sig¬nifica "a face de Deus", e disse: "Vi a Deus face a face, e a minha vida foi salva". Na realidade, sua nova vida só estava no princípio. Quando a noite decisiva do encontro chegou ao final, Jacó tinha a coxa aleijada.
Jacó não permitiu que o Senhor se fosse, até que este o abençoasse. Esta era a sua maior necessidade desde a infância. A reação do Senhor foi dar-lhe um novo nome. Não mais Jacó, o suplantador, mas agora Israel, que quer dizer "Deus luta". Esta é a saída para o novo homem emergir do velho Jacó. Deus teria de lutar e sempre lutaria com, por e a favor dele e de seus descen¬dentes.
Ele sabia que esse era o encontro decisivo de sua vida e não queria que ele passasse deixando-o não abençoado de novo. Deus era a única pessoa que Jacó não podia manipular. Ele deu a bênção pela qual Jacó ansiava, porque é sua natureza abençoar. Jacó nada fez para merecê-la ou ganhá-la. Na realidade, por toda a sua vida até aquela noite auspiciosa ele já havia feito tudo o que podia para negá-la. Agora ele tinha uma coxeadura que o faria lembrar que Deus não apenas tocara a sua coxa, mas também o mais íntimo de seu coração.
O manipulador obstinado se tomara disposto a ser moldado pelo Pai eterno. Daquele dia em diante percebemos compaixão, bondade, sinceridade e receptividade em Israel. Ele já não tinha que se empenhar para ser amado. Ele havia recebido a bênção.
Quando a luta chegou ao fim e o sol da manhã ergueu o véu da noite, Israel levantou os olhos e viu que Esaú se aproximava. A Escritura não menciona nenhum espasmo de pânico em Israel dessa vez. A luta com o Senhor havia efetuado uma transformação. Israel permitira que Deus o abençoasse e, por conseguinte, sentia-se livre para receber a bênção de Esaú. E uma cena de ternura. Esaú, com graça notável, correu ao encontro de Israel e atirou-se ao seu pescoço, beijando o irmão, e as lágrimas escorriam de ambos. Em seguida, Israel disse algo que revela a expressão de um coração abençoado: "Vi o teu rosto como se tivesse contemplado o sem¬blante de Deus; e te agradaste de mim" (Gênesis 33:10).
O que tudo isso significa para mim e para você? Três coisas importantes. Primeiro, todos os nossos esforços para ganhar e obter a bênção de outros jamais hão de preencher o nosso vazio interior em forma de Deus. Somente a afirmação de Deus pode construir uma segurança duradoura. O mesmo Deus que lutou com Jacó e o transformou em Israel é o Deus que abençou o mundo em Jesus Cristo. Este viveu, ensinou, morreu, ressurgiu e, no Pentecoste, retornou na pessoa do Espírito Santo, com poder de habitar em nós de modo que pudéssemos nos tomar parte do novo Israel, o próprio povo do Senhor, perdoado, amado e abençoado.
A segunda coisa que Jacó tem para nos ensinar é que, se persistirmos, Deus nos dará um novo nome que significará a nova pessoa que ele pretende que sejamos.. Que característica traduz o oposto do que você era antes de permitir que o Senhor o aben¬çoasse? Se a longa noite de embate com Deus ainda está à sua frente, imagine a pessoa que você deseja ser, se já está de antemão seguro da afirmação e aceitação de Deus. Em seguida, permita que o Senhor lhe dê um novo nome. No que me diz respeito, uma pessoa cuja insegurança de meninice desenvolveu uma resolução obstinada de vencer pelo esforço humano e manipulação, meu nome seria "Lloyd, o indefeso, afirmado". Não preciso mais estar na defensiva. E você?
Finalmente, uma pessoa afirmada se toma uma pessoa afirmadora. Rompemos o ciclo humano de amor reservado e nos tor¬namos amantes generosos dos não abençoados do mundo. E, desde que a experiência psicológica da maior parte das pessoas as tem deixado com uma necessidade desatinada de afirmação, podemos nos importar com elas e falar-lhes da única bênção que satisfaz permanece e dura. O inventário a seguir determina até que ponto você permitiu que Deus o abençoasse.
1. Existe em você a sensação permanente e profunda de ter a estima de Deus como uma pessoa especial a serviço dele?
2. Você já aceitou o seu perdão e amor libertador em Cristo?
3. Você possui a segurança de que nada do que você possa fazer impedirá a Deus de continuar a amá-lo?
4. Você já avaliou os prós e os contras de sua infância e aceitou o que seus pais e pessoas mais achegadas fizeram ou não fizeram por você?
5. Você é capaz de abandonar o passado e permitir que Deus o abençoe agora e no futuro?
6. Você está disposto a permitir que a bênção da afirmação de Deus o torne um afirmador, alguém abençoado para ser uma bênção?
7. Você é capaz de subjugar a sua vontade e permitir que Deus o faça disposto a estar disposto para fazer a vontade dele como um afirmador?
8. Você vai perguntar a Deus quem ele colocou em sua agenda para que receba de você uma bênção?
9. Você está disposto a se entregar a essas pessoas — a empregar tempo, energia e recursos para ajudá-las a certificarem-se de seu amor e da graça de Deus?
10. Você vai aceitar o novo nome que Deus tem para você — ao se concentrar em seu novo propósito e poder para transformar-se na pessoa que deve ser? Se você disse sim a estas perguntas, você não é mais um lutador obstinado contra Deus, mas um Israel por quem Deus lutará, a quem abençoará e continuará a abençoar por toda a vida — agora e para sempre.
sábado, 30 de maio de 2009
O Senhor do impossível - Lloyd John Ogilvie
Postado por
DAVI E AMY
às
15:05
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