segunda-feira, 4 de maio de 2009

A igreja de Laodicéia

"Estou totalmente convencido de que a indiferença não se origina por sermos fatigados pela dor, mas sim pelo prazer. É por isso que vivemos na bancarrota em meio à abundância".

Ravi Zacharias

De volta à Ilha de Patmos. Ao lançar-se sobre os pés do Salvador Transfigurado, Jesus começou a falar com João. Nos momentos que se seguiram, Jesus entregou sete das mais puras mensagens que um ser humano esperaria ouvir. Dirigidas a sete igrejas, essas cartas tornaram-se os 51 versículos de Apocalipse 2 e 3.

Muitos estudiosos concordam que essas sete igrejas representam a história da Igreja Cristã. Se isso for verdade, a palavra dada à Laodicéia é uma mensagem extremamente importante para os cristãos de hoje.

Não há dúvidas de que estejamos desfrutando do nosso melhor momento. Nunca na história do Cristianismo houve tantas conversões, tantas igrejas e tanto dinheiro para os empreendimentos evangélicos. Os cultos nunca estiveram tão cheios. O Cristianismo permeia todos os aspectos da vida moderna.

O Cristianismo está florescendo ao redor de todo o mundo. O Evangelho é apresentado em todo o globo via satélite. A Palavra é pregada na televisão vinte e quatro horas por dia. As rádios cristãs cobrem todo o planeta.

Pessoas brilhantes em posições estratégicas, que acreditam no que fazem, têm dedicado sua vida e suas habilidades para difundir o Evangelho. Os estrategistas têm estabelecido um plano de batalha para ganhar o mundo para Cristo - e está funcionando! Idéias inovadoras estão surgindo. Igrejas têm aberto suas portas aos céticos e suspeitos. Psicologos cristãos estão trazendo credibilidade moderna a uma Igreja cansada de combater o antigo esteriótipo dos "guerreiros bíblicos" sem educação. Os ganhadores de alma apresentam uma mensagem positiva a respeito das bênçãos de Deus para os Seus filhos. Bandas cristãs de rock tornam o discipulado barulhento e divertido.

Decerto as coisas não poderiam parecer melhores para a Noiva de Jesus Cristo! Parece que só nos resta o Arrebatamento e irmos para casa, para uma recompensa bem merecida, deixando o resto do mundo se virando sozinho durante a Grande Tribulação.

Esta situação era muito parecida com a da comunidade de Laodicéia, no fim do primeiro século. O futuro parecia promissor aos cristãos que guardaram a fé enquanto mantinham um estilo de vida confortável.

Laodicéia era o centro comercial de um vale rico e fértil. Uma vez que aquela igreja não estava sob nenhum tipo de perseguição, tudo lhes corria bem.

Em comparação, as pequenas congregações de Esmirna e Filadélfia deviam abominar as atitudes do rebanho de "super crentes" em Laodicéia! Os santos em Esmirna, conhecidos por sua pobreza e necessidade, obviamente não estavam desfrutando das "bênçãos de Deus". A principal característica do rebanho de Filadélfia era a sua falta de poder. Sem dúvida, seus ministros não possuíam todo aquele carisma e pregações coloridas, cheias de entretenimento. Para os santos de Laodicéia, as congregações de Filadélfia e Esmirna estavam definhando e morrendo, incapazes de compartilhar e ter influência. Se considerássemos apenas sua aparência exterior, ambas eram fracassos totais.

Como seria possível que Jesus não tivesse nada de bom para dizer à próspera congregação em Laodicéia, e, por outro lado, só elogiasse oprimidos de Esmirna e Filadéfia?

Os laodicenses consideravam que sua condição abominável era uma perspectiva completamente positiva; não percebiam sua verdadeira condição espiritual. Quase podemos ouvir o jpubilo em suas vozes ao se gabar: "Somos ricos e abastados e nada tem nos faltado! A interferência por trás disso era: "Deus está nos abençoando!" Essa mentalidade otimista devia ser constantemente reforçada pelo sucesso que desfrutavam individualmente e como comunidade. Eles provavelmente consideravam sua "atitude mental positiva" como sendo fé. Estavam felizes e tudo lhes ia bem. Não queriam saber de "pregações negativas". Em meio à paz e prosperidade a última coisa que queriam ouvir era uma mensagem de "arrependimento e mortificação".

Mas o Senhor disse aos laodicenses algo que "não sabiam". Jesus, o Onisciente, não via as coisas da mesma forma que eles. Sua resposta ao engano deles foi: "Você diz: "Estou rico, adquiri riquezas e não preciso de nada". Não reconhece, porém, que é miserável, digno de compaixão, pobre, cego, e que está nu"(Apocalipse 3:17). Em sua misericórdia, Ele os expôs. Tratava-se da mesma verdade que se dissera anteriormente a um homem ambicioso: "Cuidado!Fiquem de sobreaviso contra todo tipo de ganância;a vida de um homem não consiste na quantidade de seus bens" (Lucas 12:15).

Veja como Jesus tratou diferente os santos de Esmirna - a quem chamou de "ricos", mesmo em meio à pobreza - e os de Filadélfia, a quem elogiou por sua fidelidade em meio à perseguição. Esses santos, maduros, poderiam ter ensinado aos prósperos irmãos de Laodicéia o que é Cristianismo. É verdade, eles apresentavam um pequeno sucesso. Mas é pouco provável que tivessem reuniões lotadas de gente. Seus cultos talvez não agregassem mais do que um punhado de crentes. Ainda assim, esses amados eram "ricos para Deus", enquanto o povo de Laodicéia era "miserável, digno de compaixão, pobre, cego, e está nu".

Uma igreja mundana não concebe a idéia de sucesso como Jesus o faz. Ela vê o sucesso exterior e suas armadilhas - grandes edifícios, contas bancárias luccrativas e multidões de seguidores idólatras. Jesus vê o caminho estreito para a Cruz e, as qualidades interiores de uma vida piedosa, de humildade e real devoção para satisfazer as necessidades dos outros.

A prosperidade tende a cegar-nos quanto à nossa decadência espiritual, e cria uma falsa sensação de bem-estar e segurança eterna. Quando os laodicenses examinavam-se, enxergavam apenas o favorecimento e as bênçãos divinas. Isso deixava-os com uma atitude de "não tenho falta de nada". Tudo parecia bem porque não havia problemas. Era fácil ser um seguidor de Cristo assim.

Jesus preescreveu um colírio (a verdade) para curar a cegueira deles. A verdade revelaria o quão espiritualmente míopes estavam; mostrar-lhes-ia sua notável irreverência a Deus e o quão intimamente aliados com o inimigo estavam.

Sobre a sua condição Jesus disse: "Conheço as suas obras, sei que você não é frio nem quente. Melhor seria que você fosse frio ou quente! Assim, porque você é morno, não é frio nem quente, estou a ponto de vomitá-lo da minha boca" (Apocalipse 3:15-16). Eles andavam de um lado para o outro: ora amando a Jesus, ora amando ao mundo. Os crentes de Laodicéia não se opunham ao Evangelho, mas também não O abraçavam por completo. Não estavam pecando descaradamente, mas também não se esforçavam para alcançar qualquer santidade. Faziam tudo direitinho para não escandalizar principalmente os incrédulos, que se tornariam membros em breve. Tinham sucesso em suas programações, mas nenhuma manifestação do poder divino.

A cultura evangélica moderna

Como a Igreja do século 21 assemelha-se a essa próspera congregação! O Evangelho que saiu da moda, aquele que deveríamos estar pregando, foi adulterado para ajustar-se à nossa rotina cheia de compromissos e numerosos momentos de lazer. Enfatizando apenas determinados ensinos bíblicos e - o mais importante - negligenciando outros, conseguimos criar um novo evangelho, adequado ao nosso estilo de vida.

Lamentavelmente, nossa entrega a Cristo não exige mais nada, não espera qualquer sacrifício, não produz qualquer recompensa eterna. O Leão de Judá foi anestesiado, amputado e domesticado. Reduzimos o Todo - Poderoso a uma figura inofensiva, honrada mecanicamente em nossa vida tão ocupada. A visão de um Deus Santo, Fogo Consumidor, de um Juiz que um dia retribuirá sua justa recompensa a cada um, praticamente desapareceu da Igreja moderna. Cauterizamos tanto o Cristianismo que, agora, tratarmos o Senhor como se fosse o velho cachorro da família, deixando-O entrar na Igreja uma vez por semana. Acariciamos Sua cabeça e, depois do culto, mandamo-lo de volta ao quintal com um osso para roer. Podemos até Lhe render alguns louvores de vez em quando, por uma questão de consciência, mas não há nenhuma sinceridade em nossas palavras. Cantamos músicas de adoração, mas raramente ultrapassamos a emoção que as letras nos trazem. Demonstramos certa espiritualidade, mas sem nenhum poder. Honramo-Lo com os lábios, mas nosso coração está bem longe d´Ele. Ai dos que fazem parte desta geração de Igreja!

As palavras de confronto são descartadas, o toque de trombeta contra o pecado nunca é ouvido.

Por que tantos estão errando o alvo? Talvez seja porque acreditamos apenas no que queremos e ouvimos somente o que nos agrada. Se um homem de Deus tentar equilibrar as coisas, logo é taxado de "desiquilibrado"!

Essa diluição da verdade espiritual tem sido tão gradual, que não foi detectada, nem mesmo por aqueles que dizem possuir discernimento espiritual. Senhor, levanta alguém que se posicione e denuncie esse engano ao som de trombetas!

Leonard Ravenhill disse com muita sabedoria: "A igreja tem sido anormal por tanto tempo que, quando se torna normal, todos acham que está anormal". Ou como Watchman Nee comentou: "Quando o cristão mediano fica com a temperatura acima do normal, todos pensam que ele está com febre". Não que todo cristão esteja nesse caminho, mas o padrão mais baixo está agora sendo aceito como normal.

O cristianismo moderno tem-se satisfeito tanto com seu evangelho alternativo que as pessoas deixaram de ter fome pelo verdadeiro. Temos comido "hambúrgueres e doces" suficientes para deixar-nos sem fome. E quem é responsável por criar e promover os "hambúrgueres e doces" espirituais? É isso mesmo, o diabo, também conhecido como o kosmos, que fará de tudo para não deixar que percebamos nossa necessidade urgente de alimento sólido.

A Igreja moderna está na mesma crise que os crentes de Laodicéia. "Como posso afastar-me das venenosas influências do mundo?", perguntamos: "Quanto do mundo posso ter e ainda ir para o Céu?"

Olhos de amor

Quando Jesus ia saindo, um homem correu em sua direção e se pôs de joelhos diante dele e lhe perguntou: "Bom mestre, que farei para herdar a vida eterna?" Respondeu-lhe Jesus: "Por que você me chama bom? Ninguém é bom, a não ser um, que é Deus. Você conhece os mandamentos: "Não matarás, não adulterarás, não furtarás, não darás falso testemunho, não enganarás ninguém, honra teu pai e tua mãe". E ele declarou: "Mestre, a tudo isso tenho obedecido desde a minha adolescência". Jesus olhou para ele e o amou. "Falta-lhe uma coisa", disse ele. "Vá, venda tudo o que você possui e dê o dinheiro aos pobres, e você terá um tesouro no céu. Depois, venha e siga-me". Diante disso ele ficou abatido e afastou-se triste, por que tinha muitas riquezas. Jesus olhou ao redor e disse aos seus discípulos: "Como é difícil aos ricos entrar no Reino de Deus!" (Marcos 10:17-23)

Esse jovem cumpria todos os requisitos óbvios da religião. Se sua história fosse adaptada para os dias de hoje, nós o encontraríamos na lista de membros de alguma igreja local, mantendo as aparências. Ele estaria no culto todas as semanas, jejuando fielmente. Beber, falar palavrão e deitar-se com mulheres estaria fora de cogitação. Seria um bom homem aos olhos de seus vizinhos e um excelente profissional. Mas algo estava faltando. Somente os olhos penetrantes de Jesus o detectariam.

Com ternura indizível e envolvente compaixão, Ele disse: "Falta-lhe uma coisa. Vá, venda tudo o que você possui e dê o dinheiro aos pobres, e você terá um tesouro no céu. Depois, TOME A SUA CRUZ e siga-me". Assim desvaneceu o brilho e o súbito interesse do semblante do rapaz. Ele entristeceu-se - com a PALAVRA de Deus - e foi embora, arrasado.

Que tristeza foi essa que lhe sobreveio? É simples: o "amor deste mundo" e o apego a seus bens materiais. Quando se lhe foi revelada a cruz, esse amor incontrolável pelo mundo teve o poder para impedi-lo de receber a vida eterna, abandonar o Jesus que o amava, e conduzi-lo novamente à vida de casado com o mundo.

O "engano das riquezas" faz a pessoa pensar que está vivendo para Deus, quando na verdade está vivendo para as coisas do mundo.

A prosperidade torna o coração humano muito suscetível ao engano. Os laodicenses viam-se como espirituais de que nada precisavam, materialmente. E aqui mora o perigo para você, leitor: o poder do engano, que leva as pessoas a serem indiferentes, é o mesmo poder que o fará desconsiderar, rapidamente, a mensagem deste capítulo. Será que você é um dos laodicenses?

A Pérola de Alto Preço, encontra-se em pé, batendo à porta, pedindo-nos para "vendermos tudo" se quisermos tê-Lo. Esse "tudo" são as coisas do mundo que sufocam o nosso amor por Ele. Sua voz está implorando: "Você se divorciará das coisas do mundo que o afastam de Mim e Me seguirá de todo o coração?"

O jovem rico ignorou esses olhos e essa voz. Não estava disposto a dizer "sim" para o Senhor. Os laodicenses, igualmente indispostos, foram menos honestos consigo mesmos, mas seu engano não alterou a realidade de que rejeitavam a Cristo. A igreja deles já existia há 40 anos e, agora, estavam oscilando entre Jesus e o kosmos. O Jesus que tanto os amava disse-lhes a verdade, como um marido desprezado que faz seu último apelo. A igreja com o coração dividido não podia mais oscilar. Chegara o momento de decidir o que queriam. Ou respondiam à batida e abriam a porta, ou Ele os vomitaria.

Precisamos começar com uma avaliação honesta da nossa condição espiritual. Não podemos mais adiá-la. Este é o dia e esta é a hora para a confissão e o arrependimento. Que o clamor de nosso coração continue sendo: "Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração; prova-me, e conhece as minhas inquietações. Vê em minha conduta algo que te ofende, e dirige-me pelo caminho eterno" (Salmo 139: 23-24).

MEDITAÇÃO NAS ESCRITURAS E ORAÇÃO

Se estais mortos com Cristo quanto aos rudimentos do mundo, por que vos sujeitais ainda a ordenanças, como se vivêsseis no mundo? (Colossenses 2:20 - ECA)

SENHOR, AGRADEÇO-TE POR TERES ABERTO MEUS OLHOS PARA ENXERGAR O QUÃO MORNO TENHO SIDO. ESTOU TENTANDO VIVER O CRISTIANISMO E O MUNDO AO MESMO TEMPO. DEUS, LIBERTA-E DESTE ÂNIMO DOBRE MISERÁVEL! ARREPENDO-ME DA MINHA APATIA E DO MEU EGOÍSMO. POR FAVOR, CONDUZ-ME AO PODER DE DEUS! EM NOME DE JESUS. AMÉM.

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