DEIXE DEUS SER DEUS José
É desconcertante ver como a vida torna algumas pessoas tristes e outras graciosas. Duas pessoas podem atravessar o mesmo vale de circunstâncias desanimadoras. Uma sai com ressentimento e desânimo, a outra com renovado vigor e alegria. Para alguns, a tragédia os edifica; mas para outros, os desmorona. Alguns crescem; outros murcham. Por quê?
O que acontece a nossos sonhos pode nos tomar rudes ou afáveis. Todos nós possuímos planos, esperanças e perspectivas para a vida. Raras vezes eles chegam a se concretizar do modo exato como antecipamos. Não obstante, alguns superam os contratempos na realização de seus sonhos certos de que Deus está elaborando um plano mais importante, enquanto outros imobilizam-se pela derrota, mergulham em amarga auto-incriminação ou culpam as pessoas ao seu redor pelas desigualdades da vida. O ponto em questão é: como você procede quando as circunstâncias parecem se opor aos seus sonhos mais acalentados? Ou, como uma mulher perguntou indignada: "O que você faz quando a vida lhe dá um duro golpe?"
Veja o que acontece a alguns de nós. Deus nos chama para ser sonhadores. Ele deseja dar-nos uma visão do que a vida pode ser. Em seguida, mediante a nossa oração perseverante, ele nos oferece uma chamada especial que se ajuste com perfeição aos talentos que nos concedeu e aos dons espirituais que nos confiará. Forma-se em nossa mente um quadro de nosso destino. Sua chamada ressoa em nossa alma. Firmamos um compromisso de seguir o Mestre até às aventuras mais sublimes. E, então, as circunstâncias adversas se levantam qual nevoeiro a nos separar do calor e do esplendor do sol. O que aconteceu? Deus inverteu a sua orientação?
Era nosso sonho apenas auto-engrandecimento?
Uma das lições mais difíceis e de maior desafio na escola da obediência e da fé, é que o Deus que concede o sonho também prepara o sonhador para concretizá-lo. O que atravessamos quando nos movemos em direção aos alvos que Deus nos dá, foi idealizado com perfeição para formar grandes pessoas, capazes de lidar com um grande sonho. Esta é a importante verdade que José tem para nos ensinar.
Faça um presente a si mesmo. Leia os capítulos trinta e sete até o cinqüenta de Gênesis. Conheça um dos mais notáveis sonhadores do Antigo Testamento.
Enquanto acompanhamos a peregrinação de José, vemos cinco poderosas diretrizes para sonhadores desapontados.
A primeira é: Deixe Deus ser Deus de seus sonhos. José, um jovem de dezessete anos, era o filho favorito de Jacó. O patriarca criou o rapaz com um sentimento de que ele era especial e querido, e lhe deu um senso de destino. A sua fé foi bem alicerçada no que aprendeu dos encontros de seu pai com Deus. José possuía confiança própria, mas era uma segurança próxima à arrogância. O favoritismo de Jacó chegou ao cúmulo de dar a José uma longa túnica, com a qual ele andava nos arredores, orgulhoso feito um pavão. Ela simbolizava a aristocracia e a isenção de trabalho árduo. A túnica inflamava o ciúme dos irmãos de José.
Nem José nem seus irmãos estavam preparados para o sonho que ele teve certa noite. O Sol, a Lua e onze estrelas se curvavam ao sonhador. Para um rapaz de dezessete anos, este é um sonho envaidecedor.
Faltou-lhe a humildade para refletir em silêncio no seu coração. Em vez disso, ele contou o sonho a toda a família. Jacó censurou o filho, mas o sonho já tinha causado dano ao ego conturbado de seus irmãos. A sorte fora lançada e uma coisa terrível estava para acontecer.
Jacó enviara José para supervisionar os irmãos no trabalho de pastorear os rebanhos. Quando estes notaram que José se aproximava, a ira e o ciúme de longo tempo subiram-lhes à cabeça: "Vem lá o tal sonhador!", diziam com desdém. "Vinde, pois, agora, matemo-lo, e lancemo-lo numa destas cisternas; e diremos: Um animal selvagem o comeu; e vejamos em que lhe darão os sonhos!" (Gênesis 37:1920).
Somente a intervenção de Rubem (quem colocou a idéia em sua mente?) salvou a José. "Não derrameis sangue; lançai-o nesta cis¬terna que está no deserto, e não ponhais mão sobre ele" (Gênesis 37:22).
Enquanto José gritava, suplicando por so¬corro, os irmãos comiam pão. Nada, senão o próprio homicídio poderia ter expressado melhor o sentimento deles. Uma refeição para celebrar a morte de um irmão!
Mas os desígnios de Deus eram outros. Uma caravana de ismaelitas que ia de Gileade para o Egito se aproximava enquanto os irmãos saboreavam a refeição. Ah! a singular estratégia de um Deus capaz de fazer descobertas felizes! Agora, Judá alia-se a Rubem em sua advertência. "De que nos aproveita matar o nosso irmão e esconder-lhe o sangue? Vinde, vendamo-lo aos ismaelitas; não ponhamos sobre ele a nossa mão, pois é nosso irmão e nossa carne" (Gênesis 37:26-27). José foi vendido.
Você poderia esperar uma série de circunstâncias mais adequadas para contradizer um sonho? Penetre na mente de José levado embora. Sinta o que ele sentiu ao agachar-se cautelosamente em volta da fogueira do acampamento dos ismaelitas à noite. Passe a viver através de noites de solidão e dias exaustivos, da perspectiva de um rapaz de dezessete anos, assustado, só e com saudades de casa. E, contudo, o primeiro passo da preparação do sonhador para o cumprimento do seu sonho havia começado. Grandes coisas Deus reservara para José.
A arrogância devia ceder ao caráter, a autoconfiança à dependência e confiança em Deus apenas. Nada havia de acontecer com José que o Senhor não usasse para torná-lo num útil instrumento.
Deixar Deus ser Deus de nossos sonhos é reconhecê-lo como a fonte da visão para a nossa vida. Quando Deus dá uma esperança e uma expectativa, estas devem ser-lhe devolvidas para que a seu tempo, e segundo o seu plano se realizem. José interpretou mal o seu sonho. Ele seria abençoado para que pudesse ser uma bênção.
Após a comunicação do sonho, convinha que se seguisse a trans¬formação do sonhador. Deus cerra e abre portas. Ele sabe o que faz.
É surpreendente como cada geração deve aprender por si mesma. A única coisa que Jacó não havia sido capaz de partilhar ao filho era que, na luta com o Senhor, o Senhor sempre vence.
Isso nos leva à segunda parte da história de José e à outra verdade que podemos aprender com ele — Deixe Deus ser Deus quando as circunstâncias parecem contestar o seu sonho. José foi vendido a Potifar, comandante da guarda pessoal de Faraó. Embora jovem, José alcançou poder e prosperidade e ficou encarregado de toda a casa do oficial egípcio e de tudo o que tinha. Mais uma vez as circunstâncias pareciam contra o sonhador. Ele foi preso sob falsa acusação. O Senhor era a segurança e o centro de sua vida. Nenhuma circunstância seria capaz de con¬tradizer esse fato. José aprendeu que não achamos a Deus nas circunstâncias; nós é que o trazemos às nossas circunstâncias. A graça de Deus é maior que a aflição da vida.
Nossa oração não deve ser por vidas fáceis, mas por vidas capacitadas por Deus, que se tornam grandes pela sua graça. Algumas dificuldades são, sim, o resultado de rebelião e desobediência, mas se confessarmos a nossa falta poderemos então prosseguir para as questões elevadas que ampliem e abram os nossos corações o bastante para conter o Espírito de Deus.
A grandeza no Espírito surge da confiança e da antecipação. Quando realmente cremos que o Senhor está no comando, podemos descansar na certeza de que seus planos prosseguem através do que está acontecendo conosco e ao nosso redor.
O Senhor é com você. Podemos assumir qualquer coisa com base nesse conhecimento.
A capacidade de José para a liderança, mais seu caráter e per¬sonalidade compelidores e cheios de Deus, atraíram o carcereiro. Uma vez mais ele subiu ao poder, dessa vez como encarregado de todo o cárcere! Deus possui senso de humor, não é verdade?
Que lhe parecem essas situações preparadas por Deus para nos compelir ao sonho que ele nos deu? Tanto o padeiro como o copeiro tiveram sonhos. O sonho estratégico arranjado por Deus foi o do copeiro. Em seu sonho havia uma videira com três ramos que produziam uvas. Ele tomava o copo de Faraó, espremia nele as uvas e dava o vinho a Faraó. José, o sonhador de Deus, num instante fez a interpretação: em três dias o copeiro seria solto e voltaria a servir a Faraó. E aconteceu. Agora, dois anos mais tarde, o copeiro se achava numa posição decisiva para se lembrar do talentoso e enigmático hebreu que encontrara na prisão, pois Faraó teve um sonho estratégico nos planos de Deus para o Egito, para José e, com o tempo, para o nascimento da nação hebraica.
O copeiro lembrou-se de José e mencionou-o a Faraó. Concedida a audiência, José informou a Faraó que não possuía poderes de interpretação de sonhos, mas servia a um Deus poderoso. José aprendera uma dura lição através do sofrimento. O que vemos diante de Faraó é um homem dependente de Deus, que permitira que Deus fosse o Senhor de seus próprios sonhos. A arrogância dos anos anteriores se fora, deixando em seu lugar a humildade que apenas o sofrimento é capaz de produzir.
0 Egito teria sete anos de prosperidade, seguidos de sete anos de escassez.
Faraó ficou tão surpreso com o discernimento de José e com a aplicação prática, que o fez primeiro-ministro, vice-governador de todo o Egito, segundo no poder!
Gostaria de salientar o que Deus está tentando nos transmitir nesse ponto da história de José. Ele não apenas nos dá sonhos e nos prepara para vivê-los, mas a outros também concede sonhos que se ajustem aos nossos e nos levem para a frente, cumprindo assim os seus propósitos para a nossa vida. O Senhor está sempre pronto a desdobrar as necessidades de uma pessoa a fim de cumprir seus propósitos em outra. Pense nas pessoas que chegaram na hora certa para nos ajudar. Algumas eram amigas, outras hostis. Mas Deus a todas usou.
Chegamos, assim, à terceira grande descoberta em nosso estudo da vida de José — deixe Deus ser Deus nos sucessos da vida. Em nenhuma época, no relato de sua magistral liderança do Egito, ele usou o poder para o seu próprio engrandecimento. Serviu a Deus ao servir o Egito, como se sua tarefa fosse nomeação divina. Construiu celeiros e os preparou para os tempos de fome. Ao fazer isso, ele salvou ao Egito e a todos os povos circunvizinhos nos anos de escassez.
Deus dá sucesso espiritual aos que lhe dão a glória.
Há épocas de triunfo, bem como de turbulência na vida cristã. Podemos agradecer ambos a Deus.
A fome que atingiu o Egito também devorou Canaã. Jacó foi forçado a enviar seus filhos ao Egito em busca de trigo. O temor de que algum mal lhes sobreviesse fê-lo reter o filho mais jovem, Benjamim, único remanescente de sua amada Raquel. Isso nos leva ao ponto seguinte, no qual se desenrola a parte final do sonho de José, e também a outro discernimento — deixe Deus ser Deus sobre os fracassos dos que frustraram os sonhos que ele lhe deu.
Em sua primeira viagem ao Egito para comprar comida, os irmãos de José não o reconheceram. Imagine o misto de sentimentos que se apossou de José ao avistar seus irmãos — os mesmos que no auge do ódio e ciúme venderam-no aos ismaelitas! Ele tinha poder para executá-los imediatamente, torturá-los até que admitissem o crime que cometeram, abalá-los ao revelar sua identidade naquele instante. Em vez disso, ele expressa imensa bondade, porém acompanhada de um pouco de humor e intriga. A provação que José impôs a seus irmãos, antes de se dar a conhecer, está de acordo com algumas leis espirituais muito básicas e profundas de relacionamento e reconciliação. Quando permitimos que Deus seja Deus dos pecados de outras pessoas contra nós, devemos servir de mediador do perdão de uma maneira adequada e aceitável.
Isso não é fácil, como se percebe pela forma como José tratou seus irmãos. Era preciso que eles reconhecessem o seu próprio pecado antes que José pudesse oferecer-lhes o perdão. Esse processo o feriu mais que a seus irmãos.
"E como já vos disse: sois espiões" — e acrescentou: — "Nisto sereis provados: pela vida de Faraó, daqui não saireis, sem que primeiro venha o vosso irmão mais novo!" Após lançá-los na prisão por três dias, José jurou-lhes por Deus que manteria um deles na cadeia enquanto os outros fossem a Canaã e trouxessem seu irmão mais novo.
Estranho como as crises de uma nova situação trazem de volta uma culpa não solucionada.
Jacó, ao saber que Simeão fora mantido como refém, foi acometido pela dor e recusou-se a aceder ao pedido do governador do Egito. Mas a fome piorou deixando-lhe pouca escolha. Finalmente, decidiu enviar os filhos de volta ao Egito, levando Benjamim.
José foi brando em sua estratégia por ocasião do segundo encontro com seus irmãos. Ele os cumprimentou de maneira calorosa e, comovido, chorou na presença de Benjamim. Simeão foi solto da prisão e celebrou-se uma grande festa. Gênesis 43:32-34 capta o drama encenado por José. O lugar de José era em uma mesa separada, com os egípcios. Para seus irmãos, dispuseram a mesa com todo o aparato segundo a ordem de nascimento: o mais velho no lugar de honra. Não admira que os irmãos se entreolhassem com espanto. Somente alguém que conhecia a família poderia ter planejado isso! Quem seria esse misterioso vice-governador do Egito? Mas ainda não chegara o momento da revelação. Os irmãos não estavam prontos.
José deu ordens para que todos, exceto seus irmãos, se retirassem. Então, todo o amor e a solidão reprimidos para com sua família se sublimaram em lágrimas e choros tão altos que toda a casa dos egípcios ouviu. Poucas são, nas Escrituras, as exclamações com tanta emoção de dor como do clamor de José a seus irmãos: "Eu sou José; vive ainda meu pai?" (Gênesis 45:3). Ao ficarem espantados ao ponto de perderem a fala, José fez que se aproximassem para constatar que o vice-governador, na verdade, era o irmão que haviam vendido como escravo.
Vendo a culpa estampada na face deles, José suplicou-lhes que não se contristassem ou se indignassem consigo mesmos, mas percebessem que Deus tinha utilizado para bem o mal que haviam cometido.
Quando os irmãos estavam preparados, José concedeu o perdão que havia contido em seu coração. Este, porém, foi dado com a consciência de que Deus usa o pior para produzir o melhor.
Dessa vez os irmãos partiram com provisões completas. A missão deles era trazer Jacó e a família para o Egito. Se o encontro de José com seus irmãos foi triste e emocionante, seu reencontro com o pai haveria de ser o de maior ternura e alegria do Antigo Testamento.
No momento que os dois se encontraram, José abraçou a Jacó "e chorou assim longo tempo". José atravessara uma angústia incrível, esperando por esse momento. Ele confiou em Deus quando tudo parecia impossível. O Senhor do impossível teve a palavra final.
Após a morte de Jacó, os irmãos vieram a José com as derradeiras palavras de instrução do pai: que deveriam buscar o perdão de José. Tal perdão já havia sido concedido, mas o velho e sábio Jacó sabia que os irmãos deviam fazer uma confissão mais clara. A reação a essa confissão tem ressoado através dos tempos como uma das mais belas explicações da providência divina.
Precisamos dar mais importância aos sonhos e visões de nossa vida. Nossa vocação é parte de um plano maior que não pode falhar. Por conseguinte, podemos lidar com os outros de forma mais carinhosa e perdoadora.
Deus usará a vida, as pessoas e as circunstâncias a fim de apressar a realização do sonho que tem para nós.
Os conflitos da vida porventura aproxi¬mam-nos da confiança de José na providência divina? Além disso, tem-nos essa convicção transformado em pessoas perdoadoras e agradáveis? Quando percebemos o carinho com que Deus nos trata, ao mover-nos para frente em direção ao nosso sonho, podemos fazer menos pelos outros? Ele usou a cruz para nos dar a esperança de que além de nossos alvos terrenos temos um destino eterno. E daquela cruz de graça mediadora um, maior que José, disse: "Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que fazem".
Um último princípio abrange todos os anteriores — Deixe Deus ser Deus do futuro, enquanto ele executa o seu propósito maior na história. Quando José expirava, fez uma formidável declaração que ressalta sua confiança inabalável em Deus. "Eu morro; porém Deus certamente vos visitará, e vos fará subir desta terra para a terra que jurou dar a Abraão, a Isaque e a Jacó. . . Certamente Deus vos visitará, e fareis transportar os meus ossos daqui" (Gênesis 50:24-25).
José podia morrer sabendo que nada inverteria a estratégia irrevogável, imutável e impulsionadora de Deus. Podia tirar da mente a preocupação sobre o futuro, porque ele aprendera que Deus é digno de plena confiança.
José é lembrado como um dos maiores homens da história porque permitiu que Deus fosse o Deus de seus sonhos. Ele tornou-se melhor apesar de tudo, em vez de amargo por causa de tudo. E quanto a nós? A vida nos torna azedos ou amáveis? A prova de sermos amáveis é podermos afirmar com José: "Atentem para a vida, meus amigos. Ouçam-me os que vêem os outros como inimigos. O que no momento parece mal, Deus tomará em bem. Eu vou guardar o meu sonho!"
domingo, 31 de maio de 2009
O Senhor do impossível - Lloyd John Ogilvie
Postado por
DAVI E AMY
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06:20
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sábado, 30 de maio de 2009
O Senhor do impossível - Lloyd John Ogilvie
0 LUTADOR OBSTINADO Jacó
Todos nós carecemos dela com desespero. É aquela grande necessidade de todos nós. Nascemos por causa dela e não há alegria que dure sem ela. Ela é para a alma o que o oxigênio é para os pulmões e a proteína para o corpo. Ela é a única fonte de segurança espiritual e saúde psicológica, a base da confiança e da auto-estima. Com ela nos tomamos livres e atraentes; sem ela somos tímidos e obstinados. Ela é o que as pessoas mais esperam de nós, porém não a podemos dar enquanto não a recebemos. Quando não a recebemos de nossos pais, por lhes ter sido negada, despendemos o resto de nossas vidas a exigi-la ou tentando merecê-la. Contudo, nenhum ser humano pode satisfazer ao nosso ardente desejo por ela. Ela é o bem mais precioso da vida.
Que é esse bem tão ansiado, esse poder dinâmico? A bênção. Cada um de nós necessita ser abençoado, sentir-se abençoado e por sua vez se tornar um comunicador de bênçãos.
Dos remotos tempos bíblicos até agora, a bênção de Deus é a plena certeza de que a ele pertencemos, de que ele se deleita em nós e de que ele nos escolheu como o alvo de seu ilimitado amor. Ser uma pessoa abençoada é conhecer, sentir e comprazer-se na firme promessa de Deus, na sua aceitação e aprovação. É a experiência de ser escolhida e estimada, valorizada e apreciada. Uma pessoa abençoada pode dizer, nas palavras de Karl Barth: "Deus é por mim!" com quatro auspiciosas ênfases: Deus é por mim! Deus é por mim! Deus é por mim! Deus é por mim!
Este capítulo é para aqueles que precisam sentir essa bênção, que não conseguem permitir que Deus os abençoe e que são, muitas vezes, mesquinhos para com os outros com a bênção que receberam. É para pessoas como eu e você. O mistério da vida está em resistirmos ao que necessitamos e em desejarmos muitas outras coisas. Assim é que muitos se sentem não abençoados nesta di-mensão mais profunda. Alguma coisa em nós impede a entrada das riquezas das bênçãos divinas. Muitos dos que possuem dons e talentos, oportunidades e sucesso material ainda se sentem não abençoados.
O que significa isso? A síndrome misteriosa da vida consiste em recusarmos a bênção se não nos sentimos abençoados. Se os pais e outras pessoas mais achegadas em nossos anos de crescimento retiveram de nós a bênção, recusaram dar-nos afirmação, aprovação e a plena certeza de sermos especiais, acharemos difícil permitir que Deus nos abençoe. Esta é a razão por que muitos, embora possuindo uma compreensão intelectual da fé e uma confiança sólida em Deus, não sentem o amor divino ou não se apegam a um relacionamento pessoal e familiar com Deus. Se a bênção da afirmação foi recusada em termos humanos, será difícil a sua acei¬tação em termos divinos.
Minha tese é que as pessoas que se sentem não abençoadas se tornam obstinadas. Quanto mais elas se sentem não abençoadas, mais desenvolvem, sem perceber, uma obstinação para manter o autocontrole e guardar-se de ser magoadas. Ocorre exatamente o oposto com as pessoas abençoadas. As pessoas que se sentem afirmadas e amadas são flexíveis, receptivas e dispostas. Mas as não abençoadas se tornam lutadoras obstinadas. Elas se esforçam por obter a bênção de outros, expressa em aprovação e estima, mas amiúde questionam a bênção dos outros e, acima de tudo, resistem à bênção de Deus. Lutar e resistir se torna uma tática de sobrevivência.
A obstinação é uma distorção do dom da vontade. Ela busca o domínio do comportamento, e, para esse fim, faz com que manipulemos os outros e nos tornemos intratáveis. As pessoas obstinadas devem estar no controle. Eles se tornam competitivas e combativas. Em cada situação a pergunta é: "Quem é o responsável aqui?", o que leva a concluir que desejam ser responsáveis e fazer tudo o que for necessário para assegurar que o sejam.
Com o tempo, os lutadores obstinados se arrojam em luta com Deus. Ele então travará combate conosco até que possamos declarar: "Seja feita a tua vontade". Ele nos deixará imobilizados até que finalmente reclamemos a bênção, que ele está mais disposto a dar do que nós a pedir. Ele não ultrapassará o limite de nossa obstinação, mas disporá as circunstâncias da vida, levando-nos ao ponto de reconhecermos que a necessidade de afirmar nosso valor e importância, comparada com a fome de origem divina, não passa de um pequeno desejo que só ele pode satisfazer. Foi exatamente isso o que ele fez por Jacó.
Jacó, filho de Isaque, de vontade forte, impaciente, inseguro e não abençoado, faz que nos vejamos com espanto no espelho. A Bíblia é muito honesta acerca da luta de Jacó para ser abençoado. Um estudo em profundidade dele nos auxilia a identificar nossas lutas e a perceber o que Deus pode fazer com elas. Na história de Jacó vemos o sentimento da falta da bênção, o que acontece quando permitimos que Deus nos abençoe, e a bênção que podemos ser para os outros logo que nos sentimos abençoados.
Jacó e seu irmão gêmeo Esaú eram filhos de Isaque e Rebeca. O primeiro a nascer foi Esaú, mas com apenas segundos de diferença, pois Jacó saiu do útero agarrado ao calcanhar do irmão.Desde o início Esaú foi o favorito de seu pai. Ele veio a ser um caçador, um homem do campo. Tal como Isaque, ele gostava da emoção da caça, da liberdade da aventura e do sabor da carne de animais selvagens. Jacó era o favorito de Rebeca. Dizem as Escrituras que ele era um jovem pacato, que morava em tendas.
O ambiente psicológico da família era de competição pela supremacia. No lar em que o marido e a esposa contendem entre si, a família inteira perde. O favoritismo de um pai por um filho, em geral vem de um casamento muito instável.
O ponto em questão na família de Isaque era qual dos dois filhos teria o direito maior — o direito de primogenitura. Nos tempos bí¬blicos dava-se ao primeiro que nascesse o direito de receber a propriedade e o governo da casa, por ocasião da morte do pai. Mas, de semelhante importância espiritual era a bênção do pai sobre todos os filhos. Essa dádiva preciosa de aprovação, afirmação e amor dava a cada filho um senso de identidade e importância para toda a vida. O intenso anseio de Rebeca não era simplesmente que Jacó fosse abençoado, mas que ele obtivesse o direito à primo¬genitura. Ela inculcou sua compulsão em Jacó de tal modo que ele se aliou a ela para obter esse direito quando o que ele realmente desejava era a bênção de Isaque. Esaú pouco se importava com a primogenitura, porque ele achava que já tinha a bênção de Isaque.
Um incidente demonstra a constante rivalidade dos irmãos. Certo dia, Esaú chegou faminto dos campos após um dia árduo de trabalho. Jacó cozinhava um ensopado e Esaú, com impetuosidade juvenil, exigiu uma porção dele, dizendo que morreria se não co¬messe imediatamente!
Jacó desejava tanto o direito de primogenitura que ele poderia morrer! "Vende-me primeiro o teu direito de primogenitura", disse a Esaú. A atitude de indiferença de Esaú para com a primogenitura se depreende da sua resposta: "Estou a ponto de morrer; de que me aproveitará o direito de primogenitura?" Assim Esaú vendeu o direito e recebeu o cozinhado de lentilhas. A barganha revela a natureza obstinada de Jacó e seus esforços para obter auto-estima e segurança.
A trama se intensificou algum tempo mais tarde, quando Isaque percebeu que estava às portas da morte. Chamou Esaú à sua tenda I pediu que ele saísse a caçar e trouxesse carne para um prato saboroso. "E traze-ma para que eu coma, e te abençoe antes que eu morra', (Gênesis 27:4). O primogênito saiu ao campo, mas Rebeca estivera ouvindo através das finas paredes da tenda. O momento que ela tanto esperava havia chegado! Rápida como um raio ela corre para Jacó, ordena-lhe que mate uma ovelha, prepare o prato saboroso que seu pai desejava e receba a bênção e o direito de primogenitura prometidos a Esaú. Jacó alega que sua pele é lisa e que Esaú é cabeludo. Seu pai ao tocá-lo, reconheceria logo que não se tratava de Esaú. Rebeca havia preparado um plano para essa circunstância. Manda que Jacó vista as roupas de Esaú e cubra o pescoço e as mãos com pele de cabra, de modo que Isaque seja enganado.
O plano dos dois teve êxito. Isaque comeu uma suntuosa refeição e, depois que suas suspeitas foram desfeitas por meio dos disfarces de Jacó, o abençoou e deu-lhe o direito de primogenitura. O teor da preciosa bênção nos auxilia a compreender por que era um galardão e tanto:
Deus te dê do orvalho do céu, e da exuberância da terra, e fartura de trigo e de mosto. Sirvam-te povos, e nações te reverenciem: sê senhor de teus irmãos, e os frutos de tua mãe se encurvem a ti: maldito seja o que te amaldiçoar, e abençoado o que te abençoar" (Gênesis 27:28-29).
Quando Esaú retornou a casa, soube do que sua mãe e o irmão haviam feito, e rogou a Isaque uma bênção. "Acaso tens uma única bênção, meu pai? Abençoa-me, também a mim, meu pai", clamou ele com a dor da rejeição. Achamos difícil compreender a severidade de Isaque para com o destino de Esaú. Seria a cólera por ter sido enganado pela esposa que o tornou tão intratável? Contudo, o que ele predisse para Esaú se cumpriu.
"Longe dos lugares férteis da terra será a tua habitação, e sem orvalho que cai do alto. Viverás da tua espada, e servirás a teu irmão; quando, porém, te libertares, sacudirás o seu jugo da tua cerviz" (Gênesis 27:39-40).
Assim, um ressentimento profundo tomou conta de Esaú, provocando um clima de rivalidade, ódio e inveja entre os dois irmãos. Esaú planejou matar o irmão tão logo Isaque viesse a falecer.
Coube a Deus tirar Jacó dessa complicada trama de vontades em conflito e levá-lo a um lugar onde pudesse permitir que Deus o abençoasse. E fascinante ver como Deus usou o temor de Rebeca de que Jacó se casasse com uma das mulheres locais, bem como a angústia dela sobre o que Esaú poderia fazer ao irmão. A idéia de Rebeca (era dela mesmo?) consistia em enviar Jacó a Labão, seu irmão. Segundo nos parece, ela apresentou o plano a Isaque, pois este despediu Jacó com a sua "bênção" para Padã-Arã, onde morava Labão. Em muitas decisões como esta no Antigo Testamento, o que parece uma escolha humana lógica é, na verdade, o mais íntimo propósito do Senhor.
Jacó partiu para a terra de Labão sentindo-se não abençoado como sempre. Ele estava derrotado e amargurado. Tudo o que possuía era a lembrança do que tinha feito a Esaú e de como seus pais falharam em dar-lhe segurança íntima. O resultado foi um homem de conduta ardilosa e manipuladora, empedernido em sua determinação de viver por sua própria astúcia e resolução. Ele possuía fé intelectual em Deus, mas uma indiferença envolvia o seu coração sensível e não abençoado. A ferida na mente de Jacó cicatrizava-se agora mediante os efeitos de sua obstinação.
A síndrome de Jacó. Não me surpreendo mais quando, num inesperado momento de franqueza pessoal, alguém aparentando segurança confessa que quando pequeno seus pais lhe negaram afirmação ou que se sentiu rejeitado por outros, resultando disso uma vida inteira de esforço pela aprovação.
Atravessamos a vida à procura de um pai, mãe, irmã ou irmão mais velho substituto, ou de uma autoridade que nos diga, afinal, que estamos OK.
O Senhor tinha grandes planos para Jacó. Por isso, tão logo o levou para longe da aceitação limitada de Isaque e do domínio de Rebeca, ele começou a moldar o homem a fim de tomá-lo no que deveria ser. O Senhor sabia que o que Jacó mais ansiava era a sua bênção.
A caminho de Padã-Arã Jacó certa noite sonhou com uma escada firmada na terra, e que se estendia até o céu, na qual os anjos de Deus subiam e desciam. A mensagem era clara: a glória de Deus descia até Jacó e este era elevado à presença do Senhor, introduzido ao esplendor da glória de Deus. O de que o jovem obstinado precisava era da plenitude de Deus para encher o seu vazio. No sonho, o Senhor assegurava-lhe um direito de primogenitura mais importante — de recebedor das promessas dadas a Abraão e a Isaque.
Jacó não esperava encontrar-se com o Senhor sob as estrelas em Luz. Aparentemente, em casa ele nutria pouca ou nenhuma fé. Não sabia que precisava dela até ter de encarar a vida sozinho. O Senhor, para quem todas as coisas são possíveis, sempre tem de conduzir as pessoas sagazes, de vontade forte, a um lugar de solidão frente ao impossível, de modo que possa revelar-lhes o seu poder.
O sonho de Jacó emocionou-o profundamente. Ele erigiu um altar e o chamou de Betel, que quer dizer "Casa de Deus". Jacó começava a sentir os primeiros sintomas da sensação de ser abençoado.
Percebem-se esses sinais em seu encontro com Labão. Seu tio era um embusteiro dos maiores! Mas Jacó trabalhou árdua e honestamente para ele. Apaixo¬nou-se por Raquel, filha de Labão. Verdadeiro à sua maneira, Labão não ofereceu salário, mas pediu que Jacó fizesse uma proposta. Jacó ofereceu-se para trabalhar sete anos pela mão de Raquel. Labão aceitou, mas não gostou da idéia de a filha mais jovem, Raquel, se casar antes de Lia, a irmã mais velha. Jacó deu um duro pela mão de Raquel. "Serviu Jacó sete anos; e estes lhe pareceram como poucos dias, pelo muito que a amava" (Gênesis 29:20).
Completados os sete anos, Jacó exigiu sua amada Raquel. Labão ofereceu um festa de casamento e, tarde da noite, enviou Lia para a tenda de Jacó, em lugar de Raquel. A festa deve ter tido bebedeira mais que suficiente, pois Jacó não percebeu a troca até de manhã, com o casamento já consumado. Estranha ironia — reminiscências da fraude que realizara no intento de obter o direito de primogenitura.
Jacó ficou furioso. Labão, o embusteiro, manobrara melhor que Jacó, o manipulador. Labão convenceu-o a trabalhar outra semana, antes que ele pudesse se casar com Raquel, isto é, trabalhar mais outros sete anos para mantê-la, e seis anos mais! Esses treze anos foram prósperos e produtivos, mas não sem conflitos entre as mulheres da sua vida. Raquel e Lia estavam sempre lutando pelas afeições de Jacó. Para Raquel, isso era um tanto difícil, pois foi estéril durante os primeiros anos de casamento, enquanto Lia deu a Jacó seis filhos e uma filha. Esse fato impeliu Raquel a ter dois filhos por intermédio da criada que deu a Jacó. Sem querer ser sobrepujada, Lia, numa época em que parou de conceber por algum tempo, deu a Jacó sua criada para mais dois filhos. Com estes, eram dez. Por fim, Raquel teve José que se tomou o filho favorito do pai. Jacó deu a José toda a atenção que seu pai Isaque lhe negara e que quase o arruinou quando rapaz.Com o tempo, Raquel morreu ao dar à luz o seu segundo filho, Benjamim.
Completados os longos vinte anos, Jacó sentia-se intranqüilo. Havia um assunto não terminado em seu coração. Não fora capaz de esquecer o que havia feito a Esaú, e ansiava por retornar ao lar. Não foi fácil fugir de Labão, que a essa altura havia constatado que a grande prosperidade de Jacó devia-se à bênção do Senhor. Labão não desistiria de tudo sem luta. Outra vez tentou enganar a Jacó. Labão maquinou outra trapaça. Tomou todos os cordeiros e as cabras que pertenciam a Jacó e ocultou-os em algum lugar a três dias de jornada dali. Assim Jacó teve de partir do nada novamente, mas desta vez com algo mais que a sua astúcia contra a de Labão. O Senhor era com ele, e Jacó sabia disso. Quando ele acasalou os cordeiros, nasceram malhados e salpicados. A estes acasalou o rebanho forte e os separou de Labão. Quando ele contou a Raquel o que acontecera, deu a Deus a glória. O Jacó obstinado aprendia que com Deus todas as coisas são possíveis. Ele estava pronto a obedecer à voz do Senhor, quando este lhe ordenou que retomasse à terra de seus pais e deu--lhe a segurança de que estaria com ele.
Deus o estava preparando para um encontro muito decisivo, não apenas com Esaú, mas com ele próprio.Seria improvável que Jacó estivesse preparado para o que Deus lhe reservara em sua viagem de volta ao lar, se ele não tivesse suportado as provações e sido forçado a perceber que o Senhor — não sua garra, tutano ou astucia — tor¬nou possível os triunfos.
Em qualquer de nós, a transformação espiritual se dá com len¬tidão.Havia dentro de um Jacó obstinado duas naturezas em conflito, uma nova e outra velha.
Aceitação. Jacó tinha necessitado da aceitação de Esaú toda a sua vida. O que ele não percebia era que apenas Deus era capaz de dar-lhe esse presente precioso. Quando aceitamos a dádiva da aceitação de Deus, ficamos isentos de reclamá-la ou de manipular pessoas para assegurar o seu fluxo. E é exatamente isso o que aconteceu a Jacó na noite do seu encontro com Esaú.
Uma combinação de medo, culpa e uma vida de astúcia manipuladora opunha-se à presença e ao poder de Deus na vida de Jacó. Você sabe como é isso? Você já reviveu o passado, com cada fracasso a desfilar diante dos olhos da sua mente? Você já levantou no meio da noite em estado de pânico e se ajoelhou perante o Senhor, perturbado pela preocupação? Então saiba, como eu já sei, o que é ter o Senhor a batalhar pelo domínio de sua vontade até que você permita que ele perdoe o passado e assuma o governo do futuro.
E vivido o relato de Gênesis 32:24-32 desta batalha pelo coração de Jacó. A Escritura informa que um homem entrou em luta cor¬poral com Jacó durante toda a noite. Chamou ele o lugar de Peniel, que sig¬nifica "a face de Deus", e disse: "Vi a Deus face a face, e a minha vida foi salva". Na realidade, sua nova vida só estava no princípio. Quando a noite decisiva do encontro chegou ao final, Jacó tinha a coxa aleijada.
Jacó não permitiu que o Senhor se fosse, até que este o abençoasse. Esta era a sua maior necessidade desde a infância. A reação do Senhor foi dar-lhe um novo nome. Não mais Jacó, o suplantador, mas agora Israel, que quer dizer "Deus luta". Esta é a saída para o novo homem emergir do velho Jacó. Deus teria de lutar e sempre lutaria com, por e a favor dele e de seus descen¬dentes.
Ele sabia que esse era o encontro decisivo de sua vida e não queria que ele passasse deixando-o não abençoado de novo. Deus era a única pessoa que Jacó não podia manipular. Ele deu a bênção pela qual Jacó ansiava, porque é sua natureza abençoar. Jacó nada fez para merecê-la ou ganhá-la. Na realidade, por toda a sua vida até aquela noite auspiciosa ele já havia feito tudo o que podia para negá-la. Agora ele tinha uma coxeadura que o faria lembrar que Deus não apenas tocara a sua coxa, mas também o mais íntimo de seu coração.
O manipulador obstinado se tomara disposto a ser moldado pelo Pai eterno. Daquele dia em diante percebemos compaixão, bondade, sinceridade e receptividade em Israel. Ele já não tinha que se empenhar para ser amado. Ele havia recebido a bênção.
Quando a luta chegou ao fim e o sol da manhã ergueu o véu da noite, Israel levantou os olhos e viu que Esaú se aproximava. A Escritura não menciona nenhum espasmo de pânico em Israel dessa vez. A luta com o Senhor havia efetuado uma transformação. Israel permitira que Deus o abençoasse e, por conseguinte, sentia-se livre para receber a bênção de Esaú. E uma cena de ternura. Esaú, com graça notável, correu ao encontro de Israel e atirou-se ao seu pescoço, beijando o irmão, e as lágrimas escorriam de ambos. Em seguida, Israel disse algo que revela a expressão de um coração abençoado: "Vi o teu rosto como se tivesse contemplado o sem¬blante de Deus; e te agradaste de mim" (Gênesis 33:10).
O que tudo isso significa para mim e para você? Três coisas importantes. Primeiro, todos os nossos esforços para ganhar e obter a bênção de outros jamais hão de preencher o nosso vazio interior em forma de Deus. Somente a afirmação de Deus pode construir uma segurança duradoura. O mesmo Deus que lutou com Jacó e o transformou em Israel é o Deus que abençou o mundo em Jesus Cristo. Este viveu, ensinou, morreu, ressurgiu e, no Pentecoste, retornou na pessoa do Espírito Santo, com poder de habitar em nós de modo que pudéssemos nos tomar parte do novo Israel, o próprio povo do Senhor, perdoado, amado e abençoado.
A segunda coisa que Jacó tem para nos ensinar é que, se persistirmos, Deus nos dará um novo nome que significará a nova pessoa que ele pretende que sejamos.. Que característica traduz o oposto do que você era antes de permitir que o Senhor o aben¬çoasse? Se a longa noite de embate com Deus ainda está à sua frente, imagine a pessoa que você deseja ser, se já está de antemão seguro da afirmação e aceitação de Deus. Em seguida, permita que o Senhor lhe dê um novo nome. No que me diz respeito, uma pessoa cuja insegurança de meninice desenvolveu uma resolução obstinada de vencer pelo esforço humano e manipulação, meu nome seria "Lloyd, o indefeso, afirmado". Não preciso mais estar na defensiva. E você?
Finalmente, uma pessoa afirmada se toma uma pessoa afirmadora. Rompemos o ciclo humano de amor reservado e nos tor¬namos amantes generosos dos não abençoados do mundo. E, desde que a experiência psicológica da maior parte das pessoas as tem deixado com uma necessidade desatinada de afirmação, podemos nos importar com elas e falar-lhes da única bênção que satisfaz permanece e dura. O inventário a seguir determina até que ponto você permitiu que Deus o abençoasse.
1. Existe em você a sensação permanente e profunda de ter a estima de Deus como uma pessoa especial a serviço dele?
2. Você já aceitou o seu perdão e amor libertador em Cristo?
3. Você possui a segurança de que nada do que você possa fazer impedirá a Deus de continuar a amá-lo?
4. Você já avaliou os prós e os contras de sua infância e aceitou o que seus pais e pessoas mais achegadas fizeram ou não fizeram por você?
5. Você é capaz de abandonar o passado e permitir que Deus o abençoe agora e no futuro?
6. Você está disposto a permitir que a bênção da afirmação de Deus o torne um afirmador, alguém abençoado para ser uma bênção?
7. Você é capaz de subjugar a sua vontade e permitir que Deus o faça disposto a estar disposto para fazer a vontade dele como um afirmador?
8. Você vai perguntar a Deus quem ele colocou em sua agenda para que receba de você uma bênção?
9. Você está disposto a se entregar a essas pessoas — a empregar tempo, energia e recursos para ajudá-las a certificarem-se de seu amor e da graça de Deus?
10. Você vai aceitar o novo nome que Deus tem para você — ao se concentrar em seu novo propósito e poder para transformar-se na pessoa que deve ser? Se você disse sim a estas perguntas, você não é mais um lutador obstinado contra Deus, mas um Israel por quem Deus lutará, a quem abençoará e continuará a abençoar por toda a vida — agora e para sempre.
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DAVI E AMY
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sexta-feira, 29 de maio de 2009
O Senhor do impossível - Lloyd John Ogilvie
NADA É IMPOSSÍVEL Abraão
O que você está empreendendo que não possa concluir sem uma mediação do Senhor? Há anos venho fazendo essa pergunta a mim mesmo e aos outros. Muitos de nós passamos a vida dentro dos estreitos limites de nossos talentos e capacidade.
Na realidade, não precisamos de Deus. Nosso temor ao risco nos mantém longe do que não podemos dominar ou realizar com nossa própria habilidade.
Dedicamo-nos somente às coisas inevitáveis. Nossa visão do futuro é quase sempre baseada no que podemos realizar com os nossos próprios recursos e experiências. Quando oramos, pedimos a Deus o seu poder a fim de realizarmos o que achamos melhor. Ele se mostra sensível e misericordioso e o nosso cristianismo entra nos moldes de nossas possibilidades auto-determinadas.
Para eliminar os obstáculos à nossa percepção do possível, João 14:12-14: "Em verdade, em verdade vos digo que aquele que crê em mim, fará também as obras que eu faço, e outras maiores fará, porque eu vou para junto do Pai. E tudo quanto pedirdes em meu nome, isso farei, a fim de que o Pai seja glorificado no Filho. Se me pedirdes alguma coisa em meu nome, eu o farei."
Quanto mais vivo a aventura da fé e partilho com outros em profundidade o que estão descobrindo acerca de Deus, mais sou possuído desta convicção: o Senhor nos ama e se importa mais com nossos interesses que nós mesmos. Ele é o Senhor das intervenções radicais. Em tempo e a tempo, ele invade os nossos problemas e as nossas perplexidades com poder sobrenatural. Há ocasiões em que ele de fato nos conduz a desafios e oportunidades, a fim de nos maravilhar com o que ele é capaz de fazer com as nossas impossibilidades.
O que essa aventura da fé significa para você? Você já pediu a Deus que o ajude a encarar, sem receio, o risco de aventurar-se em algo por ele revelado? Isso é importante. Deus opera o impossível por meio de uma intervenção radical naquilo que ele orientou. Mantenha isso em mente.
Em um dos seus livros, Oswald Chambers diz que nossas impossibilidades "fornecem uma plataforma na qual o seu [de Deus] grande poder e graça se manifestam. Ele não apenas nos libertará, mas, ao fazê-lo, nos dará uma lição que jamais esqueceremos, e à qual nos volveremos com alegria. Jamais agradeceremos a Deus o bastante por ter feito exatamente o que prometeu."
Abraão constatou esse interessante fato em sua crescente amizade com Deus. Na Bíblia, esse precursor da aventura da fé recebe distinta honra: "Abraão, teu amigo" (2 Crônicas 20:7). Deus mesmo sustenta esta afirmação através do profeta Isaías: "Abraão, meu amigo" (Isaías 41:8). Tiago resumiu o desenvolvimento daquela amizade nestes termos: "Ora, Abraão creu em Deus, e isso lhe foi imputado para justiça"; e: "Foi chamado amigo de Deus" (Tiago 2:23).
Abraão não obteve facilmente sua amizade com Deus, a qual só conquistada através de repetidas provas da intervenção divina. Tudo o que ele intentou fazer contribuiu para levá-lo a afirmar: "O Senhor provera". Através das provas, Abraão tornou-se um herói da fé que sobressai a todos os outros do Antigo Testamento. O segredo de sua vida foi o dom da fé, recebido do Senhor. Ele se destaca pelos riscos que assumiu e pela seqüência de intervenções divinas em sua vida.
A vida heróica de Abraão pode ser dividida em três fases: a chamada à fé, a realização da fé, e a prova definitiva dessa fé. A fase principal é a terceira, mas os eventos das outras ajudam-nos a compreender e a avaliar a ousada afirmação: "O Senhor provera". E a certeza do patriarca na experiência mais angustiante de sua amizade com Deus.
A chamada à fé ocorreu quando Abrão era conhecido como o filho de Terá e vivia no meio do povo semítico que migrou e se estabeleceu em Ur, uma civilização muito avançada do Norte da Mesopotâmia. Uma gama variada de deuses e cultos aos ídolos saturava o politeísmo sumeriano da região e da época: um problema que se evidencia com freqüência nesse período limiar da história do povo de Deus. Por algum tempo esses bons semitas sincretizaram o seu Deus da criação, do dilúvio e de Noé com os deuses locais — o deus da lua em particular.Esta pode ser a razão por que o Senhor o desprendeu, bem como a sua família, dos laços daquela civilização próspera e sofisticada. Deus provocou um sentimento de desconforto em Terá que o induziu a partir de Ur com seu filho Abrão, a esposa deste, Sarai, e Ló, sobrinho de Abrão, impelindo-os em direção à terra de Canaã. Viajaram ao longo do vale do Eufrates até Harã.
Em Harã, o mesmo Deus que orientou Terá a mudar-se de Ur apareceu em revelação direta a Abrão, deixando-o em pânico. O Senhor tinha grandes planos para Abrão, e este talvez vivesse toda uma vida de amizade com Deus antes de perceber que o Senhor proveria para cada passo do caminho. "Sai da tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai, e vai para a terra que te mostrarei" (Gênesis 12:1). Os riscos que o Senhor nos desafia a assumir são sempre para o nosso bem, mesmo que pareçam assustadores. O Senhor prossegue: "De ti farei uma grande nação, e te abençoarei, e te engrandecerei o nome. Sê tu uma bênção: abençoarei os que te abençoarem, e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; em ti serão benditas todas as famílias da terra (Gênesis 12:2-3).
É uma promessa e tanto, mas agir baseado nela exigia risco. Nela e somente nela, Abrão se apoiava. Assim, apesar da pouca orientação que possuía, ele partiu, e nos anos seguintes conheceu a amizade e a fidelidade de Deus.
Muitos anos foram necessários para que Abrão amadurecesse nessa amizade — confiasse nela, mediante a prova da sua realidade em épocas de dúvida e desespero.
Abrão quase frustrou o plano de Deus de torná-lo o pai de uma grande nação. Por pouco ele e Sarai não escaparam com vida.
A realização da fé, o segundo ato do drama de Abrão que logo seria Abraão, surgiu quando o Senhor o tirou do Egito e o levou para Canaã. O Senhor manifestou-se a ele em seu primeiro acampamento e lembrou-lhe as bênçãos, comprovadas em gado, ouro e prata, e mostrou-lhe a terra prometida a ele e à sua posteridade.
A seguir, o Senhor mandou que Abrão fizesse algo estranho: "Levanta-te, percorre essa terra no seu comprimento e na sua largura; porque eu ta darei" (Gênesis 13:17). Com o propósito de desenvolver em Abrão a ousadia de um aventureiro, o Senhor tinha de ajudá-lo a apossar-se da realidade do aparentemente impossível. Deu-lhe não apenas uma visão, mas também fê-lo guiar-se por ela até que dela se apossasse por completo.
Da mesma forma Deus age comigo e com você. Primeiro, ele nos dá o sonho impossível, depois nos ajuda a ver um quadro desse sonho já em nosso poder, e em seguida, através de nossa imaginação, ele nos ajuda com persistência a formar uma imagem da realidade. Qual é o seu sonho?
Abrão edificou um altar para agradecer ao Senhor e mostrar-lhe a sua fé. Como podemos demonstrar ao mesmo Senhor do impossível que cremos?
A segunda fase encerra-se com a prova da bênção do Senhor sobre Abrão. Não apenas ele derrotou o rei de Sodoma na batalha, mas Melquisedeque, rei de Salém e também sacerdote do Senhor, saiu-lhe ao encontro para celebrar com pão e vinho a sua vitória. Com bastante expressividade, ele abençoa a Abrão: "Bendito seja Abrão pelo Deus Altíssimo, que possui os céus e a terra; e bendito seja o Deus Altíssimo, que entregou os teus adversários nas tuas mãos" (Gênesis 14:19-20). Talvez fosse confortador para Abrão ouvir da parte de um ser humano a mesma promessa que repetidas vezes ouvira de Deus. O vínculo de amizade entre ele e o Senhor tomava-se cada vez mais forte e estável.
Excelente! Pois na terceira fase dar-se-á o maior teste dessa amizade, conforme veremos. Abrão encontrava-se num dilema. A promessa de Deus anunciava que ele teria inúmeros descendentes, porém Sarai era estéril. Como poderia ser pai de multidões sem um filho? Seria o herdeiro um dos meninos nascidos em sua casa? Não. Em vez disso o Senhor prometeu a Abrão o que parecia impossível. Ele e Sarai teriam um filho. Abrão achou muito difícil acreditar em tal coisa. Sua idade já atingia a casa dos cem anos e a de Sarai a dos noventa! Foi então que o Senhor providenciou-lhe um presente, que é dado com liberalidade a todos os que ousam arriscar-se — o dom da fé. Mostrou-lhe as estrelas do céu e ordenou-lhe que as contasse. "Será assim a tua posteridade".
A seguir vem o versículo 6 do capítulo 15 do Gênesis, um dos mais importantes do Antigo Testamento. "Ele creu no Senhor, e Isso lhe foi imputado para justiça".
Abrão recebeu de Deus a única coisa de que este se agrada e nos une a ele, e que ele anseia se libere de nosso interior. E só pela fé — não por obras ou expressão de nossa bondade própria — que se estabelece e se mantém um correto relacionamento com Deus. Mais tarde essa questão se tornou crucial, tanto para a igreja primitiva quanto para a Reforma. Como nos unimos a Deus? Pela fé somente. E o que Deus deseja de nós ele implanta em nosso íntimo. Fé é um dom.
Sarai insistiu com Abrão a que engravidasse Hagar, sua serva egípcia. Outra vez expõe-se a dificuldade de nosso herói em acreditar na espantosa promessa de Deus. "E Abrão anuiu ao conselho de Sarai" (Gênesis 16:2b). Um erro lamentável que relegou Abrão e Sarai a um estado de desconcerto com a vontade pessoal de Deus por algum tempo.
Ismael nasceu da relação não abençoada de Abrão e Hagar. Como sempre se constata na revelação clara e gradual do Senhor do impossível, alguns de nossos heróis tiveram de se contentar com o segundo lugar porque não souberam esperar pelo primeiro, pelo melhor que Deus tinha para eles. Contudo, o Senhor jamais se esquece de quem escolheu, nem volta atrás em suas promessas.
O Senhor reconduz Abrão ao "ponto zero". Uma vez mais ele faz a sua promessa, e desta vez dá novos nomes a Abrão e Sarai. Abrão será Abraão, pai de multidões, e Sarai será Sara, mãe de nações. Além da nova visão sugerida pelos novos nomes, o Senhor, a fim de encorajar novamente a Abraão, adota um nome definitivo para si mesmo: El Shaddai, Deus Todo-poderoso — aquele que detém todo o poder. Como se tudo isso não bastasse, o poderoso El Shaddai propõe uma aliança e promete abençoar a Abraão e a sua posteridade para sempre. A garantia dessa bênção é um filho que se chamaria Isaque.
E qual foi a reação de Abraão? Ele riu! E mais tarde Sara também riu, ao saber da promessa impossível, isso magoou o Amigo. Era desejo de Deus que eles rissem com ele em puro deleite e alegria pelo que ele estava prestes a fazer, e não dele ou de sua promessa. Não é de surpreender que ele insistisse na mesma tecla. Há humor no coração de Deus que suscita em nós riso de espanto, não de zombaria. Lute com Deus até apropriar-se de suas promessas, mas jamais ria dele! Ele é um Amigo bom demais para isso.
Isaque tomou-se um rapaz vistoso e estimado. Seus pais nutriam um profundo amor por ele, não apenas por terem finalmente um filho, mas porque agora os termos da aliança se cumpririam. Isaque era mais que o orgulho, a alegria e a esperança de Abraão; era a sua vida!
Agora, entre no coração de Abraão e veja o pânico do patriarca quando o Senhor lhe pediu o impossível como prova de sua fé. Podemos sentir as punhaladas de dor em cada palavra da ordem do Senhor: "Toma teu filho, tem único filho, Isaque, a quem amas, e vai-te à terra de Moriá; oferece-o ali em holocausto, sobre um dos montes, que eu te mostrarei" (Gênesis 22:2). O que significava essa ordem? A angústia de Abraão era inexplicável. "Por quê, Deus? Por quê?" ele deve ter clamado, sentindo-se completamente arrasado. "Meu filho, Deus? Como se cumprirá sem Isaque a tua promessa de que eu serei o pai de multidões?" Nenhum pedido pode ser pior. Nada pode parecer mais horrendo.
Restava saber se Isaque era uma dádiva de Deus ou uma posse de Abraão. Como ocorre a muitos de nós, teria Abraão permitido que seu orgulho por Isaque empanasse seu louvor a Deus? Há uma diferença sutil entre "tudo o que eu sou e possuo é dádiva de Deus" e "tudo o que eu sou e possuo é meu — pertence a mim e a Deus — e nesta ordem".
Todos nós incidimos nesse tipo de orgulho auto-gratificante. Da¬mos demasiada importância ao que realizamos para Deus com nossas forças, esquecidos de que não podemos sequer respirar um sopro de ar sem a bênção de Deus a cada momento.
O ponto em questão é: Quem ou o que é o seu Isaque? Quem em sua vida disputa com Deus o primeiro lugar? O que você possui ou realizou que disputa com Deus o significado de sua vida? E freqüente, durante uma crise, percebermos que Deus não recebe de nós a máxima lealdade ou energia na vida diária. Falsos deuses não são apenas ídolos nos campos ou templos de uma antiga época paga; eles invadem nossos lares, identificam-se em diplomas nas paredes de nossos escritórios e estabelecem-se nos alvos e planos de nossa auto-gerada autoridade sobre nosso destino.
Mas devemos aprofundar-nos a fim de perceber o que Deus pretendia ao conduzir Abraão por essa prova cruciante. Fé é risco. É a crença de que Deus provera, a confiança inabalável de que ele nos dará, no momento certo, exatamente aquilo de que precisaremos em tempos difíceis. Foi esse tipo de fé que Deus deu a Abraão. A importância dessa história para nós está em que Deus deu a Abraão mais que um desafio; deu-lhe a certeza de que ele não negaria o seu pacto. Deus foi até ao fundo com Abraão e o levou à sólida segurança da Rocha Eterna.
No momento que ele estava para enfiar a faca no peito de Isaque, o Senhor clama: "Abraão, Abraão!"
Nem um segundo a mais, nem um segundo a menos. As palavras intervieram a tempo e com precisão! E então disse Deus: "Não estendas a mão sobre o rapaz, e nada lhe faças; pois agora sei que temes a Deus, porquanto não me negaste o filho, o teu único filho" (Gênesis 22:12). Abraão havia assumido o risco máximo e Deus? Foi fiel à sua promessa.
Após o momento da extrema intervenção, Abraão olhou por cima dos ombros e notou atrás de si, entre os arbustos, um carneiro preso pelos chifres. De fato, Deus havia provido! Ali estava o sacrifício substitutivo. Depois de sentir a angústia de Abraão, deixe agora a sua imaginação captar a alegria dele. Ele ofereceu o carneiro em vez do filho, e chamou o lugar: "YHWH Jireh", que significa: "O Senhor provera". Estas palavras, transformadas em metáfora da intervenção majestosa de Deus, têm sido repetidas pelas gerações seguintes em épocas de dificuldades, e carregadas à frente de exércitos e procissões.
A história familiar de Gênesis 22 reluz como um diamante, ao expor novos raios de verdade cada vez que a meditamos. Jamais nos cansamos dela, não apenas porque o drama nos prende a atenção, mas também porque exprime a nossa mais profunda necessidade de confiar em Deus em ocasiões de risco e nos reanima com as oportunas intervenções divinas.
Acima de tudo, nossa atenção se volta para outro monte não muito distante do Moriá — o Calvário. Ali Deus fez o que era na realidade impossível. Ele deu o seu próprio Filho como sacrifício pelos pecados de todos os povos, em todas as gerações. O que ele não exigiu de Abraão, exigiu de si mesmo, oferecendo Jesus para que pudéssemos conhecer o seu supremo amor e perdão.
Deus é o mesmo — ontem, hoje e amanhã. Ele é o Senhor do impossível — Moriá e Calvário. Havia uma cruz no coração de Deus quando ele interveio com Abraão e curou a síndrome do pecado através do sacrifício de Jesus Cristo na cruz. E o mesmo coração em forma de cruz está batendo por você e por mim. Ele nos ama com extremo ardor e veio para que pudéssemos saber que somos o seu povo amado e querido.
Aprendemos três coisas importantes com Abraão acerca do Senhor do impossível. As três estão intrinsecamente entrelaçadas numa grande promessa que nos ajuda a viver agora e para sempre.
A primeira é que o Senhor criou a mim e a você para sermos amigos dele.
Quando contemplamos a face de Deus em Cristo, percebemos nela afirmação, aceitação, apoio ilimitado e amor infindo. Enquanto olhamos para ele, maravilhados e gratos, ele nos lembra que a sua amizade não se fia em nossa eficiência e perfeição. "Ninguém tem maior amor do que este: de dar alguém a própria vida em favor dos seus amigos. Vós sois meus amigos, se fazeis o que eu vos mando. Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor; mas tenho-vos chamado amigos" (João 15:1315). Coloque-se no lugar de Abraão e ouça o Senhor dizer: "Abraão, meu amigo".
A segunda coisa que Abraão nos ensinou é que a essência da fé é risco.
Deus é por nós e não contra nós. Ele não deseja um sacrifício religioso de nosso Isaque, mas uma rendição total de nossa vontade obstinada, seja quem for ou o que quer que se tenha tomado o nosso Isaque. Nosso Isaque é aquela pessoa ou coisa que lance uma ponte sobre o espaço vazio entre os nossos sonhos mais acariciados e nosso desejo de vê-los realizados. A aventura da amizade com Deus baseia-se em nossa renúncia ao domínio daquilo que jamais nos coube dominar. Entregamos o que não é nosso a fim de ganhar o que não podemos perder.
Pode acontecer o mesmo com você e comigo. Mas não sem a terceira coisa que aprendemos com Abraão. O legado de visão ampla e liberal que o grande herói da fé nos deixou foi a fiel convicção de que o Senhor provera.
Podemos enfrentar qualquer coisa porque em Jesus Cristo as temos sublimadas em sua intensidade na cruz. O Senhor da intervenção radical assumiu a completa responsabilidade de nosso pecado, fracasso e rebelião. Cristo é o carneiro entre os arbustos, o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. Deus não apenas permitiu que Jesus levasse o pecado sobre si mesmo, mas também ressuscitou a seu Filho dentre os mortos como nosso Senhor triunfante sobre a morte e o mal. Não é preciso que sacrifiquemos a nós mesmos ou ao nosso Isaque para obter o seu favor. Ele já tomou a ambos de nossas mãos. Agora estamos livres para aguardar com prazer o mesmo poder que intervém em tudo o que lhe confiamos.
E o que podemos fazer em resposta? Dar-lhe completo domínio de nossa vida, nosso Isaque e nosso futuro. E, como expressão da sinceridade da nossa fé, arriscar-nos ao impossível sob a orientação dele. Agite a bandeira "O Senhor provera!" nas trincheiras de seu coração. E ele provera — esteja certo disso.
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DAVI E AMY
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quinta-feira, 28 de maio de 2009
O Senhor do impossível - Lloyd John Ogilvie
Prefácio
Fato curioso acerca dos heróis é que nem sempre demons¬traram o mesmo tipo de entusiasmo. Coragem a convicção, associados, os capacitaram a realizar feitos espetaculares, que a história mais tarde registrou como heroísmo. Era vital que executassem esses atos.
Uma criativa compulsão ditava as ações de ho¬mens e mulheres dinâmicos, os quais honramos como nossos heróis bíblicos. De um encontro misterioso com Deus surgia o impulso para tentar o impossível. O segredo do poder de Deus ao alcance deles achava-se na perigosa confluência do que eles eram e do que deveriam ser e realizar por convocação divina. Fé! Maravilhas se realizavam mediante o dom da fé.
A fé incorre em risco. A fé não é real se não exige risco. Uma disposição ao risco era tudo o que Deus pedia deles. Quanto maior fosse o risco, tanto maior seria o poder de fé concedido. E aqueles que ousaram tentar o impossível encontraram a verdade que liberta, da qual tanto carecemos para os enormes desafios da vida. Esses heróis constataram que o Criador e Sustentador do Universo é o Senhor do impossível!
Neste livro quero ajudar os leitores, através dessas pessoas, a ter um encontro com o Senhor do impossível. Selecionei alguns dos muitos fiéis e obedientes heróis da fé, com o propósito de vê-los no contexto da época em que viveram, e de descobrir, através deles, o que o Senhor ensinou ao seu povo.
Meu intuito é apresentar mais que uma série de perfis de personalidades. Antes, através destas, desejo confrontar as dores e as esperanças que nos envolvem hoje.
Um estudo amplo e detalhado de como Deus chamou e preparou seu povo para realizar o que eles sozinhos não podiam, revela o poder que está à nossa disposição. É o desejo do Senhor de nos surpreender com o que ele pode realizar, se ousarmos nos arriscar a aceitar o seu dom de fé e a deixar os resultados com ele.
Cada capítulo deste livro conduz ao Calvário e à intervenção final do Senhor do impossível.
Deparar-se com os heróis do Antigo Testamento é encontrar-se, de um modo novo, com o Salvador do Novo Testamento.
Qualquer que tenha sido a descoberta deles do sobrenatural, não passa de um prelúdio comparado com a revelação final do Senhor do impossível vivendo entre nós. Por maiores que esses homens e mulheres se tornaram graças à mediação de Deus, sua grandeza nada mais é que um vislumbre da nova criação ao nosso alcance.
Todos nós nos defrontamos com impossibilidades. A vida traz os seus problemas e perplexidades, para os quais parece não haver saída. Pessoas exigentes e oportunidades enormes fazem frente a todos nós. Quando a vida nos desafia e declaramos: "Ora, isso é impossível", precisamos fazer da liberadora afirmação do anjo de Deus o nosso lema: "Para Deus nada é impossível". Encontrar o Senhor do impossível nas páginas do Antigo Testamento, em pes¬soas humanas e vulneráveis, porém corajosas, renovou o meu pró¬prio "todas as coisas são possíveis para Deus", e dispus-me a correr o risco. Minha oração é que esta renovação também aconteça ao leitor.
E a você agora, caro leitor, companheiro de aventura e parceiro na fé, confio este livro na esperança de que ele o ajude a crer com ousadia que "as coisas que são impossíveis aos homens são pos¬síveis a Deus".
(Todo o texto que será colocado nesse blog é parte integrante do livro: "O Senhor do Impossível" de Lloyd John Ogilvie. O livro obviamente não será transcrito integralmente. Por isso convido a todos os interessados a lerem este livro).
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DAVI E AMY
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Contaminados com a Babilônia - Steve Gallagher
A queda da Babilônia
Como você caiu dos céus, ó estrela da manhã, filho da alvorada! Como foi atirado à terra, você, que derrubava as nações! Você, que dizia no seu coração: "Subirei aos céus; erguerei o meu trono acima das estrelas de Deus; eu me assentarei no monte da assembléia, no ponto mais elevado do monte santo. Subirei mais alto que as mais altas nuvens; serei como o Altíssimo". Mas às profundezas do Sheol você será levado, irá ao fundo do abismo!
Profeta Isaías, ao "rei da Babilônia" (Isaías 14:12-15)
"Ai! A grande cidade! Babilônia, cidade poderosa! Em apenas uma hora chegou a sua condenação!"
Amantes da Babilônia, lamentando a sua queda (Apocalipse 18:10)
Quando o rei da Babilônia levantou-se contra Jerusalém, em 605 a.C. um evento muito importante aconteceu no reino espiritual. Talvez centenas de jovens judeus tenham sido levados cativos, arrastados por correntes, até os planaltos da Síria, seu novo lar na Mesopotâmia. Foi uma jornada para o leste, aterrorizante para muitos do povo escolhido de Deus.
Quando chegaram à terra de seus captores, os babilônios dividiram-nos em grupos. Poucos conseguiram ter algum tipo de vida lá. Outros foram cruelmente escravizados. Mas um grupo de jovens foi separado para uso exclusivo de Deus, e teriam uma vida diferente. Eles entraram num programa de treinamento especial, com duração de três anos, para poderem servir ao rei em seu palácio.
Decerto eles foram fortemente tentados a agradar seus novos mestres, de todas as maneiras, em função da crueldade com que os babilônios eram conhecidos por todo o mundo. A menor infração poderia acarretar em punição fatal. Contudo, o medo da tortura física não deve ter influenciado esses jovens judeus mais do que o futuro que os aguardava: serem treinados para a corte do rei! A Babilônia era a maior nação da Terra; servir na corte real era considerado o maior privilégio de todos.
Nesse cenário, apareceram quatro jovens judeus chamados Daniel, Hananias, Misael e Azarias. "Daniel, contudo, decidiu não se tornar impuro com a comida e com o vinho do rei, e pediu ao chefe dos oficiais permissão para se abster deles" (Daniel 1:8). Daniel fazia tudo o que lhe era mandado, até certo ponto. Ele se recusou a abrir mão dos mandamentos de Deus. Preferiu a obediência às riquezas da Babilônia.
A festa de Belsazar
Belsazar, um dos netos de Nabucodonosor, tornou-se rei.
Num dia fatídico, certo emissário do novo rei trouxe uma mensagem a Daniel, convidando-o a um banquete especial. Sem Balsazar o soubesse, aquela seria a sua última refeição. Naquele exato momento, Dario, o medo-persa, tomara o caminho contrário do Rio Eufrates e invadiria a Babilônia com seu exército.
Fartar-se e embriagar-se com vinho no banquete de Belsazar é uma ilustração do "viver a vida" na terra, alheio ao iminente juízo. Trata-se do espírito pelo qual os judeus viviam.
A Babilônia representa uma vida no kosmos, separada de Deus. É uma vida dominada pela vontade própria, auto-suficiência e pelo amor aos prazeres carnais. É, por sua vez, uma vida que pode ser muito atraente, quase irresistível; até mesmo para o crente. A vida de Daniel é um exemplo para todos os cristãos. Ele viveu na Babilônia sem ser contaminado pelo seu espírito ou seduzido pelo seu encanto.
Coincientemente, ambos os grupos representados nessa história podem ser encontrados na Igreja de hoje, ao redor de todo o mundo. A maioria emagadora vive, dia e noite, tão-somente para satisfazer a carne com o que a Babilônia lhes oferece. Externamente, podem até se dizer cristãos, mas seu coração e estilo de vida contradizem sua profissão de fé.
O outro grupo é constituído por aqueles que escolhem o caminho estreito da Cruz, que são identificados por Jesus como os "poucos escolhidos" em Mateus 20:16. Eles não serão flagrados empanturrando-se na mesa do rei da Babilônia quando o seu Mestre retornar. Em vez disso, serão conduzidos para "o banquete das Bodas do Cordeiro".
O nobre ausente
Teve um homem que se tornou notável em função de sua ausência na festa de Belsazar: Daniel. Mesmo compreendendo plenamente aquela grande honra, sabendo que sua ausência poderia dar fim à graça que tinha perante o rei, Daniel não demonstrou interesse em comparecer a uma festa de prazeres carnais.
Daniel estava tendo a sua própria festa, mas uma festa com Deus. Ele não precisava de um cordeiro assado, porque fartava-se com o Pão da Vida. Ele não tinha vontade de beber o vinho que serviam, porque bebia a Água Viva. Seu coração estava em Deus e buscava os tesouros celestiais, não os despojos desta Terra, Mamom nunca foi o seu deus. Daniel não estava interessado no que o rei poderia oferecê-lo. Ele não podia ser comprado.
O mundo está na festa de Belsazar e nem o sabe. Juntamente com eles, na mesma festa, estão muitos dos que invocam o nome de Cristo. No entanto, ambos estão no mundo e são do mundo!
Jesus disse: "Assim também, quando virem todas estas coisas, saibam que ele está próximo, às portas" (Mateus 24:33). Até o presente momento, ainda existe tempo para escapar.
O ponto de decisão
O verdadeiro cristão precisa fugir desta presente treva. Precisa sair do meio desta bagunça e romper todos os laços com o inmigo (II Timóteo 2:4). Ele não pode continuar andando de mãos dadas com os que desprezam as coisas de Deus. Deve arrepender-se e confessar tudo o que o afasta de Jesus.
A graça de Deus capacita o crente a superar as pressões do mundo (Tito 2:11-14). Sim, suas influências cativantes podem ser resistidas e vencidas! Um seguidor de Cristo sincero fugirá das seduções do mundo.
Chegamos a um ponto da história da humanidade em que as linhas de batalha estão claramente expostas. A religião superficial não sobreviverá ao fogo consumidor de Deus. Somente um profundo arrependimento e uma sincera renúncia às atrações do mundo irão protegê-lo das poderosas influências do espírito do kosmos, preparando-o para encontrar o seu Mestre. E mais, você precisa desenvolver uma percepção muito apurada da presença de Deus para manter-se imune à presença contagiosa do kosmos (I João 5:4-5). Jesus é a luz do mundo, que expõe e dissipa toda treva. Se você O ama de todo o coração, Ele fará de você "mais que vencedor" no "meio desta geração corrompida e depravada".
Ouça o clamor de Deus! Abra os seus ouvidos para ouvir o que o Espírito de Deus está dizendo! Esta não é apenas outra mensagem assustadora para gerar medo e provocar controvérsia. O mundo e a sua cobiça estão passando! O kosmos é o Titanic navegando pela noite, cheio de confiança, rumo ao seu destino, enquanto, por outro lado, os assim chamados crentes vão "vivendo a vida", despreocupados com relação ao iminente perigo, indiferentes para com os sete avisos enviados ao capitão: "Icebergs gigantes à frente!" Todavia, nesse ínterim, os verdadeiros seguidores de Jesus dão ouvidos às advertências e preparam seus botes salva-vidas. São ridicularizados pelos amantes do mundo, os quais festejam confortavelmente à mesa de banquetes do mundo, dentro do navio. Os feteiros podem zombar de suas ações, mas os seguidores do Cordeiro ouvem a voz do Pastor dizendo: "Saiam daí, povo meu!".
Cheios de sarcasmo e incredulidade, os "frequentadores de igreja" que ainda não provaram o verdadeiro arrependimento que nunca se converteram de fato, zombam daqueles que se assentam nos botes salva-vidas com seus coletes já ajustados. Eles flertam com o mundo e continuam pensando que subirão no Arrebatamento. Que engano profundo!
O espírito do anticristo está atuando, agora mesmo, com "todas as formas de engano da injustiça para os que estão perecendo, porquanto rejeitaram o amor à verdade que os poderia salvar" (II Tessalonicenses 2:10).
Insisto que você abra seu coração ao Senhor, e permita que Ele se revele as paixões de seu coração que ainda permanecem entregues aos prazeres deste mundo. Permita que Ele lhe exponha seus desejos impuros mais profundos. O genuíno arrependimento libertá-lo-á e salvá-lo-á do julgamento que há de vir! Gostaria de concluir com o apelo apaixonado de Horatius Bonar:
Ó homem, homem moribundo, ainda seguirás após a vaidade e mentiras? Ainda buscarás o prazer e a satisfação? Ainda semearás o vento e colherás a tempestade? Depois de tudo o que te foi dito quanto à exaustão da terra e ao vazio do prazer; depois de tudo o que tu, tu mesmo, vivenciastes da pobreza das coisas terrenas; depois de teres sido deveras desapontado, zombado, feito detestável pelo mundo que adoras; ainda buscarás a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida?
Ó, seguidor do mundo, considera os teus caminhos e pondera as tuas escolhas. Olha para trás e vê o total vazio do passado. Olha adiante de ti e assegura-te de possuíres algo melhor e que valha a pena. Olha à tua mão direita e à mão esquerda, e vê as multidões exaustas, procurando descanso e não o encontrando. Olha abaixo de ti, para o fogo eterno, preparado para que os que se esquecem de Deus. Olha acima de ti e vê aquele Céu resplandecente, com toda sua alegria inexprimível, e de que tanto desprezas. Pensa, pois, no teu breve tempo aqui na terra, emprestando-te pelo especial amor de Deus, para que se te complete a preparação para o Reino eterno. E, quando considerares estas coisas, desperta do te sono de prazeres; não descansa até que tenhas passado pela estreita porta que leva à vida eterna.
Meditação das escrituras e oração
Caiu! Caiu a grande Babilônia! Ela se tornou habitação de demônios e antro de todo espírito imundo, antro de toda ave impura e detestável, pois todas as nações beberam do vinho da fúria da sua prostituição. Os reis da terra se prostituíram com ela; à custa do seu luxo excessivo os negociantes da terra se enriqueceram. Então ouvi outra voz dos céus que dizia: "Saiam dela, vocês, povo meu, para que vocês não participem dos seus pecados, para que as pragas que vão cair sobre ela não os atinjam! Pois os pecados da Babilônia acumularam-se até o céu, e Deu se lembrou dos seus crimes (Apocalipse 18:2-5)
SENHOR, RECONHEÇO QUE ESTE MUNDO E TODOS OS SEUS ENCANTOS PASSARÃO. NÃO QUERO ESTAR NO NAVIO QUANDO ELE NAUFRAGAR; CUSTE O QUE CUSTAR! AJUDA-ME A VIVER TOTALMENTE DESAPEGADO PELAS COISAS DO MUNDO.CONSAGRO-ME INTEIRAMENTE A TI. JESUS, ENSINA-ME A AMAR-TE, E NÃO O MUNDO. PROMETO QUE, A PARTIR DESTE DIA, ME AFASTAREI DE TUDO O QUE ME SEPARA DE TI. POR FAVOR, NÃO PERMITA QUE EU PEREÇA COM OS ÍMPIOS. LIBERTA-ME DA IRA VINDOURA, ESCONDENDO-ME NO REFÚGIO E NA SEGURANÇA DOS TEUS BRAÇOS DE AMOR. QUERO MORRER PARA ESTE MUNDO E VIVER PARA O SALVADOR; COMPLETAMENTE APAIXONADO POR TI! EM NOME DE JESUS. AMÉM.
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quarta-feira, 27 de maio de 2009
Contaminados com a Babilônia - Steve Gallagher
Prontos para o Senhor
"Uma igreja que não vigia, logo se tornará profana... A principal cura para a igreja encontra-se no fortalecimento de sua vida espiritual. Quando vivemos perto de Jesus, quando bebemos da Fonte da verdade e pureza eternas, quando nos tornamos pessoalmente sinceros e puros, então, Deus, o nosso Guardador, cuidará de nós. Da mesma forma, a heresia, a falsa doutrina e a impureza são mantidas à distância. Sentinelas que cochilam são como um convite ao Inimigo. Aquele que deixa a porta aberta, pede ao ladrão que entre. A vigilância é sempre lucrativa; a preguiça; sempre perigosa".
C.H.Spurgeon
Depois do Calvário, a volta de Jesus Cristo será o evento mais importante do planeta Terra. Os santos têm esperado pelo Seu retorno pacientemente, por quase 2.000 anos. Você consegue imaginar o que Sua presença significará para esse mundo?
Como o Anticristo conseguirá tamanho domínio sobre as economias mundiais, a ponto de ninguém poder comprar ou vender sem o seu nome, número ou marca? A geração de hoje sabe a resposta: os computadores modernos, de altíssima velocidade, tornam isso possível.
A tecnologia dos computadores torna possível monitorar as atividades de cada ser humano, em todo o mundo, através de microchips implantados via cutânea. Muitos já monitoram seus animais de estimação dessa forma!
Será que a Igreja, em meio a tempos tão difícies como estes, está espiritualmente pronta, alerta e sóbria? Será que os santos realmente anseiam por apresentar-se perante Deus? Será que vivem tão-somente para agradá-Lo, apegando-se-Lhe ainda mais em função dos últimos dias? Lamentavelmente, os sinais indicam que não. Não compreendem que o espírito do kosmos conseguiu transformar aquilo que chamamos de "vigiar" em entreterimento cristão. O que deveria estar preparando seu coração para o retorno de Cristo está, pelo contrário, contaminando-os e cauterizando-lhes a sobriedade! Já outros, julgam-se preparados porque estudam gráficos e tabelas sobre o fim dos tempos, quando, na verdade, o conhecimento superficial das profecias não prepara ninguém para viver os últimos dias.
A hora da tentação
Dois temas principais são abordados por Jesus em Seu Sermão Profético (Mateus 24 e 25; reforçado em Lucas 21). O primeiro, encontrado em Mateus 24:1-41, é uma visão geral dos sinais naturais e espirituais que marcarão o final dos séculos, com um incisivo alerta contra o engano. O segundo começa no versículo 42 e estende-se até o fim do capítulo 25. Trata-se de uma advertência urgente para estarmos prontos, corroborada por diversas parábolas que não apenas descrevem a importância de estarmos prontos, mas como preparar-se.
Jesus podia contemplar a terrível batalha que sobre os discípulos sobreviria, quando todos os principados e potestades das trevas opôr-se-lhes-iam antes de Seu retorno. Ele viu o dia em que Satanás e seus anjos fariam de tudo para distrair, seduzir e desgastar o povo de Deus, mantendo-o longe do verdadeiro anseio pela Sua volta. Ele assegurou: "Portanto, vigiem, porque vocês não sabem em que dia virá o seu Senhor... Assim, vocês também precisam estar preparados, porque o Filho do homem virá numa hora em que vocês menos esperam"(Mateus 24:42,44).
Jesus estava muito preocupado com a atenção espiritual de Seu povo no final dos séculos.
Para compreendermos a dimensão desse alerta, precisamos atentar-nos à advertência que Jesus deu aos discípulos há dois mil anos atrás, quando o poder do Diabo foi bombardeado contra Ele no Jardim do Getsêmani.
Então Jesus foi com seus discípulos para um lugar chamado Getsêmani e lhes disse: "Sentem-se aqui enquanto vou ali orar". Levando consigo Pedro e os dois filhos de Zebedeu, começou a entristercer-se e a angustiar-se. Disse-lhes então: "A minha alma está profundamente triste, numa tristeza mortal. Fiquem aqui e vigiem comigo". Indo um pouco mais adiante, prostou-se com o rosto em terra e orou: "Meu Pai, se for possível, afasta de mim este calíce; contudo, não seja como eu quero, mas sim como tu queres". Depois voltou aos seus discípulos e os encontrou dormindo. "Vocês não puderam vigiar comigo nem por uma hora?", perguntou ele a Pedro. "Vigiem e orem para que não caiam em tentação. O espírito está pronto, mas a carne é fraca." E retirou-se outra vez para orar: "Meu Pai, se não for possível afastar de mim este calíce sem que eu o beba, faça-se a tua vontade". Quando voltou, de novo os encontrou
dormindo, porque seus olhos estavam pesados. Então os deixou novamente e orou pela terceira vez, dizendo as mesmas palavras. Depois voltou aos discípulos e lhes disse: "Vocês ainda dormem e descansam? Chegou a hora! Eis que o Filho do homem está sendo entregue nas mãos de pecadores."
(Mateus 26:36-45)
É interessante observar que, quando Jesus aproximou-Se dos três discípulos adormecidos, Suas palavras foram dirigidas somente a Pedro. Era o mesmo homem que, há duas horas, exclamara enfaticamente: "Estou pronto para ir contigo para a prisão e para a morte!" (Lucas 22:33). "Darei a minha vida por ti", ele declarou tão confiante (João 13:37). Pedro tinha uma idéia extremamente exagerada quanto à sua prontidão ante o que viria. Infelizmente, muitos cristãos possuem a mesma presunção!
Os discípulos estavam confiantes, mas havia algo que não entendiam. "Vigiem e orem para que não caiam em tentação". Jesus havia-lhes dito isso porque "o espírito está pronto, mas a carne é fraca". Será que entenderam o recado? Será que sabiam de fato; o quão fraca era a sua carne? Suas boas intenções dissiparam-se diante do ataque espiritual que enfrentaram naquela noite.
Hoje em dia, muitos crentes cometem esses mesmos erros. Acreditam piamente que estão prontos. Cantam sobre isso. Ensinam isso. Gabam-se disso! Em vez de apresentarem a devida sobriedade em situações como essa, fazem-se assustadoramente negligentes. Cheios de confiança, os "frequentadores de igreja" cambaleiam por aí, sem a menor prudência, não percebendo que a volta de Cristo está as portas! Estão tão Contaminados com a Babilônia que não são capazes de discernir a realidade espiritual ao seu redor. Estão como peixes fora d'água!
Dormindo
Jesus usou diversas vezes uma mesma palavra para referir-Se à Sua vinda. Que palavra é essa? "VIGIEM!" Porém, em geral, como a Igreja do Cordeiro, estamos dormindo, letárgicos, com os olhos pesados de sono. Jesus está bradando: "Vigiem! Permaneçam alertas! Acordem!"
Como podemos continuar tão espiritualmente sonolentos se, muito em breve, entraremos no momento mais urgente de toda a humanidade? Onde está o zelo por Deus? Por que será que quando o assunto é o nosso emprego, esgotamo-nos de tanto trabalhar, ao passo que, quando falamos sobre alimentar os pobres, acolher os desabrigados e visitar os presos, não "damos a mínima"? Por que será que os santos fazem tanto caso das "ofensinhas" que acabam sofrendo, mas são incapazes de chorar uma única lágrima por seus vizinhos que estão indo para o Inferno? Porque será que nós, cristãos, não tememos e trememos diante de Cristo, que deu Sua vida para nos salvar? É simples. Estamos dormindo... roncando! Temos sido "vencidos" pelo espírito do anticristo. (Daniel 7:25)
O fato é que nada neutraliza tanto a sensibilidade espiritual quanto o kosmos. Nada suga tanto o amor pelo Pai quanto "as coisas deste mundo". Não é estranho estarmos tão acordados quando o assunto é a nossa vida na Babilônia? Quando se trata de Mamom, levantamos cedo e dormimos tarde.
A igreja de hoje está como Sansão, dormindo tranquilamente no colo de Dalila; não percebe que o poder de Deus está sendo-lhe sugado neste exato momento. Asseguro-lhe que Satanás e seus cúmplices "filisteus" estão bem acordados, preparados do lado de fora, enquanto repousamos nos braços do nosso Inimigo sedutor.
Não é de admirar que Jesus tenha perguntado: "Contudo, quando o Filho do homem vier, encontrará fé na terra?" (Lucas 18:8b). Hoje, Ele procura por vigias fiéis que PRECISAM permanecer acordados.
Prontos para a vinda do Senhor
À medida que nos aproximamos da volta de Jesus, a batalha entre bem e o mal (entre a luz e as trevas) se intensificará cada vez mais. A tentação de fartar-se no banquete do Diabo aumentará e muitos se entregarão à preguiça espiritual, enquanto devoram suas deliciosas guloseimas.
Os cristãos precisam aprender IMEDIATAMENTE a dizer "NÃO!" para o sistema deste mundo, se prentendem permanecer inabaláveis diante das tribulações que rapidamente se aproximam.
É imperativo que nós, como crentes, reconheçamos a fraqueza de nossa carne. Se não nos humilharmos e não concordarmos com Jesus quanto à gravidade de nossa condição atual, nunca buscaremos a ajuda de que precisamos. Será que você sabe de fato o quão fraca é a sua carne?
É igualmente imprescindível que "vigiemos e oremos". Há dois aspectos em "vigiem" que precisam ser considerados. O primeiro não precisa de muita explanação; é o significado natural que atribuímos às palavras alerta e sóbrio. Temos que permanecer alertas, sóbrios e vigilantes, até mesmo nas horas mais escuras da noite.
O servo fiel e o servo mau
Quem é, pois, o servo fiel e sensato, a quem seu senhor encarrega dos de sua casa para lhes dar alimento no tempo devido? Feliz o servo que seu senhor encontrar fazendo assim quando voltar. Garanto-lhes que ele o encarregará de todos os seus bens. Mas suponham que esse servo seja mau e diga a si mesmo: "Meu senhor está demorando", e então comece a bater em que seus conservos e a comer e a beber com os beberrões. O senhor daquele servo virá num dia em que ele não o espera e numa hora que não sabe. Ele o punirá severamente e lhe dará lugar com os hipócritas, onde haverá choro e ranger dentes.
(Mateus 24:45-51)
Jesus quis desenhar o seguinte quadro: dois servos, dois opostos. O primeiro, quando seu senhor retorna, é considerado "feliz", pois foi achado alimentando os outros. Se o seu senhor aparecesse, de repente, na calada da noite, esse servo não teria nada a temer.
Já o segundo, quando seu senhor retorna, é considerado "mau", pois não se preocupava com as necessidades dos que estavam sob seu comando: não cuidavam que seu senhor poderia voltar a qualquer instante. Essa pessoa estava vivendo para o seu "eu", isto é, para satisfação temporal.
Está tão embriagado com o espírito do mundo que não faz a menor idéia do que acontece ao seu redor; não sabe nem o propósito de sua vida. Ele está fora de sintonia com a realidade.
Você sabe o que está reservado para o servo "mau", que se recusa a preparar-se para o retorno de seu senhor? Jesus disse que ele será enviado a um lugar especial, no Inferno, preparado especialmente para aqueles que viveram um Cristianismo de fachada, sem uma verdadeira intimidade com Deus. Seu senhor "o punirá severamente e lhe dará lugar com os hipócritas, onde haverá choro e ranger de dentes" (Mateus 24:51).
Meu querido, o que o Espírito Santo está falando de você?
Correndo de um lado para o outro
"Tenham cuidado, para não sobrecarregar o coração de vocês de libertinagem, bebedeira e ansiedades da vida, e aquele dia venha sobre vocês inesperadamente" (Lucas 21:34). A palavra "libertinagem" descreve as consequências de uma noitada. A pessoa fica de ressaca, sente-se mal, exausta e vazia. No âmbito espiritual, a libertinagem refere-se a uma vida improdutiva, ou seja, à esterilidade espiritual, resultado de uma vida repleta de atividades mundanas.
Decerto o mundo está a todo o vapor. E é claro que isso foi profetizado nas Escrituras, como uma das evidentes características do final dos tempos: "Muitos correrão por todo lado em busca de maior conhecimento" (Daniel 12:4).
Tornamo-nos, por assim dizer, viciados nesse estilo de vida apressado.
Uma das tristes implicações desse viver frenético é o alto nível de impaciência na vida das pessoas. Nossas decisões são afetadas pela rapidez com que completamos uma determinada tarefa. Em nossa vida apressada, queremos tudo AGORA!
Não é interessante que a terceira e quarta caracterísiticas do fruto do Espírito, citado em Gálatas 5, sejam paz e paciência (listados a frente de qualidades como longaminidade, bondade, fidelidade, mansidão, etc).
Os pastores e líderes não são uma excessão à "regra". A liderança de hoje, com agendas lotadas, telefones que não param de tocar, pilhas de cartas e e-mails para responder, correndo de uma reunião para outra, parecem mais empresários do que pastores de um rebanho. Imagine o efeito devastador que isso tem sobre as ovelhas.
A grande verdade é que temos perdido a capacidade - até mesmo o desejo - de aquietar-nos diante de Deus e ouvir Sua voz. Há cerca de cem anos atrás, época relativamente recente, os pastores ainda entendiam o que significava sentar e esperar em Deus. Eles aprenderam a receber inspiração divina para conduzir as ovelhas, através da disciplina de esperar em Deus.
Infelizmente, a maioria dos pastores trocou a voz de Deus pelo rugido do kosmos, produzido pela mídia. Perderam a sensibilidade espiritual e a capacidade de ouvir a doce e suave voz do Espírito. Em vez de mortificar a carne e dedicar um tempo diário para ensopar-se na presença de Deus, diminuem seu tempo de oração e entregam-se às programações e tarefas do dia. Em vez de orar pela unção de Deus e Suas revelações, que têm o poder para transformar vidas, eles preparam sermões colhendo informações de livros a apresenta-las numa bela e empacotada mensagem de três tópicos.
Não é de admirar que a Igreja - com todos os seus programas, projetos de construção e atividades incessantes - produza frutos tão secos e superficiais. Na verdade, parece que quanto mais os pastores e líderes se esforçam para cumprir as suas atividades, menos frutos eternos eles produzem. Em vez de esperar e ouvir a direção de Deus, seguindo calmamente o fluir do Espírito, a liderança, em sua maioria, tenta cumprir os seus deveres com a força do próprio braço.
Certa vez ouvi dizer que Deus Se move em grande silêncio. Ele é o grande EU SOU, que habita fora da esfera da influência do tempo. Este será um dos maiores segredos para permanecermos inabaláveis na volta de Cristo: habitar em Seu Espírito. A única maneira de preparar-nos é andando no Espírito, mantendo-nos livres das contaminações do mundo e vivendo o amor de Deus. "Feliz o servo que seu senhor encontrar fazendo assim quando voltar" (Mateus 24:46).
MEDITAÇÃO DAS ESCRITURAS E ORAÇÃO
Fique alerta! Permaneça em oração, para que não entre na zona de perigo sem percebê-lo. Não seja ingênuo. Uma parte de você está desejosa, pronta para fazer qualquer coisa por Deus. Porém, a outra é tão preguiçosa quanto um urso hibernando no inverno. (Marcos 14:38)
Não deixem fundir o seu motor; permaneçam cheios de fogo e combustível. Vigiem, servos do Mestre, mantendo a alegria da esperança. Não se demita quando as coisas apertarem; ore cada vez mais! (Romanos 12:11-12)
SENHOR; RECONHEÇO QUE TENHO ESTADO BEM ACORDADO EM RELAÇÃO ÀS COISAS DESTE MUNDO: NOTÍCIAS, ESPORTES, DIVERSÃO, ETC. MAS, POR OUTRO LADO, TENHO DORMIDO EM RELAÇÃO AS QUESTÕES ESPIRITUAIS. ACORDA-ME, SENHOR! AJUDA-ME A TER UMA MENTE SÓBRIA E ALERTA. COLOCA UMA EXPECTATIVA CELESTIAL EM MEU CORAÇÃO. FAZE COM QUE EU ANSEIE POR SANTIDADE. NÃO PERMITAS QUE EU DURMA NESTA PRESENTE ERA DE TREVAS, MAS QUE EU ESTEJA VIGILANTE PARA A VOLTA DE CRISTO. EM NOME DE JESUS.AMÉM.
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DAVI E AMY
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segunda-feira, 25 de maio de 2009
Contaminados com a Babilônia - Steve Gallagher
O grande engano
"Muitos perderam a presença graciosa de Deus e nem estão cientes do fato. Fizeram com que Deus se lhes afastasse, mas não percebem tal perda nem a lamentam. Sua alma sofre e enfraquece. Seus dons adormecem. Tudo começa a dar errado com eles, porém, não reconhecem a verdadeira causa. Não cuidam que Deus se lhes afastou, nem se importam em reconciliar-se com Ele e receber o Seu favor".
Matthew Henry
A Igreja de hoje assemelha-se muito ao povo judeu que seguia a Jesus durante o ápice de Sua popularidade. Aonde quer que fosse, multidões apoiavam-se em todas as Suas palavras e observavam cada movimento Seu. Eles ficaram tão fascinados por Jesus que estavam prontos a fazê-Lo rei à força. No entanto, Jesus não se comoveu com a emoção do povo.
A euforia daquelas pessoas continuava o máximo. Elas estavam prontas para enfrentar o invencível poderio de Roma, tudo por causa de Jesus! As primeiras palavras que Jesus lhes disse, naquele dia, estabeleceram o curso do que viria a seguir: "A verdade é que vocês estão me procurando, não porque viram os sinais miraculosos, mas porque comeram os pães e ficaram satisfeitos. Não trabalhem pela comida que se estraga, mas pela comida que permanece para a vida eterna..." (João 6:26-27).
Essas pessoas não O buscavam por desejar uma vida com Deus, a qual era apontada pelos sinais que realizava. Pelo contrário, queriam que o Senhor usasse Suas habilidades sobrenaturais para melhorar sua vida nesta Terra. Não estavam muito interessadas em servir a Deus; queriam que Deus lhes servisse.
Jesus sabia que era a vida no kosmos que as pessoas desejavam. Jamais Ele supriria seus desejos carnais e pensamentos mundanos. Quando começou a falar a verdade, esta os ofendeu e gerou-lhes ressentimento e raiva.
Totalmente cega, com o coração endurecido, sem discernimento espiritual, aquela multidão, frustrada, tentava compreender as coisas de Deus com a mente natural, racional. As palavras de Jesus foram pesadas e referiam-se a questões celestiais, que excediam o seu entendimento.
Enquanto Jesus desse ao povo o que queriam, eles se alegrariam em ser considerados Seus discípulos. E certamente continuariam seguindo o Mestre, regozijando-se, pelo resto da vida. Jesus não estava interessado nas multidões por causa de números. Ele queria seguidores para toda vida, que se comprometessem a viver para o Reino de Deus, independentemente do preço. Como sempre o fazia, Jesus levou-os a uma encruzilhada, a um dilema. Uma decisão teria de ser tomada. Estariam mesmo dispostos a segui-Lo, a pagarem o preço, ou iriam abandoná-Lo?
Atualmente, muitos estão contentes em se declarar seguidores de Cristo. As coisas vão indo muito bem para os crentes de hoje: nossa barriga está cheia; nossas despensas, lotadas; nossas poses, aumentando. Em outras palavras, tudo está do jeitinho que gostamos. Todavia, sejamos levados a uma encruzilhada ou não, Deus conhece a verdadeira condição de nosso coração.
A encruzilhada
A vida cristã sempre foi uma questão de coração. Deus tem o direito de ver se nosso serviço e motivação no Reino, de fato, procedem de uma profunda consagração interior (Amós 5:18-24), pois o verdadeiro Cristianismo começa e termina dentro do coração. Você entende que o desviar começa no coração? Em algum ponto de nossa vida, a condição interior do coração será testada. Há apenas um caminho para o Céu, e seu percurso inalterável conduz à porta estreita do Calvário.
A cultura sempre dará um jeito para corromper a sua vida. As atividades externas sempre parecerão "cristãs" enquanto a fidelidade interior fundamentar-se no kosmos. Em nossa cultura, "a mensagem da cruz é loucura" (I Coríntios 1:18). Os "muitos" que se afastaram do caminho estreito (Mateus 7:13) pensavam que a Cruz lhes exigia demais. Nunca foram ao Calvário - interiormente -, lugar onde sua antiga vida deveria permanecer crucificada, dando, assim, início a uma nova vida. É aí que começa a verdadeira mudança.
Por outro lado, os poucos que foram ao Calvário (Mateus 7:14), contemplam a vida eterna no final do caminho estreito. Isso muda a forma como enxergam a vida, pois o temporal cede lugar ao eterno. O insignificante é substituído pelo extremamente importante. Essa mudança interior deu aos santos a graça e a força para perseverarem, ao longo dos séculos, durante as dificuldades e oposições, perseguições e mortes. Eles tiveram de viver o testemunho cristão no ambiente do kosmos, mas consideravam-se apenas peregrinos, não seus cidadãos. Nós também devemos odiar nossa vida neste mundo, como Jesus disse que deveríamos fazê-lo.
Um engano destruidor
De uma forma ou outra, a maioria das pessoas crêem que estamos vivendo os últimos tempos. Os sinais apontam para isso. "Sim" dizemos convictos, "estes certamente são os últimos dias!" Contudo, nossa vida continua a mesma; não mudamos. A idéia de um governo mundial, liderado pelas mãos de um homem possuído pelo Diabo, parece uma estória de ficção; não é considerada como algo relevante para a vida cotidiana. Esta é a atitude que prevalece: "Isso até pode acontecer algum dia, mas quanto ao hoje, apenas continuarei tentando sobreviver".
No entanto, Jesus deixa muito claro que esse tempo de será de engano sem precedentes. Quando perguntaram sobre os sinais de Sua volta, a primeira coisa que disse foi: "Cuidado, que ninguém os engane. Pois muitos virão em meu nome, dizendo: 'Eu sou o Cristo!'e enganarão a muitos" (Mateus 24:4-5).
Esse é um alerta claro, dirigido principalmente a nós, que vivemos no últimos dias e enfrentamos um engano mundial, de poder e extensão sem precedentes.
E mesmo depois de ter ouvido às veementes advertências de Jesus, que lhe soam como sirenes ensurdecedoras, você ainda continua achando que VOCÊ nunca poderá ser enganado? Se não há com o que se preocupar, eu lhe pergunto: Por que Jesus nos advertiu com tamanha ênfase e tanta frequência?
Uma noiva em apuros
O Diabo já conseguiu enganar a Igreja em diversos aspectos, preparando o caminho para um engano ainda maior, que está as portas, agora mesmo. Estamos lidando com um engano destruidor que já se encontra em operação, e que tende a crescer tão-somente; tanto em intensidade como em perservidade. A Igreja está em apuros por inúmeras razões: Primeiro, ela perdeu o discernimento quanto à malignidade do pecado. Não mais chora e lamenta por causa do pecado, da carnalidade e do mundanismo. Segundo, ela se viciou no estilo de vida carnal do kosmos, trocando o amor do Pai pelas coisas deste mundo. Terceiro, está adormecida e não se dá conta disso; encontra-se hipnotizada pela suave voz do kosmos. Quarto, ela se rebelou contra a autoridade de Deus.
Quando o Anticristo aparecer no cenário mundial, fará grandes exibições de poderes. Porém, para que as pessoas acreditem nessas exibições, as manifestações demoníacas aparentes deverão ser dissimuladas. Um engano assombroso e de magnitude espantosa - tal como jamais viu o mundo. O engano tornar-se-á totalmente convincente e aceitável!
É muito fácil falarmos, confiadamente, sobre como permaneceremos firmes em Cristo, não importa o que aconteça. É loucura afirmarmos que podemos resistir ao poder do Inimigo com nossas próprias forças. O homem, por si só, não é páreo para o poder de Satanás. É apenas permanecendo em Cristo que teremos autoridade contra ele.
Um motivo para preocupação
Apesar de as águas do engano estarem subindo e a maioria dos crentes encontrarem-se no terreno escorregadio da indiferença, uma tsunami espiritual está vindo em nossa direção e abalará tudo o que pode ser abalado (Hebreus 12:25-29). Essa onda de malignidade sem precedentes não nos seria tão alarmante se a Igreja estivesse preparada para isso, mental e espiritualmente.
É claro que os outros podem ser enganados, mas nós não. O Inimigo conta com essa atitude porque ela ilude as pessoas com um sentimento de falsa segurança. Alguém certa vez disse: "Se você acha que não pode ser enganado, então já está a meio caminho do engano". É exatamente aqui onde o Diabo mantém muitos cristãos hoje: na metade do caminho para o engano.
"Não importa o que aconteça ou quão ruim as coisas fiquem. Eu nunca, jamais, em momento algum, negarei a Cristo". A autoconfiança se derrete no calor da batalha espiritual. Aqueles que costumam negar a Cristo, todos os dias, por amor às coisas do mundo, descobrirão que não possuem força alguma quando o Inimigo vier como uma enchente. Se eles renunciam ao Senhor, interiormente, em sua vida hoje, como terão coragem de permanecer ao seu lado quando forem confrontados pela assustadora presença de Satanás? É pura ilusão! Como disse Jeremias: "Se você correu com homens e eles o cansaram, como poderá competir com cavalos? Se você tropeça em terreno seguro, o que fará nos matagais junto ao Jordão?" (Jeremias 12:5).
A perversa tendência de preferir a mentira à verdade. Muitos cristãos acham que o aspecto mais importante da verdade é ter a doutrina certa. Podemos ter a doutrina certa sem permanecer na verdade. A verdade tem muito mais a ver com a integridade em nosso relacionamento com Jesus do que com o consentimento mental à teologia ortodoxa.
Aquilo que Paulo previu está acontecendo agora mesmo, diante de nossos próprios olhos: "Pois, virá o tempo em que não suportarão a sã doutrina; ao contrário, sentindo coceira nos ouvidos, juntarão mestres para si mesmos, segundo os seus próprios desejos. Eles se recusarão a dar ouvidos à verdade, voltando-se para os mitos". (II Timóteo 4:3-4).
Uma das coisas de que o Corpo de Cristo mais carece hoje, é possuir o amor pela verdade. A verdade está pronta para receber aqueles que a querem, mas ela machuca, com certeza. É fácil ignorá-la e ridicularizar os mensageiros que a anunciam. Meus querido amigo, só existem duas opções: ou você é um daqueles que "recebem o amor da verdade afim de ser salvo" ou é um dos que "perecem". Você amará a "mensagem da cruz" ou ela continuará "loucura" para você?
O amor por este mundo está no coração de cada pessoa. A única maneira de extirpá-lo é através de um profundo arrependimento e através do processo de santificação. Esse amor precisa ser exposto e eliminado. Somente a Cruz do Calvário crucificará o amor pelo mundo, enraizado no coração do homem.
A prostituta da Babilônia
O espírito que hoje ataca a Igreja e a tenta, não passa da expressão moderna de algo muito antigo. O termo que denota o espírito do kosmos, no Livro de Apocalipse, é: "A Grande Babilônia". Ela é o espírito sedutor que oferece às pessoas uma vida longe de Deus e de Seu governo.
No entanto, há uma segunda personalidade revelada na grande visão de João. Trata-se da Prostituta da Babilônia. Precisamos nos lembrar disto: para Deus, idolatria e adultério são termos que estão intimamente ligados. Bem, adúltera é a noiva que tem sido infiel ao seu marido. A Prostituta da Babilônia é a parte infiel da Igreja, aquela que tem dormido com o Inimigo. Ela abrange toda a Igreja apóstata; seja romana, grega ou mesmo protestante, uma vez que tenha abandonado seu "primeiro amor" (Apocalipse 2:4) a Cristo, o Noivo celestial, e dedicado seu amor a ídolos mundanos".
O Pulpit Commentary (Comentário do Púlpito) traz a seguinte observação acerca da Prostituta da Babilônia:
Sempre que os cristãos escolhem o favor do mundo, ao invés de abominá-lo; sempre que consideram suas glórias como algo almejável, ao invés de desprezá-las; sempre que preferem "o jeito mais fácil", ao invés de perseverar nas tribulações; sempre que amam os prazeres mais do que a renúncia; sempre que se entregam a cobiça, ao invés de darem generosamente o que possuem - aí encontraremos a manifestação do espírito da Babilônia...
A prostituta é a Babilônia, ou seja, a porção mundana da Igreja. É, na verdade, idêntica ao mundo; totalmente contra Deus. Essa porção infiel da Igreja de Cristo (embora tenha aparência de cristã) é a mãe, ou seja, a causadora da infidelidade a Deus. Sabemos que isso é verdade porque muitos crentes, cuja mente é carnal, levam mais pessoas a desobedecerem e serem infiéis a Deus do que declaradamente se Lhe opõem...
Essa porção infiel da Igreja preferiu render ao mundo, o amor que é devido a Deus. Eles se apegaram às riquezas deste mundo ao invés de acumular tesouros no Céu.
A grande apostasia
Quando esta era chegar ao fim, a maioria dos cristãos correrão o risco de entregar-se ao espírito do anticristo. Quando Paulo alerta-nos sobre a poderosa natureza do engano que acompanhará o Anticristo, ele também afirma que antes de nos encontrarmos "com o Senhor nos ares", "virá a apostasia" (II Tessalonicenses 2:3).
O que é apostasia? O Dicionário Bíblico Strong define a palavra grega apostasia como uma "defecção da verdade... deserção, abandono".
No que diz respeito às crenças religiosas, constituiria o abandono de um relacionamento com Deus, outrora existente. Ele fala sobre pessoas, não organizações. São cristãos que abandonaram o relacionamento que tinham com o Senhor. No homem interior - aquele lugar dentro de nós que só Jesus conhece - essas pessoas renunciaram a Deus. E por ainda manter uma aparência do Cristianismo, serão julgados e terão "lugar com os hipócritas, onde haverá choro e ranger de dentes". (Mateus 24:51).
Essa palavra grega não somente descreve os que abandonaram suas crenças religiosas, mas os que não se sujeitam à autoridade. O espírito do anticristo é quem alimenta e estimula a rebelião contra a autoridade de Deus. Certamente ele é capaz de atuar no coração e na mente dos cristãos. Somos rebeldes por natureza e o Diabo adora cultivar essa tendência nos cristãos.
O rio de engano está transbordando. Todos estão sendo empurrados na direção da grande cascata, a qual lançará seus habitantes no lago de fogo. Jesus foi extremamente cuidadoso em mostrar-nos a rota de fuga. No Sermão Profético, advertiu Seus discípulos, repetidamente, a estarem PRONTOS, ALERTAS E ATENTOS! A advertência está aí; cabe a nós ouvi-la, ou não.
MEDITAÇÃO NAS ESCRITURAS E ORAÇÃO
Não deixem que ninguém os engane de modo algum. Antes daquele dia virá a apostasia e, então, será revelado o homem do pecado, o filho da perdição. (II Tessalonicenses 2:3)
Mas nós viemos de Deus e pertencemos a Deus. Todo aquele que O conhece, compreende-nos e nos dá ouvidos. E é claro que não querem nem saber de Deus, não nos dará ouvido. Este é mais um teste para distinguirmos o Espírito da Verdade do espírito do engano. (I João 4:6)
SENHOR, MANTÉM-ME PERTO DO CALVÁRIO. AJUDA-ME A AMAR A CRUZ, MESMO QUE ISSO SIGNIFIQUE TORNAR MINHA VIDA DESCONFORTÁVEL. NÃO QUERO SER COMO OS QUE RESISTEM À VERDADE, PELO FATO DE ELA DAR UM NOVO RUMO PARA A MINHA VIDA. RECONHEÇO, DE PRONTO, QUE POSSO SER FACILMENTE ENGANADO. TORNA-ME, PORTANTO, SURDO PARA A VOZ DO ENGANADOR. AJUDA-ME A PERMANECER NO CAMINHO ESTREITO! LIBERTA-ME DO DOMÍNIO DO PECADO! EM NOME DE JESUS. AMÉM.
Postado por
DAVI E AMY
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