A Disciplina Divina e o Sofrimento
Alguns dos sofrimentos experimentados pelos cristãos são conseqüências da disciplina divina.
A punição implica retribuição por mau procedimento. Isso inclui o pagamento da penalidade pelos atos cometidos. As Escrituras, de maneira enfática, ensinam que Jesus pagou na cruz o preço por nossos pecados.
Se Deus puniu Jesus por nossos pecados e depois nos punisse também, então Ele estaria exigindo um pagamento duplo. Isso é algo que Deus jamais faria. Deus não pune seus filhos por seus pecados. Antes, Ele os disciplina, e o motivo para tal é o amor, não a raiva. Se mantivermos esse fato fundamental em mente, teremos uma atitude totalmente distinta ao olhar para nossas experiências.
O capítulo 12 de Hebreus nos esclarece que Deus disciplina aqueles a quem ama. Esse texto nos relata que quando Deus disciplina seus filhos, Ele não age movido pela raiva ou desforra, mas por seu incomensurável amor e zelo. Deus nos ama demais para permitir que fiquemos impenitentes em nosso pecado. Devido ao cuidado que tem conosco, Ele nos pune.
Deus quer apenas o melhor para nós, e, por essa razão, Ele nos disciplina como seus filhos. Seu desejo é afastar algumas coisas (por exemplo, o pecado), para que depois Ele possa pôr algo melhor no lugar (santidade). Como um jardineiro poda a videira para que produza mais frutos, também o Pai poda seus filhos para que frutifiquem mais (Jó 15.2). Deus trabalha na vida de cada crente para "cortar" tudo que é mal a fim de que produza frutos mais espirituais.
Para evitar alguma dor que é causada pela disciplina, devemos ter a iniciativa de julgar nossos pecados. Depois de tudo, as Escrituras ensinam que se julgarmos a nós mesmos, não seremos julgados (1 Co 11.31).
Isso não quer dizer, é claro, que os virtuosos jamais são disciplinados por Deus. A maioria deles, com certeza, é corrigida pelo Pai. Ele molda constantemente todos os seus filhos à imagem de Cristo. Portanto, Deus pode disciplinar um crente que não esteja necessariamente envolvido em desobediência consciente, mas que ainda tenha áreas em sua vida que não atingiram o ideal para Deus. Ou Deus pode disciplinar um crente para que se desembarace de sua perspectiva mundana, e, dessa maneira, Ele possa substituí-la por uma perspectiva celeste (eterna).
Deus sabe precisamente que tipos de circunstâncias deve permitir em nossas vidas para nos disciplinar. E o resultado da disciplina de Deus em nossa vida é que compartilhamos sua santidade. Em outras palavras, começamos a parecer uma família.
Um Reflexo do Caráter de Deus?
Quero enfatizar que, quando Deus permite circunstâncias dolorosas em nosso caminho com o propósito de nos disciplinar, sua motivação é o amor. Algumas pessoas questionam o caráter de Deus em razão de permitir o sofrimento em nossa vida.
A tolerância de Deus em relação ao sofrimento é perfeitamente compatível com seu amor e não lança qualquer dúvida sobre Ele.
Voltando à metáfora de pais e filhos, um filho poderia concluir que devido ao fato de seu pai o disciplinar, ele é desamoroso. No entanto, isto não é a verdade. O pai disciplina seu filho justamente por que o ama. O mesmo acontece com Deus. Assim, se reconhecemos que seu amor está por trás de todo o relacionamento que tem conosco, nosso conceito sobre o amor de Deus deverá expandir-se.
Estudo de Caso 1 : Os Israelitas no Exílio
Como forma de disciplinar seus filhos rebeldes, Deus permitiu que Israel fosse exilado na hostil Babilônia, governada por Nabucodonosor em 597 a.C. Jerusalém e o templo foram destruídos (Lm 1.1-7). Contudo, depois de realizar seu propósito divino, Deus libertou Israel do exílio.
Israel, de maneira consistente, desobedeceu à lei de Deus, e no primeiro capítulo de Isaías, encontramos a nação no tribunal. O Senhor acusou Judá (por intermédio do profeta) de violação de contrato ao quebrar a aliança do Sinai que Deus deu aos israelitas, na saída para o Egito. Nessa cena de tribunal, o Senhor recorre ao céu e à terra para testemunhar a acusação que Ele levanta contra a nação (Is 1.2). Todo o universo deu testemunho de que o julgamento de Deus é justo.
O Senhor acusou Judá por se rebelar contra Ele. A palavra hebraica para "rebelde", em Is 1.2, era, com freqüência, usada entre os anciões em relação à situação de violação do pacto, a saber, qualquer nação subordinada que rompesse o tratado estabelecido com a nação soberana. Em Isaías 1, a palavra aponta para a ostensiva violação da aliança de Deus praticada por Judá. Desta forma Israel entra no cativeiro.
Nesse caso, o cativeiro da Babilônia era a maneira de Deus punir Judá. É óbvio que essa disciplina foi aplicada como um corretivo. Ao longo do Antigo e Novo Testamento vemos que Deus disciplina seus filhos para os purificar. Da mesma maneira que um pai mundano disciplina seu filho, Deus, o Pai, disciplina seus filhos para ensiná-los e educá-los (Hb 12.1-5). Deus amava demais aos israelitas para ficar impassível quando eles se desgarraram de seu compromisso com Ele. A falta de ação por parte de Deus poderia significar que Ele não amava seus filhos.
Depois de um tempo apropriado de sofrimento sob suas mãos disciplinadoras, Deus libertou o povo e o restabeleceu totalmente. Em meio a disciplina, Deus pretendia, em todo o tempo, restabelecer Israel. Deixe-me repetir de novo, Deus nunca disciplina para tirar desforra de seus filhos. Deus permite o sofrimento para restabelecer seu povo. Deus o quer reabilitado, revitalizado e revigorado. O amor de Deus e sua disciplina são perfeitamente compatíveis.
Estudo de Caso 2: A Dura Lição de Davi
Davi era um homem segundo o coração de Deus (At 13.22), mas na meia idade, ele caiu e permaneceu no pecado por quase um ano inteiro. Deus não teve escolha, a não ser discipliná-lo.
Como é fácil e rápido para um grande homem cair. E que dor essa queda causa, quando um grande homem fracassa em se arrepender! Davi teria se livrado de muitos problemas e dores por meio do arrependimento e da confissão imediata de seus pecados a Deus. Ele ainda teria de lidar com as conseqüências, mas pelo menos, teria alcançado imediatamente a vereda da cura em vez de esperar quase um ano.
Durante esse episódio, Davi acabou desobedecendo quatro dos dez mandamentos: "Não matarás" (Êx 20.13), "não adulterarás" (v. 14), "não furtarás" (v. 15), "não cobiçarás a mulher do teu próximo" (v. 17).6 Essas proibições não estão na Bíblia para tornar nossa vida mais infeliz. Elas estão lá para nosso bem. Deus nos criou, e se vivermos como Ele quer que vivamos (obedecendo seus mandamentos), estamos no caminho das bênçãos e da vida abundante. No entanto, se escolhermos nos afastar desse caminho, e, em vez disso, escolhermos um caminho cheio de espinhos, não podemos culpar ninguém, além de nós mesmos, quando formos dolorosamente atormentados.
Como Davi permaneceu em pecado por mais de um ano, Deus não teve outra escolha a não ser discipliná-lo. Após essa disciplina, por fim Davi se arrependeu e confessou seu pecado a Deus.
Parece que a disciplina de Deus na vida de Davi foi severa. Davi fala "os ossos que tu quebraste" (v. 8). Seu sofrimento envolveu algum tipo de aflição física. Davi também pede a Deus que torne a lhe dar a alegria da salvação (v. 12), o que pressupõe que, como resultado de seu pecado e da subseqüente disciplina de Deus, ele havia perdido a alegria. Assim, observamos que o pecado acarreta conseqüências físicas, emocionais e espirituais.
Davi fez a escolha errada! Aprendamos com seu erro.
Não Julgue
De acordo com o que aprendemos sobre a disciplina de Deus na vida dos crentes é fácil concluir que sempre que vemos irmãos no sofrimento é pelo fato de Deus estar disciplinando-os por seus pecados. Não sejamos apressados em julgar, pois não conhecemos todos os fatos. Lembre-se o que disse em uma passagem anterior deste livro: algumas vezes as pessoas sofrem por que usaram seu livre arbítrio de maneira inadequada, porém, elas também sofrem em conseqüência da livre escolha feita por outras pessoas. E outras vezes ainda, as pessoas sofrem devido a lutas espirituais ou qualquer outra coisa.
Espero que quando você vir uma irmã com câncer (por exemplo), não conclua de imediato que Deus a está disciplinando por seus pecados. Afinal de contas, vivemos em um mundo caído, cheio de doenças e dor.
Curando nosso Coração
Algumas vezes permitimos que a dor da disciplina desvie nossa atenção impedindo que percebamos a verdade mais ampla e confortante, a saber, que estamos para sempre na família de Deus. Acredito que uma das maiores bênçãos da salvação é a de que os crentes foram adotados para sempre pela família de Deus. De maneira literal, tomamo-nos "filhos de Deus" (um termo bíblico que, em geral, significa "meninos de Deus") (Rm 8.14).
Usufruímos um relacionamento privilegiado e de responsabilidade, pois fomos adotados para sempre pela família de Deus. Como filhos dEle, somos chamados a viver de uma maneira que reflita nosso novo relacionamento familiar. Somos chamados a mostrar a similitude familiar (Mt 5.48). A disciplina amorosa de Deus nos ajuda a alcançar essa semelhança.
Como meninos de Deus, não precisamos ter medo de nos aproximar dEle.. As Escrituras nos asseguram que podemos nos aproximar com ousadia do trono de Deus e dizer: "Aba, Pai" (Rm 8.15). Aba é um termo aramaico que traduz grande afeição e intimidade — similar ao "papai" do português. Perceba Deus como Ele é: não o severo disciplinador divino, mas o divino pai amoroso que disciplina a partir de seu profundo amor.
Devido a esse novo relacionamento familiar com Deus, os crentes são chamados de "herdeiros de Deus" e "co-herdeiros de Cristo" (Rm 8.17). Em uma família típica, cada filho recebe uma parte da herança dos pais. Isso toma cada filho um herdeiro, e todos os filhos são co-herdeiros. Como filhos de Deus somos seus herdeiros e, coletivamente, somos co-herdeiros com Cristo (Gl 4.7).
As Escrituras nos informam que os crentes herdaram "todas as bênçãos espirituais" em Cristo (Ef 1.3). E a partir de nossa admissão no céu, herdaremos todas as riquezas do glorioso reino de Deus (1 Co 3.21-23). Que futuro magnífico nos aguarda! Seria sábio, durante os momentos de sofrimento, ter em mente esse magnífico futuro. Ao ter conhecimento de como acabará nossa história pessoal, temos esperança durante as provações da vida.
Nunca esqueça que sua identidade original é a membresia eterna na família de Deus. Isso pode afetar sua atitude, seu comportamento — tudo em sua vida. Deixe sua identidade de filho de Deus ser uma fonte de força e encorajamento para você.
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009
Por que coisas ruins acontecem se Deus é bom - Ron Rhodes - part. 9
Postado por
DAVI E AMY
às
07:01
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