quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Por que coisas ruins acontecem se Deus é bom - Ron Rhodes - part 4

O Mal Prova que Deus É Finito?


A palavra finito significa "o que tem um fim, um limite".Algumas pessoas quando consideram o problema do mal, concluem que Deus tem poder limitado, que Ele deve ser finito. Elas sugerem que Deus quer acabar com o problema do mal (o que quer dizer que Ele é bom), mas Ele, simplesmente, não tem poder para tal.

O Deus Finito de Rabbi Kushner

Rabbi Kushner, no início da década de 1980, popularizou o deísmo finito por meio de seu livro, um êxito de vendas, When Bad Things Happen to Good People (Quando Coisas Ruins Acontecem com Pessoas Boas).

Kushner concluiu que Deus simplesmente não controla algumas coisas. Deus é bom, mas Ele não tem poder suficiente para realizar todas as coisas boas que quer. Em suma, Deus é finito.Então, Kushner sugeriu que Deus é limitado pelas leis da natureza e pela realidade da autonomia moral do ser humano.

O Deus Finito do Processo Teológico

Outra forma de deísmo finito é o processo teológico. Esse sistema teológico, defendido por pensadores como Alfred North Whitehead, Charles Hartshorne e John Cobb, envolve uma visão altamente filosófica de Deus.

Para facilitar as coisas, transcrevi os principais (e difíceis) ensinamentos do processo teológico para uma linguagem acessível:

1. Toda realidade está em constante mutação. Ela está sempre em processo.
2. Tudo no universo está relacionado a todas as outras coisas e as influências. Nada existe isoladamente. Nada é uma "ilha".
3. Ao reagir à idéia de que Deus é transcendente (acima e além do universo), os defensores do processo teológico acreditam que Deus está relacionado, de maneira íntima, com o universo. Na verdade, o universo é visto como o corpo de Deus. Dizem que todas as coisas acontecem "em Deus". Deus está organicamente relacionado com toda a realidade. Ele é Interdependente do mundo. E Deus, como o resto do universo, é caracterizado mais pelo processo e mudança do que pela estabilidade e integridade.8

4. Deus não exerce soberania sobre o mundo. Ele não é um ser controlador ou coercivo. Antes, Ele simplesmente tenta "atrair" o mundo para a direção positiva. Ele se empenha para persuadir o mundo em direção ao bem e para inspirar o ser humano em direção à melhor ação. Ele é a grande dinâmica por trás da evolução.9
5. Deus não é onipotente. Ele não pode alterar certar ocorrências na criação. Como citamos acima, Ele opera de maneira interdependente com a criação, não coagindo o ser humano para realizar seus desejos, mas tentando atraí-los para pôr em prática as metas que Ele determinou para eles.
6. O ser humano tem liberdade para resistir à tentativa de Deus de atraí-lo. Eles podem escolher não corresponder à persuasão divina, conforme estabelecida por Deus em sua proposta. Logo, a atividade divina envolve riscos. Não há garantia de que Deus será bem-sucedido.
7. Como Deus não tem o controle absoluto e apenas atrai e influencia as pessoas, o problema do mal é facilmente resolvido. John Cobb, teólogo do processo, comenta que "uma vez que Deus não está no controle total dos eventos do mundo, a ocorrência do mal genuíno não é incompatível com a bondade de Deus em relação a todas as criaturas".
8. Deus não é onisciente (conhecedor de tudo). O futuro está aberto de maneira radical, pois Deus não está nos guiando em direção a um fim predeterminado. Deus não pode prever os eventos futuros inesperados. Ele conhece apenas o que pode ser conhecido (abrangendo todo o passado até o momento presente). No entanto, o conhecimento dEle continua a se desenvolver, como também os eventos futuros imprevisíveis que acontecerão. A cada momento, um novo evento imprevisto acontece, e nesse momento, e apenas nesse momento, Deus tem conhecimento dEle.
9. Deus está no processo de crescimento e desenvolvimento. Ele cresce como resultado de um relacionamento pessoal, como também dos eventos que acontecem na terra. Deus é movido pelos acontecimentos que têm lugar neste planeta. Ele pode ser enriquecido ou enfraquecido pelo que Ele encontra aqui. Deus, por exemplo, abateu-se com o Holocausto e deplorou o fato de Hitler e seus seguidores nazistas, assassinos impiedosos, escolhessem ignorar seu chamariz em direção às coisas positivas.

O Deus Finito do Teísmo Aberto


O teísmo aberto assim como o processo teológico, postula que Deus não tem presciência completa do futuro. As coisas más que os seres humanos fazem surpreendem a Deus, assim como a nós. Deus sabe o que é possível saber, o que inclui todos os eventos do passado e do presente. No entanto, para Deus, não é possível saber de maneira infalível os futuros atos autônomos dos seres humanos.

Portanto, Deus corre riscos, pois Ele não tem conhecimento total do futuro.Não é de surpreender, que os teístas abertos também arguam que a soberania de Deus é limitada. Desse ponto de vista, portanto, devemos concluir que muito do mal que emergiu em nosso mundo (1) não foi previsto por Deus e (2) foi causado por agentes livres sobre os quais Deus não tinha controle soberano.

Outro ponto significativo, mencionado em relação ao teísmo aberto, é a visão de que Deus, em algum sentido, é um ser temporal. Como Deus comanda atos em um mundo temporal (um mundo em que há tempo, com "antes" e 'depois"), o próprio Deus é um ser temporal que está sujeito a mudanças.

O argumento pode ser resumido desta maneira: "1) Deus está relacionado a um mundo em mudança. 2) O que quer que esteja relacionado com um mundo em mudança está sujeito a mudanças. 3) Portanto, Deus está sujeito a mudanças".

De acordo com esse ponto de vista, é perfeitamente factível que Deus não tivesse idéia de que os terroristas do Al Qaeda voariam nas Torres Gêmeas, em 11 de setembro. Cada detalhe desse ato terrorista pegou Deus de surpresa, como também a todos os cidadãos dos Estados Unidos. Há muito mais a dizer sobre o teísmo aberto. Contudo, esse resumo é suficiente para mostrar seu conceito de Deus finito.

Como a Visão de Rabbi Kushner Fracassa

Se Deus é finito, então Ele mesmo é um ser contingente, que depende de alguém ou alguma coisa maior para existir.Tal Deus não é digno de nossa adoração.

Esse Deus finito também não é digno de nossa confiança, uma vez que não temos certeza de que Ele poderá vencer o mal no futuro.

A finidade de Rabbi Kushner fracassa ao considerar que o tempo de Deus é igual ao do ser humano. O fato de Deus não ter derrotado o mal hoje, não significa que Ele não o eliminará no futuro (2 Pe 3.7-12; Ap 21— 22).

Seria falta de visão concluir que Deus tem poder limitado apenas por que alguma coisa ruim aconteceu hoje. Deus tem motivos para permitir que alguma coisa ruim aconteça hoje, razões sobre as quais não sabemos nada e as quais Deus usa para trazer algo muito melhor no futuro.

Claramente a finidade vai contra o testemunho bíblico sobre Deus. As Escrituras, ao contrário do Deus impotente de Rabbi Kushner, retratam Deus como sendo o onipotente — O Todo-poderoso. Ele tem o poder de fazer tudo que quiser e desejar. A Escritura declara 56 vezes que Deus é Todo-poderoso (Ap 19.6).24 Deus tem força abundante (S1147.5) e tem grande e incomparável poder (2 Cr 20.6; Ef 1.19-21). Ninguém pode deter a mão de Deus (Dn 4.35). Ninguém pode mudar Deus (Is 43.13); igualmente, nada ou ninguém O poderá deter (Is 14.27). Nada é impossível para Deus (Mt 19.26; Mc 10.27; Lc 1.37); como também nada é muito difícil para Ele (Gn 18.14; Jr 32.17,27). O Todo-Poderoso reina (Ap 19.6) e, um dia, Ele derrotará todo o mal.

Além disso, Deus, ao contrário da visão de Rabbi Kushner, não é limitado pela natureza nem está sujeito a suas leis. Mas nosso Deus onipotente não está impedido, nem no mais ínfimo grau, de agir no mundo se assim desejar.

As Escrituras nos dizem que Deus é o Sustentador e Governador do universo (At 14.16,17; 17.24-28). A Bíblia descreve que Jesus sustenta "todas as coisas pela palavra do seu poder" (Hb 1.3) e é aquEle por quem "todas as coisas subsistem" (Cl 1.17). 0 que do ponto de vista humano é chamado "leis da natureza", na realidade, nada mais é do que o poder normal de Deus de sustentar o cosmos em ação! Pragmaticamente: Deus não é limitado pelas leis da natureza — Ele controla as leis da natureza.

O pecado é o maior culpado quando se trata de entender por que coisas ruins acontecem às pessoas.

Como o Processo Teológico e o Teísmo Aberto Fracassam

1. O que aconteceria ao Deus do processo teológico se o mundo não existisse? Sem o mundo (o corpo de Deus) com o qual Deus, de maneira interdependente, interage e no qual se desenvolve, o que aconteceria com seu Ser? Esse Deus parece depender da criação.O processo teológico solapa a absoluta transcendência de Deus ao tornar a criação essencialmente necessária a sua existência.Acima de tudo, se o mundo é o "corpo" de Deus, e se Deus e o mundo são interdependentes, o próprio Deus é objeto da segunda lei da termodinâmica? Ele também está cada vez mais desordenado e tende ao "caos"?

2. Deus pode interagir com o mundo (e com os seres humanos) sem haver mudança na essência de sua natureza. A Bíblia, ao contrário do processo teológico e do teísmo aberto, é clara ao afirmar que Deus, em sua natureza essencial, é imutável (invariável). Em Malaquias 3.6, Deus afirma: "Porque eu, o Senhor, não mudo". Em Tiago 1.17 encontramos: "Pai das luzes, em quem não há mudança, nem sombra de variação".Em Salmos 33.11, lemos: "O conselho do Senhor permanece para sempre; os intentos do seu coração, de geração em geração". Deus pode e se envolve nos relacionamentos mutáveis do mundo. Embora Deus seja imutável em termos de absoluta deidade, Ele é um Ser pessoal com quem é possível estabelecer um relacionamento pessoal e prazeroso. A pessoa é um ser consciente — que pensa, sente, propõe e conduz essas propostas à ação. A pessoa se engaja em relacionamento ativo com os outros. Você pode falar com uma pessoa e obter resposta dela. Você pode partilhar sentimentos e idéias com ela. Pode argüir com ela, amá-la e, até mesmo, odiá-la, se assim escolher fazer. Com certeza, DEUS, por essa definição, deve ser concebido como uma pessoa. Afinal de contas, Deus é um ser consciente que pensa, sente e propõe — e Ele conduz esses propósitos à ação. Ele se engaja em relacionamentos com os outros. Você pode conversar com Deus e obter respostas dEle.A Bíblia retrata Deus como aquEle Pai pessoal e amoroso a quem podemos chamar: "Aba" (Rm 8.15). Aba é um termo aramaico que transmite grande intimidade e o qual pode ser livremente traduzido por "papai". Ele também é o "Pai de toda consolação" de todos os crentes (2 Co 1.3). As Escrituras, com freqüência, também o descrevem como o ser compassivo que responde às petições pessoais de seu povo. (Alguns bons exemplos podem ser encontrados em Êx 3.7,8; Jó 34.28; Sl 81.10; 91.14,15; e Fp 4.6,7.) Ainda assim, o tempo todo, a essência da natureza de Deus é imutável.

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