sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Por que coisas ruins acontecem se Deus é bom - Ron Rhodes - part 5

3. Deus é transcendente e também imanente. Há abundância de versículos no Antigo e Novo Testamento que falam sobre a transcendência de Deus. Por exemplo, em 1 Reis 8.27, Salomão diz: "Mas na verdade, habitaria Deus na terra? Eis que os céus e até o céu dos céus te não poderiam conter, quanto menos esta casa que eu tenho edificado". Em Salmos 113.5,6, o salmista pergunta: "Quem é como o Senhor, nosso Deus, que habita nas alturas; que se curva para ver o que está nos céus e na terra".Da mesma maneira, muitos versículos da Escritura falam sobre a imanência de Deus. Em Êxodo 29.45,46, Deus afirma: "E habitarei no meio dos filhos de Israel e lhes serei por Deus, e saberão que eu sou o Senhor, seu Deus, que os tenho tirado da terra do Egito, para habitar no meio deles". Em Deuteronômio 47 diz: "Porque, que gente há tão grande, que tenha deuses tão chegados como o Senhor, nosso Deus, todas as vezes que o chamamos?"Alguns versículos da Bíblia ensinam a respeito da transcendência e da imanência de Deus. Por exemplo, Deuteronômio 4.39, diz: "Pelo que hoje saberás e refletirás no teu coração que só o Senhor é Deus em cima no céu e embaixo na terra; nenhum outro há". Fica claro, que Deus está acima e além da criação, contudo, Ele está ativo no meio da criação. Deus, ao contrário do que diz o processo teológico e o teísmo aberto, é transcendente e imanente.

4. Deus é onisciente (tudo sabe). Deus sabe todas as coisas, reais e possíveis (Mt 11.21 -23). Ele sabe todas as coisas passadas (Is 41.22), presentes (Hb 4.13) e futuras (Is 46.10). E, devido ao fato de que Ele sabe todas as coisas, seu conhecimento não pode crescer ou decrescer.Salmos 147.5 afirma que o entendimento de Deus "é infinito".Além disso, ao contrário do que o processo teológico e o teísmo aberto argumentam, a saber, de que Deus não conhece eventos futuros incertos até que estes ocorram, a Escritura é clara ao afirmar que Deus, de forma simultânea, conhece todas as coisas — passadas, presentes e futuras.Numerosos exemplos bíblicos mostram que Deus sabe o que as decisões do livre arbítrio do ser humano ocasionarão. Um exemplo está em João 13.38, em que Jesus anuncia a Pedro que, antes que o galo cante, ele o negará três vezes.Observe a especificidade da predição de Jesus. Ele não disse que Pedro negaria Jesus "poucas vezes" ou "muitas vezes", nem mesmo disse duas ou quatro vezes, mas exatamente três vezes. É espantoso que Jesus possa ser tão específico, se Deus (e, portanto, Jesus) ignora quais serão as ações resultantes do livre arbítrio do ser humano. É claro, os fatos se desenrolaram da maneira exata como Jesus previu.Além disso, embora Deus tenha ciência total de quais serão os atos do livre arbítrio do ser humano (inclusive os atos maus), sua presciência não está acidentalmente relacionada a esses eventos. Deus, no entanto, não é responsável pelos atos maus cometidos pelos agentes que têm livre arbítrio.

5. Por que Deus conhece completamente o futuro suas profecias de futuro são acuradas e corretas. Se Deus, conforme o teísmo aberto argumenta, não tem conhecimento das decisões futuras que serão tomadas pelos agentes por meio do livre arbítrio, então na melhor das hipóteses, as profecias são duvidosas. Além disso, muitas profecias anunciadas nas Escrituras envolvem ou relatam futuras decisões que serão tomadas por agentes que fazem uso do livre arbítrio.Há muitos exemplos dessas ocorrências. Por exemplo, em Zacarias 11.12 profetiza-se que Jesus será traído por trinta moedas de prata, e essa profecia foi cumprida na pessoa de Judas (Mt 26.15). No entanto, o que aconteceria se Judas resolvesse não trair Jesus? E se ele mudasse seu coração no último minuto? A profecia não seria cumprida.A Escritura, ao contrário do teísmo aberto, é clara ao dizer que Deus tem conhecimento completo do futuro, e, portanto, suas profecias de futuro são acuradas e precisas.

6. Deus é eterno, não-temporal. Ao contrário do processo teológico e do teísmo aberto que argumentam que Deus é um ser temporal, a Bíblia ensina que Deus transcende todo o tempo. Ele está acima do tempo-espaço do universo. Ele sempre existiu como ser eterno, Deus é o Rei eterno (1 Tm 1.17), o único imortal (6.16). Deus é o "Alfa e o Ômega" (Ap 1.8), "o primeiro e [...] o último" (veja Is 44.6; 48.12) e "de eternidade a eternidade" (Sl 90.2). Ele vive para sempre desde a antigüidade (Sl 41.13; 102.12,27; Is 57.15). Devido ao fato de Deus transcender o tempo — porque Ele está acima do tempo —, Ele pode ver o passado, o presente e o futuro em um único ato intuitivo. A total extensão panorâmica da história completa do ser humano — passado, presente e futuro — repousa diante do onisciente olhar de Deus.Entretanto, o simples fato de que Deus está além do tempo não significa que Ele não pode agir no tempo.Deus, conforme a perspectiva bíblica, age no reino do tempo, porém a partir do reino da eternidade. Deus é eterno, mas Ele faz coisas temporais. Os atos de Deus acontecem no tempo, mas seus atributos permanecem além do tempo.

7. Deus não se torna temporal na encarnação. A encarnação é o evento em que Jesus — a segunda pessoa da Trindade — tomou a forma humana carnal. O argumento do teísmo aberto, a saber, de que a encarnação significa que Deus tornou-se temporal é fundamentado em uma total má compreensão do que acontece na encarnação, pois ontologicamente, o divino não se transforma em humano. A natureza divina não se converte em uma natureza humana.Antes da encarnação, Jesus era uma pessoa com uma natureza (a natureza divina).Na encarnação, Jesus era ainda uma pessoa, mas agora Ele tinha duas naturezas — a natureza divina e uma (distinta) natureza humana. Devo enfatizar que Cristo, por meio da encarnação, tinha tanto a natureza divina quanto a humana, mas Ele era uma só pessoa — como é indicado pelo uso consistente que fazia de "eu", "me" e "meu" em relação a si mesmo. Jesus nunca usou os pronomes "nós", "nos" ou "nosso" para se referir a sua pessoa divina-humana. Nem a natureza divina de Cristo jamais conversou com sua natureza humana.Ele era finito e, também infinito, fraco e onipoten-li, crescia em conhecimento e era onisciente, limitado a estar em um lugar por um tempo e onipresente. Na encarnação, a pessoa de Cristo é participante dos atributos de ambas as naturezas, portanto isso pode ser afirmado em relação a qualquer das naturezas — divina ou humana —, como também, da pessoa una.A natureza divina e humana de Jesus não se misturam para formar uma terceira natureza composta. A natureza humana sempre se mantém humana, e a divina, sempre divina.Tudo isso conduz ao meu ponto de vista de que, ao contrário do que argumenta o teísmo aberto, a encarnação não constitui prova de que Deus se torna temporal por meio dela. De toda maneira, a natureza de Deus não muda com a encarnação. Antes, Jesus, como Deus eterno, assume uma natureza adicional (a natureza humana) que sempre permanece distinta de sua natureza divina.

8. Deus tem absoluta soberania sobre sua criação. Deus é soberano no sentido de que Ele governa o universo, controla todas as coisas, é o Senhor de tudo (veja Ef 1). Nada que acontece neste universo está fora do alcance de seu controle. Todas as formas de existência estão no âmbito de seu domínio absoluto (Sl 50.1; Sl 66.7; Sl 93.1; Is 40.15; 1 Tm 6.15).Esse não é nem de longe o Deus do processo teológico que pretende apenas inspirar as pessoas em direção à bondade. O Deus bíblico tem controle soberano sobre o mundo, ao passo que o Deus do processo teológico meramente trabalha em cooperação com o mundo. O Deus bíblico independe do mundo, ao passo que o Deus do processo teológico é interdependente do mundo.39 Há um mundo de distinções entre os dois!

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