sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Por que coisas ruins acontecem se Deus é bom - Ron Rhodes - part. 8

O Problema do Livre-Arbítrio

A criação original era muito boa (Gn 1.31). Não existia o pecado, o mal, a dor e a morte. O edênico paraíso era perfeito! No entanto, hoje, o mundo está permeado pelo pecado, pelo mal e pela morte.

O que provocou tamanha mudança?

As Escrituras indicam que o declive para a humanidade surgiu quando Adão e Eva usaram seu livre arbítrio, que lhes fora concedido por Deus, para escolher a desobediência. Lúcifer e mais alguns anjos, antes do homem fazer mau uso do livre arbítrio, já haviam cometido este mesmo erro ao rebelarem-se contra Deus (Is 14.12-15; Ez 28.11-19; Ap 12.4). Depois, Lúcifer tentou Eva no jardim do Éden (Gn 3.1-7). O primeiro casal humano fez uma escolha errada, e os seres humanos, até hoje, sofrem por isso e continuam a fazer mau uso de seu livre arbítrio.

O livre arbítrio do homem pode provocar destruição de muitas maneiras. Por exemplo, a livre escolha de fumar cigarros pode trazer o mal de um câncer de pulmão para a vida de George assim como trazer mal também para outras pessoas. Por exemplo, o hábito de fumar pode prejudicar a saúde de seus filhos e esposa. Da mesma maneira, o fato de George fumar na cama, no meio da noite, pode provocar um incêndio caso ele adormeça. Conseqüentemente, o fogo pode alcançar a casa dos vizinhos matando a todos. A fumaça desse incêndio pode causar em uma pessoa, que mora na mesma rua, uma crise de asma e conseqüentemente uma internação de um tratamento respiratório. Viu o desastre que o livre arbítrio de George provocou? E ele é apenas um homem simples. E, por todo o mundo, o livre arbítrio dos homens multiplica-se e torna-se o maior motivo das coisas ruins que acontecem para as pessoas.

Nossas ações afetam as ações de outras pessoas, como a pessoa asmática levada às pressas ao hospital foi afetada pelo incêndio causado pelo cigarro de George.As ondulações do passado — quer dizer, de nossos pais — afetam, com freqüência, nossas ações no presente.

Assim como os seres angelicais — os bons e os maus (os demônios) — podem causar ondulações. A "ondulação" de Lúcifer, que foi a tentação de Eva, afetou a todos nós, pois agora estamos caídos no pecado.

O problema é que a maioria de nós nunca saberá ao certo a respeito das decisões tomadas e das ações realizadas por várias pessoas (e anjos) que causarão ondulações e afetarão a nossa vida. Devido a nossa grande ignorância, não sabemos por que certas coisas nos acontecem.

As coisas parecem totalmente arbitrárias, mas a verdade é que apenas ignoramos, o tempo todo, o que as causou.

As pessoas geralmente perguntam: Por que essa coisa ruim específica aconteceu com aquela pessoa boa? O mal é o resultado do mau uso que alguém (ou um grupo de pessoas) faz do livre arbítrio!

Mesmos o mal natural — terremotos, tornados, inundações e outras catástrofes similares — está enraizado em um mau uso do livre arbítrio. Não devemos esquecer que vivemos em um mundo caído e, por isso, estamos sujeitos a desastres no mundo natural que não aconteceriam se, no início, o homem não tivesse se rebelado contra Deus (Rm 8.20-22).

Deus reduziu a perfeição da criação (do perfeito jardim do Éden) para equiparar-se ao estado espiritual daqueles que aqui vivem (Rm 8.20-22). Deus, de maneira graciosa, permitiu a existência de pessoas sobre a terra (incentivando-as a se reproduzirem, desenvolverem governos e sistemas para lidar com os efeitos do pecado). Ele, graciosamente, protegeu a criação caída (providenciando o sol e a chuva para prover o alimento que sustenta a vida — Cl 1.17). No entanto, o efeito natural da criação caída é que até mesmo as coisas boas podem ter subprodutos ruins (a água pode afogar alguém; a gravidade pode matar alguém; o raio pode queimar e matar).

As boas novas são que Deus porá um fim nos desastres naturais, na morte e em todo mal quando criar o novo céu e a nova terra (veja Ap 21.4).

Por que Deus Criou o Homem com a Capacidade de Fazer o mal?

Algumas pessoas perguntam-se por que Deus não criou os seres humanos de tal maneira que fossem incapazes de pecar e, assim, ficarem livres de todo mal. No entanto, um cenário em que as pessoas nunca tivessem a possibilidade de pecar, exigiria que essas pessoas não fossem de todo humanas. Elas não teriam a capacidade de fazer escolhas e de amar com sinceridade. Tal cenário exigiria que Deus criasse robôs que agissem apenas da maneira para a qual foram programados — como se fossem uma dessas bonecas falantes com uma corda atrás que dizem: "Eu te amo".

Como essa boneca nunca haveria uma palavra calorosa, nenhum conflito, nada seria dito ou feito que pudesse deixá-lo triste! No entanto, quem gostaria disso? Também não haveria nenhum amor. O amor é voluntário. Deus poderia ter-nos feito robôs, mas deixaríamos de ser homens. Aparentemente, Deus achou que valia a pena correr o risco de nos criar como somos.


O amor não pode ser programado; ele deve ser uma expressão espontânea. A menos que os seres humanos possam livremente escolher não amar, não podem, de maneira voluntária, escolher amar. A possibilidade de um exige a do outro. Portanto, o amor não pode ser programado de maneira coerciva em uma pessoa.

Deus queria que Adão e Eva e toda a humanidade demonstrassem amor por meio da livre escolha da obediência. Por isso, Deus deu aos seres humanos o livre arbítrio.

Contudo, a livre escolha, conforme citado acima, sempre tem a possibilidade de uma escolha errada.

Deus não Pode Fazer Certas Coisas

Considere que Deus simplesmente não pode fazer certas coisas.12 Por exemplo, Deus não pode fazer círculos quadrados. Nem pode fazer quadrados redondos. Para Deus é impossível mentir, pois esse ato violaria sua natureza santa. Como também é impossível para Deus eliminar todo o mal sem acabar com o livre arbítrio. Devido ao fato do livre arbítrio ser necessário para a existência de um universo com moralidade — um universo que inclui a livre expressão do amor — Deus não pode eliminar o mal sem também acabar com esse bom e moral universo.

A única maneira de Deus garantir que suas livres criaturas nunca fizessem escolhas errôneas seria adulterar, de alguma maneira, sua liberdade.

Observei em um capítulo anterior que a cada hora alguém está para cometer um crime, e que Ele, de maneira sobrenatural e no momento exato, poderia desviar essa pessoa do crime e, assim, não adviria nenhum mal. Mas se esse fosse o caso, Deus estaria em tempo integral na função de desviar as pessoas de seu intento, promovendo praticamente bilhões de distrações por hora pelo mundo afora para evitar que qualquer mal aconteça.

Esse cenário não envolve a verdadeira liberdade. Além disso, a ação de Deus de distrair os seres humanos para que não cometam maldades, não cuida do mal que está no coração humano, a qual o impele a praticar ações más. Portanto, na realidade, a distração não preveni o mal; apenas contém a exteriorização da maldade que já está presente no âmago do coração humano.

Isso resulta no seguinte: ou Deus concede o livre arbítrio aos seres humanos ou não. Se Ele lhes concede a autonomia, então eles devem manter a capacidade de, na verdade, usar essa autonomia, da maneira correta ou incorreta.

Deus não é Responsável pelas Escolhas Erradas dos Homens

Duvido muito que alguém afirme que a concessão divina do livre arbítrio ao ser humano seja uma coisa má. Você pode imaginar pessoas fazendo piquetes nas ruas, levando faixas com dizeres: "Abaixo a liberdade, Volta à escravidão"?

O livre arbítrio que Deus concedeu à humanidade é um dom maravilhoso, mas como já disse, é um dom que acarreta riscos. O fato de que Deus nos deu o dom do livre arbítrio não significa que Ele é responsável pelo modo como usamos esse dom.

O plano de Deus, desde o início, trazia em si um potencial para o mal, a partir do momento em que conferiu a liberdade de escolha ao ser humano. No entanto, a verdadeira origem do mal é o resultado de como o homem direcionou seu desejo para longe de Deus e para perto de seu próprio desejo egoísta.Apesar de Deus ter criado a liberdade, são os seres humanos que realizam os atos de liberdade. Deus tornou o mal possível, as criaturas o tornaram real.Desde que Adão e Eva, naquela primeira vez, no jardim do Éden, tornaram o mal um fato real, a natureza pecaminosa foi passada para todos os homens e mulheres (Rm 5.12; 1 Co 15.22) e é em virtude dessa natureza pecaminosa que ainda hoje continuamos a utilizar nosso livre arbítrio para tornar o mal real (Mc 7.20-23). Deus não é responsável pelas maldades cometidas pelo seres humanos.

Henry Ford é a causa final de todos os carros de marca Ford, devido ao fato de que não existiria nenhum deles, se ele não os tivesse inventado com a finalidade de proporcionar transporte para as pessoas. No entanto, ele, que poderia muito bem ter previsto os maus usos para seu invento, aparentemente, após uma espécie de análise de prós e contras, achou mais sábio inventá-los do que não fazê-lo".18 Contudo, quando uma pessoa, que tomou um ou dois drinques a mais, pega seu carro e acaba provocando uma colisão e matando inocentes, Henry Ford não se torna por isso culpado de ter cometido um crime. Por analogia, não podemos responsabilizar Deus por todo mal do mundo, apenas por que Ele deu livre arbítrio ao ser humano, pois foi o mau uso que a criatura fez desse dom que causou tamanho mal.

Embora Deus não nos tenha contado, de maneira específica, por que escolheu criar o ser humano, achamos que em sua infinita sabedoria, levando em consideração todos os dados de seu conhecimento prévio onisciente, em uma espécie de previsão dos prós e contras, concluiu que era melhor criá-lo do que não. Podemos fazer uma analogia com os casais que, embora hesitem em trazer filhos para um mundo caído com todos os riscos e mal existentes, em sua maioria têm filhos.

Aparentemente, eles concluem que o inestimável valor de uma relação amorosa permanente com os filhos (e possivelmente netos) por toda sua vida excede de longe o peso da maldade.

No Fim, Valerá a Pena

Conforme as coisas estão agora, certamente podemos dizer que nosso mundo presente não é o melhor dos mundos possíveis. No entanto, em concordância com os planos soberanos de Deus, esse é o melhor caminho para o melhor mundo possível:

Se Deus preservar a liberdade e derrotar o mal, então esse é o melhor caminho para fazer isso. A liberdade é preservada para que cada pessoa faça sua livre escolha e determine seu destino. O mal é superado, pois aqueles que rejeitam a Deus serão separados dos outros, e, desse modo, a decisão de todos é transformada em algo permanente. Aqueles que escolhem a Deus serão confirmados, e o pecado cessará. Aqueles que rejeitam a Deus ficarão em quarentena eterna e não poderão perturbar o mundo perfeito que se formou. O objetivo final de um mundo perfeito com criaturas livres terá sido conquistado. Contudo, o caminho para chegar lá exige que aqueles que abusaram de sua liberdade sejam banidos.

Um dia, Deus derrotará completamente todo o mal. E, nesse glorioso dia, ninguém duvidará de que a existência do mal em um mundo de criaturas livres é compatível com a existência de um Deus que é totalmente bom e Todo-poderoso. Além disso, aqueles que entrarem na eternidade em conseqüência de terem crido na salvação em Cristo entenderão quão eficazmente Deus tratou o problema do mal.

Curando nosso Coração

Meus amigos, visto que uma quantidade considerável do sofrimento em nosso mundo está enraizado no uso errado do livre arbítrio, a sabedoria diz que devemos nos esforçar para fazer um uso inteligente desse dom. A maneira de fazer isso é alinhar nosso livre arbítrio, tanto quanto possível, com o que Deus revelou na Bíblia.

A Bíblia é como um livro de mão manufaturado que nos instrui como conduzir nossa vida. Nossa vida se "despedaçará" se vivermos violando as instruções do Criador. Contudo, se seguirmos suas instruções, a conduziremos com a eficiência ideal.

A Bíblia também é um tipo de óculos. Não podemos ver de maneira clara sem eles. Podemos ver apenas uma realidade indistinta. Contudo, com esses óculos, enxergamos tudo. Se você quiser ver de forma clara seu caminho ao longo da vida, permita que a Palavra de Deus aponte o foco para você.

A Bíblia é uma lâmpada. Ela derrama luz em nossa vereda e nos ajuda a ver claramente nosso caminho (S1119.105): "Lâmpada para os meus pés é tua palavra e luz, para o meu caminho". Você quer ter um livre arbítrio esclarecido? Então, todos os dias, exponha-se à Palavra de Deus!

A Bíblia também é uma âncora. Exatamente como uma âncora impede o barco de flutuar para longe, a Bíblia é uma âncora para nossa vida. Ela nos impede de ser arrastados para longe quando uma onda de maré de adversidade surge em nossa vida.

Por fim, a Bíblia é alimento. Ela nos fornece alimento espiritual. Se não nos alimentarmos da Palavra de Deus, ficaremos subnutridos espiritualmente. A maneira de manter a saúde espiritual é beber, de maneira abundante, a Palavra de Deus.

A questão é que viver de acordo com a Bíblia vai de encontro ao que é melhor para nós. Em especial, é importante que dirijamos nosso livre arbítrio de acordo com a sabedoria que encontramos na Palavra de Deus. O livro de Provérbios é um dos que, de maneira especial, pode nos ajudar em relação a isso.

Uma vida sábia conforme a maneira de pensar de Salomão, em essência, era sinônimo de vida devota; assim, alguém que é devoto e justo em seu comportamento diário é sábio aos olhos de Deus. Por contraste, uma pessoa pecaminosa e iníqua é insensata. Na verdade, Salomão equipara a "vereda da sabedoria" com a "vereda da retidão", e o "caminho da insensatez" com o "caminho da perversidade" (Pv 2—4; 6.1-19).

Eis aqui, portanto, minha sugestão. O livro de Provérbios tem 31 capítulos. Se você ler um capítulo por dia, em um mês, terá lido todos. Isso significa que em apenas um mês você pode aprender com Salomão sobre a melhor maneira (o caminho mais sábio) para fazer uso de seu livre arbítrio em seu relacionamento familiar e de amizades, em sua atitude em relação ao dinheiro, em sua pureza sexual e muito mais. Por experiência própria, posso dizer-lhe que fazer com seriedade esse exercício lhe trará ótimos dividendos em sua vida.

Por favor, permita-me aguçar seu apetite. A seguir, algumas das sabedorias de Salomão sobre algumas questões-chave da vida. Reserve alguns momentos para consultar esses versículos e, rapidamente verá quão relevante são para que, no futuro, você faça escolhas sábias.

Seu relacionamento com Deus
Provérbios 2.7,8; 3.5,6; 10.3,22,27; 14.26,31; 16.2,7; 17.3,5; 19.23; 20.27; 22.2; 28.25; 29.25.
Como responder às pessoas que o tratam injustamente
Provérbios 20.22; 24.17,18; 25.21,22.

Sua família
Provérbios 10.5; 13.24; 14.26; 18.22; 19.14,18; 20.7; 22.6,15; 23.13,14; 27.15,16; 28.7; 30.17; 31.10-31.
Seus amigos
Provérbios 3.27,28; 11.13; 12.26; 17.9,14,17; 18.24; 19.11; 20.3; 22.11; 25.17;27.9,10.
Pessoas que devem ser evitadas
Provérbios 15.18; 16.28; 18.1; 20.19; 22.24,25; 23.6-8; 25.19,20' 26.18,19,21.
Sua pureza sexual
Provérbios 5.3,7-14; 6.25,26,30-35; 7.6-27.
A humildade necessária
Provérbios 37; 16.18; 18.12; 22.4; 25.27; 26.12; 27.2.
Seu trabalho
Provérbios 6.6-9; 10.26; 15.19; 20.4; 21.25; 22.13; 24.30-34; 26.16.
Sua fala/linguagem
Provérbios 10.19; 12.25; 16.24; 17.9,27; 18.8,13; 24.26; 25.11; 28 23' 29 5' 31.8,9.
Seu dinheiro
Provérbios 8.18,21; 10.4,22; 11.1,4,24,25; 13.11; 14.23,31; 19.17; 20.13,17; 21.5,17; 22.7,9,26,27; 23.21; 28.19,22,25,27.
Aprenda isso: viva sabiamente e se livrará de muitas aflições!

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