A Grande Questão
George Barna, perito em pesquisa de opinião pública, há pouco tempo, foi encarregado de questionar as pessoas sobre o que perguntariam a Deus se tivessem oportunidade de assim fazê-lo. Por uma esmagadora margem de vantagem, a pergunta mais recorrente foi: Por que há tanto sofrimento no mundo? Tenho quase certeza que em algum momento a maioria dos leitores deste livro já fez essa pergunta.
A maioria das pessoas costuma a debater-se com essa questão quando enfrentam o sofrimento individual. Nossas palavras tendem a ter um foco muito estreito, não por que estamos cegos em relação ao sofrimento alheio, mas por estarmos tão vividamente atentos a nossas próprias dores e sofrimentos.
Quando iniciei a pesquisa para este livro, entretanto, minha perspectiva ampliou-se de maneira considerável. Em minha leitura diária, deparei-me com um exemplo após outro de como muitos seres humanos já sofreram horríveis atrocidades inclusive, os cristãos.
Você lembra o que estava fazendo em 11 de setembro? Suponho que sim. Que horror inimaginável deve ter sido. Muitos, até mesmo, pensaram sobre onde Deus estava em 11 de setembro.
Nosso pensamento finito não pode entender como um Deus amoroso e generoso pode permitir que tais coisas ocorram. Mas essas coisas acontecem — e as pessoas boas não estão isentas de sofrer tragédias.
Essa semana, no noticiário 20/20, assisti à entrevista de Barbara Walters com Christopher Reeve.Ele falava sobre como, de maneira literal, ficar paralisado afetou todo seu corpo — mesmo em atividades que consideramos óbvias, como ir ao banheiro. A Srta. Walters comentou como, em um Instante, toda a vida de Reeve mudou. Em um momento, ele estava perfeitamente saudável, cavalgando seu cavalo como já fizera centenas de vezes antes. No instante seguinte, seu cavalo parou de repente e o arremessou — ele ficou paralisado e nunca mais foi o mesmo. Até onde sei, Reeve é um bom homem, no entanto, teve de passar por esse imenso sofrimento.
Durante o tempo em que escrevia este livro, deparei-me com um relatório da Associated Press, sobre um grupo de pessoas composto de alunos do ensino médio, que correm pelos campos — jovens saudáveis — que se reuniu ao lado de uma estrada para orar. Enquanto oravam, um carro atropelou o grupo, matando um e ferindo os outros.2 Fico angustiado quando penso nos pais daquele rapaz que foi atropelado e morto enquanto orava ao Deus vivo. Por que Deus permitiu que isso acontecesse?
É claro, isso foi um acidente. Mas a história está cheia de exemplos de maldade intencional.
Em nossos dias, a bomba de nitrogênio lança uma grande sombra sobre as pessoas deste pequeno planeta. E, hoje, as pessoas, cada vez mais, cogitam o impensável — a possibilidade de os terroristas pôr as mãos nessas bombas poderosíssimas. Deus está zelando por nós, controlando e guiando a história humana?
Além de todo sofrimento gerado pela desumanidade do homem contra o homem, há ainda a grande quantidade de desastres naturais que ocorrem em nosso mundo. Essas calamidades naturais, como terremotos, furacões, tornados e inundações, matam inúmeras pessoas e destroem comunidades inteiras. Doenças horríveis como câncer, leucemia, poliomielite e varíola que arrebatam milhares de vidas todos os anos — isso para não mencionar a AIDS, a praga que logo devastará a África. Defeitos congênitos como distrofia muscular e paralisia cerebral que incapacitam uma incontável quantidade de pessoas. Criancinhas que se afogam. Pessoas que perecem em incêndios florestais. Os desastres acontecem sem aviso. Em questão de instantes, podemos ser atingidos por dores inconsoláveis. Certa vez, H. G. Wells comentou que Deus parece ser "um eterno ausente na hora de precisão".
O Homem Nasce para o Trabalho
O sofrimento do ser humano não é novidade. Ele parece ser uma realidade sempre presente na raça humana.Há muito tempo, coisas ruins têm acontecido a pessoas boas, até mesmo com as pessoas de Deus dos tempos bíblicos.
Quem pode esquecer o horrível sofrimento de Jó (ele perdeu a família e suas posses)? Davi, que estava para se tornar rei de Israel, por anos a fio, foi caçado e perseguido pelo ciumento e furioso Saul (1 Sm 20.33; 21.10; 23.8). A esposa de Oséias foi infiel (Os 1.2; 2.2,4). José foi tratado de maneira cruel por seus irmãos e vendido como escravo (Gn 37.27,28). João Batista, a mando da enteada de Herodes, foi decapitado (Mt 14.6-10). Paulo, inúmeras vezes, foi jogado na prisão, sofreu naufrágio, foi açoitado e deixado para morto e muito mais (2 Co 11.25).
Ás vezes, os cristãos chegam a pensar que quem obedece a Deus e procura ser um bom cristão não passará por sofrimentos horríveis. Entretanto, se coisas ruins aconteceram com Jó, João Batista e o apóstolo Paulo, com certeza elas podem acontecer com os bons cristãos.
Os cristãos não estão isentos de horríveis tragédias.
Nem as crianças estão isentas do sofrimento.
E, em nosso país, o que dizer a respeito das inúmeras vítimas inocentes de crimes?
Além disso, em nosso mundo, inúmeras pessoas boas estão experimentando em seu coração o que chamamos de dor espiritual.
A dor física, a dor emocional e a dor existencial — todas elas são espinhos sempre presentes em nossa vida. Basta esperar o tempo suficiente, e todos serão ferroados por elas de uma maneira ou de outra.
Entendendo o Problema
Precisamos entender de maneira realista por que tantas pessoas acreditam que o problema do mal apresenta um sério desafio para a fé cristã.
O problema do mal, posto de maneira simples, é este:
De duas uma, ou Deus quer abolir o mal, e não pode; ou Ele pode, mas não quer fazê-lo; ou Ele não pode ou Ele não quer. Se Ele quer, mas não pode, ele é impotente. Se Ele pode, mas não quer, logo Ele é perverso. No entanto, se Deus quer e pode abolir o mal, então como o mal ocorre no mundo?
Podemos Saber realmente as Respostas?
Percebi que caminho em um terreno perigoso ao sugerir que, de um ponto de vista cristão, o problema do mal possa fazer sentido para alguém.
O fato é que muito do que Deus faz em nosso mundo é e continuará sendo inescrutável para nossa mente finita. Nunca saberemos por que algumas coisas ruins acontecem neste universo. Alguns caminhos de Deus continuarão a ser um mistério para nós.
Deus afirmou em Isaías 55.8,9:
Porque os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos, os meus caminhos, diz o Senhor. Porque, assim como os céus são mais altos do que a terra, assim são os meus caminhos mais altos do que os vossos caminhos, e os meus pensamentos, mais altos do que os vossos pensamentos.
Essa é uma das principais lições que tiramos do livro de Jó. Deus nunca explicou a Jó por que Ele permitiu que coisas ruins acontecessem no mundo. A principal lição que Jó aprendeu com Deus é que, independentemente do que aconteça — até mesmo se o sofrimento e a dor do ser humano não fizerem sentido para a pessoa —, devemos, em tudo, confiar em Deus (Jó 13.15). Jó aprendeu que os caminhos de Deus são inescrutáveis, mas também aprendeu a confiar totalmente em Deus, e Ele o abençoou por essa fé.
Um dia, quando formos para o céu, as coisas se tornarão claras para nós.
Chuck Swindoll, cuja igreja fica na mesma rua onde moro, em Frisco, Texas, reflete:
Tudo, inclusive as tragédias e as calamidades e as angústias, a doença e a enfermidade, e o que denominamos de morte prematura, e as terríveis deformidades e defeitos de nascimento e doenças congênitas colaboram para o bem. Tudo será revelado e veremos que os planos de Deus estavam certos.
No momento, da forma como se apresenta, não vemos toda a tapeçaria da vida. De nosso limitado ponto de vista, só podemos ver um fio da tapeçaria de cada vez. E não compreendemos como todos os distintos fios podem ser tecidos juntos. Assim como Jó preciso aprender a confiar em Deus a despeito das coisas que não entendo totalmente.
Podemos sentir que a Bíblia não revela o suficiente sobre essa questão. Contudo, o que a Bíblia revela é significante e nos dá boas razões para confiar em Deus e em seus propósitos. Quanto mais entendermos o que as Escrituras revelam sobre esse assunto, mais nossa fé encontrará amparo para que possamos confiar em Deus, mesmo com tudo que não entendemos.
Meu Objetivo neste Livro
Meu objetivo neste livro é examinar algumas das mais espinhosas questões sobre o mal e o sofrimento do ponto de vista cristão. Quero fornecer uma visão adequada do sofrimento, fiel ao testemunho bíblico.
O livro que você está em suas mãos contém um sumário da sabedoria sobre essa questão que respiguei nas Escrituras. Minha oração é que este livro lhe proporcione uma âncora para que, quando você encarar a dor e o sofrimento, sua fé em Deus não seja abalada.
Você notará que este livro tem quinze capítulos. O exame do problema do mal não é o mesmo que olhar, por meio de um telescópio como um simples item. É como se olhássemos em um caleidoscópio, pois esse problema tem múltiplas facetas, em vários e distintos aspectos da realidade que de alguma maneira estão relacionados com essa complexa questão. De momento, estamos conversados; creio que você estará apto para ver como tudo isso se relaciona com a grande conjuntura do problema do mal. Muitos destes capítulos podem justapor-se, mas apenas na extensão necessária para preservar a fluência lógica do pensamento entre cada capítulo.
Dito isso, iniciemos nossa jornada. Primeira parada — As coisas ruins sempre o levam a questionar se Deus realmente existe?
(Essas foram as partes mais importantes extraídas do livro: "Por que coisas ruins acontecem se Deus é bom" de Ron Rhodes. Nem tudo que está escrito no livro se encontrará neste blog, então recomendo a sua leitura aos interessados.)
domingo, 28 de dezembro de 2008
Por que coisas ruins acontecem se Deus é bom - Ron Rhodes - part. 1
Postado por
DAVI E AMY
às
02:51
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