quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Por que coisas ruins acontecem se Deus é bom - Ron Rhodes - part 4

O Mal Prova que Deus É Finito?


A palavra finito significa "o que tem um fim, um limite".Algumas pessoas quando consideram o problema do mal, concluem que Deus tem poder limitado, que Ele deve ser finito. Elas sugerem que Deus quer acabar com o problema do mal (o que quer dizer que Ele é bom), mas Ele, simplesmente, não tem poder para tal.

O Deus Finito de Rabbi Kushner

Rabbi Kushner, no início da década de 1980, popularizou o deísmo finito por meio de seu livro, um êxito de vendas, When Bad Things Happen to Good People (Quando Coisas Ruins Acontecem com Pessoas Boas).

Kushner concluiu que Deus simplesmente não controla algumas coisas. Deus é bom, mas Ele não tem poder suficiente para realizar todas as coisas boas que quer. Em suma, Deus é finito.Então, Kushner sugeriu que Deus é limitado pelas leis da natureza e pela realidade da autonomia moral do ser humano.

O Deus Finito do Processo Teológico

Outra forma de deísmo finito é o processo teológico. Esse sistema teológico, defendido por pensadores como Alfred North Whitehead, Charles Hartshorne e John Cobb, envolve uma visão altamente filosófica de Deus.

Para facilitar as coisas, transcrevi os principais (e difíceis) ensinamentos do processo teológico para uma linguagem acessível:

1. Toda realidade está em constante mutação. Ela está sempre em processo.
2. Tudo no universo está relacionado a todas as outras coisas e as influências. Nada existe isoladamente. Nada é uma "ilha".
3. Ao reagir à idéia de que Deus é transcendente (acima e além do universo), os defensores do processo teológico acreditam que Deus está relacionado, de maneira íntima, com o universo. Na verdade, o universo é visto como o corpo de Deus. Dizem que todas as coisas acontecem "em Deus". Deus está organicamente relacionado com toda a realidade. Ele é Interdependente do mundo. E Deus, como o resto do universo, é caracterizado mais pelo processo e mudança do que pela estabilidade e integridade.8

4. Deus não exerce soberania sobre o mundo. Ele não é um ser controlador ou coercivo. Antes, Ele simplesmente tenta "atrair" o mundo para a direção positiva. Ele se empenha para persuadir o mundo em direção ao bem e para inspirar o ser humano em direção à melhor ação. Ele é a grande dinâmica por trás da evolução.9
5. Deus não é onipotente. Ele não pode alterar certar ocorrências na criação. Como citamos acima, Ele opera de maneira interdependente com a criação, não coagindo o ser humano para realizar seus desejos, mas tentando atraí-los para pôr em prática as metas que Ele determinou para eles.
6. O ser humano tem liberdade para resistir à tentativa de Deus de atraí-lo. Eles podem escolher não corresponder à persuasão divina, conforme estabelecida por Deus em sua proposta. Logo, a atividade divina envolve riscos. Não há garantia de que Deus será bem-sucedido.
7. Como Deus não tem o controle absoluto e apenas atrai e influencia as pessoas, o problema do mal é facilmente resolvido. John Cobb, teólogo do processo, comenta que "uma vez que Deus não está no controle total dos eventos do mundo, a ocorrência do mal genuíno não é incompatível com a bondade de Deus em relação a todas as criaturas".
8. Deus não é onisciente (conhecedor de tudo). O futuro está aberto de maneira radical, pois Deus não está nos guiando em direção a um fim predeterminado. Deus não pode prever os eventos futuros inesperados. Ele conhece apenas o que pode ser conhecido (abrangendo todo o passado até o momento presente). No entanto, o conhecimento dEle continua a se desenvolver, como também os eventos futuros imprevisíveis que acontecerão. A cada momento, um novo evento imprevisto acontece, e nesse momento, e apenas nesse momento, Deus tem conhecimento dEle.
9. Deus está no processo de crescimento e desenvolvimento. Ele cresce como resultado de um relacionamento pessoal, como também dos eventos que acontecem na terra. Deus é movido pelos acontecimentos que têm lugar neste planeta. Ele pode ser enriquecido ou enfraquecido pelo que Ele encontra aqui. Deus, por exemplo, abateu-se com o Holocausto e deplorou o fato de Hitler e seus seguidores nazistas, assassinos impiedosos, escolhessem ignorar seu chamariz em direção às coisas positivas.

O Deus Finito do Teísmo Aberto


O teísmo aberto assim como o processo teológico, postula que Deus não tem presciência completa do futuro. As coisas más que os seres humanos fazem surpreendem a Deus, assim como a nós. Deus sabe o que é possível saber, o que inclui todos os eventos do passado e do presente. No entanto, para Deus, não é possível saber de maneira infalível os futuros atos autônomos dos seres humanos.

Portanto, Deus corre riscos, pois Ele não tem conhecimento total do futuro.Não é de surpreender, que os teístas abertos também arguam que a soberania de Deus é limitada. Desse ponto de vista, portanto, devemos concluir que muito do mal que emergiu em nosso mundo (1) não foi previsto por Deus e (2) foi causado por agentes livres sobre os quais Deus não tinha controle soberano.

Outro ponto significativo, mencionado em relação ao teísmo aberto, é a visão de que Deus, em algum sentido, é um ser temporal. Como Deus comanda atos em um mundo temporal (um mundo em que há tempo, com "antes" e 'depois"), o próprio Deus é um ser temporal que está sujeito a mudanças.

O argumento pode ser resumido desta maneira: "1) Deus está relacionado a um mundo em mudança. 2) O que quer que esteja relacionado com um mundo em mudança está sujeito a mudanças. 3) Portanto, Deus está sujeito a mudanças".

De acordo com esse ponto de vista, é perfeitamente factível que Deus não tivesse idéia de que os terroristas do Al Qaeda voariam nas Torres Gêmeas, em 11 de setembro. Cada detalhe desse ato terrorista pegou Deus de surpresa, como também a todos os cidadãos dos Estados Unidos. Há muito mais a dizer sobre o teísmo aberto. Contudo, esse resumo é suficiente para mostrar seu conceito de Deus finito.

Como a Visão de Rabbi Kushner Fracassa

Se Deus é finito, então Ele mesmo é um ser contingente, que depende de alguém ou alguma coisa maior para existir.Tal Deus não é digno de nossa adoração.

Esse Deus finito também não é digno de nossa confiança, uma vez que não temos certeza de que Ele poderá vencer o mal no futuro.

A finidade de Rabbi Kushner fracassa ao considerar que o tempo de Deus é igual ao do ser humano. O fato de Deus não ter derrotado o mal hoje, não significa que Ele não o eliminará no futuro (2 Pe 3.7-12; Ap 21— 22).

Seria falta de visão concluir que Deus tem poder limitado apenas por que alguma coisa ruim aconteceu hoje. Deus tem motivos para permitir que alguma coisa ruim aconteça hoje, razões sobre as quais não sabemos nada e as quais Deus usa para trazer algo muito melhor no futuro.

Claramente a finidade vai contra o testemunho bíblico sobre Deus. As Escrituras, ao contrário do Deus impotente de Rabbi Kushner, retratam Deus como sendo o onipotente — O Todo-poderoso. Ele tem o poder de fazer tudo que quiser e desejar. A Escritura declara 56 vezes que Deus é Todo-poderoso (Ap 19.6).24 Deus tem força abundante (S1147.5) e tem grande e incomparável poder (2 Cr 20.6; Ef 1.19-21). Ninguém pode deter a mão de Deus (Dn 4.35). Ninguém pode mudar Deus (Is 43.13); igualmente, nada ou ninguém O poderá deter (Is 14.27). Nada é impossível para Deus (Mt 19.26; Mc 10.27; Lc 1.37); como também nada é muito difícil para Ele (Gn 18.14; Jr 32.17,27). O Todo-Poderoso reina (Ap 19.6) e, um dia, Ele derrotará todo o mal.

Além disso, Deus, ao contrário da visão de Rabbi Kushner, não é limitado pela natureza nem está sujeito a suas leis. Mas nosso Deus onipotente não está impedido, nem no mais ínfimo grau, de agir no mundo se assim desejar.

As Escrituras nos dizem que Deus é o Sustentador e Governador do universo (At 14.16,17; 17.24-28). A Bíblia descreve que Jesus sustenta "todas as coisas pela palavra do seu poder" (Hb 1.3) e é aquEle por quem "todas as coisas subsistem" (Cl 1.17). 0 que do ponto de vista humano é chamado "leis da natureza", na realidade, nada mais é do que o poder normal de Deus de sustentar o cosmos em ação! Pragmaticamente: Deus não é limitado pelas leis da natureza — Ele controla as leis da natureza.

O pecado é o maior culpado quando se trata de entender por que coisas ruins acontecem às pessoas.

Como o Processo Teológico e o Teísmo Aberto Fracassam

1. O que aconteceria ao Deus do processo teológico se o mundo não existisse? Sem o mundo (o corpo de Deus) com o qual Deus, de maneira interdependente, interage e no qual se desenvolve, o que aconteceria com seu Ser? Esse Deus parece depender da criação.O processo teológico solapa a absoluta transcendência de Deus ao tornar a criação essencialmente necessária a sua existência.Acima de tudo, se o mundo é o "corpo" de Deus, e se Deus e o mundo são interdependentes, o próprio Deus é objeto da segunda lei da termodinâmica? Ele também está cada vez mais desordenado e tende ao "caos"?

2. Deus pode interagir com o mundo (e com os seres humanos) sem haver mudança na essência de sua natureza. A Bíblia, ao contrário do processo teológico e do teísmo aberto, é clara ao afirmar que Deus, em sua natureza essencial, é imutável (invariável). Em Malaquias 3.6, Deus afirma: "Porque eu, o Senhor, não mudo". Em Tiago 1.17 encontramos: "Pai das luzes, em quem não há mudança, nem sombra de variação".Em Salmos 33.11, lemos: "O conselho do Senhor permanece para sempre; os intentos do seu coração, de geração em geração". Deus pode e se envolve nos relacionamentos mutáveis do mundo. Embora Deus seja imutável em termos de absoluta deidade, Ele é um Ser pessoal com quem é possível estabelecer um relacionamento pessoal e prazeroso. A pessoa é um ser consciente — que pensa, sente, propõe e conduz essas propostas à ação. A pessoa se engaja em relacionamento ativo com os outros. Você pode falar com uma pessoa e obter resposta dela. Você pode partilhar sentimentos e idéias com ela. Pode argüir com ela, amá-la e, até mesmo, odiá-la, se assim escolher fazer. Com certeza, DEUS, por essa definição, deve ser concebido como uma pessoa. Afinal de contas, Deus é um ser consciente que pensa, sente e propõe — e Ele conduz esses propósitos à ação. Ele se engaja em relacionamentos com os outros. Você pode conversar com Deus e obter respostas dEle.A Bíblia retrata Deus como aquEle Pai pessoal e amoroso a quem podemos chamar: "Aba" (Rm 8.15). Aba é um termo aramaico que transmite grande intimidade e o qual pode ser livremente traduzido por "papai". Ele também é o "Pai de toda consolação" de todos os crentes (2 Co 1.3). As Escrituras, com freqüência, também o descrevem como o ser compassivo que responde às petições pessoais de seu povo. (Alguns bons exemplos podem ser encontrados em Êx 3.7,8; Jó 34.28; Sl 81.10; 91.14,15; e Fp 4.6,7.) Ainda assim, o tempo todo, a essência da natureza de Deus é imutável.

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Por que Coisas Ruins Acontecem se Deus é Bom - Ron Rhodes - part.3

O Mal Prova que Deus não É Bom?


Certa vez Blaise Pascal disse que o destino de Deus é ser eternamente mal compreendido. Isso, com certeza, é verdade quando surge o problema do mal. Algumas pessoas compreendem tão mal a Deus que chegam a concluir que Ele não é absolutamente bom; ao menos, não da forma que concebíamos ser seu caráter. Alguém já disse assim: "Como o mal pode ser compatível com a idéia de um Deus que é ativo no comando deste mundo? Há calamidades naturais: incêndios, terremotos e inundações. No passado, estas coisas foram chamadas 'atos de Deus'".

Deus é totalmente bom? Reflita sobre esses dois casos de pessoas que não abraçam a tradicional compreensão da bondade de Deus. A seguir, veja o que a Bíblia diz sobre a questão.

Estudo de Caso 1: O Teólogo Cristão Gordon Clark


Clark é bastante conhecido nos círculos teológicos como calvinista fervoroso que, de modo determinista, crê que os atos de Deus são a causa de tudo o que acontece no universo, inclusive os atos individuais dos seres humanos. Assumindo que esta premissa é verdadeira, conclui-se que, na verdade, os seres humanos não têm livre arbítrio.

Embora sustente que tudo o que Deus faz é bom, Clark afirma: "Declaro, intencional e sinceramente, que se um homem se embebeda e mata sua família, é porquê Deus assim o quis". Igualmente, era desejo do Pai que Jesus fosse crucificado no madeiro destinado aos criminosos.

Clark, portanto, no mínimo, entende a bondade de Deus de modo bem diferente da maioria dos cristãos.

"Pode parecer estranho, em um primeiro momento, que Deus decrete atos imorais, porém a Bíblia mostra que Ele o fez".9 Segundo Clark aponta, a Bíblia registra que Deus mandou os profetas mentirem (2 Cr 18.20 e 21). O significado final desse conceito é que Deus é a causa do pecado.

Sem dúvida, essa visão certamente torna Deus a causa do pecado. Deus é a causa última de tudo. Não existe absolutamente nada independente dEle. Apenas Ele é o ser eterno. Apenas Ele é onipotente.Apenas Ele é soberano.

Clark não quer dizer que o próprio Deus comete pecado, mas que Ele decreta que os seres humanos pequem. Clark, no entanto, diz que Deus não é responsável pelos pecados dos seres humanos. A responsabilidade repousa diretamente sobre os ombros dos homens.

O pecado envolve a transgressão da lei de Deus, mas é dito que Deus está acima de todas as leis: "Não há lei superior a Deus que o proíba de decretar atos pecaminosos. Para haver pecado, pressupõe-se que haja uma lei, pois o pecado é a ausência da lei".Deus, portanto, é o Criador divino e tem direitos ilimitados. Ninguém está acima dEle, ninguém pode puni-lo e ninguém pode responsabilizá-lo.

O homem é responsável, pois Deus o chama a prestar contas; o homem é responsável, pois o poder supremo pode puni-lo por desobediência. Deus, ao contrário, não pode ser responsabilizado pela simples razão de que não há poder superior ao dEle; nenhum ser maior pode responsabilizá-lo; ninguém pode puni-lo; não há ninguém para quem Deus seja responsável; não há leis que Ele possa desobedecer.

Em vista do exposto acima, parece claro que, da perspectiva de Gordon Clark, coisas ruins acontecem para pessoas boas porque Deus decretou que assim fosse. E esta visão sustenta, ainda, que Deus é bom.

Estudo de Caso 2: O Deus Arbitrário do Islã


Um dos mais controversos aspectos da visão mulçumana de Deus, cujo nome é Alá, relaciona-se à sua absoluta soberania. Na visão mulçumana, Deus causa tanto o bem quanto o mal. Deus pode guiar o homem para a retidão ou liderá-lo para o mal.

Afirma-se, em umas das vinte passagens do Alcorão, que Alá lidera o homem desviado. Tudo que acontece no universo, seja bom ou mal, é predeterminado pelo imutável decreto de Alá. Os mulçumanos acreditam que nossos pensamentos, palavras e atos (bons e maus) foram previstos, predeterminados e decretados por toda eternidade. Assim, Alá é descrito de várias maneiras como o Destruidor, o Acusador, o Tirano ou o Altivo.

Portanto, há uma forte tendência de determinismo e mesmo fatalismo no islã. Ouvimos com freqüência, entre os mulçumanos, esta afirmação: "Im shallah — como Deus quiser". Esse forte senso de fatalismo pode levar a ações irresponsáveis.Portanto, o fatalismo também conduz a uma diminuição do senso de responsabilidade moral.

Não é possível deixar de perceber que o Alá do Alcorão parece agir de maneira arbitrária. Ele pode escolher o bem, ou, facilmente, preferir o mal. Ele pode escolher a misericórdia, ou, sem esforço, optar pela crueldade. Ele pode escolher o ódio e preterir o amor. Em outras palavras, Alá fez algumas pessoas acreditarem em outras religiões (falsas) pelo mero propósito de povoar o inferno.

A despeito da forte ênfase na soberania de Deus, o Alcorão também ensina que os seres humanos serão moralmente responsabilizados pelo mal que fizerem. Alá os julgará no Dia do Julgamento. Não se explica, de maneira adequada, como os seres humanos serão responsabilizados por aquilo que Alá arbitrária e soberanamente decretou para toda a eternidade, mas os mulçumanos, todavia, crêem nisso.

O Alcorão parece enfatizar mais o poder de Alá do que sua pureza; sua onipotência mais do que sua santidade. Isso é totalmente distinto em relação ao Deus da Bíblia, pois o atributo central de Jeová é a santidade (Ex3.5;1Pe1.16).


Resposta aos Desafios da Benevolência de Deus

Deus é Todo-poderoso; Deus é totalmente bom; mesmo assim, o mal existe. A Bíblia ensina que o nosso Deus é totalmente bom e tem um propósito ao permitir que o mal exista — pelo menos, quanto ao aspecto temporal. O espaço que separa a eternidade passada da eternidade futura é o minúsculo ponto no tempo em que os seres humanos vivem sobre a terra temporal. Durante esse ínfimo ponto, Deus permite (não de maneira determinista) o mal para que alguns bens eternos sejam alcançados.

O Deus Bíblico É excepcionalmente Bom

A Bíblia destaca a absoluta unidade do caráter moral de Deus de forma enfática. Por unidade, não quero dizer que Deus é bom e mau, misericordioso e perverso. Deus é excepcionalmente bom, justo e reto. O Deus da Bíblia abomina o mal, não cria o mal moral nem leva o homem a desviar-se.

Os apologistas cristãos notaram que, conforme os ensinamentos do Islamismo, Deus não é bom em essência, mas é apenas chamado bom só por que Ele faz o bem. Ele é designado por suas ações. Obviamente, essa maneira de pensar é decisivamente falha. Uma vez que chamamos a Deus bom por que Ele faz o bem, então devemos chamá-lo mau por que faz o mal? Essa conclusão parece inevitável.

Ademais, se Deus faz o mal, isso não revela algo sobre sua natureza? O efeito não se assemelha à causa?Como Tomás de Aquino salientou, uma pessoa não pode causar algo que não possui.Dificilmente, à luz dessa explanação, podemos deixar de concluir que o mal é parte da natureza de Alá.

Ao contrário, a Bíblia é clara ao dizer que o bem e o mal não podem originar-se de uma única essência (Deus). Deus é luz, e "e não há nele treva nenhuma" (1 Jó 1.5).

O profeta Isaías assim adverte: "Ai dos que ao mal chamam bem e ao bem, mal!" (Is 5.20). Dizer que o bem e o mal se originam da mesma essência de Deus é o mesmo que dizer que o mal é bem, e o bem é mal. As Escrituras são enfáticas quando afirmam que Deus é totalmente bom:

Provai e vede que o Senhor é bom; bem-aventurado o homem que nele confia (Sl 34.8);

Bom e reto é o Senhor; pelo que ensinará o caminho aos pecadores (Sl 25.8);

Porque o Senhor é bom, e eterna, a sua misericórdia; e a sua verdade estende-se de geração a geração (Sl 100.5);

Louvai ao Senhor! Louvai ao Senhor, porque ele é bom, porque a sua benignidade é para sempre (Sl 106.1);

O Senhor é bom, uma fortaleza no dia da angústia, e conhece os que confiam nele (Na 1.7).

De acordo com o Alcorão, os atributos primários de Alá são a transcendência e a soberania. Embora a Bíblia retrate Deus como transcendente e soberano, o atributo primordial de Deus, que permeia toda a Bíblia, é a santidade. Deus nunca faz nada que, de qualquer maneira, viole Sua santidade intrínseca.


Nosso Deus Soberano Permite o Livre-Arbítrio

Deus é soberano no sentido de que Ele governa o universo, controla todas as coisas E é o Senhor de tudo. Nada do que acontecer neste mundo estará fora de seu controle. Todas as formas de existência estão no escopo de seu domínio absoluto (Sl 50.1; 66.7; 93.1; Is 40.15; 1 Tm 6.15).

Certamente, é inescrutável para o entendimento finito do homem como a soberania divina e o livre arbítrio do ser humano possam ser verdadeiros. No entanto, essas duas doutrinas são ensinadas nas Escrituras.Na verdade, elas são vistas lado a lado em um único versículo. Por exemplo, em Atos 2.23, lemos sobre o Cristo crucificado: "A este que vos foi entregue pelo determinado conselho e presciência de Deus, tomando-o vós, o crucificastes e matastes pelas mãos de injustos". Aqui vemos, lado a lado, a soberania divina ("pelo determinado conselho e presciência de Deus") e o livre arbítrio do ser humano ("tomando-o vós, o crucificastes e matastes pelas mãos de injustos").

A questão sobre a soberania divina e a autonomia do ser humano não é algo fácil de conciliar. Algumas pessoas sugeriram que a soberania divina e o livre arbítrio do ser humano são como trilhos de trem paralelos que, nas Escrituras, correm lado a lado. Os trilhos nunca se juntam deste lado da eternidade. Quando entrarmos no esplendor do céu, sem dúvida, teremos completo entendimento dessas doutrinas bíblicas.

Gordon Clark e o islamismo estão absolutamente incorretos ao afirmar que Deus, de forma determinista, causa o mal. Não acredito, nem por um instante, que Deus levou um homem a embebedar-se e matar toda a família a tiros. Antes, o homem usou seu livre arbítrio de maneira deturpada, violando por completo um dos Dez Mandamentos (Êx 20.13) e, além disso, ofendeu a Deus com esse ato aterrador (Ef 4.30).

Deus não Criou o Mal

Encontro, ocasionalmente, pessoas que argumentam que a própria Bíblia afirma que Deus criou o mal ou, de alguma maneira, está envolvido com o mal. Em Isaías 45.7, por exemplo, Deus afirmou: "Eu formo a luz e crio as trevas; eu faço a paz e crio o mal; eu, o Senhor, faço todas essas coisas". Em Provérbios 16.4, lemos: "O Senhor fez todas as coisas para os seus próprios fins e até ao ímpio, para o dia do mal". Em Êxodo 4.21 lemos que Deus endureceu o coração do Faraó. A passagem de Romanos 9.13, diz que Deus aborrece Esaú (e aborrecer é algo malévolo). O que significam esses versículos? Eles realmente ensinam que Deus está envolvido com o mal? Examinemos mais de perto.

Isaías 45.7. Nesse versículo, Deus afirmou: "Eu formo a luz e crio as trevas; eu faço a paz e crio o mal; eu, o Senhor, faço todas essas coisas". Mais uma vez, em relação a Deus, não há mal moral. No caso dos egípcios, Deus estava meramente trazendo justo julgamento sobre os impenitentes pecadores. O bem final — o livramento dos israelitas que foram escravizados pelos egípcios — era o resultado desse julgamento de Deus.

Provérbios 16.4. Nesse versículo, lemos: "O Senhor fez todas as coisas para os seus próprios fins e até ao ímpio, para o dia do mal". Isso não quer dizer especificamente que Deus criou certas pessoas pecaminosas com o único propósito de destruí-las ou enviá-las para o inferno. As Escrituras nos asseguram que Deus não quer que ninguém pereça (2 Pe 3.9, grifo do autor) e que Deus ama toda a humanidade (Jó 3.16). Deus "quer que todos os homens se salvem e venham ao conhecimento da verdade" (1 Tm 2.4). O preço da redenção que Cristo pagou na cruz está disponível para rodos (1 Jó 2.2). Esses versículos nos fornecem um importante pano de fundo para a interpretação apropriada de Provérbios 16.4, pois, se há algo a aprender com esses versículos, é que Deus cuida de todas as pessoas e as ama.

Êxodo 4.21. Nesse versículo, somos informados de que Deus endureceu o coração de Faraó. Faraó endureceu o próprio coração sete vezes antes que Deus o fizesse, embora tudo isso seja precedido pelo vaticínio de que Deus faria isso. Deus endurece pela mesma razão que demonstra misericórdia. Se o homem aceitara misericórdia de Deus, Ele a concederá. Mas se o homem não a aceitar, endurecendo seu coração, o Senhor, ao julgá-lo, apenas demonstra ser justo e reto. A misericórdia é o resultado de uma atitude reta; o endurecimento é o resultado da teimosia ou da atitude errada em relação a Deus. Os estudiosos sugerem que o perigo de resistir a Deus é que Ele, por fim, entrega-nos aos nossos próprios desejos (Rm 1.24-28).

Romanos 9.13.Nesse versículo, lemos que Deus aborrece Esaú. Conforme o contexto, a palavra "aborrecer" não pode ser considerada como se Deus tivesse a emoção humana de rejeitar, desdenhar e ter um desejo de vingança contra Esaú. Deus não tinha emoções psicológicas negativas que se acendiam contra Esaú. Antes, a palavra deveria ser entendida como o é no idioma hebreu — uma palavra que significa "amar menos" (compare com Gn 29.30-33.Em Lucas 14.26, ganhamos percepções dessa palavra quando Jesus afirma: "Se alguém vier a mim e não aborrecer a seu pai, e mãe, e mulher, e filhos, e irmãos, e irmãs, e ainda também a sua própria vida, não pode ser meu discípulo". Jesus, com certeza, não instruiu seus seguidores a desobedecer a lei santa de Deus. Antes, a palavra aborrecer transmite claramente a idéia de "amar menos". Em outras palavras, devemos amar a Jesus mais do que amamos aos nossos pais.Nesse caso, devemos parafrasear Romanos 9.13 dessa maneira: "Em comparação com meu grande amor por Jacó, meu sentimento por Esaú, a quem 'amo menos', pode se parecer com rejeição". Devemos concluir que Deus não está envolvido, nem nunca esteve, em qualquer ato mal. Os atos de Deus sempre estão em perfeita harmonia com Sua natureza santa, reta e justa.

Deus não Perdoa a Mentira

Não esqueçamos que a Bíblia proíbe a mentira (Êx 20.16). A mentira é pecado (Sl 59.12), uma abominação para Deus (Pv 12.22). Em Números 23.19 afirma que "Deus não é homem, para que minta".

Em 2 Coríntios 18.20,21 Deus permite a ação de um "espírito de mentira". Entretanto, há uma distinção entre o que Deus infunde e o que Ele permite. Deus, por exemplo, permite que Adão peque no jardim do Éden, mas Ele não o infunde a fazer isso. Deus permite que Lúcifer se rebele contra Ele, mas não o impele a isso. Deus permite que Ananias e Safira mintam para Pedro, mas Ele não os leva a fazê-lo. Do mesmo modo, Deus permite a atividade de um espírito de mentira, mas Ele não infunde isso. Além disso, o caráter de Deus não pode ser contestado.

Curando nosso Coração

Se eu pensasse que Deus terminantemente causasse todas as coisas ruins em minha vida, seria tremendamente difícil sentir-me íntimo dEle.

Acredito que seria biblicamente mais preciso reconhecer que, embora Deus seja totalmente soberano, Ele também permite que façamos escolhas, e a grande quantidade do mal que recai sobre nós é conseqüência das escolhas equivocadas.

Caro amigo, da próxima vez que a vida lhe der um forte golpe, por favor, não sucumba à tentação de duvidar da bondade de Deus. Essa atitude apenas lhe causaria mais dor e sofrimento. A bondade de Deus é verdadeiramente abundante (Sl 31.19), e Ele quer apenas seu bem maior.

Ele o ama e deseja cuidar de você em todas suas dores.

Meu melhor conselho para você, fundamentado em anos de experiência, ó começar a memorizar algumas passagens-chave sobre a bondade de Deus. Minhas passagens favoritas são Salmos 34.8; Salmos 100.5; Salmos 106.1 e Naum 1.7. Abra sua Bíblia e deixe esses versículos confortarem sua alma. Enquanto reflete sobre a bondade de Deus, ofereça louvores a Ele por todas as coisas boas que, não obstante, existem em sua vida. Digo isso por que, quando sofremos, tendemos focar apenas as coisas negativas. Ao trazer à mente as coisas boas que permanecem em nossa vida e meditar sobre elas, podemos transformar nossas atitudes e pôr nosso sofrimento em uma perspectiva adequada. É possível fazer isso lembrando da máxima áurea: o sofrimento pode nos ajudar a manter o mundo, e o que nele há, tornando-o mais atraente para nós. Podemos conjecturar que, sem o sofrimento, as pessoas estariam totalmente satisfeitas com este mundo e não procurariam por nada mais. As pessoas não procurariam ser merecedoras do lar eterno nem seriam impelidas a se preparar para a eternidade.

Acredito que Deus quer que saibamos que esta vida não é tudo o que existe. Os poucos anos que passamos neste planeta servem de preparação para toda eternidade. Esta terra não é o nosso verdadeiro lar. Como cristãos, somos apenas "peregrinos" e "hóspedes" que passam por aqui (1 Pe 2.11). Estamos em nosso caminho para outro país — um país celestial (Hb 13.14). Um país pelo qual os antigos santos ansiavam (Hb 11.13-16).

Esses indivíduos têm uma perspectiva divina, e quando deparam-se com o sofrimento, sua perspectiva eterna os ajuda a suportá-lo e a prosseguir caminho. Faríamos bem em imitá-los e manter nosso olhar fixo no futuro, direcionado para a eternidade.

Se vivermos pensando que esta vida é tudo que existe, com certeza ficaremos facilmente desencorajados. No entanto, se temos certeza do estado de bem-aventurança eterna que nos aguarda, como também o que fazemos na terra conta para a eternidade, então estaremos cheios do vento divino que impulsiona nosso veleiro terrestre, o qual nos capacita a enfrentar qualquer condição do mar que possa estar a nossa frente.

Não sucumbamos à tentação de duvidar da bondade de Deus. Antes, perceberemos que o sofrimento do presente não é nada se comparado com a glória celeste que nos será revelada (Rm 8.18).

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Por que coisas ruins acontecem se Deus é bom - Ron Rhodes - part. 2

O Mal Prova que Deus não Existe?

Aparentemente, muitas pessoas vêem maldades, sem sentido e desnecessárias, ocorrendo no mundo e concluem que Deus não existe. Ou talvez, quem sabe em alguma outra época, existiu um Deus, mas é provável que agora Ele esteja morto.Outros crêem que se existe um Deus, Ele, com certeza, não tem razões morais o suficiente, para permitir que essas maldades horríveis ocorram.

Assim, o problema do mal representa o conflito entre três realidades: o poder de Deus, a benevolência de Deus e a presença do mal no mundo. O bom senso nos diz que as três não podem ser verdadeiras ao mesmo tempo. A solução do problema do mal envolve modificar uma ou mais dessas três opções: limitar o poder de Deus, limitar a benevolência de Deus ou modificar a existência do mal (como, por exemplo, chamá-lo de ilusão).

Caso Deus não afirmasse sua própria bondade, com certeza, seria mais fácil explicar a existência do mal. No entanto, Deus afirma ser bom. Se Deus tivesse poder limitado e fosse incapaz de opor-se ao mal, então seria mais fácil explicar a existência do mal. Entretanto, Deus afirma ser Todo-poderoso. Se o mal fosse apenas uma ilusão logo o problema, de fato, não existiria. Contudo, o mal não é uma ilusão, é dolorosamente real.

Hoje, enfrentamos a realidade do mal moral (que é cometido por agentes morais independentes, incluindo coisas como a guerra, o crime, a crueldade, o conflito de classes, a discriminação, a escravidão, a limpeza étnica, homens-bomba e outras injustiças) e do mal natural (que inclui terremoto, enchentes, furacões e outros equivalentes). Deus é bom e Todo-Poderoso e, apesar disso, o mal existe. Em razão de o mal existir e de não poder ser conciliado com um Deus bom e Todo-Poderoso, muitas pessoas escolhem simplesmente a total rejeição da crença em Deus.

Se existe um Deus — Ele tem de ser totalmente bom e Todo-Poderoso —, assim há questionamentos quanto às atrocidades, como as que Hitler cometeu, o assassinato de seis milhões de judeus, que nunca deveriam ter acontecido.

Os cristãos, com certeza, concordam o que Hitler fez com os judeus foi um horrendo e inescrupuloso crime. Mas a categorização das ações de Hitler como mal faz surgir um importante ponto filosófico. Conforme muitos pensadores observam, se alguém afirma que o mal existe no mundo, primeiro, deve perguntar-se qual o critério adotado para julgar que alguma coisa é má. Como é possível julgar que determinadas coisas são boas ou más? Por qual padrão moral de devem avaliar pessoas e eventos?

Robert Morey, apologista cristão, explica desta maneira:

Como você reconhece o mal quando o vê? Por meio de que processo você reconhece o mal? [...] Minha visão — como Sócrates, muito tempo atrás, já demonstrou — é a seguinte: para fazer a distinção entre indivíduos bons e maus deve-se ter um [padrão] universal ou absoluto. Uma vez que se admita isso, então, o resultado final diz que, sem um ponto de referência infinito para o 'bem', a pessoa não pode identificar o bem nem o mal. Apenas Deus pode esgotar o significado ilimitado de bem. Portanto, sem a existência de Deus, não há 'mal' nem 'bem' em um sentido absoluto, pois tudo é relativo. O problema do mal não nega a existência de Deus. Na verdade, ele a exige.

O ponto, portanto, é que é impossível distinguir o mal do bem, a menos que se tenha um ponto de referência ilimitado do que é absolutamente bom.Caso contrário, seria como alguém que estivesse em um bote no mar, em uma noite encoberta e sem bússola — quer dizer, não haveria como distinguir entre o norte e o sul. Deus é nosso ponto de referência para distinguir entre o mal e o bem.

Considere Todas as Evidências

Embora os cristãos reconheçam que o problema do mal é visto por alguns como um argumento racional contra a existência de Deus, eles sugerem que os argumentos a favor da existência de Deus têm muito mais peso e valor do que os contra.

Os cristãos, portanto, argumentam que não se pode focar a atenção sobre um único e restrito aspecto da evidência (como a existência do mal), mas deve-se considerar todo o conjunto de evidências — inclusive os vários argumentos que, ao longo dos séculos, foram sugeridos a favor da existência de Deus.

1. O argumento cosmológico. Esse argumento diz que cada efeito tem uma causa adequada. O universo é um "efeito". A razão determina que o que quer que tenha causado o universo deve ser maior que o universo. Essa causa é Deus (e Ele mesmo é a Primeira Causa não-causada). Como Hebreus 3.4 afirma: "Porque toda casa é edificada por alguém, mas o que edificou todas as coisas é Deus".

2. O argumento teológico. Esse argumento destaca a óbvia intencionalidade e complexidade do planejamento do mundo. Se encontrássemos um relógio na areia, poderíamos assumir que alguém criou o relógio, pois, obviamente, as partes não poderiam se unir sozinhas. O perfeito planejamento do universo, de maneira similar, indica um Planejador, e Ele é Deus.

3. O argumento ontológico. Esse argumento diz que a maioria dos seres humanos tem a idéia inata do mais perfeito ser. De onde vem essa idéia? Não do homem, pois ele é um ser imperfeito. Algum ser perfeito (Deus) deve ter plantado essa idéia no homem. Não é possível conceber a não-existência de Deus, pois, desse modo, ninguém poderia conceber a existência de um ser ainda maior. Portanto, de fato, Deus deve existir.

4. O argumento moral. Esse argumento diz que todo ser humano tem um senso inato de "dever" ou obrigação moral. De onde vem isso? Deve vir de Deus. A existência de uma lei moral em nosso coração exige a existência de um Legislador (veja Rm 1.19-32).

5. O argumento antropológico. Esse argumento diz que o homem tem personalidade (razão, emoção e desejo). Uma vez que isso é pessoal, não pode se derivar do impessoal, deve haver uma causa pessoal — e essa causa pessoal é Deus (veja Gn 1.26,27).

Algumas pessoas, obviamente, mesmo quando a par de alguns desses argumentos, ainda rejeitam a crença em Deus. Talvez, João Calvino, o reformador, estivesse certo quando disse que as pessoas não-regeneradas vêem, de forma nebulosa, essas evidências de Deus no universo. Apenas “quando a pessoa põe os "óculos" da fé e da crença na Bíblia é que as evidências da existência de Deus entram no foco claro e tornam-se convincentes.


Estou convencido de que se acrescentarmos aos argumentos filosóficos acima o incrível suporte histórico e arqueológico para a confiabilidade da Bíblia, o embasamento histórico de Jesus Cristo (inclusive a ressurreição), e destacarmos a exatidão das profecias bíblicas e o testemunho de inúmeros cristãos ao longo dos séculos, teremos um argumento bastante forte para provar a existência de Deus a qualquer pessoa sensata.


O Cupim e o Arquiteto

O inverso planejado por Jesus é como uma casa projetada por um arquiteto. Assim como só a presença do cupim não refuta a existência do arquiteto, também a presença do pecado e do mal no universo não refuta a existência do arquiteto divino.


O que é o mal? De uma perspectiva filosófica, o mal não auto-existente; mas na verdade, ele é a perversão de algo que já existe. O mal é a ausência ou privação de alguma coisa boa.

O mal existe como perversão de alguma coisa boa; ele é a privação e não tem essência em si mesmo.

O mal envolve a ausência de algo bom que deveria estar lá. Quando o bem que deveria estar em alguma coisa não está ali, isso é o mal.Por exemplo, a saúde deve estar no corpo humano, mas algumas vezes, as pessoas têm câncer. Isso é o mal.

Observe, em contraste, que a árvore em meu gramado da frente não pode ver, no entanto, isso não é o mal, porque nunca se esperou que minha árvore enxergasse. Do mesmo modo, se meu nariz não tem uma verruga, isso não é o mal, porque, para começar, nunca se supôs que meu nariz deveria ter uma verruga. Portanto, o mal envolve a ausência de alguma coisa boa que deveria estar ali, como a visão nos olhos, o escutar no ouvido ou a saúde no corpo.

Quando um homem sucumbe à pornografia e volta seus olhos para ela, isso é o mal, porque algo bom que deveria ser verdade (sua pureza pessoal), não estava ali.

Em larga escala, quando os aviões dos terroristas voaram para dentro das Torres Gêmeas, isso é o mal porque algo bom que deveria estar lá (a vida nos seres humanos e a integridade estrutural dos edifícios), não estava ali. O mal é a perversão ou privação de alguma coisa boa que deveria estar presente.

Quando Deus, como o Arquiteto divino, originariamente, criou o universo, ele era, de todas as maneiras possíveis, perfeitamente bom. Nada estava errado. Não havia mal. Não havia no universo a situação em que se pudesse dizer que algo bom deveria estar lá, mas não estava ali. Tudo era bom.

Hoje, no entanto nem tudo é bom. Na verdade, existe agora uma grande quantidade de mal no universo que, um dia, foi inteiramente bom. Isso só pode significar uma coisa. Aconteceu algo terrível entre aquele momento e agora, para causar tamanha mudança. Ocorreu uma colossal perversão do bem. Assim como uma casa pode sofrer uma invasão maciça de cupins, o universo sofreu uma invasão maciça de pecado.

Jimmy H. Davis e Harry L. Põe, em seu livro Designer Universe: Intelligent Design and the Existence of God, sugere que a existência do mal no universo não desmente a existência de Deus, como também a existência de cupim na casa não desmente a existência do arquiteto: O fato de que a feiúra, o tormento, a morte, a dor, o sofrimento e o caos estejam presentes no mundo não são argumentos que desmintam o Planejador. Uma infestação de cupim não prova que a casa não teve um arquiteto. O vandalismo não prova que a casa não teve um arquiteto. O incêndio culposo não prova que a casa não teve um arquiteto. Proprietários descuidados que não pintam nem retiram o lixo não provam que a casa não teve arquiteto. Esses assuntos apenas levantam questões sobre a situação da casa desde que foi construída.

Teologicamente, a Bíblia é clara quanto ao fato de que Deus existe e de que Ele criou o universo de modo totalmente bom. A Bíblia também é clara em relação ao fato de que as coisas mudaram de maneira radical desde que Deus criou o mundo.

Devido ao pecado, as coisas agora não são mais como foram criadas para ser. O projeto original de Deus foi corrompido por um intruso -- o pecado. O universo bom de Deus, já não é mais bom.

Deus não Está Morto


Desde a queda do homem, Deus tem atuado neste mundo. Embora possamos ser tentados a pensar que Deus não está no controle ou que Ele não está envolvido com nossa vida, a realidade é que Ele sempre está conosco, operando nos bastidores para realizar seus propósitos soberanos, permanecendo o tempo todo perfeitamente bom, justo, reto e santo. Ao final da história da humanidade, quando estivermos com Deus no céu, sem dúvida, todos nos deleitaremos na magnificência Dele ao realizar Seus propósitos em um planeta caído sem fazer concessão alguma nem comprometer qualquer um de Seus perfeitos atributos. Mesmo que, no presente, algumas de Suas ações nos sejam incompreensíveis (o que não é muito diferente da criança que não compreende como seus pais permitem coisas tão terríveis quanto uma visita ao dentista). Da mesma maneira que os pais humanos agem de acordo com uma sabedoria maior do que as crianças o fazem, Deus atua conforme uma sabedoria infinitamente maior do que nós o fazemos.

Deus Está entre Nós

Ao contrário da idéia de que Deus está morto ou inativo entre seu povo, a Bíblia, com freqüência, refere-se a Deus como o "Deus vivente" (Dt 5.26;1 Sm 17.26,36; Sl 84.2).

R.T. France em seu breve, mas maravilhoso, livro The Living God (O Deus Vivo), explica como os antigos viam Deus:

Eles viam a mão deste Deus vivo intervir, em reposta à oração de seu povo, operando milagres, convertendo milhares de pessoas, abrindo portas de prisões, ressuscitando os mortos, guiando seus mensageiros até pessoas e lugares que eles nunca haviam imaginado, supervisionando toda a operação e cada parte nela para que, ao final, fosse realizado seu propósito. Assim será que era de admirar que orassem constantemente não por alguma vaga generalidade, mas com pedidos específicos e ousados? Para eles, Deus era real e estava vivo.

Mas quem é este Deus vivo entre nós? Em virtude da existência do mal no mundo, o qual compele os incrédulos a levantar falsas acusações contra Deus, é melhor lembrarmos como Deus realmente é.

Deus É Amor

O amor não é apenas uma característica de Deus. Ele é a personificação do amor (1 Jo 4.8), O amor permeia seu Ser. E o amor de Deus não depende da amabilidade dos objetos (seres humanos). Deus nos ama apesar de termos caído em pecado (Jo 3.16). Deus ama o pecador, apesar de Ele odiar o pecado.Ele nos ama mesmo quando não merecemos ser amados.

Deus É Onipresente

A Escritura conta-nos que Deus está presente em todos os lugares (Sl 139.7,8; veja também 1 Rs 8.27; 2 Cr 2.6; Jr 23.23,24; At 17.27,28). É reconfortante sabermos que não importa para onde vamos, nunca escaparemos da presença de nosso amado Deus. Ele, como Bom Pastor de suas ovelhas, jamais deixará seus filhos sozinhos (Sl 23). Sempre conheceremos a bênção de andar com Ele em todas as provações e circunstâncias da vida.

Deus É Santo, Reto e Justo

A santidade de Deus não apenas significa que Ele está totalmente separado de todo mal, mas também que Ele é absolutamente reto (Lv 19.2). Ele é total e plenamente puro. Deus está separado de tudo que é moralmente imperfeito. As Escrituras põem grande ênfase sobre os atributos de Deus:

• Quem é como tu [...] glorificado em santidade (Êx 15.11).
• Não há santo como é o Senhor (1 Sm 2.2).
• O Senhor, nosso Deus, é santo (Sl 99.9).
• Santo e tremendo é o seu nome (Sl 111.9).
• Santo, Santo, Santo é o Senhor dos Exércitos (Is 6.3).
• Porque só tu ás santo (Ap 15.4).

Caminhar em companheirismo diário com Ele, obrigatoriamente, envolve viver da maneira como Deus se agrada. Deus não pode ser companheiro daqueles que se envolvem com o pecado.

Deus é excepcionalmente reto. Lemos: "Ah! Senhor, Deus de Israel, justo és" (Ed 9.15); "Justo serias, ó Senhor" (Jr 12.1); "Porque o Senhor é justo e ama a justiça" (Sl 11.7); "Ele ama a justiça e o juízo" (Sl 33.5); "Justiça e juízo são a base do teu trono" (Sl 89.14).

Dizer que Deus é justo, significa que Ele aplica seus padrões de retidão com justiça e equidade. Não há parcialidade ou deslealdade no modo como Deus lida com as pessoas (Sl 3.5, Rm 3.26). O Antigo e Novo Testamento proclamam, de maneira enfática, a imparcialidade de Deus (veja, por exemplo, Gn 18.25; Jo 17.25; Hb 6.10). O fato de Deus ser justo é um conforto e também uma advertência. É confortante para aqueles que sofreram abusos. Eles podem descansar seguros de que, no final, Deus consertará todos os erros. No entanto, é uma advertência para aqueles que pensam que não serão punidos pelo mal que praticam. No final, a justiça prevalecerá!

Deus É Compassivo

Deus demonstra compaixão carinhosa por seu povo. Em Salmos 103.13, pode-se ler: "Como um pai se compadece de seus filhos, assim o Senhor se compadece daqueles que o temem". Em Isaías 49.15, Deus proclama: "Pode uma mulher esquecer-se tanto do filho que cria, que se não compadeça dele, do filho do seu ventre? Mas ainda que esta se esquecesse, eu, todavia, me não esquecerei de ti".

Quando Deus precisa disciplinar seus filhos desobedientes, Ele sempre é compassivo depois que a disciplina é exercida. Deus afirma: "E será que, depois de os haver arrancado, tornarei, e me compadecerei deles, e os farei tornar cada um à sua herança e cada um à sua terra" (Jr 12.15; veja também Is 54.7,8).

Observe que, em si mesma, a disciplina de Deus é um sinal do amor e da compaixão dEle, pois por amar tanto seus filhos, Ele não permite que firam a si mesmos ao permanecer em pecado (Hb 12.6).

Em qualquer momento, em que você for tentado a inquirir sobre a benevolência e compaixão de Deus, reflita sobre o Jesus do Evangelho, pois isso lhe dará um retrato exato do coração de Deus. No Evangelho, ao observar a compaixão de Jesus, vemos a compaixão de Deus em ação.

Quer dizer que, graças à compaixão de Deus, você nunca sofrerá na vida? Não, não quer dizer isso. Isso é óbvio, as páginas da Bíblia estão repletas de exemplos de sofrimento.

Coisas ruins realmente acontecem para pessoas boas. No entanto, durante todo o tempo difícil, Deus está caminhando lado a lado conosco enquanto prosseguimos com dificuldade em nosso caminho em direção ao céu. Deus não nos isenta do sofrimento, mas Ele sempre está conosco em nosso sofrimento, como estava na fornalha ardente (Dn 3) e na cova dos leões (Dn 6).

Deus É Soberano

Soberania divina significa que Deus é o absoluto Regente do universo. Ele pode utilizar vários meios para alcançar seus fins, e Ele sempre está no controle.Não pode acontecer nada neste universo que esteja fora de seu desígnio. Todas as formas de existência estão no âmbito de seu absoluto domínio.

Jó afirmou para Deus: "Bem sei eu que tudo podes, e nenhum dos teus pensamentos pode ser impedido" (Jo 42.2).

Deus afirmou: "O meu conselho será firme, e farei toda a minha vontade" (Is 46.10).

Deus nos assegura: "Como pensei, assim sucederá; e, como determinei, assim se efetuará" (Is 14.24).

Deus é "o bem-aventurado e único poderoso Senhor, Rei dos reis e Senhor dos senhores" (1 Tm 6.15). Em Provérbios 16.9 relata-nos: "O coração do homem considera o seu caminho, mas o Senhor lhe dirige os passos". Em Provérbios 19.21 declara: "Muitos propósitos há no coração do homem, mas o conselho do Senhor permanecerá". Em Provérbios 21.30, lemos: "Não há sabedoria, nem inteligência, nem conselho contra o Senhor". Em Eclesiastes 7.13 instrui-nos: "Atenta para a obra de Deus; porque quem poderá endireitar o que ele fez torto?”. Em Lamentações 3.37 afirma-se: "Quem é aquele que diz, e assim acontece, quando o Senhor o não mande?"

James Montgomery Boice, em seu excelente livro The Sovereign God (O Deus Soberano), fala sobre as várias maneiras por meio das quais Deus, nos tempos bíblicos, mostrou seu controle soberano:

Deus mostrou sua soberania sobre a natureza ao dividir as águas do mar Vermelho para que os filhos de Israel pudessem atravessar do Egito para o deserto e, depois, ao fazer retornar as águas a fim de destruir os soldados egípcios que os perseguiam. Ele mostrou sua soberania ao mandar alimento para dar sustento ao povo enquanto atravessavam o deserto. Em outra ocasião, Ele mandou codornizes ao campo para que tivessem carne. Deus dividiu as águas do rio Jordão para que as pessoas pudessem atravessar em direção a Canaã. Ele fez cair as muralhas de Jerico. Na época de Josué, Ele fez com que o sol permanecesse em Gibeão para que Israel tivesse força para obter uma vitória total sobre seus inimigos em fuga. A soberania de Deus, na época de Jesus, foi vista quando alimentou de quatro a cinco mil pessoas com alguns pequenos pães e peixes, na cura de doentes e ressuscitando de mortos. Por fim, manifestou-se nos eventos ligados à crucificação e ressurreição de Cristo.

O que a soberania de Deus significa para mim e você em relação a nossa luta com as "coisas ruins"? Podemos ter certeza de que todas essas coisas estão sujeitas a Deus e de que nada pode nos atingir, a menos que Deus, em sua sabedoria, assim permita. Quando Ele permite que isso aconteça, podemos ter certeza de que o faz para o nosso bem.

Leia o livro de Ester, na Bíblia. Nesse livro, encontramos a soberania, a providência e inflexibilidade de Deus operando, nos bastidores, em favor de seu povo. Ele faz o mesmo para nós. Muitas vezes, ainda que não percebamos, Deus está operando.

De nossa perspectiva limitada, nossa vida é marcada por uma série de contingências sem-fim. Percebemos, com freqüência, que, em vez de agir como havíamos planejado, estamos reagindo devido a uma reviravolta inesperada dos eventos. Fazemos planos, porém, com freqüência, somos obrigados a mudar esses planos. Entretanto, com Deus não há contingências. Nossa inesperada mudança forçada de planos faz parte do plano dEle. Deus nunca é surpreendido; nunca é pego desprevenido; nunca é frustrado por desfechos inesperados. Deus faz conforme seu deleite, e o que o deleita sempre é para sua glória e nosso bem.

O mais difícil para nós é que Deus não nos senta e explica. Deus, com certeza, não se sentou e explicou para Jó por que este sofria de maneira tão horrível.

Não estamos aptos a investigar o contexto e discernir os misteriosos caminhos pelos quais Deus opera em nossa vida. Por isso, temos de confiar nEle. Usualmente, não estamos cientes da razão pela qual Deus planeja nossas circunstâncias da maneira que faz. Contudo, podemos sempre ter certeza de que em seu coração a busca de nosso maior benefício é uma constante.

Curando nosso Coração

Sei que alguns de meus leitores suportaram sofrimentos significativos e foram tentados a concluir que Deus não existe, ou que, talvez, Ele não se importa.

Por favor, permita-me lhes oferecer uma verdade que sempre me ajudou quando a vida me baqueava: quando você não entender por que algumas coisas aconteceram em sua vida, esse é o momento de se apoiar nas coisas que compreende.

• Os argumentos a favor da existência de Deus são muito mais convincentes e persuasivos do que os contra sua existência. Até mesmo uma casa com cupins tem um arquiteto.

• Deus é um Deus vivo que caminha com você em meio a qualquer circunstância que encontre (veja Dn 6.19-27).

• Deus ama o que não merece seu amor — inclusive você e eu (1 Jo 4.8). Tente, com os olhos da mente, imaginar você descansando nos braços amorosos de Deus.

• Deus está presente em todos os lugares. Ele está com você em todos os momento, quer você tenha consciência da presença dEle quer não (S1139.7,8).


• Deus é justo. Caso alguém o tenha tratado de maneira injusta, confie no fato de que, no final,

• Deus corrigirá todos os erros (Gn 18.25).

• Deus é compassivo e tem sentimentos carinhosos por você. Quando estiver tentado a duvidar da compaixão de Deus, reflita sobre o Jesus do Evangelho, pois isso lhe dará um retrato exato do coração de Deus.

Deus é soberano. Nada pode nos atingir, a menos que Deus, em sua sabedoria o permita. Mesmo quando você não entende por que certas coisas acontecem, pode ter certeza de que Deus está no controle.

domingo, 28 de dezembro de 2008

Por que coisas ruins acontecem se Deus é bom - Ron Rhodes - part. 1


A Grande Questão


George Barna, perito em pesquisa de opinião pública, há pouco tempo, foi encarregado de questionar as pessoas sobre o que perguntariam a Deus se tivessem oportunidade de assim fazê-lo. Por uma esmagadora margem de vantagem, a pergunta mais recorrente foi: Por que há tanto sofrimento no mundo? Tenho quase certeza que em algum momento a maioria dos leitores deste livro já fez essa pergunta.

A maioria das pessoas costuma a debater-se com essa questão quando enfrentam o sofrimento individual. Nossas palavras tendem a ter um foco muito estreito, não por que estamos cegos em relação ao sofrimento alheio, mas por estarmos tão vividamente atentos a nossas próprias dores e sofrimentos.

Quando iniciei a pesquisa para este livro, entretanto, minha perspectiva ampliou-se de maneira considerável. Em minha leitura diária, deparei-me com um exemplo após outro de como muitos seres humanos já sofreram horríveis atrocidades inclusive, os cristãos.

Você lembra o que estava fazendo em 11 de setembro? Suponho que sim. Que horror inimaginável deve ter sido. Muitos, até mesmo, pensaram sobre onde Deus estava em 11 de setembro.

Nosso pensamento finito não pode entender como um Deus amoroso e generoso pode permitir que tais coisas ocorram. Mas essas coisas acontecem — e as pessoas boas não estão isentas de sofrer tragédias.

Essa semana, no noticiário 20/20, assisti à entrevista de Barbara Walters com Christopher Reeve.Ele falava sobre como, de maneira literal, ficar paralisado afetou todo seu corpo — mesmo em atividades que consideramos óbvias, como ir ao banheiro. A Srta. Walters comentou como, em um Instante, toda a vida de Reeve mudou. Em um momento, ele estava perfeitamente saudável, cavalgando seu cavalo como já fizera centenas de vezes antes. No instante seguinte, seu cavalo parou de repente e o arremessou — ele ficou paralisado e nunca mais foi o mesmo. Até onde sei, Reeve é um bom homem, no entanto, teve de passar por esse imenso sofrimento.

Durante o tempo em que escrevia este livro, deparei-me com um relatório da Associated Press, sobre um grupo de pessoas composto de alunos do ensino médio, que correm pelos campos — jovens saudáveis — que se reuniu ao lado de uma estrada para orar. Enquanto oravam, um carro atropelou o grupo, matando um e ferindo os outros.2 Fico angustiado quando penso nos pais daquele rapaz que foi atropelado e morto enquanto orava ao Deus vivo. Por que Deus permitiu que isso acontecesse?

É claro, isso foi um acidente. Mas a história está cheia de exemplos de maldade intencional.

Em nossos dias, a bomba de nitrogênio lança uma grande sombra sobre as pessoas deste pequeno planeta. E, hoje, as pessoas, cada vez mais, cogitam o impensável — a possibilidade de os terroristas pôr as mãos nessas bombas poderosíssimas. Deus está zelando por nós, controlando e guiando a história humana?

Além de todo sofrimento gerado pela desumanidade do homem contra o homem, há ainda a grande quantidade de desastres naturais que ocorrem em nosso mundo. Essas calamidades naturais, como terremotos, furacões, tornados e inundações, matam inúmeras pessoas e destroem comunidades inteiras. Doenças horríveis como câncer, leucemia, poliomielite e varíola que arrebatam milhares de vidas todos os anos — isso para não mencionar a AIDS, a praga que logo devastará a África. Defeitos congênitos como distrofia muscular e paralisia cerebral que incapacitam uma incontável quantidade de pessoas. Criancinhas que se afogam. Pessoas que perecem em incêndios florestais. Os desastres acontecem sem aviso. Em questão de instantes, podemos ser atingidos por dores inconsoláveis. Certa vez, H. G. Wells comentou que Deus parece ser "um eterno ausente na hora de precisão".

O Homem Nasce para o Trabalho

O sofrimento do ser humano não é novidade. Ele parece ser uma realidade sempre presente na raça humana.Há muito tempo, coisas ruins têm acontecido a pessoas boas, até mesmo com as pessoas de Deus dos tempos bíblicos.

Quem pode esquecer o horrível sofrimento de Jó (ele perdeu a família e suas posses)? Davi, que estava para se tornar rei de Israel, por anos a fio, foi caçado e perseguido pelo ciumento e furioso Saul (1 Sm 20.33; 21.10; 23.8). A esposa de Oséias foi infiel (Os 1.2; 2.2,4). José foi tratado de maneira cruel por seus irmãos e vendido como escravo (Gn 37.27,28). João Batista, a mando da enteada de Herodes, foi decapitado (Mt 14.6-10). Paulo, inúmeras vezes, foi jogado na prisão, sofreu naufrágio, foi açoitado e deixado para morto e muito mais (2 Co 11.25).

Ás vezes, os cristãos chegam a pensar que quem obedece a Deus e procura ser um bom cristão não passará por sofrimentos horríveis. Entretanto, se coisas ruins aconteceram com Jó, João Batista e o apóstolo Paulo, com certeza elas podem acontecer com os bons cristãos.

Os cristãos não estão isentos de horríveis tragédias.

Nem as crianças estão isentas do sofrimento.

E, em nosso país, o que dizer a respeito das inúmeras vítimas inocentes de crimes?

Além disso, em nosso mundo, inúmeras pessoas boas estão experimentando em seu coração o que chamamos de dor espiritual.

A dor física, a dor emocional e a dor existencial — todas elas são espinhos sempre presentes em nossa vida. Basta esperar o tempo suficiente, e todos serão ferroados por elas de uma maneira ou de outra.

Entendendo o Problema

Precisamos entender de maneira realista por que tantas pessoas acreditam que o problema do mal apresenta um sério desafio para a fé cristã.

O problema do mal, posto de maneira simples, é este:

De duas uma, ou Deus quer abolir o mal, e não pode; ou Ele pode, mas não quer fazê-lo; ou Ele não pode ou Ele não quer. Se Ele quer, mas não pode, ele é impotente. Se Ele pode, mas não quer, logo Ele é perverso. No entanto, se Deus quer e pode abolir o mal, então como o mal ocorre no mundo?

Podemos Saber realmente as Respostas?

Percebi que caminho em um terreno perigoso ao sugerir que, de um ponto de vista cristão, o problema do mal possa fazer sentido para alguém.

O fato é que muito do que Deus faz em nosso mundo é e continuará sendo inescrutável para nossa mente finita. Nunca saberemos por que algumas coisas ruins acontecem neste universo. Alguns caminhos de Deus continuarão a ser um mistério para nós.

Deus afirmou em Isaías 55.8,9:

Porque os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos, os meus caminhos, diz o Senhor. Porque, assim como os céus são mais altos do que a terra, assim são os meus caminhos mais altos do que os vossos caminhos, e os meus pensamentos, mais altos do que os vossos pensamentos.

Essa é uma das principais lições que tiramos do livro de Jó. Deus nunca explicou a Jó por que Ele permitiu que coisas ruins acontecessem no mundo. A principal lição que Jó aprendeu com Deus é que, independentemente do que aconteça — até mesmo se o sofrimento e a dor do ser humano não fizerem sentido para a pessoa —, devemos, em tudo, confiar em Deus (Jó 13.15). Jó aprendeu que os caminhos de Deus são inescrutáveis, mas também aprendeu a confiar totalmente em Deus, e Ele o abençoou por essa fé.

Um dia, quando formos para o céu, as coisas se tornarão claras para nós.

Chuck Swindoll, cuja igreja fica na mesma rua onde moro, em Frisco, Texas, reflete:

Tudo, inclusive as tragédias e as calamidades e as angústias, a doença e a enfermidade, e o que denominamos de morte prematura, e as terríveis deformidades e defeitos de nascimento e doenças congênitas colaboram para o bem. Tudo será revelado e veremos que os planos de Deus estavam certos.

No momento, da forma como se apresenta, não vemos toda a tapeçaria da vida. De nosso limitado ponto de vista, só podemos ver um fio da tapeçaria de cada vez. E não compreendemos como todos os distintos fios podem ser tecidos juntos. Assim como Jó preciso aprender a confiar em Deus a despeito das coisas que não entendo totalmente.

Podemos sentir que a Bíblia não revela o suficiente sobre essa questão. Contudo, o que a Bíblia revela é significante e nos dá boas razões para confiar em Deus e em seus propósitos. Quanto mais entendermos o que as Escrituras revelam sobre esse assunto, mais nossa fé encontrará amparo para que possamos confiar em Deus, mesmo com tudo que não entendemos.

Meu Objetivo neste Livro


Meu objetivo neste livro é examinar algumas das mais espinhosas questões sobre o mal e o sofrimento do ponto de vista cristão. Quero fornecer uma visão adequada do sofrimento, fiel ao testemunho bíblico.

O livro que você está em suas mãos contém um sumário da sabedoria sobre essa questão que respiguei nas Escrituras. Minha oração é que este livro lhe proporcione uma âncora para que, quando você encarar a dor e o sofrimento, sua fé em Deus não seja abalada.

Você notará que este livro tem quinze capítulos. O exame do problema do mal não é o mesmo que olhar, por meio de um telescópio como um simples item. É como se olhássemos em um caleidoscópio, pois esse problema tem múltiplas facetas, em vários e distintos aspectos da realidade que de alguma maneira estão relacionados com essa complexa questão. De momento, estamos conversados; creio que você estará apto para ver como tudo isso se relaciona com a grande conjuntura do problema do mal. Muitos destes capítulos podem justapor-se, mas apenas na extensão necessária para preservar a fluência lógica do pensamento entre cada capítulo.

Dito isso, iniciemos nossa jornada. Primeira parada — As coisas ruins sempre o levam a questionar se Deus realmente existe?

(Essas foram as partes mais importantes extraídas do livro: "Por que coisas ruins acontecem se Deus é bom" de Ron Rhodes. Nem tudo que está escrito no livro se encontrará neste blog, então recomendo a sua leitura aos interessados.)

sábado, 27 de dezembro de 2008

Porcos na Sala - Frank e Ida Mae Hammond - part. 13 - final

O Conflito Final

"E acontecerá nos últimos dias, diz o Senhor, que derramarei do meu Espírito sobre toda a carne; vossos filhos e vossas filhas profetizarão, vossos jovens terão visões, E SONHARÃO VOSSOS VELHOS." (Atos 2:17.)

O Sonho

No início do sonho, eu estava entrando num grande estádio superlotado de gente, e havia naquele ar expectativa e excitação sobre o que iria acontecer. Ia haver um jogo de beisebol, e eu era um dos jogadores, vestindo um uniforme branco e vermelho. O outro time estava vestido de preto e branco.

Quando entrei em campo, percebi que todos os meus companheiros do time estavam fora do campo, ainda envolvidos numa discussão calorosa com todos os membros do outro time. Não quis nada com a bagunça e entrei no campo, esperando a chegada dos outros. Entrou comigo no campo um membro do outro time. Eu queria começar logo o jogo. Pela posição do sol, sabia que restavam só duas horas de luz do dia. Devíamos começar o jogo o mais breve possível.


Finalmente, a discussão se findou e os times tomaram seus lugares. Nosso time ficou no campo enquanto o outro ia bater a bola. Lembrei-me de que ninguém me avisou sobre minha posição no time. O treinador me mandou tomar conta da terceira base.

Os jogadores do nosso time começaram a se encorajar uns aos outros. Fizemos todos os exercícios de preparação e estava na hora de começar mesmo.

O lançador da bola jogou a primeira e o batedor bateu-a bem alto por cima de minha cabeça, caindo fora do campo. O medo tomou meu coração. Pensei comigo que se todos naquela equipe fossem assim fortes, nossas chances contra eles eram poucas. Eu fiquei pulando consciente de que devia estar bem pronto para pegar qualquer bola que viesse em minha direção, especialmente quando viesse daquele batedor. Nesse momento, meu sonho terminou. Ao acordar, comecei a me lembrar do sonho e minha reação foi de desapontamento. Gosto muito de beisebol e queria saber como o jogo terminou.

A Interpretação

O sentido de um sonho espiritual não pode ser manipulado — tem de ser interpretado. No dia seguinte, quando o Espírito Santo recordou o sonho para mim, Ele também começou a interpretá-lo. Peguei uma caneta e papel e o escrevi o mais rápido possível. Tudo ficou esclarecido em poucos minutos. Fui escrevendo sem interrupção, exatamente como o Espírito Santo revelava.

O campo de jogo representava o mundo inteiro, enquanto os espectadores representavam Hebreus 12:1: "Portanto, também nós, visto que temos a rodear-nos tão grande nuvem de testemunhas...".

O Senhor me disse que a multidão era a grande nuvem de testemunhas. Eles eram todos os cristãos que já viveram e agora estavam olhando o mundo de suas posições celestiais. Todos os patriarcas e os santos do Antigo e do Novo Testamento estavam presentes. Lá estavam Abraão, Jacó, Isaque, Josué, Davi, Daniel, Jeremias, Isaías, Pedro, Tiago, João e todos os outros. Eles foram jogadores nos times das gerações anteriores, desde a criação do mundo.

Muitos tinham sido colocados no Rol de Honra, conforme está descrito no capítulo 11 de Hebreus. Eles estavam nos observando para ver nosso desempenho em nossa geração. Então, o Senhor falou para mim: "ISSO É A COPA MUNDIAL! ISSO É O CONFLITO FINAL ENTRE AS FORÇAS DO MAL E AS FORÇAS DA JUSTIÇA. ISSO É PARA DETERMINAR O CAMPEONATO MUNDIAL!"

Naquele momento entendi o sentido dos uniformes. O nosso era branco e vermelho - o vermelho representando o sangue de Jesus. Ele nos marca como sendo os que pertencem ao Senhor. O sangue fala de nosso poder em Jesus Cristo. "Eles, pois, o venceram por causa do sangue do Cordeiro..." (Apocalipse 12:11.) O branco fala da pureza. O Espírito Santo está enfatizando a purificação pessoal e a prática da justiça. Não é mais hora de se andar com um pé no mundo e o outro no Reino de Deus!

O outro time, com uniforme preto e branco, caracterizava Satanás e suas obras vis. Os oponentes foram claramente identificados como o diabo e suas hostes de espíritos demoníacos. Fiquei perplexo. O que significava tudo isso? Ao mesmo tempo em que a pergunta estava-se formando em minha mente, o Espírito Santo estava revelando a resposta. O preto e o branco representam uma mistura do mal com o bem. Satanás não chega até nós representando sempre todo o mal. Ele vem todo branquinho também. O preto e o branco do uniforme representavam a mistura. Hoje, mais do que nunca, há uma mistura do bem e do mal, da verdade e da mentira.

Por que é que eu estava nessa batalha? O Senhor mostrou-me que minha presença nesse jogo era a de representante de muitos cristãos que estão entrando no campo de luta espiritual para levar a ofensiva contra as forças do inferno.

Perguntei-Lhe: "Mas, Senhor, por que todos os meus companheiros do time estão na linha lateral, argumentando com o outro time?" O Senhor explicou que essa era mais uma das táticas do inimigo; ele faz tudo para que o povo de Deus fique na linha lateral mesmo, fora da ação principal, e deixa-os lá completamente ocupados. Ele me mostrou que isso representa as divisões da cristandade denominacional.

O diabo tem os cristãos na linha lateral defendendo suas próprias doutrinas e tradições, sem perceber que eles foram enganados por Satanás. Está na hora de o povo de Deus ficar unido para realizar sua obra. Na realidade, é exatamente isso o que está acontecendo hoje como resultado do grande derramamento do Espírito Santo em todas as partes do mundo.

Minha preocupação era que a luz do dia estava se acabando, faltando somente mais duas horas. Certamente a noite vem, quando ninguém mais pode trabalhar. Estamos vivendo nas últimas horas da história humana. Temos de agir de maneira que cada minuto conte, e usá-lo ao máximo. Temos a necessidade de reconhecer que, como cristãos, nosso lugar é no campo onde venceremos Satanás e as suas hostes.

Finalmente, os times entraram em campo para jogar. Um só jogador não faz o time! A fase da vida espiritual na qual estamos nos movendo precisa de esforço unido do tipo representado por um time: união. O Senhor me fez lembrar que há nove jogadores num time de beisebol. O número nove sugere os nove dons do Espírito e os nove frutos do Espírito.

Os membro do time do Senhor nesse conflito final contra as forças satânicas estarão operando sob a direção do Espírito Santo. Os dons do Espírito - a palavra de sabedoria, a palavra de conhecimento, a fé, os dons de cura, a operação de milagres, a profecia, o discernimento dos espíritos, variedades de línguas e a interpretação das línguas (veja 1 Coríntios 12:8-10) - operarão no ministério.

O fruto do Espírito - amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio - estará em evidência. (Veja Gálatas 5:22, 23.) Louvado seja o Senhor! Ele está trazendo Seu time ao campo em nossos dias. É um time cheio do Espírito. Os dons do Espírito estão sendo restaurados à Igreja.

O fruto do Espírito está sendo notado entre o povo de Deus como nunca. As barreiras que nos têm separado e nos têm deixado na linha lateral por tanto tempo agora estão sendo derrubadas. As barreiras denominacionais estão-se desintegrando. As questões duvidosas de doutrinas estão sendo enterradas. Jesus é o Senhor! Estamos experimentando o fluxo do amor. Estamos pisando em terreno comum. Podemos prestar nosso louvor e ministrar juntos sob o poder do Espírito Santo.

Quando entrei em campo, fui acompanhado por um membro do time adversário. Na experiência real entrei no campo de lutar quando experimentei o batismo no Espírito Santo. Foi naquele momento que me tornei uma ameaça ao diabo. Depois dessa experiência, os dons do Espírito começaram a operar no meu ministério, e a maior parte do poder resultante foi dirigido ao diabo.

O batismo no Espírito Santo não pôs fim aos meus problemas - aliás, meus problemas aumentaram. Da noite para o dia, muitos de meus amigos se tornaram meus inimigos, rejeitando-me, acusando-me de orgulho e engano. O medo tomava conta do meu coração e queria saber o que iria acontecer comigo. Os poderes demoníacos tinham entrado em campo para me confrontar.

Neste ponto, eu estava no lado esquerdo do campo. Você sabe o que significa a expressão "estar no campo esquerdo"? Essa expressão, com suas raízes no jogo de beisebol, tem sido usada para descrever uma pessoa confusa, que não está a par do assunto. Eu sabia que estava na luta, no campo, mas não tinha a menor idéia do que iria fazer.

Isso descreve meu dilema logo após meu batismo no Espírito Santo. Não é essa a experiência de muitos dos cristãos? Eles estão no "campo esquerdo". Eles nunca descobriram a vontade de Deus para sua vida. Eles estão andando ao léu, sem nenhuma direção. Eles não estão contribuindo para o time. A vaga a ser tomada por eles continua vazia.

Há uma falha entre os membros do time. Mas o treinador está lá para dirigi-los. Quem é o Treinador? É o Espírito Santo. E onde é que nos encontraremos com Ele? Essa foi uma parte do sonho que era muito estranha para mim. Geralmente, o treinador fica de lado, mas nesse caso ele ficava exatamente no meio do campo. Onde fica o Espírito Santo, senão no meio de nós? Ele está aí para nos dirigir enquanto nós olhamos para Ele. Ele me mostrou que meu lugar era na terceira base. A explicação já virá.

Os vários membros do time estavam achando sem demora suas posições. O jogo começou. Começamos a nos encorajar uns aos outros. Oh! que lindo retrato da Igreja atual!

"Consideremo-nos também uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras. Não deixemos de congregar-nos, como é costume de alguns; antes, façamos admoestações, e tanto mais quanto vedes que o dia se aproxima." (Hebreus 10:24, 25.)

Iniciamos nossos exercícios. O Senhor mostrou-me que o exercício físico dos jogadores representavam os exercícios espirituais - dobrar os joelhos em oração, erguer os braços em louvor, curvar as costas em adoração! Aleluia! Os participantes num campeonato mundial de luta sempre estarão na melhor condição física. Não deixe que seja dito de nós que "os filhos do mundo são mais hábeis na sua própria geração do que os filhos da luz" (Lucas 16:8b).

Se os jogadores em campo podem manter a disciplina necessária para ganhar a coroa terrestre, quanto mais deveria um cristão pagar para estar sempre pronto para entrar na maior de todas as lutas!

Agora, chegou a hora de começar a luta. Deus me mostrou que nosso time estava no campo defensivo. Ele disse que o povo dEle tinha estado nessa posição por bastante tempo. Estava na hora de tomar o controle e o diabo ficar no lado da defensiva. Uma boa defesa é importante, mas é o time ofensivo que ganha os pontos. Por meio da luta espiritual, a Igreja está tomando a ofensiva. Os principados e potestades da escuridão espiritual estão sendo atacados e vencidos. Uma vez Jesus disse:
"Se, porém, eu expulso os demônios pelo dedo de Deus, certamente é chegado o reino de Deus sobre vós." (Lucas 11:20.)


Estamos no tempo de luta espiritual e de vitórias espirituais. Antes que o Reino de Deus possa tornar-se uma realidade em sua vida e na minha, as forças do inferno que nos assaltam têm de ser confrontadas e vencidas. Antes que a Igreja possa cumprir aquilo que o Senhor profetizou acerca de Sua Igreja vitoriosa (Mateus 16:18), ela deve tomar a ofensiva contra o diabo. A mensagem e a prática da luta espiritual estão sendo espalhadas rapidamente por toda a Igreja. Pela primeira vez estamos vendo as costas do diabo. É uma vista maravilhosa!

Agora é a vez da Igreja de tomar a ofensiva e dominar o diabo. Amém!

Lançada a primeira bola, o batedor da oposição bateu-a com muita força e lançou a bola bem alto e longe, mas ela caiu fora da linha. O Senhor disse: "Quero mostrar-lhe a obra do inimigo. É semelhante àquela bola. O inimigo de fato tem qualquer poder e o que ele faz, muitas vez, é muito alto e impressionante, mas é sempre 'fora do lugar'".

O medo que se apoderou de mim é comum a muitos dos servos de Deus, hoje, ao verem tudo o que o diabo está fazendo nestes dias. Eles duvidam que haja uma chance de ganhar, de vencer. Eles começam a pensar que vão ser derrubados. Mas Deus não está levantando uma Igreja assim! Ele é o Senhor de uma Igreja militante. Ele tem esperado uma geração como a nossa para entrar em campo. Sob a liderança dEle, isso será feito. O inimigo será derrubado — vencido. Você faz parte do time? Você está no lado ofensivo contra o diabo?

Neste ponto do sonho percebi que eu precisava estar pronto. Devo estar em boas condições, tanto físicas quanto espirituais. Eu devo estar pronto para me mover em qualquer direção necessária e expulsar o oponente.

"Portanto, vede prudentemente como andais, não como néscios, e, sim, como sábios, remindo o tempo, porque os dias são maus." (Efésios 5:15, 16.)

Tive a impressão de que o fim do sonho foi prematuro. Perguntei ao Senhor por que Ele não me deixou ver o fim do jogo. Ele me perguntou por que eu queria vê-lo até o fim. Expliquei-Lhe que queria saber o resultado. O Senhor, então, me disse uma das coisas mais lindas que já tinha ouvido: "Filho, você não precisa saber o resultado final. Você já sabe qual é. Minha Palavra lhe prometeu que você está no time vitorioso. Será como Eu disse. Não, você não precisa saber o resultado final, mas você tem de saber que O CONFLITO FINAL JÁ ESTÁ INICIADO."


Sim, querido cristão, estamos no fim do século. O conflito final entre as forças de Satanás e o exército de Deus JÁ ESTÁ em ação. Vemos as evidências disso em todos os lados. É a chamada à luta. Não há mais tempo para demorar. A luta está iniciada! Você está envolvido nela?


O Resultado


A interpretação do sonho não tinha terminado. Recebi a revelação do que significavam as três bases no jogo de beisebol. A primeira base representava as relações sociais, a segunda base representava as relações comerciais, e a terceira base representava as relações eclesiásticas. Por isso, fiquei na terceira base. Era para eu expulsar Satanás quando ele tentasse atingir a terceira base - a Igreja.

O lugar do batedor significava relações da família. O Espírito Santo mostrou-me que tudo começou e terminou no lugar do batedor. Quando os membros do time de Deus tomam o lugar do batedor, eles têm de começar em casa e consertar a vida do lar. Se eles não fizerem isso antes de tocar nas outras bases de relações sociais, comerciais e eclesiásticas, tudo será em vão.

Hoje Deus está enfatizando a vida no lar. Ele está arrumando nossa vida. Ele está restaurando o marido e o pai ao lugar de autoridade no lar. O lar está-se tornando o centro da vida espiritual. Essa é a ordem divina. Não podemos estar bem em nenhum outro relacionamento na vida até que nossa vida esteja bem em casa.

O time do diabo está lançando bolas velozes. O diabo tem de ser derrubado em primeiro lugar, no início de seu ataque contra nosso lar. Cada membro da família tem de assumir o encargo ordenado por Deus.

As mulheres sejam submissas ao seu próprio marido, como ao Senhor [...] Maridos, amai vossa mulher, como também Cristo amou a Igreja e a si mesmo se entregou por ela [...] Filhos, obedecei a vossos pais no Senhor, pois isto é justo." (Efésios 5:22, 25; 6:1)

A primeira prova de convivência cristã começa em casa. Se o amor, a alegria e a paz do Espírito Santo não saem de nossa vida nas relações com outros membros de nosso próprio lar, Satanás nos venceu. Quando se torna claro que Satanás já está com o rabo na brecha aberta em nosso lar e em nós, isso é uma chamada à luta espiritual. Vença ao diabo em sua própria vida e em sua família e você poderá levar a batalha até outras áreas da vida.

Em Sua parábola do argueiro e a trave (Mateus 7:3), Jesus nos mostrou que nós temos de pôr em ordem nossa própria vida antes que possamos ministrar aos outros. Temos de ter a certeza de que não hospedamos porcos em nossa própria sala.

Porcos na Sala - Frank e Ida Mae Hammond - part. 12

Problemas e Perguntas

1. Nós somos menos eficazes que Jesus, não é?

Não fujamos deste ministério por causa da falta de perfeição, esperando o dia em que possamos agir como Jesus. Esse caso é igual ao da pessoa que não sabia nadar e resolveu não entrar na água até que pudesse nadar como um campeão olímpico. Quando os resultados não são imediatos, alguns, com toda certeza, declaram que tudo depende da fé. Em conseqüência disso, eles têm a prática de mandar embora todos os demônios e descansam na "fé" que eles saíram. Mas suposição não é fé. Quando a pessoa não é liberta em conseqüência dessa pseudo-fé, então, deveria admitir-se que alguma coisa está errada.Creio em Deus que virão dias melhores. As lutas espirituais que, no passado, levaram horas, agora levam minutos. Os demônios, sem dúvida, reconhecem nossa autoridade aumentada pela experiência e respondem mais rápido, com menos manifestações ou manifestações mais curtas. Parece que isso é um paralelo à experiência de Jesus quando Ele entrou na sinagoga e um espírito imundo presente num homem bradou. (Veja Marcos 1:23, 26.) Fiquemos abertos ao ensino do Espírito Santo. Sem dúvida, o problema é dos homens e não de Deus.

2. Como um cristão pode ter demônios?

Como é possível para um espírito demoníaco habitar o mesmo corpo ao mesmo tempo que o Espírito Santo? A explicação dessa possibilidade é principalmente baseada, tanto quanto eu possa determinar, num entendimento claro da diferença entre a alma e o espírito. A palavra do Novo Testamento para "espírito" é "pneuma". Em contraposição ao natural, o espírito é aquela parte do ser humano que tem a capacidade de alcançar e perceber as coisas divinas.A palavra "alma' é "psique". Ela significa as emoções, o intelecto e a vontade.Disso vemos que o Espírito divino passa a habitar no espírito humano na hora da salvação. Os espíritos demoníacos estão relegados à alma e ao corpo do cristão. Os demônios afligem as emoções, a mente, a vontade e o corpo físico, mas não o espírito do cristão.A finalidade da libertação é tirar os demônios transgressores da alma e do corpo, a fim de que Jesus Cristo possa reinar também sobre estas áreas. Deus está fazendo uma obra "em você", mas a salvação mencionada não está completa. Ela precisa ser "desenvolvida".Jesus libertou nosso ESPÍRITO do poder de Satanás; agora Jesus nos diz: "Desenvolvei a vossa salvação (libertação) da molestação dos inimigos até que a ALMA. e o CORPO sejam libertados".

3. Um incrédulo pode ser libertado?

A resposta óbvia é "sim". Os demônios têm de obedecer àqueles que os mandam embora em nome de Jesus.Mas por duas razões duvido seriamente de tal libertação.PRIMEIRA: Haveria pouca esperança na conservação de tal libertação. Eles voltariam logo em seguida, não é? A pessoa tem de resistir pessoalmente ao demônio e ela não tem base para fazê-lo, a menos que esteja submissa ao Senhor. O pecado abre a porta para a entrada dos demônios, e um pecador incrédulo, sem o arrependimento de seus pecados, torna-se vítima do diabo.SEGUNDA. De acordo com as Escrituras Sagradas, a libertação de um incrédulo poderia contribuir para uma piora, em vez de uma melhora. Se nada de Deus é posto no lugar vazio, o espírito maligno pode voltar, trazendo outros demônios até piores junto com ele, de modo que "o último estado daquele homem torna-se pior do que o primeiro". Não vejo base nenhuma para ministrar libertação a um incrédulo a não ser por ordem do Senhor. O ministério de libertação não é uma brincadeira, nem um jogo. É somente para aqueles que levam Deus a sério. Ora, a questão não é um incrédulo PODER ficar liberto, mas se deve um incrédulo receber a ministração de libertação. Normalmente, o espírito tem de ser liberto primeiro, e isso acontece através do novo nascimento.

4. Sendo expulsos, o que acontece com os demônios?

"Quando o espírito imundo sai do homem, anda por lugares áridos procurando repouso, porém não encontra." (Mateus 12:43.)Assim, as palavras mostram os demônios andando e percorrendo um lugar fora da habitação humana. O demônio é inquieto e insatisfeito fora do corpo humano, pois a única maneira em que ele pode perpetuar seus desígnios maus é habitando e controlando uma vida humana."De míngua e fome se debilitaram; roem os lugares secos, desde muito em ruínas e desolados. Apanham malvas e folhas dos arbustos e se sustentam de raízes de zimbro. Do meio dos homens são expulsos; grita-se contra eles, como se grita atrás de um ladrão; habitam nos desfiladeiros sombrios, nas cavernas da terra e das rochas. Bramam entre os arbustos e se ajuntam debaixo dos espinheiros. São filhos de doidos, raça infame, e da terra são escorraçados." (Jó 30:3-8.)

5. Podemos indicar para onde os demônios têm de ir?

"E eis que gritaram: Que temos nós contigo, ó Filho de Deus! Vieste aqui atormentar-nos antes do tempo?" (Mateus 8:29.)As Escrituras não nos autorizam a atormentar os demônios antes do tempo. Esse tempo é estabelecido somente por Deus."E rogou-lhe encarecidamente que os não mandasse para fora do país." (Marcos 5:10.)Um demônio me implorava para não mandá-lo à África, queixando-se de que lá faz calor demais. Por uma razão ou outra, eles preferem ficar em certa localidade.Por que os espíritos malignos no gadareno pediram entrada nos suínos, e por que Jesus o concedeu? Certamente Jesus não estava de acordo com os demônios. A razão dEle deveria estar baseada no bem-estar do pobre endemoninhado. É minha própria teoria que o homem teria sido bastante arranhado pela legião dos espíritos resistindo à ordem de Jesus. (Jesus nunca impediu que os demônios maltratassem a pessoa ao saírem.) Desde que os demônios tivessem um destino certo, eles não resistiriam. No entanto, os suínos logo foram destruídos, e mais uma vez os demônios ficaram sem "casa".Os demônios preferem habitar corpos humanos. A segunda preferência deles é habitar num animal. Não me alegro muito ao saber que se o demônio não pudesse habitar em mim, ele preferiria um porco! Os demônios podem habitar e realmente habitam em animais.

6. Podemos proibir a volta dos demônios à pessoa já libertada?

Como vimos em Mateus 12:43-45, um demônio tentará voltar e vai conseguir entrar, se a pessoa libertada não fizer nada para impedi-lo. No caso de crianças, os pais são responsáveis pela proteção espiritual dos filhos. Se tivéssemos a autoridade de, em todos os casos, proibir a volta dos demônios, a libertação seria facilitada bastante, mas eliminaria o incentivo do indivíduo em conservar sua libertação, a qual faz parte do crescimento espiritual do crente. Sem dúvida nenhuma, o Senhor nos revelará Sua intenção em qualquer situação em que Seu propósito for o de limitar a atividade demoníaca, negando-lhe acesso à pessoa. Deus é capaz e bem pode limitar o poder de Satanás contra alguém. Satanás precisou pedir licença a Deus antes que pudesse maltratar Jó.Se Deus, por meio da palavra de conhecimento, mostrar que é proibido ao demônio habitar na pessoa de novo, podemos dizer ao demônio: "Na autoridade do Senhor Jesus Cristo, não entre mais nela".

7. As casas deveriam ser purificadas dos espíritos imundos?

Livros e objetos relacionados com o reino satânico têm servido como ímãs na atração dos demônios. Atividades pecaminosas da parte dos moradores anteriores de uma habitação dão motivo para uma "limpeza". Muitas pessoas têm contado que ouvem vozes ou barulho estranho em sua casa. Tais manifestações chamam-se "poltergeist", uma palavra alemã que significa "espíritos barulhentos".Esse ministério que Deus me deu tem-me levado a muitos lares, de modo que estou ciente de quantas dessas criaturas impuras,corujas e os sapos, estão sendo transformadas em objetos de arte e usados como enfeites. Eles estão classificados entre as criaturas mencionadas em Deuteronômio 14:17-19. Eles são tipos de espíritos demoníacos. Isso é verdade especialmente em relação a corujas e sapos. É mais do que coincidência que os dois são criaturas da escuridão. Eles saem à noite em busca de alimento. Os demônios também são criaturas da escuridão. Eles não podem operar na luz!"As imagens de escultura de seus deuses queimarás; a prata e o outro que estão sobre elas não cobiçarás, nem os tomarás para ti, para que te não enlaces neles; pois são abominação ao Senhor, teu Deus. Não meterás, pois, cousa abominável em tua casa, para que não sejas amaldiçoado, semelhante a ela; de todo, a detestarás e, de todo, a abominarás, pois é amaldiçoada." (Deuteronômio 7:25, 26.)Os espíritos malignos e imundos definitivamente são atraídos às casas pelos objetos e pela literatura que trata de religiões falsas, de seitas, do oculto, do espiritismo, etc. Todas essas coisas devem ser queimadas ou destruídas de qualquer maneira. Os lares e/ou prédios suspeitos de infestação demoníaca devem ser purificados pela autoridade do nome de Jesus. Aqueles que moram ou trabalham nesses lugares devem clamar pelo sangue de Jesus Cristo.

8. É necessário chamar os demônios pelo nome específico para expulsá-los?

Às vezes, eles saem sem serem identificados. Em outras situações, acontece que demônio nenhum sairá até que ele seja chamado por seu próprio nome.Os demônios costumam responder à descrição daquilo que eles mesmos provocam. Penso que a insistência em ser chamado pelo nome é uma maneira de prolongar a luta. Conheço casos em que os demônios resistiram a identificar-se, dizendo: "Mas este não é meu nome". Nesses casos, eu geralmente digo: "Você tem de sair de qualquer maneira", e eles saem.O principal valor em saber o nome ou a classificação dos demônios é o de habilitar a pessoa liberta a saber o que foi realizado. Quando qualquer um deles tentar retornar, é importante reconhecê-lo. Dessa maneira, a pessoa está de sobreaviso e pode tratar com aquela parte da carne e fechar a porta ou tampar a brecha contra a volta deles.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Porcos na Sala - Frank e Ida Mae Hammond - part. 11

A Esquizofrenia

A esquizofrenia é um problema bastante comum. Os esquizofrênicos constituem a metade da população dos hospitais psiquiátricos. Naturalmente há uma variedade de graus de esquizofrenia. Alguns casos são graves, enquanto outros são bem leves. Muitos esquizofrênicos nunca foram tratados adequadamente.

Sua causa e sua cura têm sido revestidas de dúvidas. O distúrbio e a desintegração da personalidade conhecidos por esquizofrenia ou "dementia praecox" são encontrados com freqüência pelo ministro de libertação. Julgo que um quarto dos que nos procuram para libertação possuem o padrão da esquizofrenia.

A Revelação sobre Esquizofrenia

Lembrei-me de que esquizofrenia é, às vezes, designada como "dupla personalidade" .

O Senhor me deu esta definição: "Esquizofrenia é um distúrbio ou uma desintegração do desenvolvimento da personalidade".

Eu ainda estava na cama quando o Senhor continuou a me dar a revelação. Ele me disse para juntar as mãos, entrelaçando os dedos bem firmemente, pois isso representava a natureza esquizofrênica. Cada mão representava uma das duas personalidades dentro do esquizofrênico, nenhuma delas representando a pessoa verdadeira. Minhas mãos estavam firmemente entrelaçadas.

Disse o Senhor: "Suas mãos representam o ninho dos espíritos demoníacos que formam a esquizofrenia. Quero que você saiba que é demoníaca. É um ninho de espíritos maus que entraram na vida dela quando era pequena. Vou lhe mostrar como se separam."

Em seguida, o Senhor me disse para separar os dedos devagar, MUITO DEVAGAR. Enquanto meus dedos se desentrelaçavam, o Senhor me mostrou que esses espíritos demoníacos devem ser separados, expulsos e abjurados. O processo requer tempo. È um choque para a pessoa descobrir o quanto de sua personalidade não é verdadeiramente sua.

Ela pode ter medo de descobrir qual é a sua verdadeira personalidade. A pessoa precisa de tempo para se ajustar e para deixar a ligação com as personalidades falsas, dos demônios. Ela tem de se aborrecer da personalidade esquizofrênica e deixar de estar de acordo com ela. O Senhor fez-me lembrar de Amós 3:3: "Andarão dois juntos, se não houver entre eles acordo?".

Um por um de meus dedos foram desligados, ilustrando o desligamento das personalidades demoníacas. (Mais tarde foi dado a cada dedo uma designação de demônio.) Os últimos dois dedos a serem separados foram os terceiros das mãos. O Senhor mostrou-me que estes representam o âmago do esquizofrênico - rejeição e rebelião. Quando estes estão finalmente separados, a pessoa pode considerar-se curada — libertada - e poderá saber qual é a sua verdadeira pessoa.

O demônio de controle é chamado de "Esquizofrenia" ou "Animo Dobre". A Bíblia diz: "homem de ânimo dobre, inconstante em todos os seus caminhos" (Tiago 1:8). Essa é a definição de esquizofrênico segundo as Escrituras. Ou em outra tradução:
"[Pois sendo como ele é] um homem de ânimo dobre — hesitante, dúbio, irresoluto — [ele é] instável e inseguro sobre tudo (que ele pensa, sente, resolve)".


Outra parte da revelação veio umas semanas mais tarde. O Senhor mandou-me desenhar minhas mãos numa folha de papel. Aos dedos, Ele deu os nomes de vários demônios e mostrou como cada demônio se aninha no esquizofrênico. O demônio em controle da esquizofrenia convida os outros para entrar para causar a distorção da personalidade. A esquizofrenia SEMPRE começa com "rejeição". Em geral, ela começa logo no princípio da vida e às vezes enquanto a criança ainda está no ventre da mãe. Há muitas razões para a rejeição. Talvez a criança não fosse desejada ou não fosse do sexo desejado por um dos pais ou pelos dois. As condições no lar também influem. Há muitas "portas" que dão entrada à rejeição.

A esquizofrenia pode ser herdada demoniacamente. Note-se que eu disse "demoniacamente". Com isso quero dizer que ela não está no sangue nem nos genes - está nos demônios. Em outras palavras, os demônios procuram propagar-se mesmo. É muito fácil para eles fazerem isso dentro de uma família. Por exemplo: vamos supor que a natureza esquizofrênica está na mãe.

Os demônios escolherão uma ou duas das crianças em que eles continuarão a habitar. A mãe esquizofrênica sente-se rejeitada. É ela a responsável, em grande parte, pela dispensação de amor na família. A ela compete tomar conta do nenê. A rejeição dentro dela cria problemas em suas relações com' a criança. Então, a criança fica aberta para a rejeição, pela condição instável da mãe. Repito, esquizofrenia SEMPRE começa com rejeição.

Entretanto, alguém pode ter um espírito de rejeição sem ser um esquizofrênico. Em outras palavras, tudo está relacionado com a formação da personalidade. Você pode estar com um demônio de rejeição e, mesmo assim, conseguir formar sua própria personalidade e ser uma pessoa segura de si. Ao contrário, o esquizofrênico está sempre instável. "Quem sou eu?" A identidade da verdadeira personalidade está confusa ou perdida.

A rejeição é o demônio de controle numa das personalidades estabelecidas no esquizofrênico. A rejeição revela uma personalidade do tipo afastado. É um sentimento interior - é uma agonia - é uma fome de amor — é a insegurança — é a inferioridade — é a fantasia — é a irrealidade - tudo no interior - "Eu não faço parte disso." Isso é uma das personalidades formadas pelos demônios.

A segunda personalidade formada pelos demônios é a "rebelião". Quando uma criança não recebe amor adequado, ela cresce sem a capacidade de sentir e participar dos relacionamentos de amor. A rebelião toma conta. Ela começa a lutar por amor ou a atacar aqueles que lhe negaram amor. A rebelião se manifesta em teimosia, vontade própria e egoísmo. Aqui está outra personalidade. Essa não é de afastamento.

É agressiva e expressa raiva, rancor, amargura, ódio e represália. O esquizofrênico está literalmente sob o domínio desses dois poderes opostos. Ele pode passar de um tipo de personalidade para outro, num abrir e fechar de olhos.

Assim, de fato há três personalidades — a verdadeira, a rejeição e a rebelião. Num período de 30 minutos é possível que todas as três se manifestem. Naturalmente, isso traz muita confusão à própria pessoa e, mais ainda, aos outros ao redor dela.

A verdadeira pessoa não é nenhuma das "mãos". A "Pessoa Verdadeira" é mostrada entre os braços, no fundo. Os demônios não permitiram o desenvolvimento da própria pessoa. O esquizofrênico não conhece sua própria pessoa. Ao ser libertado, a pessoa real deve ter Jesus.

A presença de Jesus naquela pessoa tem de ser desenvolvida, desenvolvendo a personalidade e fazendo aquilo que Ele quer que ela seja. Por isso, o tempo tomado na libertação de um esquizofrênico é mais prolongado que em outros — às vezes leva meses ou até um ano ou mais.

A libertação tem de progredir junto com o desenvolvimento da "pessoa verdadeira". Não pode ser às pressas, pois não há nada para sustentá-la. Se todos os demônios num esquizofrênico fossem expulsos de uma vez, a pessoa se sentiria perdida. Identificação com a "pessoa verdadeira" leva tempo. Enquanto a natureza esquizofrênica está sendo derrubada, a personalidade verdadeira tem de crescer para tomar seu lugar.

Deixe-me ilustrar o que pode acontecer durante a libertação de um esquizofrênico. Talvez ele esteja,.aprendendo submissão à autoridade. Ele está encarando um teste. Há uma situação em que ele tem de se submeter e isso está fora de seu costume. O que ele fará? Voltará à rejeição? voltará para seu quarto? cobrirá o rosto? deixará de falar com alguém? ou voltará à rebelião? expressando raiva? tornando-se rebelde? mostrando teimosia? Ou ele deixará a natureza de Jesus aparecer? cooperando? entregando-se à autoridade? tornando-se submisso? A decisão é dele. Ele tem de discordar dos demônios e quebrar os padrões dos velhos hábitos. A "pessoa verdadeira" deve tornar-se bastante forte em Cristo para tomar a decisão certa.

O esquizofrênico, geralmente, cria uma turbulência ao redor de si. Ele entornado pelo furor, e os outros têm de se relacionar com aquilo que está acontecendo.

Note que há umas flechas também com espirais ou "furacões". Se, por acaso, a pessoa com quem está tentando relacionar-se também é instável, ela traz seus tumultos aos do esquizofrênico, criando um furacão dentro do furacão.

Outras flechas estão limpas. Estas representam as pessoas estáveis, que podem relacionar-se com o "furacão" de maneira estável. Tais pessoas podem se aproximar e enfrentar o furacão, sem ficarem feridas nem marcadas. Elas não são pegas pelo tumulto. O ministro de libertação deve ser capaz de entrar como uma flecha limpa. É nestas horas tumultuosas que se formam as raízes de amargura e se aprofundam mais e mais.

O dedo anular representa a luxúria. O Senhor me mostrou que esse demônio casa a pessoa com o mundo em busca de amor. A luxúria tem suas raízes na rejeição. Se alguém não recebeu amor satisfatório por meio dos canais normas da vida, a natureza carnal começará a procurar esse tipo de amor – amor sensual — erótico.

Um demônio companheiro deste grupo é fantasia sexual, que pode fazer a pessoa imaginar-se como o maior amante do mundo ou da TV, ou levá-la a fantasiar experiências sexuais como um prelúdio aos atos de perversão real. O espírito de prostituição nas mulheres pode, a princípio, manifestar-se no modo de se vestir. Perversões sexuais representam ações extremas para superar a rejeição. As experiências sexuais nunca podem satisfazer a necessidade de amor genuíno. Elas são os substitutos do diabo para o verdadeiro amor e deixam a pessoa carregada de frustrações e culpas.

O dedo mínimo na mão esquerda é a "auto-acusação". Esse demônio faz a pessoa virar-se contra si mesma e destrói seu senso de valor pessoal. Na maioria dos casos, temos encontrado "auto-acusação" ligada a uma "compulsão de confessar". Por exemplo, se a pessoa cair em atos imorais, ela não descansa até ter confessado tudo. Geralmente, a pessoa confessa a quem deveria demonstrar-lhe o máximo de amor. Ela é levada a agir dessa maneira numa tentativa de "chocar" os outros e forçá-los a dar-lhe atenção e, assim, encontra um substitutivo para o amor.

Agora notemos a mão direita. O dedo médio leva a designação de "rebelião". Como temos visto, a rebelião identifica uma das personalidades falsas montada pelos demônios. Esse grupo de demônios pode ser considerado espíritos compensadores para "rejeição' rebelião é o oposto da rejeição. Um é expressivo e turbulento; o outro é receoso e inseguro.

O dedo anular da mão direita representa teimosia (vontade própria). Esse demônio "casa" a pessoa com desejos próprios. Isso abre o caminho à teima, ao egoísmo e à resistência ao ensino. De novo vemos a compensação para a rejeição. Desde que a pessoa foi rejeitada ou tem medo da rejeição, ela é levada a mimar-se e a esforçar-se. Assim, ela está tentando suprir as sensações de rejeição.

O dedo indicador é chamado acusação. Ele também é um demônio compensador. Ele desvia a atenção da rejeição. Ele procura eliminar uma concentração em si, chamando a atenção para os outros. O indicador esquerdo aponta para si - "Eu sou culpado -, enquanto o indicador direito aponta para os outros -"É você o culpado". É o demônio de acusação que abre a porta para seus companheiros de julgamento.

O dedo mínimo da mão direita é auto-engano. Seus colegas são ilusão, auto-sedução e orgulho. Esses três espíritos de "ego" inflamam o orgulho. O orgulho é outra compensação para a rejeição. Quem se sente rejeitado quer se sentir importante. O espírito de ilusão vem dizendo: "Você é verdadeiramente IMPORTANTE!" Você é um gigante espiritual!" ou outro tipo de gigante. O ego abatido agora recebeu um empurrão. Mas é tudo demoníaco. Só gera mais frustrações e desapontamentos.

Por revelação, o Senhor mostrou como os polegares representam a fase "PARANÓIA" da esquizofrenia. Uma parte dela está representada no polegar esquerdo porque tem suas raízes na rejeição. Ao lado da rejeição estão os espíritos de ciúme e inveja. Os deficientes em relacionamentos de amor recíproco tomam-se ciumentos e invejam quem tem esse amor que satisfaz. Ao lado da rebelião há espíritos de desconfiança, suspeita, medos e perseguição. Há outro demônio neste ultimo grupo chamado "confrontação com honestidade a qualquer preço".

A suspeita e a desconfiança aumentam na pessoa até que ela é obrigada a enfrentar a outra pessoa. Depois da confrontação, a pressão no interior diminui, por um pouco de tempo. Mas a pessoa atacada tem de cuidar das feridas feitas por ELA mesma. A pessoa agindo sob a influência dos demônios da paranóia é bastante insensível a quantas feridas ela cria, ainda que ela seja super-sensível às ofensas de outros para com ela.

Os demônios notados na mão esquerda são exemplos de outros espíritos geralmente encontrados ao lado da rejeição. Haverá variações de pessoa para pessoa. A lista é sugestiva e não exaustiva. Em muitos dos casos é claro que os demônios anotados na mão esquerda estão de uma maneira ou outra associados com o trio de espíritos do tipo de rejeição: rejeição, medo de rejeição e auto-rejeição.

A anotação de demônios na mão direita inclui controle e possessão. Eles estão diretamente relacionados à rebelião.

"A rebelião é como o pecado de feitiçaria..." (1 Samuel 15:23a.)

Este versículo pode ser interpretado de duas maneiras. Primeiro, interpreto que para Deus a rebelião é tão abominável como a feitiçaria. Também acho que quer dizer que alguém que é rebelde por natureza tem a natureza de uma bruxa. O objetivo da feitiçaria é controlar. É o controle sobre outra pessoa pelo uso, ciente ou não, do poder dos espíritos maus. A rebelião muitas vezes leva ao controle.

Agora, vamos continuar na mão direita. Há uma "raiz de amargura". Sempre há conflitos em nossa vida. Coisas ACONTECEM e palavras SÃO ditas que requerem uma atitude de perdão. Aqui está o problema com o esquizofrênico. Ele não tem a capacidade de perdoar. Ele está com um espírito irreconciliável. Aquilo que aconteceu há 30 anos está vivo hoje como se tivesse acontecido neste momento. A raiz de amargura fica em pé e dela saem ressentimento, ódio, raiva, represália, violência e homicídio. Pode haver muitos outros demônios ligados à raiz de amargura.

Como é que o esquizofrênico se desliga desta confusão? As três áreas principais a serem vencidas são REJEIÇÃO, REBELIÃO e RAIZ DE AMARGURA. Enquanto essas áreas são vencidas, a "casa" (a vida) tem de ser preenchida pelo amor -dado e recebido -, pela submissão a toda autoridade e pelo perdão a todos, apesar das circunstâncias. Quando essas três áreas estão vencidas, os outros espíritos da mesma ascendência perdem a força. É necessário determinação. A pessoa que é capaz de dizer com persistência: "ESTOU DIFERENTE! NÃO DEIXAREI OS DEMÔNIOS CONTROLAREM MINHA VIDA", eventualmente terá a vitória.

Entre as mãos, na parte de baixo, há uma figura chamada "A Pessoa Verdadeira". Do mesmo modo que a libertação demora para chegar ao fim, "a Pessoa Verdadeira" tem de crescer (designada pelas flechas) e se separar das falsas personalidades esquizofrênicas, discordando de toda a sua influência e de tudo que elas representam.

A "Pessoa Verdadeira" deve tomar a própria natureza de Jesus. Exercícios espirituais como estudo bíblico, oração, jejum, louvor e comunhão com outros crentes é essencial a uma libertação. Esses exercícios espirituais também acelerarão o processo de libertação, enquanto a vida da pessoa é cheia com as coisas positivas de Jesus Cristo.

É trabalho árduo tanto para o esquizofrênico quanto para o ministro de libertação. Tenho grande admiração pelos esquizofrênicos que lutam até ganhar a vitória. Admiro essas vitórias acima de todas as outras libertações. A libertação de esquizofrenia é a mais profunda, a mais detalhada e a mais resoluta que já encontramos.